LISTA DE ILUSTRAÇÕES
SUMÁRIO 1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CONSIDERAÇÕES INICIAIS
2 O CAMINHO DA INSVESTIGAÇÃO: O MÉTODO E OS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS, TÉCNICO E OPERACIONAIS
2.1 Do Método e da concepção Teórico-conceitual
Coerente com a perspectiva apresentada, este estudo se estrutura em cinco capítulos. O conteúdo do trabalho está dividido da seguinte forma: no primeiro capítulo, “Imprensa alternativa: entre registros, memórias e narrativas”, resgato as produções acadêmicas que se constituíram como marcos nos estudos da imprensa alternativa e reflito sobre os limites e as possibilidades às novas investigações e sobre as opções metodológicas para o estudo de (e com) revistas e jornais. Apresento os conceitos basilares deste estudo, o caminho metodológico e o vocabulário adotados na análise, bem como seu quadro teórico e contextual. E delineio o circuito de comunicação de Versus.
No segundo capítulo, “Versus e a América Latina: ‘o espírito de uma época’”, situo o projeto político-cultural levado a cabo em Versus no contexto de outras experiências jornalísticas latino-americanas surgidas na década de 1970 na esteira da criação da revista cubana Casa de las Américas. Antecipo, assim, o encontro possível de Versus com Crisis e assinalo a presença da revista uruguaia Marcha neste cruzamento de caminhos. Ao seguir este
53 EL-FAR, Alessandra. Os livros, as flores e a dinâmica das edições populares no século XIX. In:
SACRAMENTO, I.; MATHEUS, L. C. (Org). História da Comunicação: experiências e perspectivas. 1 ed., Rio de Janeiro: Mauad X, 2014.
Norte, procuro, portanto, apreender a conexão internacional que faz de Versus um “quase- objeto” privilegiado por esta pesquisa.
Com o desafio de compreender os elos entre este projeto político-cultural para a América Latina e o jornalismo, ainda nos marcos da interface as publicações, desenvolvo o terceiro capítulo, “Jornalismo e comprometimento”. Nele, discuto o lugar concedido à escrita, as visões acerca do fazer jornalístico, o papel e a função do jornalismo.
No quarto capítulo, “Entre processos e práticas: a confecção de Versus”, volto-me à Versus, mantendo, no entanto, as coordenadas continentais. Detenho-me, assim, em seus processos e práticas no intuito de compreender como se fundamenta seu projeto político- cultural na perspectiva jornalística.
Por fim, nas pistas do que foi traçado nos capítulos anteriores, o quinto capítulo, “As leituras possíveis de Versus”, encerra a caminhada. Nele contrasto os diversos olhares lançados sobre a experiência de Versus a partir do tripé composto pelos colaboradores, leitores e órgãos de repressão. Nesta aposta, reforço a construção de uma caracterização não monolítica da publicação, que assinale, novamente, as conexões – atentando-me, como em todo o percurso de pesquisa, às ligações que apontam para além-fronteiras. Encerro, portanto, com o estabelecimento de uma espécie de mapa de relações ideológicas, políticas, mas também pessoais e afetivas.
O caminho de pesquisa trilhado levou-me a realizar 28 entrevistas com colaboradores que passaram por Versus. Para a composição desta amostra, considerei o equilíbrio entre os profissionais entrevistados, dando o mesmo privilégio as pessoas envolvidas em diferentes atividades – incluindo aquelas sem qualquer ligação com o conteúdo produzido.
O uso de entrevistas fundamentou-se na opção teórico-metodológica de reestabelecer as conexões e enxergar as ligações que, também, conectam as histórias dos indivíduos para além- fronteiras nacionais. Priorizei, dessa forma, a remontagem do circuito de comunicação articulado em (e por) Versus, atentando para as experiências de cada entrevistado, sobretudo, no recorte temporal da pesquisa. Questões como tempo(s) e lugar(es) onde e quando atuaram, quais os contatos estabelecidos, de que dinâmicas coletivas participaram, se estavam vinculados politicamente a algum partido ou a outro tipo de militância, de que maneira se relacionavam/vinculavam com as temáticas latino-americanas. E, especialmente, as ocupações desempenhadas em Versus.
Nesta caminhada, debrucei-me também sobre os arquivos do acervo do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops), sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Neste local, apesar das dificuldades enfrentadas com relação aos métodos de busca
e consulta de arquivos, consegui reunir um material significativo que me deu informações importantes para a coleta de depoimentos.
Foi fundamental o acesso aos documentos levantados com os acervos dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo e, ainda, os arquivos pessoais do jornalista Omar L. de Barros Filho e da cineasta Laura Faerman54, aos quais tive acesso no decorrer do processo inicial de pesquisa de campo.
Para compor uma imagem deste que foi um trabalho feito de muitas vozes e documentos, o acesso ao acervo pessoal da fotógrafa Rosa Gauditano foi, sem dúvida, essencial. Outras elaborações nesse sentido apresento na abertura de cada capítulo. Extraídas das páginas de Versus, as imagens escolhidas condensam a essência das temáticas desenvolvidas.
Esta imersão empírica, de aprofundamento da reflexão sobre os vestígios do passado, os documentos, os relatos orais, assim como as relações estabelecidas entre eles, resultam na análise que este estudo se propôs a empreender. Longe de se configurar como um recurso à verdade, este cruzamento de fontes buscou transpor o limite temporal que nos separa da época em questão. O que busquei foi, portanto, a presentificação do passado como questão.
Muito material levantado, no entanto, ficou de fora desta versão final. Permanece em aberto, contudo, o desejo de seguir em frente e desdobrar esse intenso trabalho em novos conteúdos. Espero que as linhas a seguir consigam contemplar as metas traçadas e conectar os leitores a outra forma de narrar o mundo, despertando reflexões sobre nós mesmos e sobre as narrativas jornalísticas.
54 Por intermédio de Laura e, portanto, no decorrer do processo de entrevistas tive acesso à coleção completa da
revista uruguaia Marcha – disponível no acervo do portal Publicaciones periódicas del Uruguay (www.periodicas.edu.uy). Laura e eu, também, fizemos algumas entrevistas em parceria, pois em meados de 2015 ela estava levantando conteúdo para um projeto sobre seu pai, Marcos Faerman. O resultado desse trabalho está em: www.marcosfaerman.jor.br.
Figura 2 – Ilustração de Jota.
2 IMPRENSA ALTERNATIVA: ENTRE REGISTROS, MEMÓRIAS E NARRATIVAS
Tentar compreender uma vida como uma série única e por si só suficiente de acontecimentos sucessivos, sem outro vínculo que não a associação a um “sujeito” cuja constância certamente não é senão aquela de um nome próprio, é quase tão absurdo quanto tentar explicar a razão de um trajeto de metrô sem levar em conta a estrutura da rede, isto é, a matriz das relações objetivas entre as diferentes estações.1