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Dans le document TERMES DE REFERENCES AUDIT FINANCIER (Page 6-0)

PatrikSchumacherpublicaaprimeiraediçãodosdoisvolumesdeTheAutopoiesisof Architecture em 2011 e 2012, respectivamente. O primeiro volume, de subtítulo A New Framework for Architecture (Um Novo Panorama para a Arquitetura, em tradução livre), contabiliza 463 páginas,eosegundolivro,desubtítuloANewAgendaforArchitecture(UmaNovaAgenda para a Arquitetura, em tradução livre), 774 páginas, se constituindo a obra num total de 1237 páginas. Sob o já comentado intuito geral de desenvolver uma teoria autorreferenciada para a arquitetura e urbanismo, no primeiro volume de sua obra (ANEXO A) Schumacher expõe os aspectos fundantes de sua teoria, dentre os quais defende desde uma evolução histórica da disciplina enquanto um sistema autorreferenciado – à base do conceito de autorreferência de Luhmann – até suas bases projetivas e funcionais. Já no segundo volume (ANEXO B), o autor aponta para operacionalizações efetivadoras de sua teoria, discorrendo sobre as metas atuais da arquitetura e urbanismo, seu processo de concepção paramétrica e, por exemplo, certas correlações e funcionamentos sociais e políticos. Não obstante essa extensão, toda a teoria contida nos dois volumes é sintetizada por Schumacher através do estabelecimento de 60 alegações – por ele denominadas teses – que, distribuídas ao longo da obra, estruturam seu conteúdo (ANEXO C)60. Segundo o próprio autor, a obra contém “12 partes (cinco partes no vol.1 e sete partes no

vol.2), com 60 seções (24 no vol.1 e 36 no vol.2) e aproximadamente 250 capítulos. Cada uma das 60 seções apresentam uma tese que delineia a mensagem central dos insights articulados dentro da respectiva seção” (SCHUMACHER, 2011. p. xiii, tradução livre).

Dada a extensão e variedade de temas abordados, o objetivo por nós contemplado para a análise da obra de Schumacher consiste na captação de pontos-chave que levem ao entendimento de sua concepção de Autopoiese; mas como substrato para esse objetivo, são descritos aspectos mais relevantes da obra para a compreensão de sua teoria. Assim, os subitens a seguir apresentam cinco critérios analíticos por nós definidos: 1. a ideia geral da obra e sua influência sociológica de Luhmann; 2. a obra em sua ideia de Autopoiese; 3. a obra em sua relação com o parametricismo; 4. a obra em demais aspectos relevantes, dentre os quais comenta-se suas 60 teses; e 5. a obra nas categorias histórico-críticas de Françoise Choay, onde se inicia uma análise junto ao corpo geral da teoria da arquitetura e urbanismo. Longe, contudo, de uma análise de conteúdo ou discurso, aqui nossa análise é propositadamente crítica, conforme nos obriga a

120 extensão da obra de Schumacher e para manter-se o foco junto à apropriação da Autopoiese61.

Para o desenvolvimento de nossas análises, a leitura de The Autopoiesis of Architecture focou- se em partes específicas de seus dois volumes. No primeiro volume, a atenção manteve-se sobre a Introdução (de subtítulo Arquitetura como Sistema Autopoiético) e a parte 1 (de título Teoria da Arquitetura), para um entendimento geral da obra e suas influências a partir de Luhmann, e a parte 3 (Arquitetura como Sistema Autopoiético – Operações, Estruturas e Processos), para uma compreensão mais aprofundada da noção de Autopoiese. Já no segundo volume, e como contributo mais pontual para as leituras anteriores, a atenção foi lançada sobre as partes 10 (Autodescrições da Arquitetura), 11 (Parametricismo – O Design Paramétrico e a Formação de um Novo Estilo) e 12 (Epílogo – O Delineamento de uma Teoria).

Vale ressaltar que essa seleção de partes para a apreciação da teoria de Schumacher dá-se pelo desafio que constitui a leitura de sua obra. Longe de ser uma teoria bem ordenada, de um raciocínio claro, The Autopoiesis of Architecture assemelha-se a um vasto ensaio elucubrativo que, no mais das vezes, esforça-se em sistematizar-se e sintetizar-se. Modo geral, contudo, a extensa ambição autorreferencial e totalizadora da teoria parece torná-la inacabada, confusa e mesmo contraditória, repleta de conceitos, definições, metáforas e exposições que, de modo comum, repetem-se e variam diversas vezes, tal como será melhor exposto a seguir. Mas vale pontuar aqui, antecipadamente, algumas primeiras observações críticas quanto à estrutura textual da obra, a fim de que se perceba a imprecisão literária sob qual se desenvolve.

Quanto ao caráter repetitivo, veja-se por exemplo como em um dos trechos da primeira parte (ANEXO E), ao longo de apenas duas páginas referentes à seção 1.3.3. (SCHUMACHER, 2011. p.47 e 48), o autor refere-se 8 vezes ao seu conceito de autodescrição. Após relatar com anterioridade para a existência de três tipos distintos de teorias no universo da arquitetura e urbanismo – problematizadoras, generativas e analíticas –, Schumacher segue defendendo que, nesse campo, considerado por ele como um sistema funcional concorde à teoria de Luhmann, uma teoria só há de alcançar a condição de autodescritiva se capaz de abarcar esses três tipos teóricos, e assim embasar um estilo projetual de vanguarda que lidere um processo de desenvolvimento autopoiético da arquitetura. Repetidamente, desse modo, o autor diz que:

Só quando essa condição é dada (…) a teoria da arquitetura em questão constitui a (prevalente) autodescrição da arquitetura. (…) Autodescrições provêm os compreensivos fundamentos teóricos para um respectivo sistema funcional (…) autodescrições são definidas na base da distinção entre teorias problematizadoras, generativas e analíticas. (…) O aspecto de problematizar e interpretar a função social

61 Reconhece-se, assim, que os horizontes científicos de nossa pesquisa não limitam-se a essas páginas. Esta dissertação é, antes de tudo,

da arquitetura (…) está no coração da noção de autodescrição. (…) Autodescrições, nesse sentido, são um ingrediente necessário para um sistema autopoiético bem sucedido. (…) nós podemos considerar os Dez Livros de Alberti como a primeira autodescrição da arquitetura. (…) A teoria da arquitetura, ao nível de uma autodescrição, é uma parte integral da autopoiese da arquitetura. (…) Autodescrições, como a de Alberti citada acima, provêm essa reflexão necessária. (SCHUMACHER, 2011, p.47-48, tradução livre, grifos nossos).

JáquantoàimprecisãoteóricadeTheAutopoiesisofArchitecture–emboraseuaparenteesforço por sistematização e síntese – tal caráter deixa-se ser suscitado por declarações do próprio autor, tanto ao longo da própria obra quanto em outras publicações que lhe fazem referência.

Em uma entrevista concedida à Revista de Arquitectura da Universidade do Chile, Schumacher deixa subentender certa ausência de objetividade em sua teoria ao ser questionado sobre uma questão central, a da utilização do termo Autopoiese. Em sua resposta, ele se volta à relação do termo com aspectos de autonomia, defendendo-os como necessários à arquitetura e urbanismo e respaldando-os junto a entendimentos oriundos de Niklas Luhmann. Ao final de sua resposta, porém, Schumacher declara ambiguamente que as vantagens de se utilizar o conceito de Autopoiese “não podem ser resumidas em poucas palavras. Serão finalmente os logros e êxitos do livro que lhas dirão” (SCHUMACHER; FLORES, 2011, p.59, tradução livre).

Suscitada também na obra a ausência de objetividade, ou mesmo ambiguidade, já no prefácio de

The Autopoiesis of Architecture Schumacher assume a redundância com que desenvolve sua teoria. No que é mais, o autor exemplifica aí um significativa expressão metafórica que o acompanhaportodaaobra,utilizando-sedetermosexóticoscomo“déjàvu”e“linhasdevoo”:

O criativo objetivo teórico de uma autodescrição é o de alcançar um intenso efeito de déjà vu com novos conceitos, abstrações e analogias. Uma tal combinação de variedade e redundância transforma conceituais linhas de voo em insights potenciais que devem contribuir para um novo panorama que conecte toda a questão corrente. (SCHUMACHER, 2011, prefácio p.3, tradução livre, grifos nossos).

Essa autodeclaração de imprecisão teórica e ambiguidade mostra-se ainda quando Schumacher, no primeiro volume de sua obra, discursa sobre “compreensibilidade”. Para ele, atentar-se para umateoriacompreensivageraoriscodeestreitar-seeameaçar-secomgeneralidadessuperficiais, de modo que defende que uma teoria deve ser tão precisa quanto o seja abstrata e generalista:

O intento em ser compreensivo contém o óbvio obstáculo de disseminar o discurso de modo estreito. Isso implica no perigo de lidar com generalidades superficiais e vagas. Para superar esse problema, a compreensibilidade deve ser buscada apenas após, ou em paralelo com, uma multitude de análises aprofundadas (...), uma teoria compreensiva deve objetivar estabelecer um aparato teórico unificado com conceitos abstratos e teses gerais que sejam tão precisos quanto o forem abstratos e generalistas. (SCHUMACHER, 2011, prefácio p.3, tradução livre, grifo nosso).

122 3.2.1 A Obra em sua Ideia Geral e Influência Sociológica de Luhmann

Schumacher elaborou The Autopoiesis of Architecture com o intuito de desenvolver uma autodescrição para a arquitetura e urbanismo, objetivo que fez de sua obra uma teoria tanto extensa como também ancorada em definições centrais. No geral, contudo, o desejo desse autor parece ter sido o de estabelecer bases para uma teoria totalmente independente para a arquitetura e urbanismo. Isto é, uma superteoria capaz de autorreferenciar-se em si mesma e, desse modo, auferir um alto refinamento teórico para nosso campo disciplinar; isso, na medida em que tal teoria continuasse evoluindo sem apropriações teóricas de outras ciências ou artes, desenvolvendo-se o mais possível a partir do próprio fenômeno da arquitetura e urbanismo. Estima-se que essa seja uma intenção salutar, dado que foi sob tentativas semelhantes à de Schumacher que se deu o histórico desenvolvimento teórico da arquitetura, e do urbanismo posteriormente. Afinal, foi sob esforços constantes de se estabelecer uma teoria própria para nossa disciplina – naturalmente mesclada a outros campos do saber-fazer humano, conforme já investigado por nós em sua complexidade – que autores como Vitrúvio, perante a tradição, Alberti, perante o pluralismo protomoderno, e Guarini, perante a diversidade de saberes científicos, desenvolveram suas respectivas teorias para a concepção do espaço construído. Não obstante, o ineditismo de Schumacher parece ser o de almejar uma autossuficiência para a arquitetura e urbanismo tanto teórica quanto profissional, o que difere dos demais autores. Estes, afinal, embora também tenham-se preocupado em lapidar teorias próprias à arquitetura, tanto valeram-se da diversidade de conhecimentos disponíveis em suas respectivas épocas, como também detiveram, eles próprios, formações plurais em diferentes ciências e artes.

Essa desejada autossuficiência – ou autorreferência – de The Autopoiesis of Architecture vem de sua influenciação a partir da obra sociológica de Niklas Luhmann. Como já comentado em nossa introdução, o desejo desse também alemão era o de desenvolver bases teóricas mais específicas para as ciências sociais, um campo do conhecimento que, por lidar diretamente com aspectos subjetivos da sociedade humana, sempre se deparou com grandes desafios para adequar-se à objetividade empírica da ciência. “Embora a pesquisa empírica tenha tido êxito na multiplicação de nosso saber, não conduziu à formação de uma teoria sociológica unificada”, nos diz Luhmann. A partir dessa concepção, Luhmann estabeleceu em sua desenvoltura teórica uma visão do sistema geral da sociedade a partir do que ele denominou de “subsistemas funcionais”. Ao que parece, essa estratégia do autor constituiu um esforço para reconhecer aspectos elementares, talvez fenomênicos, da sociedade, a partir dos quais fosse

possível ensaiar-se teorias mais fidedignas ao campo das ciências sociais. Isto é, um desenvolvimento teórico em que o “objeto social” fosse passível de ser compreendido cada vez mais em sua própria inteireza, sem que sua análise fosse reduzida pelo empirismo imperativo da ciência, mas sem que também fosse prejudicada por qualquer ausência de rigor científico. Luhmann encontrou a saída para esse impasse científico na Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig Von Bertalanffy. Eminentemente paradigmática, essa teoria buscava justamente ultrapassar limitações científicas, especificamente na transformação de perspectivas focadas na parte para focar o todo, no objeto para o sistema. “De uma maneira ou de outra”, nos diz Bertalanffy, “somos forçados a tratar com complexos, com 'totalidades' ou 'sistemas' em todos os campos do conhecimento. Isto implica uma fundamental reorientação do pensamento científico” (BERTALANFFY, 1975, p.19-20). Essa influência paradigmática de Bertalanffy sobre a produção teórica de Luhmann é explicitada por esse próprio autor na introdução de um de seus livros:

As investigações seguintes mantêm-se, estritamente, no nível de uma teoria geral dos sistemas sociais. Elas não oferecem, por exemplo, uma teoria da sociedade – sociedade entendida como sistema social abrangente e, assim, como um caso entre outros. Não se apresentará também somente a Teoria Geral dos Sistemas. No entanto, dever-se-á dedicar a ela suficiente atenção, pois nossa ideia diretriz é a questão de como uma mudança de paradigma, que se esboça no nível da Teoria Geral dos Sistemas, atua sobre a Teoria dos Sistemas Sociais. (LUHMANN, 1984, p.19-20, grifo nosso).

Luhmann defende a validade de sua “Teoria dos Sistemas Sociais” ao chamar a atenção para o ente social não só enquanto um objeto, mas enquanto um sistema; isto é, enquanto um “produto” não meramente físico, objetivo, mas igualmente resultante de seu próprio funcionamento sistêmico em meio à sociedade, das relações que estabelece com esta, e a partir das quais torna- se possível observar aspectos sociais mais subjetivos. Nesse sentido, Luhmann teoriza sete principais sistemas funcionais, também denominados sistemas de comunicações: economia, ciência, direito, política, arte, religião e educação. Conforme sua teoria, esses sistemas constituiriam subsistemas do sistema maior da sociedade. Além disso, Schumacher aponta com base em Luhmann que teria sido devido à especialização sociofuncional desses sistemas que se deu o desenvolvimento da sociedade moderna, cuja crescente complexidade estaria naturalmente organizada sobre essa especialização sistêmica.

Esta condição de participação com múltiplos, amplamente independentes, sistemas sociais paralelos é particularmente própria à sociedade moderna. Distintamente, sociedades tradicionais organizaram-se nas bases de organizações segmentárias em tribos, clãs e famílias que alocaram individualidades de uma vez e para sempre, com respeito a todos os aspectos de suas comunicações. (…) O estabelecimento de

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diferenciações funcionais como uma primeira forma de diferenciação social constitui então um ganho evolucionário irreversível. (SCHUMACHER, 2011, p.23-24, tradução livre).

Em Luhmann, o campo da arquitetura e urbanismo não chegou a ser teorizado como sistema social, ausência de que Schumacher aproveita para teorizá-lo como tal, de modo que defende sua obra como uma contribiuição direta para a Teoria dos Sistemas Sociais. Segundo o autor:

A autopoiese da arquitetura usa a Teoria dos Sistemas Sociais de Niklas Luhmann para construir essa teoria da arquitetura como uma teoria das comunicações da arquitetura dentro de um autônomo, especializado e comunicativo subsistema abrangido pelo sistema de comunicações sociais. (SCHUMACHER, 2011, p.10, tradução livre).

Para definir um sistema de comunicações, Luhmann apoiou-se na distinção funcional de relações do interior da sociedade; relações da qual a sociedade não se distingue, mas que apresentariam distinções entre si. É desta feita que Luhmann qualifica tais sistemas como autopoiéticos, enfatizando-se com isso a suposta capacidade de esses sistemas naturalmente se autorreconstituirem no interior de uma sociedade, tanto em suas relações quanto em suas estruturas. Em outras palavras, pode-se dizer que essa atribuição autopoiética aos sistemas de comunicações Luhmannianos parece qualificá-los como processos sociais de “auto- organização” – tomando-se esse termo bastante difundido pela Teoria Geral dos Sistemas –, uma qualidade que, portanto, auferiria certa elementaridade a tais sistemas. As abordagens sistêmicas, afinal, ao lidarem com complexas teias de relações que sugerem olhares mais vastos que a objetividade analítica da ciência, buscam comumente compreender aspectos mais elementares, e mesmo subjetivos que parecem participar da ordem dessas complexidades. Tal explicação parece refletir-se em uma definição de Schumacher sobre a autopoiese social de Luhmann:

O ponto de partida de Luhmann é sua decisão de analisar a sociedade nos termos de sistemas de comunicações diferenciados. Ele caracteriza sistemas de comunicações como sistemas autopoiéticos: 'um sistema de comunicações é um sistema totalmente fechado que gera os componentes de que se constitui a partir de suas próprias comunicações. Nesse sentido, um sistema de comunicações é um sistema autopoiético que produz e reproduz através do sistema tudo o que funciona para o sistema enquanto unidade… O sistema de comunicações por si mesmo especifica não apenas seus próprios elementos – o que em cada caso é uma unidade de comunicação que não pode ser subdividida – mas também suas estruturas'. (ibid. loc. sit., tradução livre).

Vale acrescentar que o termo “sistemas de comunicações” ou “sistemas funcionais” equivale ao que se pode considerar “sistemas de relações sociais”. O próprio Luhmann assim nos aponta nos ensaios de sua teoria, junto ao que também oportuniza um melhor entendimento sobre a

qualidade autopoiética dos seus sistemas de comunicações; uma qualidade que parece remeter ao caráter natural com que esses sistemas se reconstituiriam no interior da sociedade.

Precisa haver na sociologia um conceito para a unidade do conjunto do social – quer se designe esse conjunto (...) como conjunto das relações sociais, dos processos sociais, ações sociais ou comunicações. (…) a sociedade é o sistema social abrangente,queabarcaemsitudooqueésocialequenãoconhece consequentemente nenhum ambiente social. Quando algo social se acrescenta, quando surgem (…) temas de comunicação diferentes, a sociedade cresce com eles. (...) Eles não têm como ser externalizados, não podem ser tratados como coisa de seu ambiente, pois tudo o que é comunicação é sociedade. A sociedade é o único sistema social, junto ao qual vem à tona esse estado de coisas particular. (LUHMANN, 1984, p. 463).

Portanto, o ímpeto que moveu Luhmann no desenvolvimento de sua teoria parece ter sido o de aproximar-se de uma concepção e de um vocabulário teórico que inserissem na ciência as diferentes redes sistêmicas de relações sociais; um trabalho que, portanto, naturalmente se tornou extenso e de uma desafiadora sistematização62. Reconhece-se aqui, desse modo, que

uma abordagem mais aprofundada sobre a influência da Teoria dos Sistemas Sociais sobre o trabalho de Schumacher nos demandaria investigações que excedem os limites de nossa pesquisa. Todavia, considera-se necessário tangenciar a obra de Luhmann aqui para que se compreenda a sua presença no The Autopoiesis of Architecture, muito embora o próprio Schumacher nos declare que não é necessário ir à obra de Luhmann para compreender a apropriação teórica que ele realizou sobre este para a arquitetura e urbanismo. Além do quê, Schumacher também evidencia sua contraparte ideológica que foi somada à base Luhmanniana:

A Autopoiese da Arquitetura deve, então, ser lida (…) como uma extensão do trabalho de Luhmann com respeito ao domínio da arquitetura. Mas esta é apenas metade da história – a outra metade é o uso de uma sistêmica análise teórica por uma função ideológica lançada de dentro da arquitetura, e almejada pela autoconcepção central e direção da disciplina. (…) Entretanto, isso não implica que o livro pressuponha qualquer conhecimento prévio dos extensos trabalhos de Luhmann. Todas as referências a Luhmann estão suficientemente elaboradas para fazer The Autopoiesis of Architecture uma literatura autossuficiente. (SCHUMACHER, 2011, p13, tradução livre).

Então, dada a extensão da obra de Luhmann, bem como a sugestão de Schumacher, será diretamente através da obra deste que se lançará um último olhar sobre os sistemas teorizados por Luhmann, a fim de se compreender a inserção da arquitetura e urbanismo como um sistema de comunicações, ou melhor, um sistema de relações sociais. Antes de fazê-lo, porém, vale enfatizar que Schumacher considera nesse suposto campo de comunicações não só o universo

62 Niklas Luhmann possui uma ampla obra escrita, da qual Schumacher destaca 10 livros lhe foram a principal base. Segundo ele, estes livros

englobam 8 monografias: uma sobre o fenômeno geral da organização e, os demais, sobre os sistemas de comunicação melhor teorizados por Luhmann (SCHUMACHER, 2011. p.12). Em nosso esforço de uma compreensão geral da teoria de Luhmann, foi consultado um livro a parte dos mencionados por Schumacher, a saber: Sistemas Sociais: Esboço de uma Teoria Geral (LUHMANN, 1984).

126 da concepção do espaço construído, mas também o campo do design, na medida em que, hoje, esta área também adentra o espaço construído, apesar de englobar outras atuação. Em resumo, Schumacher defende para o dito sistema de comunicações da arquitetura e urbanismo o campo geral da concepção dos artefatos ligados à “arena social”:

O sistema funcional completo é (...) o sistema do design, em que se inclui a concepção

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