O tratamento de sementes impede a proliferação de fungos de campo e armazenamento que prejudicam a germinação e o vigor das sementes. As sementes tratadas apresentaram baixa porcentagem de fungos em relação às sementes não tratadas (Tabelas 10 e 11). Os fungos de armazenamento Penincillium e Aspergillus foram controlados após o tratamento. A infestação das sementes pelo fungo Fusarium sp após o tratamento também foi reduzida; no entanto, não houve erradicação total do mesmo. A qualidade sanitária das sementes obtidas a partir da geração F2 foi inferior à da geração F1 (Tabelas 10 e 11). Para o fungo Fusarium sp, independente do híbrido e do tratamento fungicida, sempre ocorreu maior incidência nas sementes oriundas da geração F2. Na maioria das vezes, quando as sementes não sofreram tratamento, a incidência desses fungos foi superior nas sementes obtidas a partir da geração F2.
Maior incidência do fungo Penicillium sp foi observada nas sementes produzidas no verão; isso pode ter ocorrido devido `a maior precipitação pluviométrica próxima à colheita. Quanto ao fungo Aspergillus, foi constatada presença do mesmo em sementes produzidas em dezembro, quando as mesmas não foram tratadas. Os fungos Diplodia, Chaetomium, Dreschelera e Cephalosporium apareceram esporadicamente nas sementes, não influenciando na sua qualidade.
Muito embora sob o ponto de vista de genética, a utilização da geração F2 de híbridos simples para a obtenção de híbridos duplos seja viável (Souza Sobrinho, 2001), ficou evidenciado que a qualidade das sementes será um entrave no emprego dessa tecnologia. Para atenuar esse problema, deverão ser desenvolvidas estratégias que permitam a melhoria da qualidade da semente produzida por meio da geração F2. Estratégias, como colher as sementes de
acordo com o florescimento para diminuir a variabilidade existente na geração F2 e utilizar o parental macho da geração F1 com o parental feminino da geração F2, visando a uma melhor qualidade fisiológica e sanitária das sementes, podem ser adotadas.
TABELA 10. Porcentagem de fungos presentes em sementes tratadas e não tratadas dos híbridos DKB901/AG9012
e DKB333/AG9012, obtidos a partir das gerações F1 e F2, em semeadura realizada em setembro de
2001. UFLA, Lavras, MG, 2003.
Sementes tratadas Sementes não tratadas
DKB901/AG9012 DKB333/AG9012 DKB901/AG9012 DKB333/AG9012
Fungos F1 F2 F1 F2 F1 F2 F1 F2 Fusarium sp 0,0 10,5 6,0 17,.5 52,5 62,5 51,0 80,5 Penicillium sp 0,0 0,0 0,0 0,0 51,0 30,0 20,5 28,0 Aspergillus sp 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Diplodia 0,0 0,0 0,0 0,0 0,5 3,5 0,0 4,0 Chaetomium 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 2,5 0,0 4,0 Dreschelera 0,0 0,0 0,0 0,0 2,0 1,0 1,0 0,0 Cephalosporium 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1,5 0,0 1,0
TABELA 11. Porcentagem de fungos presentes em sementes tratadas e não tratadas dos híbridos DKB901/AG9012
e DKB333/AG9012,obtidos a partir das gerações F1 e F2, em semeadura realizada em dezembro de
2001. UFLA, Lavras, MG, 2003.
Sementes tratadas Sementes não tratadas
DKB901/AG9012 DKB333/AG9012 DKB901/AG9012 DKB333/AG9012
Fungos F1 F2 F1 F2 F1 F2 F1 F2 Fusarium sp 2,0 2,0 0,0 1,5 56,0 87,0 53,5 53,0 Penicillium sp 0,0 0,0 0,0 0,0 13,5 7,0 8,5 14,5 Aspergillus sp 0,0 0,0 0,0 0,0 9,0 4,5 6,5 9,5 Diplodia 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 5,0 0,0 0,0 Chaetomium 0,0 0,0 0,0 0,0 1,0 0,0 1,0 0,0 Dreschelera 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Cephalosporium 0,0 0,0 0,0 0,0 1,0 0,5 0,0 0,0
5 CONCLUSÕES
- A qualidade fisiológica e sanitária das sementes de híbridos duplos obtidas a partir da geração F2 é inferior às obtidas a partir da geração F1.
- A qualidade das sementes foi pouco afetada pelas diferentes épocas de semeadura.
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