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4.3 Le bruit de fond dans l'anneau de basse energie

5.3.4 Distributions des traces dans la mini-TPC

conhecimento das preferências e prioridades sociais” e complementa dizendo tratar­  se “de um conceito dinâmico, tendo em vista as variáveis que influem sobre estas  preferências e prioridades alterarem­se de uma região para outra, como também, de  geração para geração”.  De fato há a necessidade de pesquisas junto aos������������� para verificar  sua  percepção  quanto  à  responsabilidade  social.  Observa­se,  também,  a  necessidade  de  um  modelo  de  Balanço  Social  aplicado  às  instituições  de  ensino  superior.

Ao  abordar  historicamente  a  inserção  da  responsabilidade  social  nas  empresas, Tinoco e Kraemer (2004, p. 28) discorrem: 

Em decorrência da evolução do capitalismo, observou­se, a partir dos anos  60 do século XX, nova demanda por informações. Essa surgiu por parte dos  assalariados  que  trabalhavam  em  grandes  empresas  transnacionais,  públicas,  bancos,  conglomerados  industriais  etc.,  que  constataram  que  essas  organizações  obtinham  grandes  lucros  e  cresciam  constantemente,  enquanto  sua  situação  era,  em  muitos  casos,  bastante  precária,  com  salários  que  não  acompanhavam  a  evolução  dos  lucros,  horários  de  trabalhos desumanos, além de não terem acesso a informações contábeis  do  desempenho  das  organizações,  especialmente  no  que  tange  a  sua  participação nesse resultado. Insurgiram­se contra esse estado de coisas e  passaram a exigir que as entidades fornecessem informações sociais, que  diziam respeito a sua presença nas entidades. 

Ouve­se  falar  de  desenvolvimento  sustentável.  Tinoco  e  Kraemer  (2004,  p.  31)  apontam  para  a  seguinte  reflexão:  “o  desenvolvimento  sustentável  é  o  que  atende  às  necessidades  do  presente  sem  comprometer  a  possibilidade  de  as  gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”. 

Segundo  Ribeiro  e  Lisboa  (1999)  a  sociedade  sobrevive  dos  benefícios  gerados  pelas  atividades  econômicas  e  delas  sofre  os  impactos.  Efeitos  nocivos  oneram o meio, acarretando perdas na qualidade de vida e destruindo os recursos

naturais  (contaminação  da  água,  do  ar,  dos  solos,  extinção  de  espécies  animais,  vegetais  e  minerais,  etc.),  atingem  famílias  e  governos  obrigando  a  maiores  investimentos.  Empresas  que  geram  empregos  proporcionam  benefícios  sociais;  entretanto,  é  preciso  avaliar  a  relação  custo  x  benefício  dos  impactos  sobre  o  patrimônio natural. O Balanço Social é um instrumento de informação, por meio do  qual a empresa justifica a sua existência para a sociedade. 

Na publicação do Instituto Ethos (2004, p.72) observa­se a afirmação de que  a  sociedade  está  se  mobilizando  cada  vez  mais  na  defesa  dos  seus  direitos  –  trabalhistas,  ambientais,  dos  consumidores,  dos  cidadãos.  Além  disso,  a  modernização e a revolução nas comunicações vêm tornando as organizações mais  transparentes.  Diante  destas  mudanças,  a  gestão  socialmente  responsável  transformou­se em um fator decisivo para o sucesso das empresas – e até mesmo  para a lucratividade, como comprovam inúmeros estudos e pesquisas. 

