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Dans le document Bonnes pratiques de préparation (Page 37-40)

Chapitre 3 - Gestion de la qualité et Documentation

3.4. Documents nécessaires

Vejamos agora um breve resumo das nossas propostas de saberes da prática educativa, baseadas nos saberes do educador Paulo Freire:

Quadro 1. Saberes da prática jornalística

Tomada de consciência

Consciência de que a educação e o conhecimento são políticos e transformadores. O jornalismo como atividade política, deve pretender não a neutralidade, impossível diante de atos de fala, diálogo, escolha, comunicabilidade, decisão, verificação, percepção. Deve perseguir, no entanto, a tomada de posição com respeito ao outro, às diferenças, com dialogismo e coerência.

Rigorosidade do

método

Por trás do método, ou dentro dele, há confiança do olhar atento, que quer desvendar os fatos escondidos ou alertar para um ponto a ser criticado, repensado, reposicionado; onde a diversidade e a pluralidade são geradas. O enfraquecimento do método enfraquece o jornalismo, seja no que diz respeito à forma de apurar, de narrar, seja na confiança que a sociedade ao longo dos anos depositou na atividade. A busca pela informação correta que instrui, orienta e gera o debate social, é início do processo de construção da realidade de maneira responsável e pedagógica.

A exigência da pesquisa

Não há rigor na apuração sem busca, sem investigação. No processo educativo, como no processo de produção do conhecimento do jornalismo, exige-se pesquisa. Ela é contínua sendo exigência para se conhecer o que não está à mostra, o que precisa ser desvelado; para comunicar e anunciar a novidade. Freire (2002) diz que pesquisar é constatar e constatando é possível intervir e, claro, ao intervir se educa.

A criticidade

O telejornalista precisa dessa criticidade, que nasce do olhar de observador, de um ingênuo curioso, e germinar em meio ao senso comum. Mas na produção do conhecimento orientador, transformador precisa ir além. O jornalista com rigor no método e olhar crítico, busca retirar o véu, “descortinar” (VIZEU, 2016), ação que está na natureza pedagógica da atividade.

Ética e a estética

É o testemunho rigoroso da decência e de pureza. Uma crítica permanente aos desvios fáceis que jornalistas são tentados. Na promoção da ingenuidade à criticidade não deve haver uma distância entre o rigor da formação ética e a presença da estética. Não adianta ser apenas belo, porque fora da ética os homens e as mulheres são uma transgressão. Porém agir de maneira atrativa permite a aproximação e repasse eficiente do conhecimento.

Reflexão crítica Sobre a prática

Já é conhecida do meio jornalístico a indisponibilidade, falta de vontade, medo ou vergonha de jornalistas de refletirem sobre sua prática, sobre o trabalho, o resultado dele na sociedade. Há os que preferem virar as costas para a análise “interior” porque corre o risco de ver sua vaidade rasgada pela verdade dos erros, da maneira irresponsável que tratou os fatos e o reconstruiu para sociedade. A reflexão crítica ajuda na transparência e melhora a atividade prática.

Reconhecimento

de ser

condicionado

A consciência das limitações, dos condicionantes faz do jornalista alguém que lembra que o inacabado é construção permanente e que limites ideológicos, políticos, mercadológicos não são impedimentos para realizar um trabalho ético e honesto. Limites, obstáculos e imposições organizacionais são naturais nas relações de interdependência do tecido social, nas instituições sociais, principalmente, entre aquelas que pautam

comportamentos, atitudes, olhares e o debate público.

Apreensão da realidade

Na busca pela apreensão da realidade, jornalistas comprometidos com a construção do real de maneira ética, precisa, contextualmente fazer mais que repassar burocraticamente, com a objetividade mecânica, a interpretação dos acontecimentos ou fatos. É a capacidade de apreender a realidade dos fatos em sua completude – ou em seu máximo possível – em meio às limitações determinantes da prática jornalística, que torna o trabalho diferenciado, que o destaca.

Convicção de

mudança

A fé na mudança move outros saberes. Nenhum jornalista age com retidão, com rigor ao método, de maneira ética, preocupa-se com a estética atrativa ou se interessa em apreender a realidade da maneira contextual se não internalizado o desejo de mudar. E mudar significa questionar o que está posto. Refletir criticamente e problematizar.

Curiosidade

É estimulado o ato de perguntar, conhecer, atuar, perguntar mais, reconhecer. De alguma maneira mexe com a capacidade critica de tomar distância do objeto, de observá-lo, de delimitar, dividir e cercar o objeto ou fazer sua aproximação metódica, com sua capacidade de comparar, de perguntar. Essa é a curiosidade que move o jornalismo. Que pode nascer de maneira ingênua e de simples ato curioso, mas passa disso quando passa a ser metodicamente estimulada, para que respostas sejam recontextualizadas e reformuladas; perguntas refeitas e gerando novas questões. Para o jornalista, assim como para o educador, o exercício da curiosidade chama a imaginação, a intuição e as emoções.

Saber escutar

Escutar fortalece o rigor do método, diminui a margem de erros grosseiros e permite enxergar a realidade em contextos mais reais possíveis. Não apenas os que se desenhou numa redação, em meio às tipificações necessárias e estereótipos que nascem ou são reforçados por profissionais do campo. Freire ressalta que a verdadeira escuta não diminui, em nada, a capacidade de exercer o direito de discordar, de se opor, de se posicionar. Ao contrário, segundo ele, é escutando bem que as pessoas se preparam para melhor se colocar, ou melhor, situar-se do ponto de vista das ideias, fundamentais no processo de produção de um

conhecimento como o jornalístico, orientador de homens e mulheres. Disponibilidade para o diálogo

O ato de permitir o movimento de ida e vinda da informação e seus valores evita uma primeira barreira: a suspeita da relação com um ser “maior”, um sabe tudo. Como produtores legitimados de conhecimento, jornalistas podem viver a abertura respeitosa aos outros e quando necessário, tomar a razão ética dessa abertura, experiência base de que tem consciência de ser inacabado, mas com obrigação de ajudar na compreensão do mundo.

Rejeição às formas de discriminação

Como intérprete das realidades e de suas complexidades, necessita (e nem sempre é fácil) se livrar dos próprios demônios, de mapas conceituais que tragam qualquer carga de discriminação ao ser humano: negros, índios, mulheres, gays, trabalhadores rurais. Ao lutar pó isso, reafirma a democracia porque a prática preconceituosa de raça, de classe e de gênero ofende a substantividade do ser humano, nega radicalmente esse regime.

Educação é uma forma de intervenção no mundo

O conhecimento produzido pelo jornalismo e entregue ao seu público compõe essa forma de intervenção, por isso jornalistas precisam tanto ter consciência do seu papel de interventor. Ao falar desse saber, Freire (2002) destaca que ele exige assumir a subjetividade em nome das minorias, dos excluídos, daqueles desassistidos pelo poder público e explorado pelas classes dominantes. Deve ser um antídoto para a prática imobilizadora do ponto de vista dos interesses dominantes.

Fonte: elaboração do autor.

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