As análises das imunomarcações das proteínas citadas foram estabelecidas baseadas na positividade de marcação, sendo consideradas positivas as células que apresentam marcação de cor acastanhada. Todas as lâminas foram avaliadas em microscopia de luz, sendo selecionadas 5 áreas com maior representatividade de células. Esta avaliação foi realizada para todos os marcadores, havendo calibração prévia do operador (CD1a: ICC=0,968) (SOUTO et al., 2014; POPOVICI et al., 2014). As imagens das áreas foram capturadas por meio de fotomicroscopia para análise pelo programa ImageJ.
32
Os imunomarcadores CD1a, CD83 e a Triptase foram avaliados através da densidade de marcação, onde foi quantificado o número de células positivas em cada área selecionada e, posteriormente, calculada a média de células marcadas nos 5 campos observados. A localização da célula no tecido também foi avaliada no tecido epitelial e tecido conjuntivo (SOUTO et al., 2014; POPOVICI et al., 2014).
O CD 34 foi avaliado através da contagem microvascular, do perímetro microvascular e da área microvascular de todos os vasos sanguíneos presentes e dos vasos sanguíneos que apresentavam o alto endotélio vascular (HEVs). Para a avaliação da contagem microvascular foram selecionadas cinco áreas aleatórias significativas com maior imunomarcação de vasos, sob o aumento de 400x. Em seguida, no aumento de 1000x, foram quantificados manualmente com o auxílio do programa ImageJ (Image Processing and Analisis in Java), com o objetivo de evitar a recontagem de estruturas. O resultado foi expresso pelo número médio de vasos por espécime. Durante o procedimento, qualquer célula ou grupo celular endotelial imunomarcado positivamente separado dos microvasos adjacentes e de outros constituintes do tecido conjuntivo, assim como os vasos contendo lúmen, foram considerados como um vaso unitário. Foram contados como vasos, ainda, estruturas ramificadas e com descontinuidade na sua conformação (LIMA et al., 2011; AGARVAL et al., 2014; GONÇALVES, LOURENÇO e GURGEL, 2019).
Para a medição da área microvascular e do perímetro microvascular foram utilizados os 5 campos selecionados para a contagem microvascular, utilizando o programa ImageJ para demarcar a região. O resultado foi expresso pela média da área microvascular e pela média do perímetro microvascular, respectivamente (AGARVAL et al., 2014; GONÇALVES, LOURENÇO e GURGEL, 2019).
4.8 Variáveis
As variáveis quantitativas e qualitativas deste estudo estão descritas abaixo no Quadro 2.
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Quadro 2 - Variáveis do estudo de acordo com o tipo de variável, classificação e medida.
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Legenda:*, categórica nominal mutualmente exclusiva.
Variável Tipo Classificação Medida
Idade Independente Quantitativa Anos
Idade categorizada Independente Categórica* 18 e 59 anos ou ≥ 60 anos Sexo Independente Categórica* Feminino e masculino
Diagnóstico clínico Independente Categórica*
Gengiva clinicamente saudável, gengivite induzida por biofilme e
periodontite estágio II, III e IV Densidade do tecido conjuntivo Dependente Categórica* Denso, variado ou frouxo Intensidade do infiltrado inflamatório Dependente Categórica* Leve, moderado ou intenso
Quantidade de células dendríticas
imaturas Dependente Quantitativa
Média da quantificação celular em 5 campos
Quantidade das células dendríticas
maduras no epitélio Dependente Quantitativa
Média da quantificação celular em 5 campos
Quantidade de células dendríticas
maduras no conjuntivo Dependente Quantitativa
Média da quantificação celular em 5 campos
Quantidade de mastócitos no tecido
conjuntivo Dependente Quantitativa
Média da quantificação celular em 5 campos
Quantidade de mastócitos
degranulados no conjuntivo Dependente Quantitativa
Média da quantificação celular em 5 campos
Contagem microvascular de vasos
sanguíneos Dependente Quantitativa
Média da quantificação vascular em 5 campos
Área microvascular de vasos
sanguíneos Dependente Quantitativa
Média da área vascular medida em 5 campos
Perímetro microvascular de vasos
sanguíneos Dependente Quantitativa
Média do perímetro vascular medido em 5 campos Presença de vasos sanguíneos com
endotélio vascular alto (HEV) Dependente Categórica* Sim ou Não Contagem microvascular dos vasos
sanguíneos com endotélio vascular alto (HEV)
Dependente Quantitativa Média da quantificação vascular em 5 campos
Área microvascular dos vasos sanguíneos com endotélio vascular
alto (HEV)
Dependente Quantitativa Média da área vascular medida em 5 campos
Perímetro microvascular dos vasos sanguíneos com endotélio vascular
alto (HEV)
Dependente Quantitativa Média do perímetro vascular medido em 5 campos
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4.9 Análise estatística
Os dados clínicos, morfológicos e imunoistoquímicos foram tabulados em tabelas do programa Microsoft Excel® 2013 e posteriormente exportados para o programa estatístico SPSS® versão 22.0, no qual foram submetidos a uma análise descritiva e inferencial.
