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La distinction entre ces trois classes est basée sur les valeurs des trois premiers bits. La figure 5.6 montre la différence entre ces trois classes et indique les adresses réservées par classe

O capital humano é fundamental para que a biblioteca universitária cumpra sua função de promover o acesso à informação por meio da sua estrutura física, dos acervos impresso e virtual, e da disponibilização de serviços que acompanhem as tendências tecnológicas, contribuindo diretamente com as atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

As pessoas são o maior ativo de uma instituição, por deterem o conhecimento tácito. Tanto Belluzzo quanto Choo alertam que nesta nova era, a valorização das pessoas é essencial na política de gestão da informação63, através do estímulo e da oferta de um ambiente propício para o desenvolvimento do processo criativo. Belluzzo (2003) defende que o homem e sua capacidade de acumular e gerar conhecimento é elemento essencial neste processo produtivo e Choo (2006) afirma que a capacidade do pensamento humano é insubstituível.

Em seu instrumento para planejamento e gestão de bibliotecas, Lubisco (2011), no indicador Pessoal, incluído no grupo Administração, apresenta como critérios para atribuir nota máxima nesta área o fato de a biblioteca conhecer o quantitativo de pessoas lotadas por categoria, função e por título; ter coerência

62 Dados coletados a partir dos trabalhos aprovados, divulgados no Programa Geral dos respectivos

eventos.

63 Definida por Valentim como a “gestão integrada que objetiva desenvolver competências essenciais

nas pessoas voltadas ao compartilhamento e a socialização do conhecimento visando a troca e, portanto, e construção de novos conhecimentos”. Informação obtida na palestra: Gestão da

informação e do conhecimento no âmbito da Ciência da Informação, realizada pela prof. Dra. Marta

Lígia Pomim Valentim (UNESP/Marília), na ocasião do I Workshop Gestão do Conhecimento em Bibliotecas Universitárias, realizado nos dias 6 e 7 de agosto de 2014, na UFSC.

quanto à formação das pessoas em relação à função exercida; manter a proporção de pessoal de acordo com o número de usuários/serviços, segundo com o padrão proposto64, e incluir no planejamento estratégico um programa de formação de pessoal, com dotação específica.

Além dos servidores concursados, geralmente bibliotecários, assistentes e auxiliares em administração, auxiliares de biblioteca, técnicos de tecnologia da informação, entre outros, o quadro de pessoal das bibliotecas universitárias públicas também é composto por estagiários e funcionários terceirizados.

A terceirização tem sido uma realidade vivenciada no setor público desde a década de 1990. Conforme apontado por Cunha (2000, p. 73), “muitas das atividades [...] das IES, tais como a limpeza, vigilância e alimentação já são executadas por organizações terceirizadas”. Esta situação, causada principalmente pela extinção de determinados cargos pelo governo federal, o que impossibilita a realização de concursos públicos, afeta diretamente as atividades desempenhadas pelas universidades nos mais diversos setores, incluindo as bibliotecas, cujas “[...] atividades também podem ser terceirizadas, como, aliás, está sendo feito há décadas, por exemplo, com o uso de empresas para executar serviços de encadernação” (CUNHA, 2000, p. 73). Nos últimos anos foi possível acompanhar a intensificação das terceirizações nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), que vem acontecendo gradativamente, principalmente após a implantação dos planos de expansão nas IES. “A terceirização é [...] um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira, representando um conceito e uma opção de Estado que vem se impondo e consolidando há pelo menos duas décadas” (MAJEROWICZ, 2013).

A reposição automática de vagas autorizada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) em julho de 2010, com a publicação do Decreto nº 7.232 (BRASIL, 2010), como uma medida governamental para minimizar o problema da falta de pessoal nos setores públicos e agilizar o processo de substituição de servidores aposentados, exonerados ou falecidos, foi uma conquista da comunidade universitária, que ao longo de sua trajetória, busca maior autonomia. No entanto, as

64 Padrão: • 1 bibliotecário/400 a 500 alunos • 1 auxiliar de biblioteca até 500 alunos • 1 bibliotecário-

chefe/bibliotecas setoriais • 2 estagiários/bibliotecário para os serviços ao usuário (auxílio na localização de material, empréstimo, comutação bibliográfica) e apoio aos serviços técnicos (pré- catalogação e catalogação cooperativa, reposição de material nas estantes, etiquetagem). (LUBISCO, 2011, p. 50).

terceirizações e os cargos extintos, entre outras questões, merecem ser discutidas e repensadas.

A inserção das tecnologias nas bibliotecas universitárias, sobretudo com a disponibilização de desktops, notebooks e tablets com acesso livre à rede mundial de computadores, impactou definitivamente no seu funcionamento, exigindo adaptações e constante repensar de suas atividades. Neste sentido é primordial que a biblioteca esteja

preparada com pessoal técnico para dar suporte aos inúmeros problemas advindos do uso intenso dessas máquinas, fazer varreduras periódicas para eliminar vírus informáticos e dar treinamento no uso dessa verdadeira biblioteca de softwares (CUNHA, 2010).

A Universidade do Sul da Califórnia apontou recentemente, como novas funções bibliotecárias:

a) custódia digital: disponibilização de acesso aos materiais físicos e eletrônicos, conhecimento especializado em bases de dados digitais, seleção e avaliação de materiais eletrônicos e aquisição de licenças (por meio de assinatura ou compra perpétua);

b) guia digital: educação de usuário quanto aos produtos digitais e letramento digital65, de modo geral; disponibilização de serviços virtuais por meio das páginas eletrônicas das bibliotecas;

c) relações públicas digitais: manter contato contínuo com gerentes de bases de dados e editores eletrônicos; promover eventos na comunidade universitária e firmar parcerias com outras bibliotecas a fim de ampliar o acesso aos materiais informacionais (BARROS, 2014).

