Chapitre 2 Dispositifs Expérimentaux
2.1 Observation de plasmons de surface
2.1.3 Dispositifs de microscopie par modes de fuite
A presente subcategoria congrega um conjunto de informações relacionadas com a forma como é configurada no contexto profissional a relação entre o professor e o intérprete, enquanto actores educativos, pelo que foi identificado como indicador de análise elementos que remetem ao reconhecimento de uma relação alicerçada no pressuposto de pontes de comunicação, embora reconheçamos que esta relação profissional ultrapassa a simples dimensão comunicativa.
Tal como anotam Pacheco e Caramelo, a relação professor-intérprete joga um papel preponderante no desempenho pedagógico do aluno, caso contrário pode traduzir a “incapacidade de desmontagem de estereótipos quer entre as crianças frequentando a escola, quer entre os seus educadores e familiares” (Pacheco & Caramelo, 2005: 33), assim como entre os professores. Para o efeito, a desmontagem destes estereótipos requererá destes profissionais a adopção de posturas colaborativas, “capaz[es] de manter este paralelismo positivo” das duas funções (Fernandes & Carvalho, 2005: 142), para permitir que se cumpram os objectivos educacionais e se “acelere o processo comunicacional” (ibidem) com o aluno.
No estudo, parte considerável dos entrevistados relata situações relacionadas com cenários de resistência por parte de alguns professores que continuavam a não se manifestar favoráveis ao convívio e a partilha de espaço
129 na sala com o intérprete, como se pode depreender nas palavras da intérprete IE1B.
Ehh…quando entramos foi muito complicado, os professores não nos recebiam muito bem dentro da sala de aulas, eles achavam que nós poderíamos tirar-lhes o lugar, era uma coisa de muito choque e foi muito difícil articular com os professores. Eu tive inclusive uma situação e que entrei na sala de aulas e a professora disse-me que não precisava de intérprete e tinha um aluno surdo, portanto, não precisava de mim e não me deixou entrar na sala… (IE1B).
Após a leitura do extracto da conversa com a intérprete IE1B, tiramos a ilação segundo a qual não só ficavam comprometidas as relações profissional e comunicacional, assim como aniquilava o processo de criação do léxico de especialidade, visto que sem o intérprete o professor dificilmente faria com que o aluno Surdo atingisse o nível de compreensão dos conteúdos curriculares com recurso a LV, atendendo que o professor não domina a LGP.
De certo modo, a ausência de uma relação articulada entre o professor e o intérprete pode levar a que o intérprete veja “frequentemente o seu trabalho minorizado, isolado e, finalmente, como pouco produtivo” (Pacheco & Caramelo, 2005: 33), o que consubstanciado pela palavras da intérprete IE1D quando refere que
…principalmente por parte dos docentes que não sabiam muito bem qual era nosso papel na sala de aulas. M uitas vezes não sendo a relação num primeiro contacto muito agradável, porque era muito questionado “mas o que é que estás aqui a fazer?, o que é que vem fazer?” (IE1D).
Através do extracto da conversa com a IE1D facilmente se pode inferir sobre o sentimento de menorização a que estava sujeito o intérprete e, simultaneamente, a relação de „poder‟ que era imposta pelo professor, por fim ficando o aluno Surdo desprovido das condições de aceder aos conteúdos curriculares e comprometer-se o processo de criação e desenvolvimento do léxico de especialidade em LGP.
No quadro da relação professor intérprete, para o empreendimento do processo educativo e da criação do léxico em LGP, importa analisar o fenómeno num outro prisma, a luz da conversa que tivemos com o professor
130 PE1. No extracto da entrevista que segue entendemos que existem 3 (três) polos de análise.
Pronto. Obviamente que mesmo dentro destes papéis cada pessoa tem o seu papel, claro, eu não me atrevo [risos] a estar a fazer gestos ou a comunicar com gestos, também não percebo, se bem que às vezes a pessoa intuitivamente faz e até vê, assim como nunca as intérpretes, apesar de fazerem também parte deste processo, nunca interferiram, digamos, no processo, ou seja, elas nunca se atreveram também em ensinar. Ou seja, cada um tem seu papel específico mas dentro uma forma completamente articulada e dentro deste caldeirão que é o ensino-aprendizagem… (PE1).
O primeiro polo está relacionado com o reconhecimento e a diferenciação de papéis que o professor faz relativamente a actuação de cada um no contexto de sala de aula, ao referir que “mesmo dentro destes papéis cada pessoa tem o seu papel, claro, eu não me atrevo [risos] a estar a fazer gestos ou a comunicar com gestos, também não percebo, se bem que às vezes a pessoa intuitivamente faz e até vê” (PE1).
O segundo polo associa-se ao reconhecimento da importância do intérprete e do preponderante papel que este desempenha no processo de ensino- aprendizagem, quando adianta que “cada um tem seu papel específico mas dentro uma forma completamente articulada” (PE1).
O terceiro é o reconhecimento de que o processo de ensino-aprendizagem requer actuações articuladas, visto que se trata de um „caldeirão‟ (PE1) dentro qual a participação de cada actor educativo deve ser efectivo e articulado, independentemente da diferenciação profissional.
Após a identificação dos 3 (três) polos de análise no extracto da conversa com o professor PE1, importa referir que o processo de criação do léxico em LGP irá se tornar frutífero e útil se a interacção professor-intérprete assentar no pressuposto de um “relação face a face” (Duarte, Ricou & Nunes: 2015: 136) de modo a que se erga “um verdadeiro constructo comunicacional” (ibidem), visto que a pluridisciplinaridade tornar-se-á um elemento enriquecedor.
Contudo, tendo em conta os dados partilhados pelos entrevistados pode se inferir que nas 2 (duas) escolas a relação professor-intérprete é boa, e tende a
131 melhorar cada vez mais, embora reconhecemos que as escolas são distintas relativamente ao seu quadro de pessoal, como confirmam as palavras do professor PE2 ao se referir que à sua relação com o intérprete, “é assim, eu como dou aulas directamente em Língua Gestual Portuguesa não preciso de intérprete” (PE2; Apêndice V).