Assumindo a não normalidade e a independência da amostra, foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney para buscar diferenças significativas. Para o teste de Kruscal- Wallis foram comparadas as variáveis diagnóstico clínico (gengiva clinicamente saudável, gengivite e periodontite) com médias de células positivas imunomarcadas por campo: CD1a, CD83 no tecido epitelial, CD83 no tecido conjuntivo, triptase, contagem microvascular (CMV) de vasos sanguíneos, CMV de vasos sanguíneos com o epitélio vascular alto (HEV), área microvascular (AMV) de vasos sanguíneos, AMV de vasos sanguíneos com o HEV, perímetro microvascular (PMV) de vasos sanguíneos, PMV de vasos com o HEV , dentro de cada grupo etário.
No teste de Mann-Whitney, foram comparadas os grupos etários com os as variáveis CD1a, CD83 no tecido epitelial, CD83 no tecido conjuntivo, triptase, contagem microvascular (CMV) de vasos sanguíneos, CMV de vasos sanguíneos com o epitélio vascular alto (HEV), área microvascular (AMV) de vasos sanguíneos, AMV de vasos sanguíneos com o HEV, perímetro microvascular (PMV) de vasos sanguíneos, PMV de vasos com o HEV , dentro de cada grupo de diagnóstico clínico.
A correlação de Spearman foi usada para relacionar as variáveis dos imunomarcadores entre si (CD1a; CD83 no tecido epitelial; CD83 no tecido conjuntivo; triptase; mastócitos degranulados; CMV, AMV e PMV de vasos sanguíneos; e CMV, AMV e PMV de vasos sanguíneos com HEV.
O teste do Qui-quadrado foi realizado para as associações significativas entre diagnóstico clínico com sexo, idade categorizada, tipo de infiltrado e intensidade de infiltrado inflamatório.
Para todos os testes estatísticos utilizados neste estudo, o nível de significância estabelecido foi de 5% (p<0,05).
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5 RESULTADOS
5.1 Caracterização do estudo
No presente estudo foram utilizadas 154 amostras de tecido gengival de 103 mulheres (66,9%) e 51 homens (33,1%). O sítio de coleta do material de tecido gengival foi identificado em 112 casos, sendo em 73 casos (65,2%) oriundos da região da maxila seguido da região de mandíbula com 39 casos (34,8%).
A variável idade foi dividida em dois grupos etários segundo os critérios da OMS (2015): indivíduos adultos, com idade entre 18 e 59 anos, e indivíduos idosos, com idade maior ou igual a 60 anos, com o objetivo de avaliar as marcações entre as faixas etárias.
A amostra foi dividida de acordo com a classificação da doença periodontal de Caton et
al. (2018), levando em consideração os dados clínicos de profundidade de sondagem e perda
de inserção, e de acordo com diagnóstico clínico presente no cadastro dos espécimes arquivados (Tabela 1), ambos relacionados com o grupo etário.
Tabela 1 – Média da idade, mínimo, máximo, desvio padrão relacionados ao diagnóstico clínico e o grupo etário.
Diagnóstico Clínico Grupos Etários n Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Gengiva clinicamente saudável Adultos 42 18 57 40,0 9,99
Idosos 6 62 72 66,3 3,83
Gengivite induzida por biofilme Adultos 36 18 57 34,4 11,38
Idosos 10 60 90 68,0 9,14
Periodontite estágios II, III e IV Adultos 49 18 59 38,2 10,76
Idosos 11 62 74 66,6 4,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2020). Legenda: n, número de casos.
5.2 Resultados morfológicos
Os espécimes passaram por avaliação das características morfológicas. A cerca do epitélio de revestimento gengival, todos os casos apresentavam epitélio de mucosa oral, 22 casos (14,3%) apresentavam epitélio crevicular, e 4 casos (2,6%), epitélio sulcular. Os epitélios orais eram em sua maioria paraceratinizados (92,9%), ainda apresentando casos com ortoceratina (7,1%), e nenhum caso era do tipo não ceratinizado.
