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Les doléances pour éliminer les atteintes à la vie sur Terre

Dans le document Les menaces pour la vie sur Terre. (Page 58-61)

Para além do núcleo “made in Portugal” que ocupa lugar central no espaço da exposição permanente, os restantes quinze objetos de autores portugueses em exibição96 encontram-se integrados nos núcleos correspondentes às suas datas de criação. Em ordem cronológica, o primeiro objeto surge no núcleo 1914-1945. Trata-se de uma cadeira em madeira criada pelo arquiteto Pardal Monteiro que entra na coleção no MUDE por doação, sendo o único objeto português exibido neste núcleo. O núcleo subsequente (1945-1960) – o mais extenso e com maior número de objetos em exposição, tem uma representação de três objetos nacionais. Na extremidade da plataforma dedicada a este núcleo, onde se distribuem os diversos designs que ocupam toda a largura da linha de fundo da sala, encontra-se a “Cadeira Gonçalo”, projetada por Gonçalo Rodrigues em 1953, em tubo de aço e madeira. À retaguarda, uma reinterpreta- ção mesma com design datado do ano 2013 por Alexandre Paulos Caldas, designada “Cadeira Portuguese Roots”. Esta última constitui uma exceção ao critério cronológico para permitir o confronto e comparação entre original e reinterpretação. No núcleo 1960-1970, encontra-se representação portuguesa por meio de objetos de design de Eduardo Anahory (mesas de apoio, 1970), António Garcia, António Sena Silva (“Mobiliário escolar” – sistema de cadeiras empilháveis 1962-72) e Daciano da Costa (“Mobiliário de escritório” – secretária e cadeira –

Linha Cortez, 1962) constituindo, este, um dos núcleos com maior expressividade em termos

de representação portuguesa. No núcleo 1980-1990, encontram-se três objetos de criação por- tuguesa, o aparador “Halley”, de 1980 com design de Filipe Alarcão e edição da Loja Atalaia e duas peças do designer Fernando Brízio: o “Banco Pata Negra” (2004) e a “Jarra Sound System” (2003). A última década representada, 1990-2000, inclui também modelos já da pri- meira década do séc. XXI e exibe cinco objetos de design português: a “Cadeira Tavares” (2009) de Marco Sousa Santos, dois protótipos de Pedro Silva Dias doados pelo próprio Autor

95 De acordo com a informação verbal cedida pela curadora Anabela Becho (cuja transcrição se disponibiliza no

Apêndice – D:2), o conteúdo exibido nos ecrãs não se trata de elementos pertencentes à coleção do museu, mas de material digital suplementar recolhido sob pretexto contextual.

96 Realizou-se um elenco sobre o levantamento de objetos de design português na exposição permanente “Único

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ao Museu: o “Candeeiro Desque” em madeira e a “Cadeira Corque”, em madeira e cortiça do ano 2005; a “Mesa Gem” (2001) de Filipe Alarcão e, finalmente a “Jarra editor 4”, também modelo protótipo de 2005 escolhida a partir da coleção da fábrica Ivima. Tal como nos nú- cleos anteriores, os designs portugueses encontram-se dispostos com proximidade entre si.

Nos textos expositivos, sistematizam-se também referências ao design português e a Por- tugal. Nas cronologias, a primeira referência aparece no ano de 1889 marcando a abertura da Loja das Meias no Rossio. Ainda no núcleo do séc. XIX, é mencionada a Fundação da União Nacional pelo Sufrágio feminino em 1897. Já no séc. XX, a primeira menção diz respeito à publicação da Revista Modas e Bordados em 1912. Só em 1962 volta a haver referência ao contexto português com Daciano da Costa e a criação do mobiliário de escritório da Linha

Cortez. Em 1971, a menção à Primeira Exposição de Design Português, em Lisboa e à abertu-

