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Données comparatives entre l’efficacité des différents analgésiques dans le

F. Evaluation de la douleur

VIII. Données comparatives entre l’efficacité des différents analgésiques dans le

Representada, inicialmente, pelas províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a região sul do Brasil apresentou, em seu processo de colonização, peculiaridades que a tornou diferente, sob alguns aspectos, em relação às outras regiões da Colônia. Ressaltamos que a província do Paraná pertenceu a São Paulo até o século XIX, se desmembrando somente em 1853.

18 Presciliana Duarte de Almeida (Pouso Alegre, MG, 1867 – São Paulo, SP, 1944), prima de Júlia Lopes

de Almeida e de Adelina Lopes Vieira e trineta de Bárbara Heliodora, Presciliana destacou-se, particularmente, na revista A Mensageira, que idealizou e fez concretizar junto com o marido, Sílvio de Almeida. Escreveu muitos livros de poesias e prosa, além de colaborar em diversos jornais e revistas, também usando o pseudônimo de Perpétua Do Valle. Foi fundadora de um colégio, que funcionava em sua própria residência, e se empenhou no movimento pedagógico renovador que se iniciava no Brasil. Colaborou com a fundação da Academia Paulista de Letras, na qual foi eleita membro-fundadora.

19 Francisca Júlia da Silva Münster (Xiririca, atual Eldorado, SP, 1871 – São Paulo, SP, 1920) destacou-

se na poesia brasileira pela austeridade parnasiana assumida. Aos dezoito anos, estreou como poetisa nas páginas do Estado de S. Paulo. A partir de 1892, divulgou sua poesia nos jornais paulistas Correio

Paulistano e Diário Popular, e em dois periódicos cariocas: O Álbum, mantido por Artur Azevedo, e A Semana, dirigido por Valentim Magalhães. Considerada grande poetisa por sua obra, recebeu elogios

de Olavo Bilac e tornou-se conhecida quando as revistas começaram a estampar sua foto nas publicações.

20 Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (Botucatu, SP, 1869 – São Paulo, SP, 1961) Foi educadora,

poeta e escritora, além de colaborar com revistas e jornais da capital paulista. Recebeu especial educação de João Köpke, importante educador de São Paulo, fundador da Escola da Neutralidade. Com ele, desde criança, aprendeu inglês, francês e italiano e, em 1897, começou a ser inspetora do Jardim de Infância, realizando adaptações versificadas de jogos cantados, além de várias adaptações, traduções e produções originais para a Revista do Jardim de Infância, tendo assim grande relevância na pedagogia e literatura infantil.

Grande parte do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foi povoado de forma planejada a partir de meados do século XVIII, com casais oriundos das ilhas dos Açores e da Madeira. Essa forma de povoamento iria se repetir em meados do século XIX, como parte de um projeto de “branqueamento” e de preenchimento de “vazios” territoriais, dando o tom da população e da economia local. Diferentemente dos grandes centros exportadores, a região apresentou uma produção voltada para o mercado interno, escravidão de pequena monta e economia diversificada, resultando numa acumulação de pequeno vulto. A urbanização foi tardia em relação ao Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo (PEDRO, 2015, p. 280).

A região açucareira do nordeste brasileiro foi uma das primeiras a ser colonizada, desde o descobrimento, e se desenvolveu mais rapidamente com a economia exportadora da cana-de- açúcar, propiciando a formação de muitos engenhos erguidos e sustentados por mão de obra escrava. O Sul, por outro lado, sofreu um processo mais lento de colonização e também mais tardio, com uma economia de subsistência e, mais à frente, já no século XIX, voltada ao suprimento interno do próprio Império. Isso possibilitou, aos poucos, o surgimento de uma elite agrária incipiente que, junto ao baronato do café das províncias do sudeste brasileiro, tiveram um papel preponderante na economia imperial, frente ao declínio dos senhores de engenho do litoral nordestino.

As terras do Sul não ficaram totalmente sob o domínio português no início do processo de colonização, tendo sido habitadas, primeiramente, por indígenas e jesuítas oriundos da Espanha, que se estabeleceram ao longo do Rio do Prata. Assim, os espanhóis também exerceram forte influência nessa região durante os séculos XVI e XVII, e foram muitos os embates entre espanhóis e portugueses, até que, em 1750, por meio do Tratado de Madri, finalmente Portugal estendeu sua soberania sobre essas terras. Foi a partir desse período que se intensificou o processo de colonização portuguesa, de forma mais intensa no litoral das províncias, visto que, já no século XIX, ainda existiam muitas terras vazias.