As  empresas  não podem visar somente  à  satisfação  dos  acionistas  através  dos  lucros.  No  relacionamento  com  a  sociedade  deve  prestar  contas  dos  investimentos  em  preservação  do  meio  ambiente,  criação  e  manutenção  de  empregos, qualidade dos produtos e serviços que oferece ao mercado, enfim, todas  as ações que, mesmo não sendo exigidas por lei, são esperadas de uma empresa  socialmente responsável. Coerente com esta análise, Pinto (2003, p. 13), ao abordar  a responsabilidade social, enfatiza que a prática da responsabilidade social revela­  se internamente na construção de um ambiente de trabalho saudável e propício à  realização  profissional  das  pessoas,  e  que  a  empresa,  com  isso,  aumenta  sua  capacidade de recrutar e manter talentos, fator chave para seu sucesso numa época  em que criatividade e inteligência são recursos cada vez mais valiosos.  Stauber (2001, p. 6) defende que a autorização para a constituição de uma  empresa, bem como a sua continuidade, deve estar condicionada aos resultados da  avaliação dos seus impactos sobre o meio ambiente.  Para Marion (2005, p. 486) o Balanço Social visa a dar informações relativas  ao desempenho econômico e social da empresa para a sociedade em geral.  Iudícibus������� (2003, p. 34) descreve que o Balanço Social busca demonstrar  o  grau  de  responsabilidade  social  assumido  pela  empresa  e  prestar  contas  à  sociedade  pelo  uso  do  patrimônio  público,  constituído  dos  recursos  naturais,  humanos  e  do  direito  de conviver  e  usufruir  dos  benefícios  da  sociedade  em  que  atua.

Para Tinoco e Kraemer (2004, p. 28): 

Balanço  Social  é  um  instrumento  de  gestão  e  de  informação  que  visa  evidenciar,  de  forma  mais  transparente  possível,  informações  financeiras,  econômicas, ambientais e sociais, do desempenho das entidades, aos mais  diferentes usuários, seus parceiros sociais. 

A  responsabilidade social  é  uma  questão  de  atitude  por  parte  dos  gestores  das empresas. Para que um gestor defenda a responsabilidade social, é necessário  que ele esteja convencido da sua importância para a organização. Sguarezi (2003,  p. 142) ao refletir sobre a responsabilidade social e observar “as tendências teóricas  preludiadas  e  defendidas  por  Morin,  Drucker,  Prahalad,  Senge,  Giddens  –  entre  outros“, percebeu  que  está aflorando  uma  nova consciência,  na  qual a ciência  da  administração  poderá ser  utilizada com  maior  discernimento  em  favor  dos anseios  sociais,  implicando  na  abdicação  de  idéias  pré­concebidas,  na  suspensão  dos  determinismos  da  sociedade  industrial  que  peca  por  uma  visão  fragmentária  de  mundo,  e  que  induzirá,  inevitavelmente,  a  um  novo  perfil  profissional  do  administrador: um profissional comprometido com a responsabilidade social. 

Os gestores das entidades, em geral, precisam estar cientes de que as ações  de  responsabilidade social são  necessárias para  os seus  negócios tanto  quanto  o  lucro  financeiro  é  necessário  para  a  manutenção  de suas  atividades.  Porém, uma  vez  entendida  e  implantada  esta  postura,  os  resultados  precisam  chegar  aos  interessados. O Balanço Social é o meio que as entidades e seus gestores têm para  tornar  públicas  suas  ações  sociais,  evidenciando  quanto  contribuem  para  a  sociedade em geral e, principalmente, para o público que direta ou indiretamente ali  se relaciona. 

Para atingir os resultados esperados nas relações sociais, Barreto (2003, p.  256)  lembra  a  importância  da  parceria  entre  três  elementos  ­  setor  produtivo,  sociedade e Estado: 

[...]  a  sociedade  sinaliza  os  problemas,  define  prioridades  e  aponta  possíveis  soluções.  O  setor  produtivo  tem  capacidade  de  gerar  riqueza.  Agora,  para  que  a  riqueza  se  transforme  em  meio  para  solução  dos  problemas  sociais  é  fundamental  o  papel  do  Estado  como  organizador  regulador, estimulador e fiscalizador do sistema econômico, além de gestor  social, por meio de políticas e ações claras de desenvolvimento sustentável. 

