A produção final realizou-se no sétimo encontro. Chegávamos quase ao final da seqüência, pois, em virtude da necessidade de preparar os textos para publicação – digitá-los, diagramá-los e salvá-los em CD, a fim de que pudessem ser encaminhados à gráfica para impressão –, nesse dia faríamos uma última retomada do artigo de opinião.
Dividimos o encontro em duas partes: retomada da reescrita e digitação dos textos. Na primeira parte, realizada em sala de aula, os acadêmicos receberam a folha com a reescrita e foram orientados a trabalhar novamente sobre o texto, fazendo as modificações (acréscimos ou supressões) que fossem necessárias. Pedimos que trabalhassem novamente em um rascunho, a ser passado a limpo, na seqüência, em uma folha de produção final. Ao término desse trabalho, explicamos, teríamos a versão final (produção final, na terminologia da seqüência didática) pronta para ser digitada.
Diante de uma pequena resistência de alguns frente à nova versão, explicamos que havia necessidade tendo em vista que – como orienta o procedimento seqüência didática – é na produção final que podemos “investir as aprendizagens”, ou seja, refletir sobre o que já escrevemos e o que ainda nos resta a fazer (escrever) em nossos textos. Após essas reflexões, notamos que alguns acadêmicos entenderam a importância da retomada do texto, passando a refletir sobre o que escreveram e promovendo novas mudanças no texto. Já outros não perceberam a importância desse trabalho, não viram necessidade de mudança em seu texto, praticamente não alterando nada – mesmo que o texto efetivamente precisasse de modificações. Voltaremos a essa questão, analisando suas conseqüências, na seção 2.3 ANÁLISE DOS TEXTOS: ARTIGO DE OPINIÃO.
E na segunda parte, realizada em um dos laboratórios de informática da universidade, os acadêmicos digitaram a produção final. Antes de iniciar o trabalho, passamos algumas
orientações: a atividade deve ser em duplas – enquanto um lê, o outro digita; após a digitação do texto, ele deve ser salvo em disquete; é importante a concentração; devem digitar os textos com calma; no caso de dúvidas, solicitar a intervenção do professor; quem termina antes, auxilia os colegas; não devem utilizar o corretor de ortografia e gramática do word (observamos que suas sugestões nem sempre são condizentes com aquilo que queremos dizer em nosso texto). Além disso, também sugerimos uma “forma composicional” para os textos: destacar o título, com uma fonte maior, e colocá-lo centralizado, em maiúsculas e em negrito; colocar à direita o nome completo do autor, em fonte menor e apenas com as letras iniciais em maiúsculas; e abrir parágrafos no texto (formatados com alinhamento justificado). Essas observações visavam a facilitar, na seqüência, o trabalho de diagramação.
Durante a atividade de digitação, dois imprevistos surgiram: nem todos tinham facilidade para digitar (alguns acadêmicos não sabiam como “trabalhar” com o programa word, aliado à falta de prática em digitação) e houve freqüentes quedas de energia que desligaram os computadores várias vezes (chovia forte no momento, inclusive com queda de raios). Apesar disso, verificamos que o trabalho fluiu, sendo produtivo e promovendo a interação – aqueles que terminavam seu trabalho antes, auxiliaram os colegas que tinham dificuldades. Procuramos, porém, intervir o mínimo possível no trabalho, para não desconcentrar os acadêmicos.
Enquanto as duplas digitavam, dois acadêmicos com mais experiência em informática fizeram os últimos ajustes no projeto gráfico da publicação, criando editorias específicas, conforme os temas das situações problematizadoras, para receber os textos: Água Potável/Poluição dos Rios, Florestas, Natureza/Flora, Queimadas, Meio Ambiente, Poluição Ambiental, Engenheiro Florestal. E conforme as duplas finalizavam a digitação, passavam o disquete para esses acadêmicos, que dispunham os textos nas respectivas páginas, diagramando a nossa publicação. Uma nova situação surgiu nesse momento: para que todos
os 39 textos pudessem ser publicados (havíamos acordado isso com os acadêmicos), juntamente com as informações necessárias em uma publicação – espaço destacado para a sua identificação, texto de apresentação, fotos (a pedido dos acadêmicos), expediente, espaços publicitários – houve a necessidade de adequá-los ao espaço físico disponível em cada página/editoria. Assim, nessa etapa, os diagramadores precisaram promover ajustes em alguns textos (pequenos “cortes” ou acréscimos), após consulta e au torização dos autores e com sugestões/orientações do professor/pesquisador. Isso gerou, em alguns casos, pequenas e quase imperceptíveis diferenças entre o texto original (o da produção final) e o texto diagramado.
Conforme prevíamos, o tempo de aula não foi o suficiente para concluir toda a diagramação. Assim, combinamos com um dos diagramadores que efetuaríamos a finalização do trabalho naquele final de semana. Dessa forma, na segunda etapa da diagramação, os textos restantes foram diagramados, fazendo-se os ajustes, quando necessário, para adequá-los ao espaço das páginas. Além disso, incluímos pequenas frases (com “alertas ambientais”) para preencher os espaços vazios de algumas páginas e procedemos a uma revisão geral dos textos, preocupados, nesse momento, com aspectos gramaticais. Esse trabalho, denominado de “revisão fina” dentro dos princípios da seqüência didática, é importante, principalmente levando-se em consideração que os textos serão lidos por muitas pessoas. Essa revisão final também é um procedimento convencional em uma empresa jornalística e envolve, geralmente, poucas pessoas, pois é impossível, no curto espaço de tempo entre a finalização da diagramação e a impressão, estar, juntamente com os seus respectivos autores, revisando texto por texto. Assim, o professor/pesquisador foi delegado pelos acadêmicos a realizar essa tarefa.
Finalizada a diagramação, encaminhamos, no início da semana seguinte, o arquivo para a gráfica. A partir daí, para concluir a seqüência didática, ficou pendente o trabalho de reflexão sobre a escrita do artigo de opinião, previsto para ocorrer no encontro seguinte.