Uma das formas de solucionar esse problema foi uma grande imigração alemã e italiana, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul; e também, em menor grau, de poloneses, ucranianos, russos e japoneses, entre outros, assentados no Paraná. Além dos imigrantes, toda a região Sul também recebeu grande contingente militar de várias partes do Império, por meio de doações de terras, visando uma maior proteção territorial. Assim, essas províncias foram ocupadas, majoritariamente, por uma população branca, com uma economia agropecuária de pequenas propriedades, só se desenvolvendo mais intensamente, a partir da segunda metade do século XIX.

Em seu estudo sobre as mulheres do Sul no século XIX, Joana Pedro (2015) afirma que, devido às características de colonização relatadas, torna-se difícil traçar um único perfil que as

diferencie das mulheres de outras partes do Império. “No Sul encontramos diferentes perfis femininos nos diversos períodos históricos: mulheres oriundas de etnias e classe sociais várias” (PEDRO, 2015, p. 278).

Desta forma, pautada pelas impressões do viajante francês August de Saint-Hilaire, que percorreu estas províncias no ano de 1820, Pedro (2015) compila relatos que traçam características das mulheres sulistas nas principais cidades de cada uma de suas províncias. A respeito das curitibanas, no Paraná, coletou relatos que as tece como mulheres dotadas das feições mais delicadas do que todas as outras que conheceu no Brasil, e extremamente brancas, com um comportamento também bastante diferente, sendo menos arredias, travando uma conversa agradável. Isso denota maior sociabilidade do que temos visto em outras áreas do Império. E continuará sendo observada também em outras cidades das províncias da região sul. Sobre as gaúchas, Saint-Hilaire descreve ainda a “existência de inúmeras mulheres comandando estâncias, trabalhando, provendo sozinhas a sobrevivência, em vista da constante ausência dos maridos” (PEDRO, 2015, p. 278). A pesquisadora ainda observa nos relatos do viajante que, também diferente de outras regiões do interior, em Porto Alegre era muito comum encontrar as mulheres nas ruas da cidade.

Em relação à província de Santa Catarina, o viajante apresenta relatos de mulheres na cidade de Desterro (atual Florianópolis), também gozando de grande sociabilidade. Elas não se escondem frente à aproximação masculina e até retribuem seus cumprimentos, mostrando-se bastante desembaraçadas.

A imagem das mulheres do Sul como mais sociáveis que as mulheres de outros lugares do país é recorrente nos relatos dos viajantes. Imagem provavelmente vinculada à composição racial do Sul do Brasil, aos preconceitos raciais dos ditos viajantes, à cultura específica da população que aí se instalou, bem como a uma formação social que proporcionava um modo de vida diferente dos existentes na economia escravista de exportação (PEDRO, 2015, p. 279).

No entanto, há que se ressaltar que, para esses viajantes, qualquer mulher branca seria considerada mulher de elite, visto que no Sul não havia muitas escravas negras e mulatas, sendo assim, nem todas as mulheres brancas que circulavam pelas ruas das cidades faziam parte da elite. Aliás, conforme constatamos em outros estudos, em uma sociedade de urbanização tão tardia, a mulher de elite sulista da primeira metade do século XIX vivia, principalmente, em suas fazendas.

Outro viajante estrangeiro que visitou as províncias do Sul foi o alemão Robert Christian Barthold Avé-Lallemant, Ele passou pela região no ano de 1858 e também deixou alguns

registros interessantes sobre as mulheres que conheceu, observando os casamentos precoces a que eram submetidas as paranaenses.

As amáveis curitibanas que se achavam nos salões eram quase todas senhoras casadas. Senhoritas havia muito poucas. Casam-se logo que são núbeis, antes de deixarem a escola, e acabam de crescer com os seus filhos. Estavam presentes vários exemplares dessas senhoras jovens, que ainda não haviam abandonado completamente a infância. Uma senhora de quinze anos parecia um lírio murcho. Parece-me que esse uso do casamento infantil denuncia uma profunda desmoralização (AVÉ-LALLEMANT, 1980, p. 275).

Enquanto o casamento se mostrava tão precocemente às mulheres, será também na região Sul que veremos despontar algumas contraposições, reafirmando as exceções à regra da total submissão feminina ao modelo de sociedade patriarcal em que estava inserida. Foi dessas terras que vimos surgir na história muitas mulheres na vanguarda de finais do século XVIII e todo o XIX, em vários aspectos. Um deles, importante a ser citado, pode ser observado na dissolução institucional dos casamentos, praticamente impensável para a época, e pontuados no grande número de separações registradas na província do Rio Grande do Sul, a pedido das senhoras.