Tanaka  (2003,  p.  95),  em  sua  dissertação  de  mestrado  sobre  a  responsabilidade social nas instituições de ensino superior privadas, diz esperar que  as instituições de ensino reconheçam que têm a função social de oferecer serviços

educacionais que atendam às necessidades do aluno e da sociedade, de contribuir  para a melhoria na qualidade de vida dos seus������������� e para o processo de  desenvolvimento econômico e social do Brasil. 

É  importante  que  as  ações  relacionadas  à  responsabilidade  social  sejam  discutidas, planejadas  e  executadas com  a  participação dos� ������������.  Oliveira  (2004, p. 48) afirma que o conceito de responsabilidade social pode mudar com o  tempo,  local  e  empresa,  e  o  de  “socialmente  responsável”,  específico  para  uma  organização, deve ser construído juntamente com seus�������������. 

Observa­se  que  a  responsabilidade  social  vai  além  do  simples  posicionamento da entidade em relação ao social, é necessário que haja mudança  de  atitude  e  de  comportamento  que  possibilite  a  geração  de  uma  cultura  organizacional  com  foco  no  bem  estar  social  das  comunidades  interna  e  externa,  local e global, do presente e do futuro.ă

ŇĿńă ůăź┴⌠⌡║╔⌠▄╬║ă│║ăŰ⌠┴⌠═▄║ăⁿ║─├⌠┴ 

Segundo  Tinoco (2001, p.  24), a entidade  empresa  aparece cada vez  mais  como  o  resultado  de  uma  coalizão  de  interesses  entre  os  seus� ������������:  emprestadores,  fornecedores,  empregados,  comunidade,  acionistas,  clientes,  estado, sindicatos, etc. Entretanto, vivem em função deles, devendo, em troca, supri­  los com informações de seu interesse e prestar contas sobre o uso adequado dos  recursos. Informar é uma necessidade, na tentativa de satisfazer tais interesses, e  cabe à contabilidade preparar estas informações. 

O  Balanço  Social  é  um  instrumento  usado  para  divulgação  das  ações  de  responsabilidade  social.  No  momento  da  sua  elaboração,  deve­se  atentar  para  critérios bem definidos para atingir os objetivos propostos. Hendriksen e Van Breda  (1999, p. 511) no capítulo 24, sobre a divulgação de informações financeiras, analisa  que um dos principais motivos da divulgação é fornecer informações para tomada de  decisões  e  “isso  exige  a  divulgação  apropriada  de  dados  financeiros  e  outras  informações  relevantes”,  daí  a  necessidade  de  responder  a  três  perguntas  fundamentais: 

1.  A quem deve ser divulgada a informação?  2.  Qual é a finalidade da informação? 

Objetivando  contribuir  para  a  melhoria  na  elaboração  dos  balanços sociais,  Oliveira  (2004,  p.  49)  apresenta  sete  sugestões  para  elaborar  balanços  sociais  consistentes: 

1.ă φ⌠│╔║═├╜┌ – As informações, principalmente as de natureza quantitativa,  devem ser padronizadas para que possam ser comparadas. Cite as fontes  de todas as informações, com detalhamento suficiente para que possam  ser checadas. 

2.ă ε║╕╖╔┌ă ⌠ă ┌╘║┴╗▄╬║ă │║╕ă ╒╔║┤┌╖║╕  –  Apresente  um  conjunto  deă ├═┐║╔┼⌠▄◘┌╕ com referências temporais. A descrição de um projeto, por  exemplo, deve trazer o período de funcionamento. Sempre que possível,  mostre a evolução dos dados no tempo. 

3.ă ←╕┌ă┴├═└╗⌠└┌┼ă⌠─┌╕╕▒╘┌┴ – A linguagem deve ser clara, auto­explicativa  e  simples,  sem  o  uso  de  expressões  rebuscadas  ou  extremamente  técnicas.  Quando  isso  for  inevitável,  notas  explicativas  podem  ajudar  a  compreensão. 

