Obtention de différentes morphologies d'AlN et AlN dopé Er
3.11 Dopage du nitrure d'aluminium par l'erbium
A complexidade social do mundo persa revela-se, em particular, na prática religiosa desse povo. Com efeito, a Pérsia recebeu influências de outros panteões
antigos remontam ao Império Antigo egípcio. O segundo grupo de textos mitológicos fenícios provém das escavações de Schaeffer e Chenet, nas ruínas de Ugarit, num lugar hoje conhecido como Ras Shamra. Trata-se de documentos preciosíssimos, escritos no século XIII a. C. e descobertos em 1929 e nos anos subsequentes, transcritos e traduzidos por Virolleaud na revista Syria, e comentados por Dussaud na
Revue de l’ histoire des religions. O terceiro grupo reúne, juntamente com algumas inscrições e
documentos figurativos, as obras de Fílon de Biblos, de Damásio, de Moco, algumas narrativas ou histórias parecidas com narrativas do AT, textos assírios e egípcios. O último grupo de textos mitológicos diz respeito à mitologia de Cartago, a principal colónia fenícia (Guirand, 2006: 149-150).
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religiosos, como o assiro-babilónico, que contribuiu para a formulação da doutrina de Zoroastro (ou Zaratrusta), profeta do credo persa (Lamas, 2000, vol.II, p.174).
A religião persa assentava num culto dualista, baseando a sua doutrina num arreigado gnosticismo que se manifesta num constante antagonismo ontológico entre as deidades Ormasd, resultado da fusão das designações Angra-Masda, designado o “Senhor do Bem”, ou divindade suprema, e Arimânio, fruto da fusão dos denominativos Angra-Mainyu, designado o “ Pensamento Negativo”, ou a angústia personificada. Nas palavras de Wray e Mobley: “Ahriman is described as an evil spirit, and not a creation of Ahura Mazda, but wholly separate from him” (Wray and Mobley, 2005: 85).
Com efeito, nesta mitologia, Ormasd é o criador da vida, a suma essência concentradora da verdade e da luz do mundo, enquanto Arimânio é a entidade que personifica o oposto ontológico, representando as trevas e a mentira no mundo. Ele é a suma representação do Mal. Nos primórdios do panteão religioso persa, é revelada esta complementaridade entre Bem e Mal ao profeta Zoroastro, uma vez que ambas divindades intervêm mutuamente na criação e fundamentação do mundo. Numa primeira iniciativa criadora, Ormasd funda o universo em imensidão, seguindo-se-lhe Arimânio, dando origem a um caos primordial envolto em trevas, num tempo indeterminado. Ormasd, por sua vez visando o controlo e ordenação desse caos, cria em resposta o mundo estruturado, ou seja, a terra, assim como criou o homem para habitá- la, fê-lo sob a égide de um tempo finito (Saussaye, 1979: 206- 213).
No livro persa da criação do mundo – Gâthas –, a cosmogonia é exposta e explicada em função da escatologia. O profeta Zoroastro alude à origem do universo e das coisas, à divisão dos poderes cósmicos (forças do Bem e do Mal), assim como ao enaltecimento do “deus dos deuses” (na mitologia persa, o deus Mazda é senhor do céu e criador de todos os seres, a sua suprema importância reflecte o poder e os seus actos majestosos enquanto “rei dos reis”), (Lamas, 2000, vol. II, p. 177).
Vejamos as descrições acerca do deus persa Ormasd, nas doutrinas do livro Gâthas:
Voy a hablar del más grande de todos,
Y le alabaré como Justicia, nenévolo para com los viventes. ¡Escúcheme el Señor Sabio, el Espíritu Santo,
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Que com la fuerza de su pensamiento me enseñe el bien supremo. (…) Al princípio los dos espíritus han manifestado su naturaleza el bueno y el malo, (…)
(…) De estos dos espíritus, el maligno eligió hacer lo peor; (…) Entre los dos, tampouco los dioses falsos que eligieron rectamente, pues mientras ponderaban fueron sorprendidos por el error,
de forma que eligieron la Mente Pésima. Se apresuraron entonces a unirse al Furor,
Com cuya ayuda podrían estragar la existência del hombre. (…) Entonces dejará de florecer el Mal,
mientras los que hayan adquirido buena fama recogerán el premio prometido
en la morada bendita de la Buena Mente, del Sabio, y de la, Justicia. (…) tormento dilatado para los malvados y salvación para los justos. (doutrinas do livro Gâthas apud Eliade, 1980:80-83).
