O denominado policiamento em grupo ou policiamento em equipe é apontado como uma das primeiras iniciativas nesse sentido, sugerido pela Comissão
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The President’s Commission on Law Enforcement and Administration of Justice.
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Presidencial de Aplicação da Lei e Administração da Justiça em 1967. As experiências iniciais com o policiamento em grupo surgiram no Reino Unido — em Aberdeen, Escócia, e em Accrington, condado de Conventry, sendo então importado para os Estados Unidos no contexto das mencionadas reformas (BRODEUR, 2012, p. 60). Nessa estratégia de policiamento, os policiais eram designados especificamente para determinadas localidades, permanecendo atrelados a elas por períodos que variavam de oito meses até dois anos ou mais (BAYLEY; SKOLNICK, 2006). Além disso, houve descentralização do comando, ficando cada localidade a cargo de um tenente, responsável por todo o policiamento dessa área estabelecida e dotado de ampla autonomia para resolução dos problemas locais e para aplicação do policiamento (SKOLNICK; BAYLEY, 2002, p. 65). Entretanto, as experiências com o chamado policiamento em grupo, tentadas em várias cidades norte- americanas, acabaram sendo paulatinamente abandonadas e não subsistindo. Várias são as razões apontadas para a descontinuidade do policiamento em grupo, sendo mais recorrente aquela que descreve os embaraços causados propositadamente pelos ocupantes de cargos mais elevados na polícia. Estes, temendo a diminuição de sua autoridade e status, tendo em vista a autonomia concedida aos policiais do policiamento em grupo, teriam passado a boicotar o programa (BRODEUR, 2012; MOORE, 2003; SKOLNICK; BAYLEY, 2002).
Pouco antes dessas experiências com o policiamento em grupo, existiram programas de relações públicas por parte da polícia, com o intuito de melhorar a imagem da instituição policial e o relacionamento com o público. No início, na década de 1950, esses programas foram concebidos em oposição à imagem negativa da polícia norte-americana, tida como altamente corrupta naquela época, e direcionados para as classes mais privilegiadas da sociedade. Após os constantes distúrbios civis e conflitos com a polícia ocorridos nos anos 1960, os programas de relações públicas foram direcionados para as minorias, com o novo objetivo, para o qual não tinham sido originariamente pensados, de aliviar as tensões entre policiais e as camadas mais populares (BITTNER, 2003). Todavia, esses programas não lograram êxito. Por um lado, as unidades de relações públicas enfrentaram dificuldades dentro do próprio departamento policial, já que eram tidas como contrárias aos interesses dos outros policiais em prol das minorias (SKOLNICK; BAYLEY, 2002). Por outro lado, havia um descrédito em relação a essas iniciativas
pela sociedade, para quem as ações policiais cotidianas não refletiam aquilo que era propagado pelos programas de relações públicas (DIAS NETO, 2003, p. 26).
A história a seguir, contada por Bayley e Skolnick (2006, p. 99), ilustra esse sentimento por parte da sociedade em relação aos programas de relações públicas da polícia. Em uma escola primária na Inglaterra, composta por crianças pertencentes à classe trabalhadora, a professora pediu aos alunos que descrevessem a polícia em uma única frase. Um dos meninos da classe escreveu: ―os policiais são uns bastardos‖. Diante disso, a professora viu-se obrigada a fazer algo para modificar essa percepção negativa que o aluno tinha da polícia. Conseguiu, então, agendar uma visita ao posto de polícia local, onde as crianças tiveram a oportunidade de entrar nas viaturas policiais, conhecer a sala de rádio e tomar chá com os policiais. Na aula seguinte, a professora repetiu o exercício anterior, pedindo aos alunos que fizessem a descrição da polícia em uma única frase. Ao término do exercício, a professora procurou ansiosamente a folha de papel do garoto, para ler o que tinha descrito desta vez, descobrindo que ele agora escrevera: ―os policiais são uns bastardos espertos‖.
Além desses experimentos acima relatados, outros, baseados no envolvimento da polícia com a comunidade, também foram testados, entre eles a patrulha a pé e o programa de Vigilância de Bairro. O patrulhamento a pé foi testado, por exemplo, em Flint, Michigan, e em Newark, Nova Jersey, no final dos anos 1970. Conforme relatam Trojanowicz e Bucqueroux (2003, p. 24), nessas localidades onde houve implementação da patrulha a pé, ocorreu uma diminuição do medo do crime, aumentando-se a sensação de segurança. No entanto, ao passo que existiu uma diminuição efetiva nas taxas de crimes em Flint, pelo menos em relação a determinados delitos, isso não foi observado em Newark. Os autores levantam a hipótese de isso dever-se a diferenças substanciais entre os dois programas. Enquanto em Flint os policiais foram treinados para mobilizar a comunidade na resolução dos problemas locais, além de receberem maior autonomia no serviço, isso não teria ocorrido no experimento de Newark. Mas, de qualquer maneira, as pesquisas demonstraram que, em ambas as experiências, houve uma melhoria no grau de satisfação das pessoas em relação à polícia. Para Wilson e Kelling (1982), esse fato indica o reconhecimento de que as pessoas têm uma grande preocupação com a preservação da ordem no bairro e com a redução das desordens e incivilidades. Uma vez que a polícia mostrava-se eficaz em relação a esses
problemas no patrulhamento a pé, essa seria a explicação para a melhoria nos sentimentos da comunidade em relação à policia, apesar de não ter havido redução nas taxas de crimes.
Já o programa de Vigilância de Bairro, desenvolvido em várias cidades norte- americanas no início dos anos 1970, a exemplo de Oakland, Philadelphia e Seattle, consistia no envolvimento dos moradores na proteção de sua propriedade. Segundo Skolnick e Bayley (2002, p. 20), através desse programa buscava-se infundir um senso de identidade com o bairro e, consequentemente, de comunidade. O intuito era produzir uma responsabilidade coletiva nos residentes no tocante à sua própria proteção e segurança. Para isso, eles contariam com o fornecimento de equipamentos, informação e perícia por parte do governo e da polícia especificamente. O programa de Vigilância de Bairro, após o seu desenvolvimento nos Estados Unidos, foi importado para o Reino Unido, onde foi amplamente implementado (BRODEUR, 2012, p. 61).