4.ă ů─┌├╖┌ă┌ă╒╗⌡┴├╓╗┌ă⌠╕ă─╔▒╖├─⌠╕ – O Balanço Social pode trazer os motivos  de  orgulho  da  diretoria  da  empresa,  mas  também  deve  apresentar  as  críticas dos�������������, externos e internos. Identifique e explique onde  e como a organização pode melhorar sua governança. 

5.ă ⁿ┌┤⌠ă ╖╔⌠═╕╒⌠╔┌═╖┌  –  Expresse  abertamente  as  opiniões  e  posições  da  empresa  sobre  determinados  temas,  mesmo  que  isso  desagrade  aos�

������������. A transparência aumenta o grau de confiança nas ações da 

companhia  em  outras  áreas  e  ajuda  no  diálogo  com  as  partes  discordantes. 

6.ă Ż⌠▄⌠ă⌠╗│├╖║╔├⌠ă┌╚╖┌╔═⌠ – Busque, além de empresas de auditoria, o aval  dos mais importantes������������� para o Balanço Social. A revisão pelas  partes  interessadas  pode  melhorar o  processo de confecção  do  Balanço  Social e a qualidade do documento final. 

7.ă ů⌡╔⌠ă⌠ă╒║╔╖⌠ – Mencione o nome da pessoa responsável pelo documento  dentro  da  organização,  indicando  para  onde  devem  ser  direcionadas  as  críticas e os comentários.

Já  Kroetz  (2000,  p.  108)  elege  os  princípios  gerais  a  serem  seguidos  na  elaboração do Balanço Social, a saber: 

1.ă φ┌╔╖├═▐═─├⌠  –  a  informação  precisa  deve  ser  relevante,  clara  e concisa,  devendo espelhar a realidade 

2.ă τ⌡┤┌╖├╘├│⌠│┌  –  a  informação  deve  ser  real,  expressando  os  fatos  conforme ocorridos, sem interferência de juízos pessoais 

3.ă ű║═╖├═╗├│⌠│┌ – as informações devem ser elaboradas de forma contínua,  permitindo a comparabilidade dos dados entre períodos diversos 

4.ă ←═├┐║╔┼├│⌠│┌ă║╗ă─║═╕├╕╖▐═─├⌠ – a elaboração dos dados deve obedecer  a  uma  padronização  na  sua  estrutura  e  compilação,  tornando­os  comparáveis entre períodos 

5.ă ű┌╔╖├┐├─⌠▄╬║ – a informação deve ser suscetível de confirmação por uma  entidade independente da organização e dos usuários da informação.  Comparando­se as sugestões de Oliveira e Kroetz observa­se que a diferença  entre  elas  consiste  no  posicionamento  de  Oliveira  quanto  à  participação  dos�

������������  através  da  abertura  para  comentários  e  críticas.  Nas  demais 

sugestões, tanto Oliveira quanto Kroetz defendem que as informações dos Balanços  Sociais  sejam  relevantes,  transparentes,  que  garantam  credibilidade,  clareza,  objetividade e possibilidades de comparação dos projetos ao longo do tempo e com  outras  entidades.  Tais  sugestões  são  coerentes  com  as  teorias  da  contabilidade  defendidas  por  Iudícibus  e  Marion  (2000)  no  capítulo  sobre  a  “Qualidade  e  Característica da Informação Contábil” 

Cabe salientar, conforme conclusão de Petrelli (2004) no seu artigo sobre “O  Balanço Social como uma ferramenta gerencial no processo de transparência entre  universidade  e  sociedade”  que  os  dados  contidos  no  Balanço  Social  devem  ser  considerados  em  seus  aspectos  quantitativos  e  qualitativos,  devendo,  ao  lado  de  outros  instrumentos,  servir  de  base  para  análise,  estudo,  avaliação  e  aperfeiçoamento das ações realizadas.

