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Dramatiser le choc « clastique » des matières

Introduction. Confluences des arts plastiques et de l’animation

Chapitre 1. Procès de morcellement

3. Des corps cousus ou la reconfiguration des limites du corps

3.3. Redessiner des corps contrastés

3.3.3 Dramatiser le choc « clastique » des matières

Não há um consenso unissonante sobre a modalidade de praticar a pesquisa, além de seguir o protocolo de perquisição preestabelecido, ou seja, investigar o método e a metodologia. A investigação científica é um sistema de regras (Método) que orienta um percurso cognoscitivo na busca do conhecimento. Esta indagação é composta por um sistema de diretrizes - guidelines (Metodologia), que organiza e racionaliza as informações reunidas, dispondo-as num processo que visa obter resultados específicos. O Método, conforme definido por Abbagnano no Dicionário de Filosofia (2007), inclui dois significados: o primeiro sentido traz o peso da “doutrina”: conjunto de princípios que serve de base a um determinado sistema filosófico e o segundo traça

54 “um procedimento de investigação organizado, replicável e autocorrigível, que garante a obtenção de resultados válidos”.

Portanto, o método fenomenológico é agregado de princípios em que se fundamenta a Fenomenologia; e que, conforme instrui Husserl, no seu artigo na Encyclopaedia Britannica (1927:59):

“[...] designa um novo método descritivo que fez sua aparição na Filosofia, em princípios do século [XX] e somente numa ciência apriórica que se desprende dele e que está destinada a fornecer a base fundamental para a filosofia, rigorosamente científica, e a possibilitar, em um desenvolvimento subsequente, uma reforma metódica de todas as ciências”.

Assim, o método fenomenológico submete-se às mesmas exigências das ciências que preveem um quadro de referência no qual a pesquisa acontece em um processo de coerência interna e de validação externa que atende aos postulados popperianos. Somente nesta perspetiva, se torna científico o conhecimento: determinar com maior exatidão os possíveis conceitos e leis que permitam explicar e prever os eventos (fenómenos).

A Metodologia é o estudo dos métodos empregues pela ciência para formular de maneira sistemática através de um conjunto de abordagens definidas em etapas, técnicas e procedimentos, com a finalidade precípua de analisar as características das ações indispensáveis para avaliar as potencialidades, as limitações ou as distorções; possibilitando a crítica aos pressupostos e as implicações de sua utilização. Este recurso compreende a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda a ação desenvolvida no projeto de pesquisa, considerando os instrumentos utilizados, as teorias aplicadas, documentação consultada, elaboração, tratamento e tabulação dos dados, equipe, tempo previsto e divisão do trabalho entre os pesquisadores; enfim, tudo aquilo que compõe a investigação. Desta forma, inclui os seguintes conceitos, em relação a uma disciplina particular ou campo de estudo:

1. Coleção de teorias, conceitos e ideias; 2. Estudo comparativo de diferentes enfoques; 3. Crítica de um método.

55 Uma importante tendência metodológica do século XX, denominada neopositivismo, foi elaborada por Karl Popper no imponente trabalho Conjetures and Refutations (1969), estabelecendo que a verdade é inalcançável, mas que, todavia, deve ser almejada por meio de tentativas.

Popper concorda com a posição realista dos neopositivistas, ou seja, parte do pressuposto de que existe uma realidade independente do sujeito que deve ser pesquisada e descrita. Sua discordância advém dos critérios, a partir dos quais considera ser possível a produção do conhecimento verdadeiro, uma vez que para os neopositivistas são os critérios empíricos e lógicos que decidem e separam o conhecimento verdadeiro do falso. Popper considera que não existe observação ateórica, ou seja, destituída de pressupostos teóricos que direcionem o olhar do observador. Para ele as hipóteses são elaboradas a partir de alguns enunciados básicos, e assim, os dados de uma pesquisa estarão sempre impregnados de pressupostos teóricos. Resta saber se os pressupostos que determinam as hipóteses e os procedimentos de pesquisa, e, portanto, condicionam os dados obtidos, são verdadeiros. Isto é, se correspondem à realidade ou se conduzem pelo menos em parte a algum aspeto dela. Há uma maneira de conferir a credibilidade do conhecimento produzido pela ciência: o investigador deve procurar sempre, refutar, ou falsear suas hipóteses. A pesquisa será programada para falsear a hipótese do pesquisador, e a realidade passará a existir como instância que pode negar o pesquisador, ou mais exatamente, os seus pressupostos. Desta forma, a tese não se restringe apenas a um modelo teórico, uma vez que se pode falsear uma hipótese e, com isso, os pressupostos a partir dos quais ela foi elaborada. Enquanto o refutar não acontece, determinado conhecimento mantém-se válido. Portanto uma teoria científica pode ser falsificada por uma única observação negativa, mas uma profusão de observações positivas não garante a veracidade de uma teoria científica.

Ao elaborar sua proposta epistemológica, Popper atenta para o fato de que a realidade não está submetida a esquemas teóricos prévios, estabelecidos pelo pesquisador. Indica que o confronto com a realidade não deve ser feito no sentido de verificar uma hipótese, mas sim, de utilizá-la como possibilidade de encontrar o que se revela diferente, novo, inusitado. Pode-se pressupor que num modelo uma realidade pode existir em si mesma, independente do sujeito. Ele concebe a realidade com uma

56 multiplicidade inesgotável, em que só resta ao cientista recorrer ao critério da refutabilidade para tentar alcançá-la, sabendo de antemão que isso nunca será conseguido; entretanto ressalta que o pesquisador é dinâmico, dirige a pesquisa na medida em que elabora hipóteses a partir de seus pressupostos, e planeia a pesquisa no sentido de refutá-la.

A arqueologia, sendo uma disciplina das ciências humanas e sociais, adota uma abordagem neopositivista na corrente teórica desenvolvida pela Nova Arqueologia (New Archaeology), pela Arqueologia Pós-Processual (Postprocessual Archaeology), e pelos Estudos da Cultura Material (Material Culture Studies), conforme declaram: “[…] we must be more scientific and more anthropological” (Johnson, 2006: 117) e

“Poststructuralism and postprocessualism occupies a prominent place in the humanities and social sciences […]. By conceiving of human body as containers one can begin examine symbolic linkages between the body as container and others types of containers such as baskets or pots” (Shanks, Tilley, 1987:8).

O objetivo do atual estudo é desenvolver abordagens aderentes às teorias supracitadas, valendo-se de modelos lógico-matemáticos que permitam a sua verificação. Efetivamente, como teorizou Salmon (1982) a arqueologia torna-se digna no momento em que faz uso de métodos apropriados e cientificamente corretos, baseados no Modelo Hipotético-Dedutivo-Nomológico (Hypothetic-deductive- nomological model: HDN model) e como muito bem acrescentou Richard Bradley:

“A Arqueologia não pode continuar a aceitar a ruptura entre teoria e prática por muito mais tempo. [...] A Arqueologia só pode amadurecer quando o filósofo e o arqueólogo forem uma só pessoa” (Bradley, 1998: 180).

Portanto, as ferramentas de análise (métodos ou modelos) são aplicáveis nesta abordagem de Fenomenologia da Paisagem, de Arqueomitologia, de Modelos de Morfogénese (bi-Lógica) e de Epidemiologia Cultural (Memética).

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