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ray energy dispersive spectroscopy (EDX): An electron entering the material will interact with the electron cloud around each nucleus, and transfer part of

SAMPLE CHARACTERIZATION

X- ray energy dispersive spectroscopy (EDX): An electron entering the material will interact with the electron cloud around each nucleus, and transfer part of

Este trabalho tem como foco a relação dialógica estabelecida pela comunicação interna informal. Desse modo, atenta-se para a linguagem verbal (oral e escrita), sobretudo focando a linguagem oral utilizada pelos colaboradores e as construções de sentido estabelecidas por esta modalidade de interação. Considera-se que o emprego da oralidade no sistema interno de comunicação pode motivar a projeção da imagem organizacional de forma

favorável, tanto nos próprios relacionamentos internos intergrupais, quanto nas interações externas.

O exercício da linguagem, os ambientes onde esta é articulada e todo o contexto histórico que alimenta a estrutura organizacional fazem, segundo Citelli (2008), com que os enunciados não signifiquem em si, mas se façam nas relações. A linguagem permite que, em seus exercícios cotidianos, os jogos contemplem não apenas as palavras, “mas toda a sequência contextual nas quais se incluem os participantes, os objetos, as circunstâncias, várias afeitas à situação de uso” (CITELLI, 2008, p.16). O nível da disputa de linguagem dá o tom da comunicação e possibilita que as significações se deem no fluxo, a se formar, entre o enunciador e a plateia. Habermas (1989) defende ainda que, na interação, o conhecimento prévio de todas as intervenções contextuais nunca é plenamente possível. Além disso, “a linguagem quotidiana se estende a proferimentos não-descritivos e a pretensões de validez não cognitivas” (HABERMAS, 1989, p.43).

Para Bakhtin (1997), a prática dialética, ao direcionar a palavra a outrem como indispensável a toda ação dialógica, não se evidencia por seu caráter empírico, mas no jogo das relações de sentidos que atravessam a enunciação e desconstroem as evidências. Nessa lógica, é somente participando da linguagem, em seus múltiplos ângulos, que se torna possível convencionar a comunicação. Visto como um processo recursivo de construção, os jogos de linguagem alimentam e são alimentados pela conjuntura cultural e histórica que cercam os falantes. “O centro organizador de toda enunciação, de toda expressão, não é interior, mas exterior: está situado no meio social que envolve o indivíduo” (BAKHTIN, 1997, p.90). Sob a visão crítica de Bakhtin, ressalta-se ainda que as possibilidades e as perspectivas que estão latentes nas palavras são infinitas e dependem da combinação dos sujeitos. Segundo o autor, durante a complexa construção do enunciado, há o encontro de textos para que a mensagem final seja manifestada.

O estenograma do pensamento humano é sempre o estenograma de um diálogo de tipo especial: a complexa interdependência que se estabelece entre o texto (objeto de análise e de reflexão) e o contexto que o elabora e o envolve (contexto interrogativo, contestatório, etc.) através do qual se realiza o pensamento do sujeito que pratica ato de cognição e de juízo. Há encontro de dois textos, do que está concluído e do que está sendo elaborado em reação ao primeiro. Há, portanto, encontro de dois sujeitos, de dois autores. (BAKHTIN, 1997, p.333)

Na diversidade de textos que se encontram para a formação dos enunciados, os interlocutores podem ignorar seus pré-planos de argumentação, que inicialmente integrariam a interação social, e serem levados por argumentos de outros. No decorrer da interação,

Habermas (1989) diz que os enunciadores buscam legitimidade discursiva para suas ações, e não, necessariamente, emanar poder para persuadir. Para tanto, o autor sugere ser necessária a inexistência da coerção social no sentido estrito da expressão, pois a distribuição escalar do poder é uma condição desfavorável para a ação comunicativa, subtendendo-se princípios pré- determinados por alguém. Para Habermas, é na autenticidade dos argumentos que habita a força motivadora dos discursos, sendo que “um é motivado racionalmente pelo outro para uma ação de adesão – e isso em virtude do efeito ilocucionário de comprometimento que a oferta de um ato de fala suscita” (HABERMAS, 1989, p.79).

Normas e regras sociais de conduta são a base dos discursos organizacionais. Elas atuam como códigos fundamentais a partir dos quais uma ação é legitimada em um enunciado. Dentro da classificação proposta por Habermas (1989), o discurso não produz regras e normas, apenas valida-as coletivamente, ao expressar as formas de conduta social estabelecidas pelas próprias regras e normas que habitam a organização. Para tanto, “consequências e efeitos colaterais, que previamente resultam de uma obediência geral da regra controversa para a satisfação dos interesses de cada indivíduo, podem ser aceitos sem coação por todos” (HABERMAS, 1989, p.116).

Na vida cotidiana, estamos com muito mais frequência de acordo (ou em desacordo) sobre a correção de ações e normas, sobre a adequação de avaliações e padrões e sobre a autenticidade ou sinceridade de uma auto-representação do que sobre a verdade de proposições. (...) Por isso, uma interpretação correta não é simplesmente verdadeira, como é o caso de uma proposição relatando uma interpretação correta; poder-se-ia antes dizer que uma interpretação correta convém a, é adequada a ou explicita o significado do interpretandum que os intérpretes devem alcançar. (HABERMAS, 1989, p.43)

Se a linguagem e sua constituição são apoiadas por processos recursivos sociais, e sendo estes não pré-formados ou simples descritores de uma realidade em permanente construção, é oportuno perceber que o consenso também pode ser associado ao temporário, a uma ação social passageira. “Concebe-se, portanto, o consenso como a outra face do conflito” (CITELLI, 2008, p.17). Sendo assim, a língua não deve ser vista como categoria universal e o jogo de linguagem pode ser percebido como um procedimento de trocas, ajustes e reorganização para que se dê, conforme Citelli (2008), a máquina formuladora dos sentidos. “O discurso é, pois, instância administrativa dos conflitos, já que eles não desaparecem do mundo da vida. E isto requisita, da parte dos interlocutores, a construção de roteiros

argumentativos sustentáveis e passíveis de resistirem à força do contraditório” (CITELLI, 2008, p.20).

Com base no exposto, é possível retornar ao conceito de teia de significados proposto por Capra (2002) e compreender que a consciência reflexiva, associada à linguagem, atua para construção social. A comunicação organizacional interna se dá tão somente por meio das construções textuais e suas variadas interfaces sociais que permeiam o contexto (como pelo compartilhamento de sentido concedido por cada indivíduo à realidade interpretada). Cabe ressaltar que a comunicação que se faz na organização depende da leitura de diversas realidades. Destaca-se ainda que a cultura desvenda-se como um padrão de condutas desenvolvidas pelo próprio agrupamento social que estruturam a organização, onde a uniformidade de pensamento colabora para a definição dos valores adquiridos.

Sob esta ordem, compreender os ambientes informais de comunicação é estar alerta aos consensos e dissensos e, sobretudo, buscar caminhos para a maximização da capacidade comunicacional da organização, relação esta que será analisada na próxima seção.