ŇĿŇă ź┼ăŹ┌┐┌╕⌠ă│⌠ăŹ├╘╗┴└⌠▄╬║ă│║ăŰ⌠┴⌠═▄║ăⁿ║─├⌠┴ 

A  execução  voluntária  de  ações  de  responsabilidade  social  mostra­se  de  grande  importância  para  a  sociedade  em  geral  e,  como  conseqüência,  traz  benefícios  diretos  para  as  entidades  que  abraçam  esta  causa.  Porém,  principalmente para estas entidades, tão importante quanto apoiar e/ou executar tais  ações  é  elaborar  e  divulgar  os  seus  balanços  sociais.  Tinoco  (2001,  p.  14),  ao  argumentar  em  favor  da  responsabilidade  social  e  sua  conseqüente  publicação,  discorre: 

Um conceito modernamente aceito diz que a existência das entidades não  pode justificar­se exclusivamente pela capacidade que elas demonstrem de  gerar lucros a seus proprietários. Desse tipo de visão empresarial derivam  programas  de  incentivos  e  motivação  aos  empregados,  programas  de  treinamento,  reciclagem  e  desenvolvimento  de  pessoal,  políticas  de  benefícios  sociais,  atitudes  de  preservação  e  recuperação  do  meio  ambiente,  entre  outras.  Pois  bem,  por  que  não  evidenciar  esse  tipo  de  preocupação nas demonstrações financeiras e no relatório de administração  da  empresa?  A  sociedade  merece  ser  informada  desses  esforços  e  sua  divulgação  é  positiva  para  as  empresas,  quer  do  ponto  de  vista  de  sua  imagem,  quer do ponto de  vista de melhoria e qualificação da informação  contábil­financeira. 

Souza Filho (2.000, p.18) argumenta em prol do Balanço Social, chamando os  contadores  à  responsabilidade  da  evidenciação  ao  afirmar  que  “nós,  contadores,  devemos  utilizar  o  poder  da  informação,  imposta  ou  não,  para  a  difusão  e  conscientização  do  Balanço  Social  e  Demonstração  do  Valor  Adicionado”  e  completou  afirmando  que  cabe  aos  contadores  a  responsabilidade  social  da  evidenciação  e  evolução  dos  aspectos  sociais  inerentes  às  Demonstrações  Contábeis. 

As empresas, por vocação natural, nascem para obter lucros, competir e se  desenvolver,  mas  não  podem  ignorar  que  o  processo  de  crescimento  deve  ser  acompanhado da  responsabilidade social.  Em consonância com esta idéia,  Souza  Filho (2000, p. 20) afirma que a sociedade já não aceita a política da não­repartição  dos ganhos, e que é preciso assumir um papel diferente, papel este não legalmente  obrigatório,  mas  que  está  surgindo  com  a  conscientização  e  exigência  dos  consumidores. Os consumidores estão se utilizando cada vez mais de produtos das  chamadas  empresas  cidadãs.  A  responsabilidade  social  e  a  ética  caminham  de  mãos  dadas  e  são  geradoras  de  fidelidade  dos  consumidores  e  de  motivação  e  fidelidade por parte dos colaboradores. Souza Filho conclui: “A sociedade, portanto,

quer e exige ética. Deseja que as firmas assumam o seu papel no desenvolvimento  da região e que tragam melhor qualidade de vida às pessoas da comunidade, com  iniciativas que transcendam o mínimo exigido pelas legislações”. 

Ribeiro  (1998,  p.  15),  ao  analisar  a  “evolução  das  necessidades  de  informações  sociais”,  comenta  que  adaptar­se  às  mudanças,  melhorar  o  processo  produtivo,  implementar  qualidade  ambiental  não  basta;  “necessário  se  faz  demonstrar o que está sendo feito”. A globalização da economia, a concorrência, os  investidores,  os  fornecedores,  o  governo  e  todos  os  demais  interessados  na  continuidade  da  empresa  exigem  que  a  transparência  e  a  conduta  das  empresas  sejam alvo de grande importância e preocupação, por isso, agir certo e demonstrar  que se está agindo certo é uma questão fundamental. 