No Rio Grande do Sul as relações matrimoniais somente serão discutidas em Fórum religioso próprio, formalmente constituído, com a instalação do Tribunal Eclesiástico, criado a pedido da Santa Sé, em 1974. No entanto, nada impediu que um grupo de mulheres gaúchas, já no final do XVIII, discutissem suas relações conjugais e, mais do que isso, encaminhassem junto às autoridades da época seus processos de divórcio. [...] Quase dois séculos antes da efetivação do Tribunal Eclesiástico, um grupo de noventa e sete casais já discutia a possibilidade de ruptura de seus casamentos, considerados à época, indissolúveis. Em mais de noventa por cento dos casos, era a mulher que propunha o processo. Trata-se do Divórcio Perpétuo entre Partes, previsto e regulamentado pelas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, feitas e ordenadas pelo 5º Arcebispo do Brasil, D. Sebastião Monteiro de Vide, aprovadas em Sínodo. Essa assembleia de párocos ilustres, convocados por ele para este fim, no ano de 1707, baseou-se no Direito Canônico português (SOARES, 2008, p. 136).

O autor continua relatando que o Direito Canônico português, ao mesmo tempo em que considerava indissolúveis as uniões matrimoniais realizadas sob a égide da Igreja Católica, também abria pequenas brechas para que as mesmas fossem desfeitas diante de algumas situações: “a ordenação do marido; a fornicação de um dos casados ou de ambos; a prática de heresia e, finalmente, as sevícias graves” (SOARES, 2008, p. 136).

A dissolução desses casamentos consistia, portanto, em processos “longos, penosos e muito caros”. Sendo assim, somente mulheres das classes mais abastadas, as sinhás proprietárias de terras, tinham condições de pleitear o divórcio. Seja porque tinham conhecimento do Direito Canônico, ou porque possuíam condições de financiar advogados que o conhecia.

Segundo Soares (2008), esses processos eram demorados e dispendiosos, pois envolviam o arrolamento de muitas testemunhas nas várias etapas e nas diferentes instâncias em que ocorria até o julgamento final; e eram penosos, visto que expunham, para um Tribunal formado, em sua maioria, por pessoas conhecidas, as relações e as transgressões mais íntimas entre as partes envolvidas em meio a uma sociedade que, mesmo urbana, não passava de pequenas vilas onde todos se conheciam.

A solicitação desses divórcios, inicialmente, justificava-se pela violência física e pelos maus tratos impostos a essas mulheres por seus maridos. No entanto, muitas outras situações cabíveis nesse ordenamento eclesiástico, foram surgindo com o passar do tempo.

Mesmo persistindo a violência, ganham espaço a infidelidade, as amancebias, a dilapidação dos patrimônios, os abandonos, as viagens ao exterior em companhias mais que suspeitas e o homossexualismo [sic]. Observa-se claramente a contradição. A separação, o rompimento do sacramento, era pecado grave, no entanto, viver com alguém que não respeitava a fé conjugal ou o patrimônio não constituía pecado menor (SOARES, 2008, p. 138).

Embora esses divórcios sejam minoria em relação ao número de matrimônios realizados, constatar sua existência em uma sociedade que corroborava para a perpetuação dos laços de união do casamento é bastante avançado para a época. E isso se torna mais vanguarda quando esses divórcios são pleiteados por mulheres que, em sua maioria, entraram nestas uniões, sob a condição de negócios e arranjos familiares, sem a opção de escolha do marido. Depois de casadas, não respeitadas em suas uniões ou vendo seus patrimônios dilapidados – costumava ser grande o dote da noiva levado para o casamento –, elas ousaram lutar pela dissolução perpétua desses arranjos e, em muitos casos, obtinham sucesso nessa empreitada.

A região Sul entrará num processo de desenvolvimento a partir do Reinado de D. Pedro II, na segunda metade do século XIX, com a intensificação da imigração europeia e o crescimento das principais cidades. A construção da estrada de ferro ligando São Paulo a Porto Alegre propiciou o desenvolvimento de outras atividades econômicas além da agropecuária. Assim, veremos florescer a partir desse período, nas principais cidades das províncias, uma nova imagem de mulher branca e rica, amplamente difundida pelos jornais da época, trazendo

ecos comportamentais do que se preconizava para as mulheres da Corte no Rio de Janeiro. “O isolamento feminino nas atividades de esposa, mãe e dona de casa tornou-se forma de distinção para uma classe urbana abastada e, também, para funcionários públicos, pequenos comerciantes e proprietários urbanos, estes últimos desejando ascensão social” (PEDRO, 2015. p. 285).

