3. Functional Requirements
3.2. Domain Specific Functions
Consoante Flick (2013), dificilmente uma atividade institucional ocorre sem produzir um registro. Assim, pode-se utilizar os documentos para análise, como estratégia de coleta complementar a outros métodos, tais como entrevistas. Scott (2014) apresenta quatro critérios para decidir ou não pela inclusão de documentos para análise da pesquisa, a saber: autenticidade, a fim de identificar a genuinidade ou origem questionável da atividade; credibilidade, que consiste numa reflexão sobre a possibilidade de o documento conter erros ou distorções; representatividade, para verificar se o documento é típico de sua classificação ou se conhece a sua extensão; e significação, para averiguar se o documento está claro e compreensível. No primeiro contato com a administração do banco de tempo, antes da banca de defesa de qualificação de projeto de tese, havia se compreendido que o banco tinha atas de reuniões, as quais seriam disponibilizadas para o estudo. No entanto, a administração não tinha esses documentos. Durante a inserção no campo foi possível compreender a dificuldade de transição entre as três administrações que o banco de tempo teve em sua trajetória, ponto que é aprofundado na seção de resultados sobre a prática organizar e controlar. Se percebeu que, documentos como atas de reuniões não foram devidamente arquivados e repassados para a administração atual. Quando ex-administradores foram entrevistados, também tentou-se recuperar esses documentos, no entanto, os mesmos não os tinham mais. A primeira administração partilhou, inclusive, que foi elaborado um projeto para a fundação do Banco de Tempo de Garopaba, mas esse também não foi localizado. Quanto às Regras e Funcionamento (Anexo A), Lista de Talentos e Tabela de Saldos, foi possível analisar desde 26 de dezembro de 2016 até o fim da coleta de dados, sendo assim, apenas as informações da primeira administração não foram analisadas. Destaca-se que a segunda gestão tinha as informações também em via física, para backup da página do Facebook®, caso ocorresse algum problema técnico na página. Esses documentos foram disponibilizados para mim, os quais geraram quatro cadernos de registros de saldos, e em torno de 45 fotografias referente a cadastramento e descadastramento de associados. Ressalta-se que a Lista de Talentos era acessada no início de cada mês, a fim de ter os contatos mais atualizados dos associados, no intuito de facilitar o envio da mensagem para convidar para a entrevista.
Referente aos documentos virtuais, ou seja, as postagens via Facebook®, a partir do momento em que me tornei membro do banco de tempo foi possível acessar todas as publicações do grupo, isto é, desde sua fundação. Destaca-se que, para facilitar a coleta desses
dados, foi utilizado o programa “NCapture for NVivo®” para coletar as publicações e seus comentários, desde a fundação, que ocorreu em 15 de agosto de 2015, até 24 de julho de 2018, sendo essa parte da coleta denominada sistêmica. Desse período foram contabilizadas 10.507 publicações e 54.081 comentários. Já de 25 de julho a 04 de março de 2019, os dados foram coletados manualmente, devido a um bloqueio do programa para a coleta automática. Desse período, devido ter sido uma análise manual, não me detive a contabilizar a quantidade de publicações e comentários, no entanto, essas publicações e comentários relevantes para a análise de dados foram printados, e esses reunidos em um documento Word®. Esse documento totalizou 150 páginas e foi exportado para o NVivo®.
No decorrer da pesquisa, muitos entrevistados relataram que houve publicações no grupo de Facebook® que foram deletadas pela Administração, as motivações apontadas foram: a Administração não considerava conveniente deixar para consulta pública discussões polêmicas que poderiam gerar uma má reputação do mesmo; e que a Administração não tinha o interesse de evidenciar pontos a melhorar do banco, o que acaba assim gerando falta de transparência. Além disso, notícias, fotos de projetos e de encontros, assim como fotos de camisetas promocionais do banco de tempo, foram disponibilizadas pelos entrevistados.
Quanto aos documentos de Santa Maria da Feira, esses foram acessados na própria agência, onde eu passava o dia pesquisando. Normalmente entre as entrevistas, quando ficava sozinha, eu analisava os mesmos. Tive acesso a todos os banners de divulgação dos Workshops, cuja frequência é praticamente mensal, e que são colocados na porta da sede. Os mesmos também são feitos em formato de flyer e compartilhados nas redes sociais. Esse tipo de documento gerou 48 arquivos. A administradora também compartilhou o seu Hard Disc (HD) para eu acessar as fotografias e vídeos realizados nesses cinco anos de história do grupo. Esses arquivos, num total de aproximadamente 3000, foram copiados para o meu notebook. Nesse dia, estava reunida com quatro associados na sede, e logo que foi mencionado em fotografias, já se reuniram em torno do meu notebook e, com alegria, queriam partilhar comigo do que se tratava cada evento, as atividades que tinham realizado e os associados que tinham participado. Assim, foi perceptível a importância e o zelo que se tem com as atividades grupais que o banco de tempo proporciona. Além disso, outros documentos acessados foram: lista de serviços (talentos), regras do banco de tempo e as atas de comparecimento à sede, em que os responsáveis por cuidar da sede registram que lá estiveram. Esses documentos totalizaram aproximadamente 200 páginas. No Anexo B, encontram-se as regras gerais de funcionamento,
e no Anexo C, a lista de serviços disponibilizada na agência de Santa Maria da Feira. Além disso, na Figura 05, apresenta-se o resumo dos documentos considerados para essa pesquisa.
Figura 05: Resumo dos Documentos
Fonte: A autora (2020).