Souza Filho (2000, p. 132) enfoca também a questão do���������� social feito  de  forma  indireta,  ao  afirmar  que  as  empresas  e  as  comunidades  onde  estão  inseridas  possuem  uma  forte  relação,  e  que,  promovendo  o  bem­estar  social,  as  empresas acabam de forma “indireta” conseguindo vendagens em função de serem,  por exemplo, uma “empresa amiga da criança”. 

Também Silva (2000, p. 113) faz  menção à questão do���������� social ao  afirmar  que,  a  partir  da  maior  conscientização  e  aplicação  do  conceito  de  responsabilidade social as empresas podem tornar­se mais competitivas, visto que a  imagem  empresarial  se tornará  mais  fortalecida  e  as empresas  estarão  prestando  contas de seu desempenho à sociedade. 

O Balanço Social traz muitas vantagens para as organizações, mas ainda não  tem a devida atenção por parte dos gestores no Brasil. Lima (2003, p. 89­90) afirma  que  o  Balanço  Social  é  um  instrumento  estratégico  para  avaliar  e  multiplicar  o  exercício da  responsabilidade social corporativa,  e  defende  que  este  deve ser  um  documento  a  ser  publicado  anualmente,  juntamente  com  as  demonstrações  contábeis, contendo um conjunto de informações sobre as atividades desenvolvidas  pela empresa para a promoção humana e social, dirigidas a seus empregados e à  comunidade onde está inserida. Da mesma forma Tinoco (2001, p. 37) defende tal  divulgação ao afirmar que: “nosso entendimento é de que a informação social e a  informação econômica devam caminhar e ser divulgadas juntas, como aliás é feita  por algumas empresas na Inglaterra, Holanda, Bélgica, Portugal e em outros países  europeus”.

Pinto (2003, p.109) resume a importância da execução e divulgação de ações  de responsabilidade social por parte das empresas da seguinte forma: 

Hodiernamente  há  um  consenso  de  que  o  empreendimento  não  pode  somente  visar  lucros.  A  empresa  para  desenvolver  suas  atividades  consome recursos naturais; utiliza­se da força física e do conhecimento de  seus empregados; faz uso de  bens que pertencem à comunidade;  polui o  meio  ambiente  etc.,  assim  tem  a  obrigação  de  mostrar  à  sociedade  a  maneira como utiliza estes recursos. A empresa é uma célula da sociedade  e, como tal, tem o dever de prestar contas aos demais componentes dessa  sociedade. 

Santos  (2003,  p.  14)  afirma  que  o  Balanço  Social  “deverá  assumir  nas  próximas  décadas  papel  de  grande  destaque”,  tendo  em  vista  que  “será  um  dos  principais  instrumentos  a serem  utilizados  nas  relações  sociais  e  econômicas  das  sociedades e poderá  auxiliar,  de  forma  extremamente competente,  na  avaliação  e  análise de seus resultados macroeconômicos”. 

Tinoco (2001, p.111) analisa que: 

Cada vez mais, a necessidade de informação é um exigência da sociedade.  As  questões  ambientais,  ecológicas  e  sociais  estão  presentes,  especialmente nos meios de comunicação, que as divulgam diuturnamente  em  todos  os  quadrantes  do  mundo.  A  Contabilidade,  os  contadores  e  os  gestores  empresariais  não  podem  desconhecer  essa  realidade.  Não  devemos somente nos preocupar em divulgar as transações econômicas e  financeiras  entre  os  agentes,  evidenciando  “o  estado  da  situação  patrimonial”  e  como  se  altera  essa  situação,  mas  também  atender  aos  desideratos  dos  usuários  da  informação,  que  exigem  informação  mais  ampla e transparente. Devemos enxergar uma dimensão muito maior para  as empresas, dimensão esta que deve no mínimo conter o fator econômico  e o fator social.  No����� www.balancosocial.org.br está publicado um resumo dos motivos para  elaboração e publicação do Balanço Social. Tais motivos, de forma resumida, são:  Ø  É ético ­ ser justo, bom e responsável já é um bem em si mesmo. 