Na biblioteca sem livros de papel da Universidade da Flórida, inaugurada em agosto de 2014, com um acervo de aproximadamente 135 mil livros eletrônicos, a principal função dos bibliotecários é “orientar os leitores a aprender [como] gerenciar os materiais digitais” (NOVA..., 2014). Apesar destes dois exemplos serem uma referência norte americana, é possível identificar semelhanças com as atividades desenvolvidas nas bibliotecas universitárias brasileiras. O princípio 32 da Declaração

65 Habilidade que requer o conhecimento do uso das TIC, como “acessar informações por meio

delas, compreendê-las, utilizá-las e com isso mudar o estoque cognitivo e a consciência crítica e agir de forma positiva na vida pessoal e coletiva” (SILVA et al., 2005, p. 33).

para construir a sociedade da informação, elaborada pela Cúpula Mundial da

Sociedade da Informação, aponta o bibliotecário como um dos agentes de

transformação responsável por “desempenhar um papel ativo na promoção da sociedade da informação” (SELAIMEN; LIMA, 2014, p. 50). Dentre as diversas possibilidades de atuação, destaca-se a responsabilidade de manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursos de graduação e pós-graduação, assegurada a acessibilidade às pessoas com deficiência, tal como descrito nas estratégias do PNE, citadas anteriormente.

Cunha, em 2014, ao refletir sobre A biblioteca universitária e a Gestão de

Dados Científicos (GCD)66 no XVIII SNBU, defendeu a necessidade de se instituir o cargo do bibliotecário de dados, como uma das ações a serem seguidas na GDC referente ao desenvolvimento das competências profissionais.

Ao explorar as possibilidades do século XXI, os bibliotecários podem assegurar a relevância e o valor dos serviços que eles e suas instituições fornecem. No entanto, mesmo que seja alterada a natureza da biblioteca universitária e do trabalho do bibliotecário, este profissional continuará a desempenhar um papel essencial na prestação desses serviços. A natureza do ambiente pode mudar, mas a necessidade de um navegante experiente e bem preparado permanecerá (CUNHA, 2010).

As novas funções bibliotecárias na era digital, que são praticamente uma releitura e reescrita das atividades exercidas nas/pelas bibliotecas desde a antiguidade – com o diferencial da inserção das tecnologias –, exigem pessoal altamente qualificado. Neste sentido, ratificando a proposta de Lubisco (2011), de “incluir no planejamento estratégico um programa de formação de pessoal” como um dos critérios de excelência das bibliotecas, identifica-se como uma das ações estratégicas dos gestores, a viabilização de “treinamento dos recursos humanos para assumirem as novas funções inerentes à gestão de dados em formatos e assuntos variados, além do tratamento dos documentos e arquivos científicos”, entre outros (CUNHA, 2010), em consonância direta com a estratégia 13.9 do PNE de “promover a formação inicial e continuada dos(as) profissionais técnico- administrativos da educação superior” (BRASIL, 2014a).

66 GDC refere-se à coleção de instrumentos e tecnologias necessárias para apoiar a pesquisa científica

do século XXI: intrínseca à natureza colaborativa e multidisciplinar, bem como pelo grande volume de dados produzidos, que precisam estar disponibilizados em rede” (CUNHA, 2014).

A Política e as Diretrizes para o Desenvolvimento de Pessoal instituída em 2006, por meio do Decreto nº 5.70767, visa melhorar a eficiência, a eficácia e a qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos, promover o desenvolvimento permanente do servidor, adequar as suas competências aos objetivos da instituição, dentre outros. Suas diretrizes são voltadas para a participação em ações de educação continuada e iniciativas/oportunidades de capacitação voltadas para o desenvolvimento das competências institucionais e individuais do servidor (BRASIL, 2006).

A capacitação é um processo fundamental para geração de conhecimento, integração da equipe e desenvolvimento da habilidade criadora de indivíduos que, posteriormente serão agentes multiplicadores na biblioteca. Todo conhecimento compartilhado passa a ser instrumento de transformação da realidade. A convivência que se dá na interação com o grupo de trabalho e o contato direto com outras pessoas proporcionam contínuo aperfeiçoamento intelectual e técnico.

Para Bauman (2001), quanto maior o grau de confiança entre os membros de um grupo maiores são as chances de desenvolvimento da equipe em prol dos seus objetivos. Pela vivência e experiência de um grupo surgem grandes descobertas. Projetos são gerados através do envolvimento de diversas áreas, ou seja, de modo interdisciplinar; embora para Delors (1996), um dos maiores desafios da educação, nos dias de hoje, seja o aprender a viver com os outros. “A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta.” (DELORS, 1996, p. 97). As TIC favorecem a interconexão do mundo em uma grande rede, altamente dinâmica e em constante expansão que, segundo Castells (2008), por meio da integração de novos nós, que se comunicam entre si, permitem o compartilhamento de valores e/ou objetivos de desempenho.

Muitas contribuições podem ser incorporadas a partir da gestão participativa aplicada nas bibliotecas. Além de o processo de tomada de decisões ser compartilhado, identifica-se um comprometimento maior dos indivíduos com as ideias e os ideais coletivos de crescimento pessoal e profissional, principalmente no

67 Este documento regulamenta os afastamentos dos servidores públicos para treinamento a nível de

mestrado, doutorado, pós-doutorado ou especialização e estágio, e também a licença capacitação (até 3 meses), após cada quinquênio de exercício efetivo (BRASIL, 2006).

campo da aplicação das tecnologias à educação, como educação a distância, bibliotecas digitais, webconferências, fóruns eletrônicos, chats, entre outros.