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Distribution des MOR avant applatissement Distribution des MOR après applatissement

Os desenhos mais volumetrizados fazem-se valer dos valores lumínicos para ajudar a clarificar a natureza estrutural da figura. O traçado que se insere na forma, além de procurar localizar e definir os planos que constituem o objecto, mostra como estes se fundem e inter- relacionam, e constroem as próprias concavidades e convexidades que lhes pertencem. Qualquer forma complexa pode ser reduzida a uma simples massa: meia esfera, esfera, triângulo, etc. como as formas dos manequins articulados – ligações ovais nos ombros, nos joelhos, cotovelos, pulsos e tornozelos, que correspondem às proeminências dos ossos que compõem o nosso esqueleto. Algumas protuberâncias são visíveis dependendo da pose do modelo. Tendo presentes as formas do manequim ou por meio da percepção geometrizante se sugere como os músculos e a pele se distribuem a nível lumínico (Nathan Goldstein, 1999). De igual modo, sobre essas formas se dão qualidades lumínicas dependendo da forma como são esses valores empregues, da sua sensibilidade e qualidade gráfica.

Na aula orientada pela PE (dia 29 de Novembro), procurou-se incutir no aluno a preocupação com as questões de modelação e volumetrização. Até então, tinham-se apenas trabalhado as questões proporcionais e desenvolvido o desenho de figura humana a nível estrutural ou gestual com finalizações mais a nível de contorno. Alguns já demonstravam preocupações com a modelação, procurando nos modelos relações lumínicas que pudessem dar alguma, ainda que pouca, profundidade. Este factor, não tendo sido muito explorado devido à sua natureza abstracta, tinha que ser uma consequência do entendimento das questões anteriores – boas noções de enquadramento, divisão de partes e gestualidade no uso do traço – sendo também um meio com que os alunos se teriam de debater. Debater, pois é comum existir um certo receio nos principiantes acerca da introdução do traçado na própria figura ou seja fazê-lo ganhar autonomia na procura de todas as partes e da forma como estas se devem conjugar no todo, através das qualidades da linha.

Figura 34: Trabalho da aluna Andreia Esteves

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Durante os primeiros minutos da aula desenvolveu-se uma pequena conversa que teve como ponto de partida duas imagens cujo uso do traço é bastante proeminente. A principio foi-lhes colocada a questão de qual das imagens, aqui expostas de seguida, lhes pareceria mais tridimensional, ou seja com maior volumetrização. A maior parte respondeu acertadamente ao referirem a imagem à direita. Quando se lhes pediu a ou as razões para o afirmarem confirmou-se o que a PE esperava. Houve quem desse a importância da tridimensionalidade ao uso da “mancha” provida das tramas usadas e houve quem a atribuísse ao uso do contorno, embora ele, em muitas partes da figura, até estivesse ausente. Embora a sua percepção lhes desse a resposta certa em relação às imagens, o cérebro atribuía a importância errada.

Figura 35: Montagem da autora com desenhos de Giovanni Segantini e Jay Brooks

Foi-lhe esclarecida a importância da inserção do traço e menor preocupação a nível de contorno, contudo debatendo com eles a dualidade do mesmo. Em primeiro lugar, a importância do seu uso para modelação ou seja para definir estruturalmente a figura, bastante presente no desenho de Giovanni Segantini, e a importância do mesmo para volumetrizar embora o seu uso tivesse maioritariamente de ser diferente a nível de densidade, como registo muito afirmado por um lado e por outro ausente ou muito ténue resultando, portanto, algum contraste. Giovanni preocupou-se mais com questões de modelação, questões estruturais e a prova disso é o efeito homogeneizador dos tons usados no próprio traçado, conferindo assim à figura um carácter menos tridimensional ou mais bidimensional que a imagem ao seu lado de Jay Brooks. Por outro lado, a luz ao atingir qualquer objecto que seja, por vezes acentua a sua estrutura, explicando-a, outras vezes

camufla-a ou até a destrói. Quanto mais o aluno ou artista se limitar a representar formas num banho de luz ténue, mais se estará a subordinar a questões estruturais que lumínicas. As linhas além de circundarem formas, modelando-as, podem também criar valores lumínicos (Nathan Goldstein, 1999). Foi basicamente essa a premissa que se tentou passar à consciência dos alunos.

Posteriormente foi projectada a fotografia que serviu para que estes alunos se iniciassem no uso do traçado, como meio modelador. Não trabalharam com a figura inteira, usaram apenas meio eixo tendo o tronco com algum movimento e inclinação da cabeça e membros. Depois, desenhando sobre o quadro interactivo da sala de aula, foi-lhes ainda dada uma retrospectiva dos “passos” na construção da figura, desde a procura gestual do todo até à planificação das partes e finalização na captação das sombras através da “mancha” do traço. Ainda dispenderam um tempo considerável na sua construção, primeiro a nível de enquadramento e depois de proporcionalidade. Foi, de facto, um desafio interessante, pois exigia um trabalho a uma escala superior e muitos apesar de reconhecerem as medidas totais do corpo em relação ao módulo (cabeça), este foi para alguns uma evidência perfeita, para outros aparecia muito mais pequeno porque o cérebro lhes dizia que a cabeça ficaria muito grande em função do resto e outros ainda a aumentaram ligeiramente. Pensa-se que, depois de sinalizados alguns erros comuns, em aulas anteriores, estes adoptaram a postura de “compensação”. Percebendo o erro do crânio, passaram a dar-lhe especial atenção e a enfatizá-lo. Em termos de traçado modelador, em geral, os alunos sentiram-se bastante curiosos e activos, perdendo rapidamente o medo de investir, de “sujar” o desenho.

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Posteriormente foi-lhes pedida uma reprodução do desenho de Jay Brooks, dando-lhes o poder de escolha entre o A3 e o A2 e a nível de material. Aqui, já não tinham o módulo comum de medida (a cabeça) e portanto a PE transmitiu-lhes a importância de linhas de referência e ainda, para quem tivesse maiores dificuldades, a possibilidade de à mão levantada, traçar uma grelha de Dürer para que pudessem estabelecer melhor uma relação entre os elementos do desenho na folha. Apesar da ambiguidade do quase alto contraste – entre a definição da forma a nível volumétrico e a desconstrução estrutural – a criação deste segundo desenho foi bastante fluida para alguns, embora a questão do “inacabado” do original provocasse alguns erros na área correspondente. Outros dando-se mais à experimentação de materiais deram mais noções de modelação que lumínicas. Contudo, o grande passo desta aula foi de facto perceberem que a revelação das formas é impossível apenas com desenho de contorno(s) e que, embora as linhas de contorno possam ser bastante informativas acerca da natureza das massas os valores lumínicos são necessários para descrever a topografia da figura.

Figuras 38, 39, 40 e 41: Reproduções dos alunos Beatriz Esteves, Eduardo Preto e José Bonifácio, grafite, aguarela e carvão s/papel, respectivamente. Original de Jay Brooks em cima à esquerda.

Na procura dos valores tonais, artistas plásticos em geral, tendem a simplificá-los de modo a não enfraquecerem o seu papel estrutural. Daí a importância da planificação das partes a modelar.