Ao discorrer acerca da criação de um artefato lúdico com intuitos edu- cacionais, voltado para a prática de Mindfulness, e avaliando os estágios de desenvolvimento propostos a partir da teoria sociointeracionista de Wallon, foi escolhido o público-alvo: crianças de faixa etária entre 4 e 6 anos.
A fundamentação teórica levantada permeia o projeto aqui proposto, e assim, visualiza-se uma ponte que pode ser feita entre a prática meditativa e o artefato lúdico educativo, com o objetivo de potencializar o desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança na escola, principalmente se associado ao estágio do Personalismo, do qual fazem parte o público-alvo.
Conforme Bastos e Dér (2000), no Personalismo, a criança constrói pre- ludialmente a condição fundamental para a tomada da consciência de si. Tal construção dá-se em razão de uma junção da consciência corporal adquirida gradualmente durante os primeiros anos de vida, e da capacidade simbólica.
Podemos perceber que as aquisições são graduais e alter- nantes: da constituição do eu corporal para a constituição do objeto, e desta para a do eu psíquico. Progressivamente a criança vai tomando consciência de si como sujeito social que luta para se individualizar, se diferenciar, para sair da massa indiscriminada, nebulosa e sincrética em que se encontra. (BASTOS; DÉR, 200, p. 40)
Ainda, tem-se que nesta faixa etária, as relações afetivas predominam e determinam positiva ou negativamente as características atribuídas aos objetos, às outras pessoas, e às situações com que lidam. Além disso, há um período de imitação mais diversificada aonde a criança busca modelos e sujeitos de admiração.
METODOLOGIA
Hsuan-An (2017) expõe que toda atividade com um determinado grau de complexidade, exige sua realização por meio de um processo sistemático. Leva-se em consideração, que o trabalho do designer deve se apoiar na ativida- de de projetar e em sua necessidade, visto à complexidade do problema, que interliga os contextos da arte, da ciência, e da tecnologia. Quando esses três contextos se inter-relacionam, surge a necessidade inerente do planejamento e do projeto, e portanto do processo, dos métodos, técnicas e recursos.
Munari (1981) atesta que o método projetual consiste em operações necessárias, dispostas em ordem lógica e ditadas pela experiência, objetivando o melhor resultado com o menor esforço. Ainda, afirma que para o designer, o método não é absoluto nem definitivo, podendo modificar-se, a fim de aten- der ao processo ou ao encontro de outros valores objetivos. Assim, conclui-se que a base metodológica pode, também, ser uma combinação de propostas, técnicas e ferramentas que possibilitem uma melhor compreensão e análise dos dados e requisitos projetuais.
Por possuir uma estruturação mais didática, e considerar a importância do papel do designer em cada momento da produção, bem com da adequação aos interesses da empresa, da sociedade e do consumidor, decidiu-se utilizar como base para este projeto, os procedimentos metodológicos propostos de Löbach (2001).
Löbach (2001) elucida a importância da capacidade criativa do designer a fim do desenvolvimento de um produto inovador, e demonstra como elemento criativo a exploração de quatro fases no processo projetual, que embora dis- tintas, entrelaçam-se umas às outras de maneira flexível. O autor determina como fases processuais, a Análise do Problema, Geração de Alternativas, Avaliação de Alternativas e Realização da Solução. Vale salientar que cada fase pode possuir etapas a fim de reunir e analisar todas as informações disponíveis para a resolução do problema.
Figura 2 – Esquema das quatro fases do processo e a relação entre o designer e o produto. Fonte: Elaborado a partir de
FASE 1: ANÁLISE DO PROBLEMA
Para Löbach (2001, p. 141) todo projeto de design é um processo criativo, e também um processo de solução de problemas, de maneira que “O trabalho do designer industrial consiste em encontrar uma solução do problema, con- cretizada em um projeto de produto industrial, incorporando as características que possam satisfazer as necessidades humanas, de forma duradoura.”
Nesta primeira fase, além da coleta e análise de informações para o co- nhecimento do problema de design, definindo seus objetivos e clarificando-os, optou-se como principais aspectos, a análise de:
• Relação Social (homem-produto): no sentido das relações do usuário com o produto, como os fatores emocionais;
• Análise de similares do produto5: funções práticas, estruturais e de
configuração dos produtos similares. Nesta subfase, são feitas buscas por critérios, parâmetros e requisitos que denotam soluções acerca de adequação dimensional, estética, estabilidade estrutural, resistência, funcionalidade, usabilidade, custo, segurança e conforto. O objetivo é conhecer os diferentes atributos das soluções existentes, observando e aprendendo com o grau de êxito alcançado.
• Requisitos e características para o novo produto6: Löbach (2001) ca-
racteriza esta subfase como o estudo dos fatores condicionantes como patentes, legislações e normas, materiais e processos de fabricação ou relação com o ambiente no que diz respeito às circunstâncias nas quais o produto será utilizado durante sua vida útil, seu impacto sobre o meio ambiente e também do meio ambiente sobre o produto.
5 Para este trabalho decidiu-se
realizar uma pesquisa comparativa, ao invés da análise de similares.
6 Neste projeto, os requisitos e
características contém dados pertinentes à construção de premissas para as fases subsequentes da metodologia, ficando outros fatores para a etapa de aplicação da quarta fase metodológica.
FASE 2: GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS
A partir das informações básicas conhecidas e da pesquisa concretizada, é necessária a proposição do máximo de esboços – simples ou elaborados e técnicos – de alternativas possíveis, a fim de dinamizar a atividade mental e produzir quantitativa e qualitativamente as ideias concebidas.
Löbach (2001, p. 150) denota que “Nesta fase de produção de idéias a mente precisa trabalhar livremente, sem restrições, para gerar a maior quantidade possível de alternativas”. O autor alerta para uma separação entre a fase ana- lítica – aonde foi obtido grande parte do conhecimento acerca do problema –, e a criativa, já que a preocupação intensa com os fatores limitantes pode inibir o processo de produção de ideias. Assim, recomenda-se a técnica de associação livre, sem julgamentos, intercalada com uma reaproximação do problema mediante a retroalimentação do material analítico.
FASE 3: AVALIAÇÃO DAS ALTERNATIVAS
Diante dos esboços concebidos, deve-se comparar e examinar – eventual- mente pode-se combinar, alterar ou adaptar alternativas durante o processo de projeto –, a fim de encontrar os fatores positivos e negativos que demonstrem maior viabilidade para atender aos requisitos da proposta final.
Löbach (2001) defende que existem diversos procedimentos para o auxílio da avaliação e decisão das alternativas, partindo de duas vertentes que em síntese, dizem respeito à empresa e indústria, ou à usuários e sociedade. Ainda, pode-se atribuir um peso maior a alguma das vertentes, de acordo com os objetivos de desenvolvimento do produto.
serão avaliadas questões relativas à configuração dos detalhes estruturais. Por fim, é primordial a construção de um memorial ou apresentação do projeto, a fim de explicar o conceito e o resultado obtido.
Lobach (2001) aponta como último passo para o processo projetual, a avaliação do projeto pelo alto nível hierárquico da empresa industrial. No entanto, com intuitos acadêmicos e de congruência com outras escolhas metodológicas feitas nesta pesquisa, o teste do modelo com o público-alvo seria a melhor opção para o projeto.