A observação mais imediata a se fazer sobre o modo subjuntivo é que ele ocorre em contextos de subordinação sintática (RAE, 2010, p.475; DI TULLIO, 2010, p.165; CASTILHO, 2010, p.438; BAGNO, 2012, p.561). Embora tradicionalmente se fale HPFDVRVGH³VXEMXQWLYRLQGHSHQGHQWH´KRMHWHQGH-se
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³6e considera desde siempre como un obstáculo con el que se encuentran los aprendientes extranjeros, incluso cuando en su propia lengua el subjuntivo funciona de manera muy parecida al español. Cabe preguntarse entonces si en algunos casos, sobre todo en la didáctica del español en Italia, donde el subjuntivo puede representar sólo un obstáculo limitado, no serán los profesores, los materiales o el planteamiento didáctico los que complican la cuestión más GHORQHFHVDULR´0$77(%ON, 2008, p.1).
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considerar que, ainda nesses casos, existe uma estrutura subordinante sem realização fonética.
Nesse sentido, Bagno (2012, p.561) assinala que:
O subjuntivo tem uma caraterística sintática bem marcada: como seu próprio nome indica (subjunctivu !µSUHVRSRUEDL[R¶ os verbos desse modo ocorrem primordialmente em sentenças VXERUGLQDGDVµRUGHQDGDVSRUEDL[R¶0HVPRTXDQGRRFRUUHP numa sentença aparentemente principal, os verbos do subjuntivo estão, de fato, numa estrutura subordinada em que a sentença principal foi apagada ² a melhor evidência disso é o uso da conjunção que DQWHVGHVVHVVXEMXQWLYRVµVROWRV¶
O autor exemplifica essa afirmação com as sentenças abaixo (BAGNO, 2012, p.561):
(4) (a) Deus te acompanhe! (b) Que Deus te acompanhe!
(c) [Eu peço a] Deus [que] te acompanhe!
(d) [Te desejo uma] Boa viagem e [desejo] que Deus te acompanhe!
Os mesmos exemplos resultam válidos para o espanhol:
¶ (a¶ ¡Dios te acompañe! (b¶ ¡Que Dios te acompañe!
(c¶ ¡[Pido a] Dios [que] te acompañe!
(d¶ ¡[Te deseo un] Buen viaje y [deseo] que Dios te acompañe!
Justamente por ser precedido comumente pela conjunção subordinante ³TXH´ R VXEMXQWLYR p FKDPDGR GH ³FRQMXQWLYR´ SRU H[HPSOo, no português europeu 3RUpP DV VXERUGLQDGDV LQWURGX]LGDV SRU ³TXH´ WDPEpP SRGHP ocorrer em indicativo. Nesse sentido, a caracterização do subjuntivo como modo típico das subordinadas resolve só a metade do problema, desde que embora todo subjuntivo ocorra, a princípio, numa oração subordinada, não toda
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oração subordinada, porém, se flexiona em subjuntivo. Nesse ponto surge a SULQFLSDOGLILFXOGDGHSDUDGHOLPLWDUR³UiGLRGHDomR´GRVXEMXQWLYRTXHUGL]HU para identificar os termos em que se estabelece a oposição modal indicativo/subjuntivo.
Em relação com isso, a primeira coisa a ser notada é que é o subjuntivo p HYLGHQWHPHQWH R WHUPR ³PDUFDGR´ GHVVD RSRVLomR 5$( S Temos para isso evidência tanto translinguística quanto, pode se dizer, ³LQWUDOLQJXtVWLFD´3RUXPDSDUWHGRSRQWRGHYLVWDWUDQVOLQJXtVWLFRRLQGLFDWLYR VHULD R PRGR ³QmR PDUFDGR´ SRUTXH H[LVWH HP WRGDV DV OtQJXDV HQTXDQWR R subjuntivo, só em algumas. Quer dizer que nas línguas que não têm subjuntivo, os mesmos matizes de significado são exprimidos por médio de recursos diferentes, por exemplo, léxicos (PALMER, 2001; RUIZ CAMPILLO, 2007).
3RU RXWUD SDUWH GR SRQWR GH YLVWD ³LQWUDOLQJXtVWLFR´ QDV OtQJXDV TXH possuem subjuntivo, os contextos de ocorrência desse modo são mais restritos que os do indicativo. Além disso, o subjuntivo (tanto quanto o infinitivo, cf. Seção 4.1) é incapaz de estabelecer por si próprio uma referência temporal, dependendo, para isso, do verbo da matriz.
Nesse sentido, Câmara Junior (1969; 2009) não têm duvidado em definir RVXEMXQWLYRFRPRXPD³VHUYLGmRJUDPDWLFDO´&Æ0$5$ JUNIOR, 1969; 2009), caraterística de alguns tipos especiais de frases subordinadas. Segundo esse autor, a marginalização do subjuntivo nas línguas indo-europeias seria o resultado de uma tendência evolutiva geral das línguas que resultaria na passagem das categorias concretas para as abstratas:
O fenômeno, que podemos chamar em sentido lato a gramaticalização, consiste em pautar as formas e significações gramaticais pelo intento puro da representação, despojando-as das intromissões emotivas. [...] Um bom exemplo são os modos verbais ² que assinalam uma atitude psíquica, ou seja, o "modo" de entender o que se comunica (certeza, dúvida, suposição, descrença, repulsa, simpatia, anelo, etc.) ² e que tendem a simplificar-se dentro da cultura ocidental moderna. "Isso não importa em concluir" ² como frisei alhures ² "numa tendência linguística a omitir-se a expressão da atitude psíquica do sujeito falante parDFRPRVIDWRVTXHHQXQFLD´>@ A tendência é apenas no sentido de retirar-se a essa atitude o caráter de força diretriz na estruturação mórfica (CÂMARA JUNIOR, 1969, p.123).
