Conceptual framework
1. Domestic institutions and European foreign policy
A Formação Itamaracá representa o registro da fase transgressiva, e seus depósitos indicam a existência de um ambiente marinho com substancial influxo de material terrígeno (Kegel, 1955, 1957a; Souza, 1998, 2006; Barbosa et al., 2003, Barbosa, 2004). Devido à natureza transicional dos depósitos, as características dessa formação variam bastante ao longo da bacia, incluindo calcários detríticos com siliciclastos, arenitos calcíferos e níveis de marga e folhelho, todos bastante fossilíferos.
A camada fosfática que marca o topo da Formação Itamaracá varia desde níveis de fosforitos mais puros, nos flancos norte e sul da bacia, até níveis de arenitos finos e siltitos carbonáticos ricos em fosfato (Kegel, 1955, 1957a; Menor et al., 1977; Menor & Amaral, 1979; Amaral et al., 1977). A figura VI.6 mostra a ocorrência dessa camada em testemunhos de sondagens na Bacia da Paraíba, assinalada pela anomalia nos perfis de raios gama.
Kegel (1954) analisou os componentes do horizonte fosfático verificando que em sua grande maioria estes se constituem de pellets (coprólitos) de organismos marinhos (provavelmente de vermes e moluscos) e testas de foraminíferos preenchidas por fosfato, assim como também restos de conchas. O autor observou ainda que esses corpos elipsóides- cilíndricos (coprólitos - pelóides) chegam a constituir 95% dos microfósseis do horizonte fosfático. O autor afirmou ainda que estes pelóides são raros na porção inferior dos depósitos. Estas microconcreções (pelóides) possuem tamanhos variados entre 0,5 e 1,5mm de comprimento e de 0,3 a 1 mm de diâmetro. Kegel (1954) identificou ainda no horizonte
fosfático a ocorrência de calcita, dolomita, quartzo e microclina. Informações semelhantes são fornecidas por Tinoco (1962, 1967, 1971) e por Tinoco & Siqueira (1976). O acúmulo de material fecal composto por microconcreções enriquecidas em fosfato, devido à alta produtividade, com baixa taxa de sedimentação ocasionou o acúmulo de matéria orgânica e fosfato sedimentar criando uma seção condensada (hardground).
As figuras VII.17 e VII.18 mostram micrografias do horizonte fosfático identificado em poços na região da Bacia da Paraíba. Nos trechos mais enriquecidos de fosfato há uma maior concentração de pelóides amalgamados e microfósseis fosfatizados.
Figura VII.17 A) – A) amostra poço 1 PL-03-PE, Paulista, PE – pel-esparito fosfático com quartzo. Nota-se a laminação (nicóis // / 4x). B) amostra poço 1 PL-03-PE – pel-esparito fosfático. Nota-se ao centro uma microconcreção fosfática (coprólito), circundada por calcita espática (nicóis // / 10x).
Figura VII.18 – A) amostra poço 1 IG-01-PE, Igarassu, PE – pel-esparito fosfático com quartzo e microfósseis. Nota-se a má seleção dos siliciclastos e a fragmentação dos bioclastos (nicóis // / 4x). B) amostra poço 1 IG-01-PE – pel-esparito fosfático. Nota-se laminação com abundante conteúdo de quartzo e de microfósseis fosfatizadso (nicóis // x 10x).
A presença de bioclastos fragmentados juntamente com intraclastos carbonáticos retrabaçhados indica alta energia em áreas proximais, com um continuo retrabalhamento de
material bioclástico misturado ao influxo terrígeno. Foram verificados nas lâminas restos ósseos de peixes, de corais, de algas, conchas de moluscos e microfósseis (foraminíferos). Também nos trechos onde a camada é menos enriquecida em fosfato existe um intenso acúmulo de restos de organismos fragmentados e retrabalhados (Fig. 19).
Figura VII.19 – A) amostra poço 3 LU-02-PB, Lucena, PB – bioesparito fosfático (packstone/grainstone). Notar a ocorrência de microconcreção fosfática e de conchas de moluscos de parede espessa (nicóis // / 4x). B) amostra poço 3 LU-02-PB – bioesparito fosfático (packstone/grainstone). Nota-se a esquerda parede de tubo de verme serpulídeo e a direita um intraclasto carbonático fosfatizado (nicóis // / 4x).