ra da Loja Maçã de Ana Salazar. Em 1978, a inauguração do Museu Nacional do Traje em Lisboa e, em 1979 a abertura da Loja Branca de Manuela Gonçalves. Na década de 80 é des- tacada e Exposição “Design & Circunstância”, em 1985, a criação do CPD que lança o con- curso “Jovem Designer” no ano seguinte e, a criação da Associação Cultural da Manobras em Lisboa. Na década de 1990 é referida a criação da Associação Moda Lisboa em 1990, em 1991 a organização do primeiro Calendário Nacional de Desfiles em Portugal pela Moda Lis- boa e, em 1992, a atribuição do prémio Pritzker a Siza Vieira. No ano de 1995 é assinalado o início do evento “Portugal Fashion”, no Porto e, em 1998, a atribuição de prémios nacionais de design pelo CPD. O ano de 1999 é referido pela abertura do Museu do Design no Centro Cultural de Belém (onde esteve até 2006) e pela realização da primeira bienal de design em Lisboa, a “Experimenta Design”. Em 2004, é feita referência à realização do Campeonato Europeu de Futebol em Portugal. Em 2009 é assinalada a abertura do MUDE e, no ano se- guinte, é referida a atribuição da direção artística da Lacoste ao português Felipe Oliveira Baptista. A morte de José Saramago, Nobel da Literatura e a Cimeira da NATO em Lisboa, a atribuição do prémio Pritzker ao arquiteto português Souto Moura e o pedido de ajuda finan- ceira externa português são outros acontecimentos assinalados na cronologia de 2009.

No corpo dos textos que descrevem cada uma das décadas em relação ao design, a reali- dade portuguesa é evocada pela primeira vez no núcleo “1980/1990 – Os anos do Pós- modernismo: ecletismo e pluralismos”. Para além da menção a Siza Vieira na referência à sua “pesquisa formal e escultórica sobre os materiais” (Coutinho, 2011: 27). São destacados de- signers e atividade por eles desenvolvida considerada mais relevante destacando-se a ativida- de de alguns criadores de moda. Cita-se abaixo o referido excerto a partir do catálogo da ex- posição que reproduz também os textos expositivos:

No panorama nacional, o final dos anos 80 é um momento de afirmação de novos criadores, como Filipe Alarcão e Pedro Silva Dias, revelados pela Loja da Atalaia […] Em Portugal, Ana Salazar co- meça a apresentar, regularmente, as suas propostas, enquanto Manuela Gonçalves, próxima da estética japonesa, desenvolve um trabalho de desestruturação das for mas, em materiais naturais. Manuel Al- ves & Manuel Gonçalves abrem a sua loja em 1984 e assinam um estilo muito próprio, de influências

100 arquitetónicas, enquanto José António Tenente desenvolve, a partir de 1986, propostas de grande fe- minilidade, inspiradas na história do traje e das diferentes artes. No coração do Bairro Alto, o bar Frá- gil, aberto em 1982, é a centro da boémia lisboeta (Coutinho, 2011: 27).

A segunda referência à história do design português surge num dos painéis do núcleo “19990/2000 – Design Global”. Desta vez, é feita uma breve síntese sobre as novidades e as- petos relevantes do design português daquela década, entendida como um tempo de afirmação e reconhecimento internacional conforme se poderá analisar no excerto transcrito:

Os anos 90 e 2000 representam um período de grande afirmação e desenvolvimento da criativida- de nacional, com a imprensa internacional a reconhecer a qualidade do design em Portugal. Quer na moda como no design, convivem diferentes gerações e distintas linguagens. Reconhece-se uma preo- cupação ecológica no reaproveitamento de materiais, formas e objetos, em paralelo com uma pesquisa mais formalista, por vezes com recurso a novas tecnologias, que pode ter uma maior sofisticação ou numa simplicidade minimal. Existe ainda uma tentativa de recuperar o saber artesanal e de modernizar áreas da produção tradicional como a cerâmica, cortiça e vidro.(Coutinho, 2011: 32)

Apesar de evocado o contexto da moda nos referidos textos e cronologia, a exposição não apresenta entre os exibidos, nenhum exemplar da moda portuguesa. Dos componentes obser- vados, lê-se uma representação do design português pouco expressiva. Por outro lado, a inte- gração dos mesmos no fio cronológico, permite que sejam confrontados os exemplos repre- sentativos dos objetos de design português com exemplares de outras nacionalidades contem- poraneamente. No que respeita aos textos expositivos, se as referências nas linhas cronológi- cas encontram alguma constância no percorrer dos diversos núcleos, o critério para os restan- tes textos já não ocorre do mesmo modo já que apenas nos dois últimos núcleos se encontra alusão à realidade portuguesa do design. Não sendo, por motivos já aqui expressos, particu- larmente expressiva a representatividade do design português na exposição permanente, en- contra-se, no contexto das exposições temporárias, uma presença mais ritmada e frequente, podendo ser compreendida como complementar ou compensatória ainda que, realizando, ge- ralmente, abordagens mais parcelares e não representativas de perspetivas mais amplas sobre o design português que acaba ficando pouco explorado.

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