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$Wp TXH SRQWR Ki XPD FRUUHVSRQGrQFLD HQWUH D H[SUHVVmR ³GD DWLWXGH psíquica dR VXMHLWR IDODQWH´ H D ³HVWUXWXUDomR PyUILFD´ p MXVWDPHQWH R SRQWR neurálgico da discussão em torno à oposição modal indicativo/subjuntivo.
Alguns autores se pronunciam por uma relação fundamentalmente indireta entre elas. Nesse sentido, por exemplo, Fernandez Cerrano (2016, SSDUDIUDVHDQGR4XHUSDILUPDTXH³RVXEMXQWLYRQmRFRQVWLWXL um objeto sintático uniforme, nem entre línguas nem entre a mesma língua, pelo que tem que ser tratado como um epifenômeno que engloba fenômenos distintoVGHXPDPHVPDOtQJXD´72 Concretamente, a autora argumenta a favor GHTXH³DPRUIRORJLDYHUEDOGRVXEMXQWLYRSRVVDVHUWUDWDGDFRPRXPDPDUFD de modalidade implícita, que sim se encontra explícita nas outras formas que marcam a modalidade como os verbos moGDLV´73 Quer dizer, que essa morfologia seria a manifestação superficial de fenômenos de natureza, no IXQGR GLYHUVD R TXH VH FRQHFWDULD FRP R IDWR Mi PHQFLRQDGR GH TXH ³XP mesmo instrumento linguístico é utilizado para exprimir diferentes tipos de modaOLGDGH´5,'58(-2S.74
1R IXQGR R TXH HVWi VHQGR GLVFXWLGR p VH H[LVWH XP ³GHQRPLQDGRU VHPkQWLFRFRPXP´DHVVDVGLYHUVDV³PDUFDVGHPRGDOLGDGHLPSOtFLWD´RXVH pelo contrário, se trata de um fenômeno de ordem estritamente formal. Nesse sentido, as abordagens de corte semântico, que trataremos na próxima seção, WHPRVFLODGRHQWUHSRUXPODGRXPDGHVFULomR³DWRPtVWLFD´GRVXEMXQWLYR ² quer dizer, uma visão abrangente que da conta de um grande número de casos, porém, em compensação, não mantém um critério único para a análise ², e as tentativas de estabelecer um valor semântico básico para esse modo, a custa, geralmente, de não considerar um grande número de casos ou considerando-os como exceções que acabam se multiplicando em detrimento da homogeneidade da análise.
72 ³(OVXEMXQWLYRno constituye un objeto sintáctico uniforme, ni entre lenguas ni entre la misma
OHQJXD´SRUORTXHKDGHVHUWUDWDGRFRPRXQepifenómeno que engloba fenómenos distintos de una misma lengua´ (FERNÁNDEZ SERRANO, 2016, p.2).
73³explorar la idea de que la morfología flexiva del subjuntivo puede tratarse como una marca
de modalidad implícita, que sí que se encuentra explícita en otras formas que marcan la modalidad como son los verbos modales´(FERNÁNDEZ SERRANO, 2016, p.2).
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³XQ VROR LQVWUXPHQWR OLQJtVWLFR HV XWLOL]DGR SDUD H[SUHVDU GLYHUVRV WLSRV GH PRGDOLGDG´ (RIDRUEJO, 1999, p.3212).
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Em qualquer caso, convém assinalar que a abordagem sintática tem realizado, pelo menos, duas grandes contribuições para a compreensão do PRGRVXEMXQWLYRRUHFRQKHFLPHQWRGRFDUiWHU³PDUFDGR´GHVVHPRGRIUHQWHDR indicativo, e sua natureza estreitamente vinculada à subordinação sintática, quer dizer, sua dependência a respeito de algum elemento da matriz. Qual a natureza desses elementos e em que sentido eles determinam a ocorrência do subjuntivo é uma questão fundamental a ser indagada (CASTILHO, 2010, p.361-366; PERINI, 2010, p.195; RAE, 2010, p.7, p.476; RUIZ CAMPILLO, 2007).
$OpP GLVVR SRGHUtDPRV DVVLQDODU FRPR ³KHUDQoD´ GD SHUVSHFWLYD sintática, a tendência a estudar as ocorrências do subjuntivo separadamente segundo os tipos de oração subordinada em que apareça (por exemplo, BOSQUE & DEMONTE, 1999), quer dizer, basicamente, em orações substantivas, relativas e adverbiais (embora a natureza categorial destas últimas seja uma questão sumamente polêmica na literatura, cf. RAE, 2010, p.476). A vantagem desse tipo de análise reside em que permitira considerar as possíveis diferenças quanto às restrições que regulam a ocorrência do subjuntivo em cada caso (PÉREZ SALDANYA, 1999). No entanto, supõe, ao mesmo tempo, o risco da excessiva fragmentação da análise, dificultando a visualização dos pontos em comum (RIDRUEJO, 1999).