A ocorrência de intraclastos de carbonato no nível fosfático (ver Fig. VI.5) também indica que estes componentes estavam sendo retrabalhados de outras áreas da plataforma. A figura VII.20 mostra um exemplo de grande intraclasto de calcário presente no horizonte fosfático, associado a dolomita e pirita diagenéticas.
Figura VII.20 – A) amostra poço SRC-07, Santa Rita, PB – doloesparito fosfático (packstone/grainstone). Nota-se os cristais euhedrais de dolomita. Ao centro um agregado de bioclastos com fosfato e pirita (nicóis // / 10x). B) amostra poço 3 LU-02-PB, Lucena, PB – bioesparito fosfático com dolomita (packstone). Nota-se o grande intraclasto de carbonato, no qual é possível distinguir alguns microfósseis.
Abaixo do nível fosfático observou-se em vários poços um nível com dolomitos contendo abundantes siliciclastos, mas este não é contínuo (Fig. VII.21). Estes níveis de doloesparito apresentam alta porosidade devido à intensa dissolução. As camadas de calcário que ocorrem na Formação Itamaracá apresentam uma grande variação do conteúdo de siliciclastos na matriz (10% a 65%). Os microfósseis, abundantes no nível fosfático, são pouco frequentes nos arenitos calcíferos e calcários com siliciclastos.
Figura VII.21 - A) amostra poço 1 IG-03-PE, Igarassu, PE – doloesparito com quartzo e fosfato (nicóis X / 4x). B) amostra poço 1 IG-03-PE – doloesparito com quartzo e fosfato (nicóis X / 4x).
Os arenitos calcíferos ocorrem intercalados as camadas de calcário em toda a formação, abaixo do nível fosfático. Estes níveis de arenito mostram má seleção dos grãos, que em geral são subangulosos a subarredondados, forte compactação, recristalização e porosidade devido a dissolução de grãos (Fig. VII.22).
Figura VII.22 – A) amostra poço 2 IST-01-PE, Itamaracá, PE – arenito com cimentação calcífera (esparito com cristais de dolomita). Ao centro um cristal de microclina. Nota-se a ocorrência de compactação mecânica, contato côncavo-convexo e suturado entre os grãos (nicóis X / 4x). B) amostra poço 2 IST-01-PE – arenito com cimento espático e cristais de dolomita. Ao centro um grão de quartzo policristalino alterado.
Em geral, as amostras apresentam sinais de compactação mecânica como cisalhamento e rotação dos grãos. A presença de bordas corroídas, golfos de dissolução, contatos côncavo- convexo e suturado entre os grãos também indica ação de dissolução (Fig. VII.23 e VII.24). Nos níveis de arenitos calcíferos esta pesquisa observou a presença de ortoclásio (K-F), microclina, e quartzo em proporções variáveis (Fig. VII.22).
Figura VII.23 – A) amostra poço 2 IST-01-PE, Itamaracá, PE – arenito com cimento espático e dolomita. Nota-se a ocorrência de bordas de dissolução e a compactação dos grãos com cisalhamento (nicóis X / 4x). B) amostra 2 IST-01-PE, detalhe mostrando grãos com contato de dissolução, contato côncavo-convexo e fraturamento por compactação mecânica. As fraturas dos grãos estão preenchidas por cimento de quartzo (nicóis X / 10x).
Figura VII.24 – A) amostra poço 1 IG-03-PE, Igarassu, PE – esparito, com dolomita e siliciclastos (packstone). Nota-se um grão com golfo de dissolução (seta amarela), e um feldspato potássico (F) (nicóis X / 4x). B) amostra poço 1 IG-03-PE – microesparito com siliciclastos (grainstone). Notam-se grãos de quartzo com contato suturado e bordas de corrosão (nicóis X / 4x).
VII.4 – DEPÓSITOS CARBONÁTICOS INDIVISOS DA PLATAFORMA DE NATAL