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Dans le document MODULE 2.5 CLINICAL OVERVIEW (Page 57-61)

Para compreender este conceito parte-se da definição oficial de ergonomia da International Ergonomics Association (IEA) divulgada pela associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), “é disciplina relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas”. Quando se aplica ao ambiente construído, entende-se que seu objeto de estudo é a interação entre o homem e o espaço, e segundo Guidalli (2012) o espaço construído é a concretização de um projeto de edificação, “quando este se torna um objeto edificado, presente no mundo, com funções práticas e estruturado em técnicas construtivas”. De acordo com Zevi (1996), “ambiente construído será aquele que remete ao espaço arquitetônico, o ambiente da convivência humana”.

Mont’Alvão (2011) destaca que ao tratar de ergonomia do ambiente construído fica evidente a correlação entre conceitos bastante distintos: o espaço construído propriamente dito e a ergonomia. Porém ressalta que, unindo a ideia de ambiente arquitetônico com o ambiente do desenvolvimento das tarefas, de acordo com as capacidades, habilidades e limitações humanas, parece clara a necessidade dos conhecimentos da ergonomia nos projetos de arquitetura e design que contemplam o ambiente construído, porque embora apresentando preocupações naturais de outras áreas do conhecimento, a ergonomia do ambiente extrapola as

questões puramente arquitetônicas, focando o seu posicionamento na adaptabilidade e conformidade do espaço às tarefas e atividades que neles irão se desenvolver.

De acordo com Fialho e Santos (1997, apud VILLAROUCO, 2011, p. 26):

A prática do ergonomista consiste em emitir juízo de valor sobre o desempenho global e de determinados sistemas homem(s)-tarefa(s). Como tais sistemas normalmente são complexos, envolvendo expectativas relativamente numerosas, procura-se facilitar a avaliação sobre o desempenho global apoiando-se no princípio da análise-síntese. Este princípio se baseia na decomposição do juízo global (apreciação do desempenho global) em juízos parciais (apreciações parciais sobre desempenhos parciais) e sua consequente recomposição.

Essa decomposição de que falam os autores justificam os diversos ramos de estudo da ergonomia em áreas específicas, e dentre eles a ergonomia que trata especificamente do ambiente construído. Villarouco, cuja tese de doutorado é um dos marcos da integração entre a ergonomia e sua aplicação na análise do ambiente construído (MONT’ALVÃO, 2011), defende que os ambientes construídos precisam contemplar as expectativas e necessidades daqueles que o utilizam, e com isso destaca a variedade de conhecimentos necessários para o estudo do ambiente sob a ótica da ergonomia. Muitas são as variáveis envolvidas na adequação ergonômica da arquitetura, e o foco no ser humano termina por congregar diversos campos do conhecimento, realidade exposta na declaração da autora quando diz que:

“Entende-se, portanto, que o olhar ergonômico sobre o espaço de trabalho deve acompanhar a mesma abordagem abrangente, multifacetada e holística das demais áreas de atuação da ergonomia [...] Além disso, olhar um projeto com olhos de ergonomista é antever sua utilização, é conjugar condicionantes físicos, cognitivos, psico- sociais e culturais, objetivando identificar o elenco de variáveis passíveis de atendimento no produto proposto”(VILLAROUCO, 2011).

Segundo Bessa e Moraes (2004), o que difere a ergonomia do ambiente construído da psicologia social é que a segunda permite uma compreensão das relações entre o homem e seu meio ambiente, e mais precisamente dos usos que o

homem faz do espaço enquanto produto cultural. Inúmeras definições de ergonomia tratam da relação do homem com o trabalho propriamente dito, como na definição de Grandjean (1983 apud BUTI, 1998) que diz que ergonomia é “o estudo do comportamento do homem durante o trabalho” ou ainda como na declaração de Fraser (1983 apud BUTI, 1998) quando diz que ergonomia é o “estudo das características anatômicas, fisiológicas e psicológicas dos indivíduos nos ambientes de trabalho”. A ergonomia trata não só da relação do homem com a máquina, com o posto, mas trata da sua relação com o ambiente à sua volta. Para Buti (1998) a ergonomia do ambiente construído ocupa-se não só de quem usará a “coisa”, mas também de onde será usada, analisando o ambiente como lugar físico e sociocultural e agregando em si considerações acerca do caráter fisiológico humano.

Mont’Alvão e Ribeiro (2004) dizem que os estudos sobre a relação do ambiente construído e o comportamento humano são de suma importância para analisar e avaliar os ambientes, de forma a levantar de que maneira eles contribuem para as atividades desenvolvidas, visando sempre o bem estar dos indivíduos. Assim, o estudo do sistema ambiente-usuário constitui área significativa de interesse na busca da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Essa melhoria é conferida ao ambiente construído pela ergonomia, através da tecnologia de interface humano- ambiente, que se utiliza de vários métodos para avaliar a relação usuário-ambiente em suas atividades (Paiva, 2012).

A escolha de uma metodologia adequada para a avaliação ergonômica de um posto de trabalho é fundamental para o seu sucesso. Existem métodos e ferramentas mais adequados a um ou a outros tipos de atividades (industriais ou empresariais, por exemplo). A metodologia escolhida para a análise das salas de aula do curso de design da UFPE foi a Metodologia Ergonômica do Ambiente Construído (MEAC), proposta por Villarouco (2009), por se tratar de uma metodologia que envolve uma profunda e também abrangente observação com foco no espaço físico, incluindo fatores da estrutura organizacional, observação das atividades durante seu desempenho e por incluir a etapa de investigação da percepção do usuário, além de ter consistência cientificamente comprovada.

Villarouco (2002) refere que ao considerar os diversos aspectos envolvidos no ambiente construído, há a necessidade de uma abordagem sistêmica. Para a autora, uma completa avaliação ergonômica do ambiente abrange variáveis como

conforto ambiental (lumínico, térmico, acústico), percepção ambiental (aspectos cognitivos), antropometria (acessibilidade, dimensionamento) e adequação de materiais (revestimentos, acabamentos). Essa avaliação do ambiente construído leva à compreensão de que o ato de projetar deve ter como principal norteador o homem, com toda a sua bagagem vivencial, com sua sensibilidade, seu funcionamento biológico, sua percepção, seu comportamento, pois o produto do fazer projetual, invariavelmente, destina-se a abrigar o ser humano executando tarefas.

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