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— Dispositions additionnelles

Dans le document Avis 51.720 du 14 mars 2017 (Page 37-40)

Como destacamos, numerosos são os documentos e declarações que apontam a os direitos do estudante com deficiência visual. Esse sistema, em contraste com a inclusão, como já é sabido, atua, ou deveria atuar na perspectiva da „educação para todos‟, visando a melhor maneira da prática educativa e estratégias de ensino que vislumbrem o desenvolvimento de todo e qualquer estudante. Nesse sentido, necessitamos, com urgência, ofertarmos a áudio-descrição em sala de aula para os estudantes cegos e com baixa visão, a fim de conferi-los o direito a igualdade de condições e a oportunidade de aprender e eliciar o conhecimento como os demais.

A escola das diferenças impõe, a todo momento, repensar a diversidade em sala de aula e incorporar novas ferramentas propulsoras ao conhecimento. Para isso, a áudio-descrição poderá contribuir para que os estudantes tenham acesso à linguagem imagética, participem das atividades, realizem escolhas, criem significados e tirem suas conclusões. Consoante a Joel Snyder (2011):

Encontrar as palavras, nós lidamos com isso quase em todos os momentos de nossas vidas. Mas crianças ou pessoas com

deficiência de aprendizagem têm necessidades específicas que podem ser atendidas de modo eficaz através do uso da áudio- descrição. Quando estive lá, dei um workshop em New Haven com

cuidadores de crianças e professores leitores sobre aquilo que acredito representar uma nova aplicação para a áudio-descrição: a literacia. Nós experimentamos o uso de uma linguagem mais descritiva ao trabalharmos com crianças e livros ilustrados. Esses livros dependem de imagens para contar a história e o professor treinado em técnicas de áudio-descrição jamais iria simplesmente

levantar uma imagem de uma bola vermelha e ler o texto: „Veja a

bola.‟ Ele poderia acrescentar: „A bola é redonda, vermelha da cor de um carro do corpo de bombeiros. Eu acho que esta bola é do tamanho de um de vocês! É redonda como o sol, vermelha e brilhante.‟ O professor introduziu um vocabulário novo, trouxe

comparações, usou metáforas ou símiles – com crianças da faixa

etária de um a três anos! Utilizando a áudio-descrição, o professor torna esses livros acessíveis a crianças com baixa visão ou cegas e ajuda-as a desenvolver habilidades lingüísticas. Uma imagem vale mil palavras? Talvez. Mas o áudio-descritor pode dizer que umas poucas palavras bem escolhidas podem eliciar imagens vívidas e duradouras. (SNYDER, 2011, p. 6-7. Grifos nossos).

Portanto, para que a pessoa com deficiência visual tenha voz e poder de escolha, os espaços de interação necessitam ser permeados de acessibilidade. Necessitam ratificar a previsão dos mecanismos legais e romper, de uma vez por todas, com a inacessibilidade no livro didático escolar e todo e qualquer material pedagógico.

Lima, Lima e Guedes (2009) asseguram que uma criança cega que tem acesso às imagens no livro didático pode, da melhor forma, acessar as informações e os conceitos que lhe são propostos. Da mesma forma, uma criança com baixa visão pode melhor visualizar os detalhes de uma imagem que não lhe era permitido. Para além disso, as crianças, ainda, podem compartilhar novas palavras, conceitos apreendidos e eventos visuais com os colegas de classe.

Todos os defensores da inclusão devem unir-se no reconhecimento de que as escolas que implementam práticas educacionais sólidas são boas para todos os alunos. [...]. O fator mais importante é ter coragem para fazer o que é certo, apesar dos desafios e das

barreiras que surgem. O resultado é um sistema educacional mais

forte e mais eficiente para todos os alunos (STAINBACK e STAINBACK, 1999, p. 85. Grifos nossos).

Inúmeras são as formas de prover acessibilidade comunicacional, como vimos. Todavia, muitas são as barreiras que inibem direitos à educação, informação, cultura, lazer. De acordo com Bersch (2008) existem diferentes auxílios e recursos que caminham para a ampliação do acesso das pessoas cegas e com baixa visão, como auxílios ópticos, lentes, lupas entre outros. Nesse sentido, a áudio-descrição pode contribuir para que estudantes com deficiência visual ampliem o diálogo, as informações, comunicação e o vocabulário imagético, pois, como afirma Reily (2011, p. 26) “partimos do principio democrático de que, se a palavra é para todos, a imagem também tem de ser”. A autora reforça a importância da acessibilidade comunicacional na sala de aula quando atesta que:

Há maneiras de tornar a imagem acessível ao cego, que tem, como todos nós, o direito de ser público (e também produtor, por que não?) da cultura imagética. É preciso realizar uma conversão

semiótica [...]. A palavra do outro descreve e significa, e a pessoa

com cegueira então se apropria do sentido, trazendo suas experiências pessoais de vida para a situação. (REILY, 2011, p. 39. Grifos nossos).

Nessa perspectiva, para que a acessibilidade comunicacional em sala de aula se efetive como garantia de direitos, mudanças são necessárias, bem como estratégias e recursos pedagógicos que reforcem a inclusão e a participação de toda comunidade escolar também. Para tanto, as adaptações curriculares caminham na direção de oportunizar uma aprendizagem que promova o desenvolvimento, a autonomia e o empoderamento do estudante cego ou com baixa visão, entretanto, cabe destacar, não em função de sua deficiência, mas, na promoção do talento, das habilidades e aptidões. Para Lima e Lima (2011):

Negligenciar, pois, a oferta de recursos assistivos, tais como a

comunicação facilitada, para pessoas com autismo, a interpretação em Libras, para as pessoas surdas, e a áudio-descrição para as pessoas com deficiência visual constitui flagrante afronta a nossa Carta Maior, bem como clara discriminação por razão de deficiência (lei 3956/2001). Simplesmente porque essa negligência leva a

criança com deficiência a uma situação de incapacidade para o aprender; limite para o seu lazer e impedimento ao conhecimento de

forma geral. (LIMA e LIMA, 2011, p. 11. Grifos nossos).

Sendo assim, o que estamos esperando para que o recurso da áudio- descrição esteja disponível às pessoas com deficiência? Os livros didáticos são repletos de cores, ilustrações, desenhos entre outras formas que gritam aos nossos olhos. Esses não podem e não devem limitar e impedir o acesso dos estudantes com deficiência visual. Para que a educação respeite às diferenças, precisamos romper o remanso e contemplar a todas as pessoas com um serviço essencial, de qualidade e digno por direito. Precisamos, iminentemente, ofertar uma acessibilidade que proporcione tomadas de decisão e independência. A meta e o objetivo maior da áudio-descrição, nesse sentido, é:

[...] oferecer aos indivíduos cegos as condições de, independentemente, chegarem às suas próprias conclusões a respeito do evento visual, isto é, a provisão da acessibilidade

comunicacional, informacional, com igualdade de condições, sem

paternalismos ou outras formas de barreiras atitudinais [...]. (LIMA e LIMA, 2011, p. 11. Grifos nossos).

No capítulo seguinte, apresentaremos o livro didático com a acessibilidade comunicacional que queremos e que propulsa o empoderamento dos estudantes cegos e com baixa visão na educação: a áudio-descrição.

5 – O LIVRO DIDÁTICO COMO RECURSO ACESSÍVEL: A ÁUDIO-DESCRIÇÃO

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