Antes ainda do nascimento do Diabo judeu-cristão, surge assim o diabo mazdiano, reconhecido como Arimânio. As concepções religiosas que constroem este protótipo de potência do Mal são herança da mitologia iraniana, que evoluiria para o monoteísmo, resultante da reforma de Zoroastro. Esta foi implementada cerca do séc. VII a.C., tendo o cristianismo “bebido” dele informação para a construção de um arquétipo51 do Mal, e não só.. A obra de Zoroastro assemelha-se em parte à vida de Jesus. Por um longo período de tempo, o profeta afirmava, tal como Jesus, a existência de um deus supremo, de nome Angra-Mazda, e um mau, designado Angra-Mainyu, ou Arimânio. No Gâthas, Arimânio é inimigo de Angra-Mazda, invejando em todos os aspectos a luz e a vitalidade que Mazda emanava. Este deus luminoso criaria o mundo, o “cosmos”, sendo aliado das suas boas obras, enquanto Arimânio conceberia a maldade e os espíritos malignos que se opõem às forças do bem e da luz para todo o sempre, (doutrinas do livro Gâthas apud Eliade, 1980: 80-84).
51 Os componentes estruturais do inconsciente colectivo são chamados por diversos nomes (…). Um
arquétipo é uma forma de pensamento universal (ideia) que contém uma grande parte da emoção” (Hall [1973] apud Veríssimo, 2005: 33).
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Torna-se pertinente salientar que esta mitologia assenta numa dualidade ontológica, que se mantém esterilizada pelo factor tempo, inclusive após a ordenação do caos, gerado por Arimânio e, subsequente criação do mundo e do Homem por Ormasd, ambas as divindades prosseguem em luta constante no tempo. Daí haver um tempo finito e infinito. O tempo é factor primordial de enquadramento e delimitação da existência das coisas e dos seres do mundo, que são a suma criação de Ormasd. Pelo seu lado, Arimânio age, contrapondo com as suas criações tentado sempre suplantar as obras do deus bom (Minois, 2003: 22).
De facto, a doutrina religiosa dos Persas em muito contribuiu para o enaltecimento da figura do Diabo, no entanto, estas ideias dualistas na construção de um adversário à altura de Cristo, comportava um risco muito grande na exegese para os Padres da Igreja este risco deve-se pela forma como os arquétipos do Bem e do Mal se defrontavam nas crenças persas. Mazda e Arimânio eram ambos deuses da criação um representava o Bem e o outro o Mal, embora disputassem entre si com forças contrárias, estes deuses eram apesar de tudo igualmente poderosos. Ao passo que na Bíblia, o Diabo apesar de representar todo o Mal, a sua força e poder são inferiores perante a força de Deus.
O fim dos «daevas» é conquistar, se for possível, o império do mundo o que significa triunfar de Ormasd. Os processos que adoptam para alcançar a vitória são, por um lado, a destruição e ocupação do mundo masdeano e, por outro, a sedução e a conquista de fiéis. Esta luta tem por campo o mundo inteiro. Desde a Criação que Arimânio apareceu e a cada obra abençoada por Ormasd opôs algum defeito ou algum flagelo que a pudesse destruir: má terra, mau clima, insectos venenosos, desejos perversos, pecados, etc. A Natureza é, portanto, antes de mais nada, o lugar em que se encontram os demónios. O mal procura atingir as próprias fontes da vida (Saussaye, 1979: 215).
Por seu turno, e perante uma tal dualidade, o Homem torna-se o principal responsável pelas suas próprias acções, sejam elas boas ou más, constituindo-se senhor do seu destino e determinando a sua própria linha de conduta. O tempo, bem como as suas acções na terra, determinarão se, aquando da posterior ressurreição da alma e respectivo julgamento final, serão salvos e elevados ao supremo Bem ou se, pelo
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contrário, serão condenados e remetidos para o submundo do Mal. Contudo, tal como os homens, as divindades defrontar-se-ão também no final dos tempos, na irrefutável vitória do Bem sobre o Mal.
Actuando no mundo dos homens, de acordo com sua função maléfica, Arimânio detém sete auxiliares. São sete demónios que representavam o que de pior persiste na humanidade, nomeadamente: o erro, a heresia, a anarquia, a discórdia, a presunção, a fome e a sede52. Estes são, no seu conjunto, os principais males físicos e morais que assolam dos homens. Os sequazes de Arimânio serão encontrados também na corte de Satanás, sobretudo nas entidades Azazel53, Lilite e Leviatan (Minois, 2003: 22).
