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L E DISPOSITIF DE REPORTING SUR L ’ EFFECTIVITE ET SUR L ’ EFFICACITE PROPRE A

A catalogação dos comportamentos não verbais parece girar em torno de três principais categorias: cinese, proximidade e para-linguagem33 (Kurkul, 2007). O conceito de cinese, ou interpretação da linguagem corpórea, foi proposto pelo antropólogo Birdwhistell (1970) e inclui categorias como contato visual, expressão facial, gestos com as mãos, inclinações do corpo e indicações com a cabeça. Essa linguagem corporal pode fornecer, por exemplo, fortes indícios de aprovação ou reprovação, ênfases em determinados aspectos que estão sendo discutidos ou mesmo dar dicas a quem interpreta essa linguagem sobre ações a serem tomadas. A idéia de proximidade, conceito proposto pelo também antropólogo Edward Hall (1963), diz respeito ao estudo do espaço dentro do qual a observação acontece. Esses espaços são constituídos pelos limites do ambiente, seus objetos fixos e móveis e as distâncias entre os sujeitos envolvidos. A relação de proximidade estabelecida pode fornecer, por exemplo, dados sobre o grau de intimidade entre professor e aluno. O conceito de para- linguagem inclui as características da fala, tais como entonação, altura e qualidade, e sua própria ausência, ou seja, o silêncio. Um exemplo comum de dados fornecidos pela para- linguagem é o nível de estresse estabelecido em uma discussão. Vejamos mais especificamente como essas categorias têm sido tratadas pela literatura especializada em música.

As estratégias não verbais de ensino em aulas tutoriais de instrumento têm encontrado dois problemas conceituais na pesquisa em Educação Musical (Kurkul, 2007). Primeiramente há uma inconsistência entre as escolhas das principais categorias e, em segundo lugar, muitos termos mencionados na literatura não foram claramente definidos. A Tabela 3.4-A (Kurkul,

33 Utilizamos acima uma tradução livre dos conceitos. Em inglês a nomenclatura seria: kinesics, proxemics and paralanguage.

2007, p.329) apresenta como alguns autores categorizaram os principais comportamentos não verbais em aulas de instrumento musical34:

Tabela 3.4-A: comportamentos não verbais em aulas de instrumento musical

Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4 Coluna 5 Orientação musical do professor Performance mediana Entonação vocal amigável Expressão

facial e olhos Instrução Resposta física fora da média Performance facial amigável Expressão Movimento expressivo Treinamento Iniciação física Movimento do corpo Contato físico gentil Postura Demonstração Exigência física da performance Análise Olhar nos olhos do estudante Toque Tocar Resposta musical verbal positiva Avaliação não vocal tensa Entonação Duração e marcha Outras Iniciação musical verbal negativa Avaliação não facial irritada Expressão Espaço

Exigência musical

da performance Contato físico rude Resposta musical do estudante/professor Resposta musical do estudante/regência do professor

A coluna 1 mostra uma proposta de categorização mais ampla voltada para a análise das respostas apresentadas. Definições um pouco mais delimitadas são apresentadas na coluna 2, onde são inseridos os conceitos de positividade e negatividade no comportamento não verbal e uma idéia dos gestos envolvidos na performance. As colunas 3, 4 e 5 delimitam conceitos bem próximos do que consideramos estratégias não verbais que são utilizadas em

master-classes de violão.

As estratégias não verbais de ensino foram divididas, conforme sugestão levantada na resenha da literatura e pelos estudos aqui apresentados, em estratégias voltadas para o uso dos

34 Cada coluna apresenta conceituações de um autor diferente. Por se tratar de referências tipo apud, preferimos deixar os créditos com o autor que elaborou a tabela.

gestos e estratégias voltadas para o uso dos sons. Procuramos defini-las especificamente na observação de master-classes de violão. Operacionalizamos a categoria gestos como se segue: • Gestos musicais: trata-se dos movimentos de braços e mãos do professor para sublinhar fraseados, indicações de timbres, dinâmicas e agógicas da peça. Podemos chamá-los de gestos de regência.

• Marcações na partitura: configura-se quando o professor utiliza a partitura para chamar a atenção do aluno. Essas marcações podem ser feitas com apontamentos sem o uso da escrita ou com o uso do lápis ou caneta esferográfica para sublinhar, destacar ou fazer quaisquer observações escritas na partitura.

• Contato visual: configura-se quando o professor fixa sua atenção visual no aluno por, no mínimo, três segundos. Esse tempo foi estipulado por meio da observação comportamental de forma a influenciar o trabalho do aluno (Yarbrough, 1975; 1995). No violão, o contato visual é significativo quando o professor focaliza sua atenção na questão postural e nas mãos e braços do aluno. O contato visual deve ser explícito e acompanhado de uma inclinação corpórea que seja perceptível ao aluno.

• Toque: configura-se quando o professor toca em qualquer parte do corpo do aluno.

• Relação de proximidade: trata-se da variação da distância entre o professor e o aluno durante a master-class. No violão essa variação da distância tem a tendência de se manter constante ao longo da aula, pois o próprio instrumento pode impor uma barreira à movimentação do professor (Kurkul, 2007).

• Expressões faciais: exprime-se quando a face reflete contrastes entre aprovação e desaprovação da performance do aluno (Yarbrough, 1995). Sorrir, levantar as sobrancelhas, arregalar ou fechar bem os olhos, franzir o sobrolho e apertar os lábios são exemplos de manifestação dessa estratégia de ensino.

• Silêncio: trata-se da ausência de percepção de outras estratégias de ensino. Pode ser considerado como um momento de reflexão onde nem o professor nem o aluno estão falando ou tocando seus instrumentos (Kurkul, 2007). A duração de três segundos, também fundamentada por meio da observação comportamental da atenção do aluno, pode ser estipulada para a categorização dessa estratégia (Yarbrough, 1975; 1995). O silêncio, por parte do professor, também pode ocorrer durante a performance do aluno. Porém, dessa forma, ele pode ser pouco percebido pelo aluno.

E temos, para finalizar, as estratégias voltadas para o uso dos sons. Elas podem, ainda, dividir-se conforme sua fonte de emissão sonora. Essas fontes podem ser instrumentais ou orais. Entre os sons temos:

• Demonstração instrumental: configura-se quando o professor utiliza o violão para demonstrar ao aluno suas intenções imitativas ou musicais. Dessa forma enquadram-se nessa categoria performances do professor intencionalmente expressivas ou não expressivas. Sua fonte de emissão é instrumental.

• Demonstração vocal: configura-se quando o professor utiliza a voz para solfejar, expressivamente ou não, melodias para o aluno. Sua fonte de emissão é oral.

• Onomatopéias: resolvemos classificar as onomatopéias como estratégias não verbais, pois essa estratégia tem fonte de emissão oral, mas utilizamos sua

definição das figuras semânticas. Onomatopéia é a imitação de um som com um fonema.

3.4.3.3. MÉTODOS QUANTITATIVOS DE ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS