CHAPITRE 14 – MODALITÉS DE MISE EN JEU DES GARANTIES
3. DOCUMENTS ET PIÈCES JUSTIFICATIVES COMMUNS À TOUTES LES GARANTIES
Inicialmente, apresento os valores gerados pelo modelo para o SN. Destaco que apenas as ocorrências que foram tabuladas como esperadas integram o modelo gerado para o SN. Como mencionado, foi utilizado um modelo de regressão logística de efeitos mistos, no qual se considerou, em função da variável resposta tipo de concordância no SN, como efeitos fixos:
saliência fônica do nome, tipo de escola frequentada pela criança e idade da criança (sem
interação); e participante como efeito aleatório. Em um modelo preliminar, item lexical também foi inserido como efeito aleatório, mas isso levou o modelo a identificar singularidade. Isso pode ser explicado pelas diferenças entre as ocorrências das palavras esperadas e pelo modo como isso foi tabulado para a análise. Foram encontradas 13 palavras consideradas como congruentes com os objetos apresentados às crianças. Embora houvesse apenas 8 objetos sendo manuseados durante o experimento, as crianças usaram, para se referir a eles, tanto a palavra que se referia ao objeto em seu grau neutro quanto em sua forma diminutiva (e.g., flor -> florzinha). A tabela abaixo exibe o número de ocorrências das palavras tabuladas como
esperadas na transcrição das gravações das crianças:
Palavra no Grau Neutro Palavra no Diminutivo
Palavra N° de ocorrências Palavra Nº de ocorrências
Bola 50 Bolinha 91
Caneta 132 Canetinha 6
(2017) e Gigerenzer (2004), tanto para uma explicitação mais clara desse tópico, quanto para uma discussão acerca de métodos (como a Correção de Borrefoni) desenvolvidos para que se controle esse problema.
76 Destaco que o fator saliência fônica da palavra pode ser considerado tanto para nomes quanto para verbos
(MENDES; OUSHIRO, 2015). Contudo, apenas a saliência fônica dos nomes foi analisada nesta pesquisa. Além disso, ressalto também que esse fator pode não ter estatuto nenhum para a criança.
Celular 138 xxx - Computador 127 xxx - Estrela 99 Estrelinha 46 Flor 126 Florzinha 37 Pregador 154 xxx - Tesoura 139 Tesourinha 2
Tabela 13: Número de ocorrências das palavras esperadas nos dados das crianças.
Por haver poucas ocorrências para algumas palavras – como “canetinha” e “tesourinha” –, especialmente quando esse fator é relacionado ao fator idade, em que não se observou produção de todas as palavras por crianças de todas as faixas etárias, o modelo não foi capaz de estimar a probabilidade de um ou de outro padrão de concordância considerando
item lexical como um efeito aleatório, o que seria o ideal. Esse efeito foi, então, desconsiderado
pelo próprio modelo (valores de variância e de desvio padrão = 0.000), sendo mantido como efeito aleatório apenas participante para o modelo final. Os coeficientes gerados pelo modelo estão dispostos abaixo:
Estimativa (logOdds) Erro Padrão valor-z valor-p
Intercepto 2.5671 1.4599 1.758 0.0787
Saliência Saliente 0.6264 0.1600 3.914 9.07e-05
Escola pública -0.1469 0.5177 -0.284 0.7766
Idade -0.3837 0.3453 -1.111 0.2665
Tabela 14: Análise, para o sintagma nominal, dos dados do experimento de produção das crianças – Valores estimados por regressão logística de efeitos mistos.
O modelo identificou a saliência fônica do nome como um fator relevante para o tipo de concordância nos itens do SN, mas indo no sentido oposto ao esperado. Observou-se uma diferença significativa para nomes salientes em relação ao intercepto (concordância NR e nomes não salientes). Isso significa que nomes salientes parecem estar mais propensos a aparecer sem a marca morfofonológica de plural na fala das crianças que nomes não salientes (p < 0.001). O modelo também demonstra que houve menos uso de concordância NR por alunos da rede pública (indicado pelo sinal negativo na segunda coluna da tabela) em relação ao intercepto (concordância NR e escola privada), mas não houve diferença significativa entre
escola pública e escola privada para os dados do sintagma nominal (p = 0.7766). Por fim, o fator idade não se mostrou relevante no modelo (p = 0.2665), indicando que crianças de 3, de 4 e de 5 anos exibiram um padrão similar para a realização da concordância de número no SN.
No gráfico 24 abaixo, pode-se observar a proporção de tipo de concordância por saliência do nome nos dados das crianças. Observaram-se 552 ocorrências de plural com nomes considerados salientes e 635 ocorrências com nomes considerados não salientes na fala das crianças. Nomes salientes não receberam marcação de plural, ou seja, apareceram no singular, 73% das vezes, e nomes não salientes apareceram no singular 65% das vezes.
Gráfico 24: Proporção de tipo de concordância por saliência do nome nos dados das crianças.
Como reportado acima, esse fator foi identificado como significante pelo modelo. Esse resultado vai de encontro com o que há na literatura sobre a influência da saliência fônica da palavra sobre o fenômeno da Concordância Variável no PB e, visto que partimos do que está descrito nos trabalhos sociolinguísticos, também não está de acordo com nossas previsões. Esperava-se encontrar mais ocorrências com nomes não salientes em sua forma singular que com nomes salientes.
No que tange às condições esperadas presentes no experimento, foram encontradas 397 ocorrências de ENSNR, 399 de ESNR, 204 de ENSR e 146 de ESR. O gráfico 25 exibe a proporção de uso das condições testadas na fala das crianças: ENSNR e ESNR aparecem em
35% dos casos, ENSR aparece em 18% dos casos e ESR aparece em 12% dos casos. A condição menos usada foi, portanto, ESR.