The conceptions of Demons which appear in the Apocryphal literature are of four distinct types (…) Instead of taking one arch-demon from the canonical literature, they go back to the narrative of Gn 6, 2-4, and account for the origin of demons and of sin by elaborating the hint there given. Persian dualism had sufficiently influenced their thought, so that matter was to them corrupt. That angels should come to earth and have connexion with human wives implied, they thought, a previous rebellion and sin on the part of the angels. (…) The rôle of Azazel is more promiment than that of Satan. The larger number of these angels (and to these are attributed the most hurtful influences) are called by names not found in the canonical literature. (…) The degradation of these names to demons was in accord with the theory that they were fallen angels. In one passage En 21, 6 they are identified with the stars. Having introduced sin into the world, these fallen angels were as the presiding geniuses of various forms of transgression and corruption. (…) The Book of Tobit represents a third type of thought. In it but one demon appears, – Asmodӕus – and he is clearly, as his name implies Persian origin. The author of this book had so come under Persian influence, probably by living in the East, that its demonology or demonological vocabulary influenced
52 Esta é a visão persa das infracções cometidas pelos homens; a maioria destes erros representará aquilo
que, mais tarde, a Igreja Católica irá incorporar como os sete pecados capitais. Embora, não exista um paralelismo directo que associe a concepção dos pecados mortais tratados pelos Padres da Igreja às características dos demónios auxiliares do deus do mal persa, Arimânio. No entanto, a mitologia persa ajudou a criar a noção de comportamentos tidos como bons e outros como maus, perpetuando a noção de males físicos e morais.
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him more than did that of the canonical, or even the apocryphal, writings of his people. A fourth type of thought is represented by The Testament of the Twelve Patriarchs and the Ascension of Isaiah. In these works the demonology, while very real and all pervasive, is made up in a rational way, and such contact as it has with canonical thought is at quite a different angle of that thought. The world is thought to be pervaded by evil spirits, but these spirits are simply the personification of the evil propensities of man – jealousy, lust, pride, chicanery, injustice, rapacity, etc (Barton, 1912:159-161).
O exército de forças infernais era constituído pelos daêvas (trata-se da mesma palavra com que, em sânscrito, eram designadas as divindades hindus), sob o comando de Angra-Mainyu, o senhor e espírito das obras más. O Indra iraniano empenhava-se, por exemplo, em tornar os homens angustiados, tirando-lhes toda a esperança; Tchinvat representava a morte: como se não bastasse precipitava ainda as almas para os abismos infernais; Sauru inspirava a tirania aos reis e o roubo aos particulares; Nâosihaitya tinha como papel tornar os homens orgulhosos, impacientes, ingratos e obstinados no Mal. Havia também uma força maligna designada de Aêshma- Daêva, o demónio do furor e da devastação, sendo que mais tarde este veio a ser identificado com Asmodeu do Livro de Tobite (Tb 3,16-17); Ako-Mano, denominado “espírito mau”, que radicava directamente em Arimânio; e, por fim, o próprio deus persa do Mal (Lamas, 2000: 185).
Angra Mainy, Arimânio, é o príncipe dos demónios. Por uma características singular, os demónios do Avesta têm o mesmo nome que os deuses do Veda (sânscrito deva, latim divus, persa dîv). Esta inversão do sentido talvez resulte da reforma religiosa especificamente irariana, por exemplo a de Zaratrusta, ter transformado em génios maléficos e tenebrosos a brilhante e serena coorte dos deuses arianos, que a Índia continua a venerar como génios celestes (Guirand, 2006:194)54.
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A autora M. Lamas e Félix Guirand especialistas em mitologias, são os únicos que falam dos nomes destes demónios. Por conseguinte, estes nomes não vêm no livro Gâthâs. Aliás, o próprio nome de Arimânio surge muito depois com as correntes gnósticas e com os Vedas, no entanto, decidimos manter esta lista de nomes uma vez que retratam de algum modo as características assumidas pela figura do Diabo no imaginário cristão.
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Em todo o caso, a reforma mazdiana assumiu um cariz político na sua origem. Tratou-se de uma analogia concebida pela casta sacerdotal, na luta pela obtenção do poder inerente à monarquia. Porém, há que não descartar que esta corrente mística e religiosa é igualmente fruto da espiritualidade e da reflexão humanas que, no monoteísmo religioso, desemboca numa figura indispensável: o Diabo (Minois, 2003: 22-23).
A corrente mazdaísta demonstra ainda o facto de toda e qualquer forma de crença monoteísta se encontrar encapotada sob um dualismo Bem/Mal, no qual, estranhamente e por via dos mais diversificados subterfúgios, a divindade tida como maléfica se encontra constantemente subalternizada e renegada para um plano inferior de existência que importa garantir. Mais precisamente, estas forças hierarquizadas remetem para uma questão de controlo social. Ora, de facto, e partindo desta acepção, o monoteísmo judeu-cristão deparará com a necessidade de conciliar nos espíritos dos respectivos seguidores a existência de um deus supremo, omnipotente e omnipresente, prefigurando o Bem supremo, a suma harmonia, a ordem das coisas estabelecidas, com uma entidade igualmente sobrealternizada, relativamente à qual persiste e prevalece em eterno conflito, que aporta o Mal à humanidade, o caos primordial, a desordem e a instabilidade. No fundo, trata-se de uma manifestação da própria natureza, antitética do ser humano.