Ø  Agrega  valor  ­  traz  diferencial  para  a  imagem  da  empresa,  vem  sendo  cada vez mais valorizado por investidores e consumidores no Brasil e no  mundo. 

Ø  Diminui  os  riscos  ­  num  mundo  globalizado,  onde  informações  circulam  internacionalmente  em  minutos,  a  conduta  ética  e  transparente  tem  que  fazer parte da estratégia de qualquer organização.

Ø  Instrumento de  gestão  ­ é  uma  valiosa  ferramenta para  a  empresa  gerir,  medir  e  divulgar  o  exercício  da  responsabilidade  social  em  seus  empreendimentos. 

Ø  Instrumento de avaliação ­ os analistas de mercado, investidores e órgãos  de  financiamento  (como  BNDES  e  BID)  já  incluem  o  Balanço  Social  na  lista  dos  documentos  necessários  para  avaliação  de  riscos  e  projeções  das empresas. 

Ø  Inovador  e  transformador  ­  realizar  e  publicar  Balanço  Social  é  mudar  a  antiga  visão,  indiferente  à  satisfação  e  ao  bem­estar  dos  funcionários  e  clientes,  para  uma  visão  moderna,  em  que  os  objetivos  da  empresa  incluem as práticas de responsabilidade social e ambiental. 

Ristoff (apud Petrelli, 2004), sobre a importância da divulgação das ações das  universidades,  como  promotoras  de  cidadania  e  como  instituições  socialmente  responsáveis, analisa que uma comunicação freqüente e eficiente com alunos, ex­  alunos,  pais,  governantes,  líderes comunitários  e com  a população  em  geral  é  de  importância fundamental para que, por meio de notícias, relatórios e reportagens, se  possa construir ou reforçar uma imagem real das universidades. 

A  questão  relacionada  à  divulgação  do  Balanço  Social  trata­se,  em  última  análise,  da  necessidade  de  evidenciação.  Conforme  Iudícibus  (2004,  p.  131)  “a  evidenciação [...] é uma condição que está acima dos próprios princípios e que está  intimamente ligada às necessidades informativas dos usuários, variáveis no tempo e  no espaço”. 

Por outro lado, não se deve esquecer a qualidade da informação. Iudícibus e  Marion no  livro  “Introdução  à  Teoria da Contabilidade”,  destinaram  um  capítulo  ao  assunto, que recebeu o título: “Qualidade e Característica da Informação Contábil”,  onde são analisadas questões como: custo x benefício da elaboração de relatórios  contábeis; compreensibilidade – a informação deve ser compreensível; relevância –  ser útil; confiabilidade – livre de erros e vieses; e, comparabilidade – possibilidade de  comparação entre diferentes entidades e através dos anos. 

Na  publicação  do  Instituto  Ethos  (2004,  p.  383)  verifica­se  que  o  desafio  agora, tanto das empresas quanto das agências de publicidade, é descobrir – juntos  –  a  melhor  maneira  de  se  comunicar  com  seus  consumidores  e  a  sociedade  em

geral  dentro  desse  novo  ambiente,  proposto  pelo  movimento  da  responsabilidade  social.ă ŇĿňă ↑┌╔╖┌═╖┌╕ă│║ăŰ⌠┴⌠═▄║ăⁿ║─├⌠┴  Tinoco (2001, p.15) relata ações que devem ser divulgadas no Balanço Social  da seguinte forma:  O Balanço Social contempla, também, uma série de informações de caráter  qualitativo,  entre  as  quais  as  mais  importantes  destacam­se:  informações  relativas à ecologia, em que  se evidenciam os esforços que as empresas  vêm realizando para não afetar a fauna, a flora e a vida humana, vale dizer