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Como já referimos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, sendo uma devoção muito difundida em Portugal, fazia parte das devoções pessoais de D. Manuel Mendes. A 7 de junho de 1907, festa do Sagrado Coração de Jesus, escreveu a sua consagração, a qual, para melhor percebermos a sua elevação espiritual, transcrevemos um pequeno trecho:

“[…] Dai fervor, generosidade, amor ao meu coração, para que ele seja uma vítima imolada para vós. Vejo-me tão fraco, tão inconstante, tão indigno, que não me atrevo a grandes promessas; faço-vos porém, é meu Jesus, plena e irrevogável oferta de mim mesmo. Ofereço-me a vós, em honra de Maria e pelas mãos de Maria, para o que vós quiserdes e como vós quiserdes, sem reserva nem condição alguma […] Ao vosso Coração me consagro, nele quero viver, nele quero morrer para mim e para o mundo […]”210.

Acresce a esta consagração ao Coração de Jesus, o Acto de Oblação que D. Manuel Mendes fez na primeira sexta-feira de dezembro de 1927, o qual assinou com o seu próprio sangue, na presença do padre Matéo Crawley-Boevey, o apóstolo do “reinado social” do Sagrado Coração de Jesus. De facto, nele fica clara a grande preocupação do Prelado eborense em ser fiel a Cristo e em conduzir até Ele, o Bom Pastor, as almas a si confiadas, sobretudo as dos sacerdotes:

“[…] Assim imolado ao Vosso amor, feito vossa pobre vítima, eu conseguirei ser um sacrário vivo de um Cristo vivo, e é essa a minha única aspiração, que Vós vivais em mim, e que eu viva em Vós! Que eu Vos dê as almas que Vós me confiastes, sobretudo as almas sacerdotais, e terei realizado o sonho da minha felicidade […]”211.

209 Cf. GUIMARÃES. M – “D. Manuel Mendes da Conceição Santos: Enamorado da Virgem”, op. cit., p. 52. 210 Cf. SILVA, D. Francisco Maria da, op. cit., p. 53.

72 Na alocução que fez na Catedral, no dia da sua entrada solene, testemunhou a grande confiança que tinha no Sagrado Coração de Jesus, afirmando ser Nele e em Nossa Senhora, que fundava todas as suas esperanças212.

Assim sendo, durante o seu episcopado, muitas foram as formas de difusão que utilizou para inculcar, na sua Arquidiocese, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, como meio de renovação e caminho para a verdadeira vivência cristã e estabelecimento do reinado social de Cristo. Entre essas formas de difusão destacam-se quatro: a pregação por si realizada213; a entronização de imagens do Sagrado Coração de Jesus por toda a Arquidiocese; a ação direta do padre Matéo; e o grande impulso que deu ao instalar o Apostolado da Oração em muitas paróquias.

A acção do Pe. Matéo – a pedido do Arcebispo –, junto do clero eborense, dos seminaristas e dos fiéis, produziu um grande florescimento espiritual. Deu-se, na verdade, um grande impulso devocional e rejuvenescimento espiritual, não só na Arquidiocese, mas em todo o país, pois ele foi convidado a pregar pelas outras dioceses portuguesas. No tempo que esteve em Portugal, realizaram-se ações de autêntica “propaganda” a Jesus, apoiada também na criação e desenvolvimento da Obra da Entronização do Sagrado Coração de Jesus214. Da ação do Pe. Matéo devem destacar-se as conversões religiosas, as inúmeras entronizações do Sagrado Coração de Jesus nas famílias e o grande número de pessoas que, em Évora e, por todo o país, praticavam a adoração noturna nos lares215 e a hora santa da reparação216.

212 Cf. Idem, ibidem, p. 14.

213 Na sua Agenda Pessoal são muitas as referências à pregação. Por exemplo, sempre pregou o mês do Sagrado Coração de Jesus, em Elvas.

214 A Obra da Entronização do Sagrado Coração de Jesus consistia na adoração noturna, no próprio lar, proporcionando o surgimento de uma espiritualidade organizada em diversas dioceses portuguesas. Serve-nos de referência sobre a Obra da Entronização, o Livro assinado pelo Pe. Matéo: “Adoração Nocturna Nos Lares Ao

Divino Rei De Amor.

215 Cf. ROCHA, José Olívio Mendes – A Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria no Açores: um contributo para o estudo da sua História, a propósito dos 50 anos nos Açores. Boletim do Instituto Histórico da

Ilha Terceira, vol. LXIII (2005), 27-43. Disponível na internet:

http://www.ihit.pt/new/boletins/2005/2congrecacao.pdf.

216 Cf. GRAWLEY-BOEVEY, MATÉO – Hora Santa: Doze Exercícios para a vigília da primeira sexta-feira e

mais sete para diversas circunstâncias. Trad. Pe. Alexandre dos Santos, O.F.M. Braga: Edição dos «Boletim

73 No que confere à instituição do Apostolado da Oração na Arquidiocese, D. Manuel Mendes foi, de novo, o grande impulsionador. Ao longo das anotações que regista na sua

Agenda Pessoal é recorrente a referência à instalação deste movimento nas diversas paróquias

que lhe haviam sido confiadas. Transcrevemos, a título de exemplo, dois apontamentos a este respeito. O primeiro, anotado no dia 5 de julho de 1921, pouco depois da sua tomada de posse:

“[…] em Fronteira, onde fui installar o Centro do Apostolado da Oração e admithir as zeladoras”.

No segundo, a 30 de novembro de 1930, dá-nos a conhecer que havia estado:

“[…] no Vimieiro, onde fui instalar o Apostolado da Oração”.

2.3.3. S. José

As referências a São José encontradas nos seus escritos não são muitas, embora nos permitam perceber que esta devoção o assistia, situação que o seu biógrafo, D. Francisco Maria da Silva, confirma217. A este propósito, destacamos dois aspectos que nos parecem interessantes: a atribuição da designação de S. José, como patrono do Seminário de Vila Viçosa, assim como o facto de não deixar passar nenhum mês dedicado a este Santo, sem praticar a sua devoção. A título de exemplo, no dia 31 de março de 1922, anotou na Agenda

Pessoal:

“A S. José – consagração do seu mês e supplica […]”.

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