Fonte : Fon-Fon (1910, 018, p. 29).
Embeleza mesmo as mais belas. Para o rosto, para o banho, para o cabelo para a barba, para a caspa. Usem sempre o sabão Aristolino de Oliveira Junior Em forma liquida e agradavelmente perfumado. Este sabão é um grande preservativo das molestias cutaneas. Cura
rapidamente as diversas molestias da pele, darthros, eczemas, espinhas, cravos, comichões, frieiras, sarnas, feridas, queimaduras, golpes, brotoejas, molestias do couro cabeludo, caspa, queda de cabelos, manchas da pele, etc, etc. Combate e evita o suor fetido dos pés, das mãos e dos sovacos.O Dr. Edmundo Bittencourt Redator chefe do correio da manhã. Sr. Oliveira junior - usei por muito tempo o seu sabão Aristolino e posso garantir-lhe que não reconheço preparado melhor para limpar a cabeça de impedir a queda do cabelo. Edmundo Bittencourt. O eminente e pranteado clínico Dr. E. Chapot Prevost Atesta que usou e empregou o sabão aristolino como poderoso antiseptico tirando grande proveito nas molestias da pele e do couro cabeludo bem como para iniciar a asepsia do campo operatório. O segredo da beleza está no uso do sabão Aristolino.
Na Propaganda 7, pode-se conferir o uso do recurso testemunhal em forma de texto como um argumento de autoridade quanto aos efeitos do produto. Um deles é o atestado do Dr. E. Chapot Prevost (1864-1907), médico carioca, professor pioneiro de histologia e cirurgia, que integrou a comissão que foi a Berlim estudar o processo da cura da tuberculose desenvolvido pelo Dr. Robert Koch e teve importante papel no combate da peste bubônica e da febre amarela, duas doenças com grande incidência na época, no Brasil. O Dr. Prevost ganhou notoriedade mundial ao separar, pela primeira vez, no Brasil, gêmeas xifópagas, Rosalina e Maria Pinheiro Davel, utilizando no procedimento cirúrgico uma mesa inventada por ele próprio.
Curioso notar que o texto da Propaganda 7 pranteia o Dr. Chapot Prevost, morto três anos antes, em 1907. Outra curiosidade é um engano conceitual no texto ao declarar que o sabão seria “um grande preservativo das moléstias”. Ora, se ele preserva a moléstia, ele mantém a doença. Esse deslize conceitual, provavelmente devido ao jogo com as palavras, uma das técnicas da persuasão publicitária, não foi encontrado em outras propagandas da série.
A autoridade conferida pelo atestado póstumo do Dr. Chapot Prevost quanto ao uso do sabão para a assepsia do campo operatório refere-se diretamente à esfera da saúde e do desenvolvimento científico que o Dr. Chapot representava. Nessa época, de acordo com Lucas e Hoff (2006), as noções de saúde e beleza associavam-se à noção de um corpo sem doenças e, no caso do Aristolino, esse hibridismo cosmético/medicamento, saúde/beleza se explicitava também no título de sabão medicinal. Já a ciência, atrelada ao desenvolvimento técnico, estruturava saberes em áreas como a microbiologia, a anatomopatologia e a cirurgia, por
exemplo, tomava formatos de um discurso irrefutável por seus métodos comprobatórios. O médico era, na época, autoridade máxima e inquestionável sobre os argumentos da ciência (SOUZA, 2011).
Outra aproximação com o desenvolvimento científico da época pode ser notada também no fragmento textual da Propaganda 10:
O seu emprego nas moléstias da pele e do couro cabeludo é racional, pois que, combinando-se facilmente com a materia gordurosa secretada pelas glandulas sebáceas e com o suor, o que a água pura por si não pode conseguir, [...] Aristolino, (1918, p. 10). O texto citado informa sobre os mecanismos de ação do produto, apela para a racionalidade, apresenta uma explicação farmacológica (explica a relação sistema biológico com substâncias químicas), mesmo que superficial, da ação do sabão cosmético sobre o produto das glândulas sebáceas. Segundo Lucas e Hoff (2006), a publicidade brasileira se apoia em temas da medicina, tecnologia e ciência de uma forma pseudocientífica, pois é dogmática, ao apresentar as informações como se fossem verdades absolutas. No caso da Propaganda 7, o simples testemunho, mesmo que póstumo do Dr. Chapot Prevost apresentou-se como um forte argumento de autoridade científica afirmando a eficácia do produto nas doenças da pele e do couro cabeludo quanto na assepsia do ambiente da sala cirúrgica.
Além da valorização técnica científica implícita, a Propaganda 7 traz uma carta de uma eminente personalidade, Edmundo Bittencourt (1866-1943), advogado, jornalista, fundador do jornal Correio da Manhã (1901-1974), conhecido por seu engajamento político contrário ao governo da época e linha editorial preocupada com o direito do povo, combativa, liberal e independente (ASSIS, 2009; TEODORO e NEIVA, 2015).
Personalidades conhecidas do público também foram exploradas nas fotografias testemunhais, que consistem na utilização de retratos de uma personalidade conhecida como argumento de autoridade para incentivar o uso do produto. A série Aristolino retratou em sua maior parte figuras femininas, coristas e artistas de teatro como nas Propagandas 8 e 9.
Propaganda 8 ― Sabão Aristolino
Sabão Aristolino para amaciar limpar e aveludar a pele. Os efeitos do sabão aristolino como antiséptico , anti-parasitário, microbicida, são evidentes, e a experiência tem provado. Nas várias moléstias cutaneas, é eficaz preservativo destruindo as produções parasitárias. O seu emprego nas molestias da pele e do couro cabeludo é racional, pois que, combinando-se facilmente com a materia gordurosa secretada pelas glandulas sebaceas e com o suor, o que a agua pura por si não pode conseguir, ele mantém a pele e o couro cabeludo sempre em perfeita limpeza conservando assim a frescura da cutis e a fineza a brancura e a elasticidade tão necessárias a pele. Além disso o seu uso constante e regular fortifica os tecidos, preservando a pele das manchas, vermelhidões, irritações e do mau cheiro de certos suores locais tão incomodos como desagradáveis. É o melhor para manchas, sardas, espinhas, rugosidades e cravos. antiséptico e cicatrizante. O melhor nos banhos gerais ou parciais.