Em uma sociedade não tão escravagista como a encontrada no Sul do Brasil, a cor parecia ineficiente como fator de estratificação, devendo essa sociedade, portanto, se valer de hábitos de comportamento para externar as posições sociais. Assim, serão esses comportamentos que caracterizaram as sinhás abastadas, tanto dos sobrados urbanos quanto das fazendas, que voltaram a se encontrar numa posição de reclusão à casa e aos seus afazeres domésticos, se igualando à maioria das senhoras encontradas por todo o Império.

Quanto às mulheres de letras, as províncias do sul também apresentaram forte atuação feminina. Entre essas mulheres podemos destacar uma representante de cada província, como Revocata Heloísa de Melo21, no Rio Grande do Sul; Ana Luiz de Azevedo Castro22, em Santa Catarina; e Júlia da Costa23, no Paraná.

Todas essas mulheres escritoras, educadoras, jornalistas, elencadas nesta pesquisa, refletem apenas um pequeno exemplo da forte atuação feminina que localizamos no Brasil do século XIX. Enquanto o cânone literário e a própria historiografia de um modelo patriarcal do início do século XX silenciaram essas mulheres, a partir do final da década de 1980, elas vêm tendo suas histórias descortinadas. Para isso, é importante destacar o trabalho da pesquisadora Zahidé L. Muzart, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, que esteve à frente do Grupo de Trabalho A Mulher na Literatura, da ANPOLL (Associação Nacional de Pós- graduação e Pesquisa em Letras e Linguística). Com a colaboração de pesquisadoras de todo o

21 Revocata Heloísa de Melo (Porto Alegre, RS, 1853 – Rio Grande, RS, 1944) foi uma escritora,

jornalista e importante educadora brasileira. Era irmã de Julieta de Melo Monteiro, mulher também atuante nas letras e na educação da Província. Junto com a irmã, fundou em 1890, o periódico O

Corimbo, o qual dirigiu e manteve por longos 64 anos. Escreveu poesia, prosa e teatro, além de colaborar

em diversos periódicos, tanto no Sul, no Rio de Janeiro e também em Buenos Aires. Usava, em alguns momentos, o pseudônimo "Sibila" e "Hermengarda".

22 Ana Luísa de Azevedo Castro (São Francisco do Sul, SC, 1823 – Rio de Janeiro, RJ, 1869) foi uma

escritora e educadora brasileira, considerada a primeira autora de um romance de Santa Catarina, intitulado D. Narcisa de Villar (1859), relatando uma lenda colonial e com uma atuação que rompe com o destino imposto para a mulher na sociedade patriarcal.

23 Júlia Maria da Costa (Paranaguá, PR, 1844 – São Francisco do Sul, SC, 1911) foi importante poetisa

e escritora de crônicas e folhetins, considerada a primeira mulher paranaense a publicar um livro, Flores

dispersas (1867). Seu casamento com o Comendador Francisco da Costa Pereira esteve rodeado de

mistérios e fofocas. Teria sido por conveniência, por interesse, por imposição, ou por fuga. E jamais teria se consumado, segundo alguns pesquisadores. Publicou e colaborou com vários jornais da época. “Ser inteligente é um fardo muito pesado para uma mulher”, esta frase corroborava com sua atuação política, opinando sobre a Guerra do Paraguai, sobre a Monarquia, sobre D. Pedro II, paixão que dividida com o marido, rompendo com o modelo de mulher então recomendável.

Brasil, conseguiu pesquisar, compilar, organizar e publicar três grandes volumes totalmente dedicado às escritoras do século XIX. A antologia Escritoras brasileiras do século XIX, volume I (1999), volume II (2004) e volume III (2009), retirou mais de 150 escritoras do anonimato literário brasileiro.

Ao apresentarmos esse compilado histórico da mulher no Brasil até o século XIX, objetivamos traçar um panorama de sua representação nessa sociedade patriarcal, ressaltando as posições de tradição, mas também as possibilidades de ruptura encontradas para se posicionar enquanto sujeito social. Veremos que esse perfil corrobora muito com o universo feminino encontrado na obra literária de Délia, que por meio de uma temática centrada na representação feminina, desenvolve personagens que transitam de formas peculiares entre as diferentes relações sociais estabelecidas pela sociedade brasileira do século XIX.

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