Chapitre I : Dépôts des couches minces
I.3. Domaines d’applications des couches minces
O turismo corresponde à mobilidade das pessoas que viajam a fim de interagir com diferentes comunidades e lugares e daí retirarem experiências. São essas experiências que vão ditar o futuro comportamento dos turistas e residentes, consoante correspondam ou não aos seus interesses e expetativas (Lin et al., 2017). Logo, tratando-se o turismo de um encontro entre turistas e comunidades faz todo o sentido falar sobre estes dois grupos enquanto stakeholders do turismo. Comecemos por defini-los:
• Primeiro, a comunidade local corresponde a uma unidade social que partilha os mesmos modos de vida locais, os mesmos recursos histórico-culturais, os mesmos recursos naturais e as mesmas formas de sociabilidade (Joaquim, 2015). E são estes fatores identitários que permitem a união dos povos e o estabelecimento de diferenças entre as comunidades, assim como é possível encontrar semelhanças entre elas (o idioma, a história, a cultura, a tradição, a religião, a gastronomia, os valores, as normas, os hábitos e os modos de comportamento).
• Segundo, o turista que é aquele que se desloca para fora da sua área de residência, por um período inferior a um ano, sem objetivos de emprego e com o objetivo de lazer, negócios.
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(EUROSTAT, 2014). Essencialmente o turista procura conhecer contextos histórico- culturais distintos do seu e buscar valor na sua experiência, ou seja, pretende sair do destino turístico mais enriquecido, pessoal e culturalmente.
No turismo podemos falar de dois tipos de cultura, aquela que estando no seu local de residência, acolhe os turistas – “host culture” – e aquela que se desloca para um local diferente da sua rotina habitual, seja por motivos de turismo, académicos ou profissionais – “guest culture”. Canavan (2016: 230) define ambas da seguinte forma:
➢ “host culture […] its particular arts and crafts, language, traditional roles, festivals, and ways of doing things”;
➢ “guest-culture […] may be influenced by the originating cultures of guests who act on holiday in ways influenced by their cultural background”.
Este encontro cultural para ser bem-sucedido deve englobar princípios éticos de respeito e cooperação, pois só com o envolvimento amigável de turistas e residentes se consegue, por um lado, promover o desenvolvimento do turismo local e, por outro, proporcionar experiências memoráveis aos turistas. Como é referido nesta citação, “involving residentes in tourism value co-creation is not just desirable, but imperative” (Lin. et al., 2017: 438).
No entanto, a criação desta proximidade e interação dos turistas com os residentes nem sempre é fácil uma vez que estes passam apenas alguns dias no destino. Para além disso, outro problema na interação entre host culture e guest culture assenta exatamente nas grandes diferenças muitas vezes existentes – crenças religiosas, tradições, costumes, estilos de vida, padrões de comportamento, vestuário e modos de organização do tempo e espaço (Firmino, 2007).
Basicamente a relação host-guest não passa de uma forma de transação financeira (Ribeiro et al., 2017), em que uns gastam (turistas) para que outros beneficiem desses gastos, pelos produtos vendidos e serviços prestados (stakeholders locais). Como refere Lai (2017: 453), “The relationship between residents and tourists has often been characterized as an exchange of resources between individuals whereby residents provide goods and services in return for money received from tourists while shopping and dining etc.”. No entanto, na prática isto não é assim tão linear porque, nem sempre os residentes conseguem extrair esses benefícios dos gastos turísticos, muito por conta do regime tudo-incluído, que faz com que os turistas se limitem ao pacote já pago, não trazendo riqueza para os negócios locais. Mais um motivo para que haja o afastamento das comunidades e a recusa do turismo de massas.
O turismo massificado é cada vez mais uma agravante para a preservação das culturas locais, sobretudo as de menor dimensão e mais tradicionais. Até as pessoas que rejeitam os turistas,
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criando um certo distanciamento e resistência em relação à atividade turística, acabam por ser moldadas por esta tendência (Canavan, 2016: 231). Este poder influenciador do turismo é apontado por Fennel (2006) como “the demonstration effect”, ou seja, é a imitação, ainda que inconsciente, dos estilos de vida e de consumo dos turistas que faz com que se percam tradições locais e, mais grave que isso, dificulta a compreensão da identidade local. Como destaca este autor “Increasingly communities are losing their cultural integrity because of tourism – as a force of globalization – which will only intensify based on the forecasts for huge increases in international tourism over the next three decades” (Fennel, 2006: 8). É assim normal a existência de tensões e conflitos no seio das comunidades. O próprio turismo cria a exclusão de certas populações locais que se veem privadas dos seus territórios e atividades em favor das novas ocupações e valorizações turísticas. O globo está cheio de comunidades piscatórias que abandonaram as suas práticas porque grandes cadeias hoteleiras vieram ocupar esta linha de praias junto ao mar privando-os da sua subsistência e levando-os a abandonar estes locais (Jackiewicz e Craine, 2010). Este processo nem sempre se realiza de forma pacífica, sendo os movimentos anti- turismo exemplo disso.
Reconhecendo-se que na relação host-guest o apoio da comunidade é fundamental para um desenvolvimento turístico bem-sucedido, importa atuar promovendo o envolvimento das comunidades no planeamento do turismo (Lai e Hitchcock, 2017) e gerando benefícios socioeconómicos, culturais e ambientais para a população e para os destinos turísticos (Ribeiro, 2017). Portanto, trazer benefícios para as comunidades é importante não só para conseguir o seu apoio, como para proporcionar uma experiência inesquecível aos turistas.
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