Gráfico 25: Proporção de uso das condições testadas na fala das crianças.
Enfocando, agora, os itens que integram o SN separadamente, foram encontrados determinantes, numerais e quantificadores como elementos que precedem o nome, e adjetivos como elementos que sucedem o nome na sentença. Como mencionado, foram identificadas 1370 ocorrências de plural no SN na fala das crianças que participaram do experimento. Dessas ocorrências, 319 exibiam a presença de um numeral, 706 apresentavam quantificadores e 307 continham determinantes (reforço que a presença de um item de uma categoria não exclui a presença de um item de outra). O gráfico abaixo exibe a proporção de tipo de concordância em ocorrências em que se observou a presença de numerais, de quantificadores e de determinantes, respectivamente:
Gráfico 26: Proporção de tipo de concordância em ocorrências com numeral, com quantificador e
com determinante nos dados das crianças.
Em ocorrências com a presença de numeral foi encontrada concordância NR 75% das vezes. Já em ocorrências em que havia um quantificador, foi encontrada concordância NR em 68% dos casos. Finalmente, ocorrências com a presença de determinante exibiram concordância NR em 58% dos casos. Os resultados indicam que a presença de numerais e de quantificadores parecem favorecer o uso de concordância NR no sintagma nominal.
Conforme discutido na apresentação dos resultados dos adultos, todos os casos em que se observaram nomes e/ou adjetivos no singular na fala dos participantes foram tabulados como casos de concordância NR. Por outro lado, ocorrências com nomes ou adjetivos no plural também foram consideradas ocorrências com concordância NR em alguns casos, já que um dos elementos poderia aparecer sem as marcas de plural, e o outro com a marca. Foram encontradas 513 ocorrências com nomes no plural na fala das crianças. Dessas ocorrências, 28% foram classificadas como casos com concordância NR e 72% como casos com concordância R. Já para as ocorrências com adjetivos, foram encontradas 318 observações em que o adjetivo recebeu a marca de plural, sendo 5% dos casos identificados como com concordância NR e 95% dos casos identificados como com concordância R. Essas informações encontram-se no gráfico 27 abaixo:
Gráfico 27: Proporção de tipo de concordância em ocorrências em que nomes receberam a marca de
plural e em que adjetivos receberam a marca de plural nos dados das crianças.
Assim como nos resultados dos adultos, os resultados das crianças demonstram que o elemento mais provável de aparecer sem as marcas de plural é o adjetivo, visto que esta foi a categoria com menos realizações plurais também na fala das crianças em casos com concordância NR. Isso significa que ocorrências como “algumas bolas verdeØ” são mais
comuns que ocorrências como “vários celularØ verdes”77.
Visto que Miller e Schmitt (2010), embora tenham identificado alguma variação nos dados das crianças chilenas testadas em seu experimento, observaram variação apenas entre as produções das crianças, mas não nas produções de uma mesma criança (i.e., ou a criança regularizava positivamente ou negativamente o fenômeno, só marcando o plural em tudo ou só não marcando o plural em nada). Para verificar se, para as crianças brasileiras, seria observado um comportamento similar, considerou-se importante também explicitar o comportamento individual dos participantes do experimento conduzido neste estudo. Assim, o gráfico 28 exibe a proporção de tipo de concordância no SN por participante:
Gráfico 28: Proporção de tipo de concordância no SN por participante nos dados das crianças.
Diferente do que foi encontrado por Miller e Schmitt (2010) para as crianças chilenas (também expostas a um input variável para a concordância nominal), nossos resultados indicam que uma mesma criança brasileira pode exibir tanto concordância redundante quanto concordância não redundante para expressar pluralidade em suas produções linguísticas. Embora algumas crianças pareçam ter regularizado negativamente o padrão para a realização de plural em PB, ou seja, tenham exibido índices de 100% de concordância NR no SN em sua fala, esse não foi o comportamento predominante entre as crianças testadas neste estudo. Ainda que a maioria das crianças testadas tenha utilizado mais concordância NR que R, elas exibiram variação em suas produções, realizando a concordância de número ora com a presença da marca de plural em todos os itens do SN, ora com a ausência da marca de plural em todos os itens do SN. Das 64 crianças que exibiram ocorrências de plural no SN em sua fala, apenas 9 produziram o padrão redundante 100% das vezes. As outras 55 crianças testadas exibiram tanto ocorrências com concordância R quanto com concordância NR.
Para sumarizar os resultados encontrados para o SN, apresento os gráficos abaixo. As proporções exibidas nos gráficos anteriores são as proporções fornecidas apenas a partir da frequência de realização de um ou outro nível das variáveis consideradas neste estudo. Diferente dessas proporções, as proporções presentes nos gráficos 29, 30 e 31 foram ajustadas pelo modelo de regressão logística de efeitos mistos gerado para o SN, e, justamente por isso, não exibem exatamente os mesmos valores dos gráficos anteriores. Esses gráficos são interessantes por clarificarem os efeitos identificados pelo modelo e por tornarem a visualização dos
resultados mais transparente. Portanto, de maneira resumida, tipo de escola e idade não se mostraram fatores relevantes no modelo; a saliência fônica do nome, por outro lado, foi um fator identificado como relevante pelo modelo.
Gráficos 29, 30 e 31: Gráficos para o SN, gerados a partir do modelo de regressão logística de efeitos mistos, com a proporção de concordância NR por tipo de escola frequentada pelo participante, por
idade do participante e pela saliência do nome, respectivamente.