As alterações encontradas no tecido epitelial e nas células presentes foram: degeneração hidrópica (93,5%), acantose (85,1%), espongiose (69,5%), hiperplasia (51,9%), exocitose
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(51,3%), duplicação da camada basal (16,9%), hiperparaceratinização (3,9%), atrofia (1,9%), e ulceração (1,3%).
O tecido conjuntivo mostrou-se predominantemente denso em 116 casos (75,3%), apresentando infiltrado inflamatório crônico predominantemente mononuclear em 147 casos (95,5%).
5.3 Resultados imunoistoquímicos
Na análise imunoistoquímica para identificar os mastócitos, foi utilizada a triptase (Figura 5A). Em relação à presença de mastócitos, a imunomarcação da triptase nos mastócitos não foi diferente entre os grupos etários dentro de cada grupo de diagnóstico clínico. Contudo, foi observado que nos casos de gengivite em idosos, há maior número de células degranuladas (p=0,001) (Tabela 2).
Tabela 2 – Relação da quantificação dos mastócitos com o diagnóstico clínico do tecido gengival e grupo etário.
Imunomarcadores Diagnóstico Clínico
Grupo
Etário n Mediana Q25-Q75 Ranks p
Triptase Saudável* Adultos 41 5,0 4,2 – 7,6 24,34 0,655 Idosos 6 4,1 2,6 – 10,9 21,67 Gengivite Adultos 36 6,2 5,0 – 7,9 23,60 0,926 Idosos 10 6,4 3,9 – 9,2 23,15 Periodontite Adultos 48 5,0 4,0 – 6,4 29,76 0,823 Idosos 11 5,4 3,6 – 9,1 31,05 Mastócitos Degranulados Saudável* Adultos 41 0,3 0,0 – 1,1 23,70 0,681 Idosos 6 0,6 0,0 – 3,2 26,08 Gengivite Adultos 36 0,2 0,0 – 1,0 20,11 0,001 Idosos 10 1,6 0,9 – 2,8 35,70 Periodontite Adultos 47 0,2 0,0 – 0,8 29,55 0,959 Idosos 11 0,0 0,0 – 2,2 29,27
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Legendas: n, número de casos avaliados; p, Teste estatístico de Mann-Whitney; Saudável*, gengiva clinicamente saudável.
Na marcação das células dendríticas, foram utilizados os anticorpos CD1a para localização das células dendríticas imaturas (marcação citoplasmática). As células dendríticas (DCs) imaturas foram localizadas somente no tecido epitelial, nas camadas basal e granulosa (Figura 5 B).
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As células dendríticas maduras foram positivas para o anticorpo CD83 em tecido gengival, com marcação celular citoplasmática, sendo localizadas no tecido epitelial e lâmina própria (Figura 5 C e D). Setenta e quatro casos (48%) de DCs maduras, localizadas no epitélio, tiveram a distribuição na camada basal e na camada granulosa. No tecido conjuntivo, as DC maduras foram identificadas em 80 casos (51,9%), encontrando-se subepitelial e dispersa na lâmina própria.
Ao comparar dentro de cada diagnóstico clínico, a positividade observada das DCs imaturas no tecido gengival é maior na gengivite (p=0,009) e na periodontite (p=0,014) nos idosos. Entretanto, a média da imunomarcação das DCs maduras no tecido epitelial e conjuntivo, foram semelhantes entre os grupos etários (Tabela 3).
Tabela 3 – Quantificação das células dendríticas imaturas e maduras de acordo com o diagnóstico clínico do tecido gengival e grupo etário.
Imunomarcadores Diagnóstico
Clínico Grupo Etário n Mediana Q25-Q75 Ranks p
CD1a Saudável* Adultos 42 3,6 1,9 – 5,0 23,52 0,201 Idosos 6 5,8 2,0 – 5,0 31,33 Gengivite Adultos 36 3,5 2,4 – 4,5 20,76 0,009 Idosos 10 6,4 3,5 – 10,4 33,35 Periodontite Adultos 49 3,4 2,1 – 4,6 27,52 0,014 Idosos 10 5,2 3,3 – 8,8 42,15 CD83ep Saudável* Adultos 38 0,0 0,0 – 0,8 21,39 0,120 Idosos 6 0,6 0,0 – 1,0 29,50 Gengivite Adultos 35 0,2 0,0 – 0,6 22,57 0,671 Idosos 10 0,2 0,0 – 0,6 24,50 Periodontite Adultos 42 0,0 0,0 – 0,4 25,25 0,082 Idosos 11 0,2 0,0 – 0,4 33,64 CD83conj Saudável* Adultos 38 0,2 0,0 – 0,8 21,75 0,308 Idosos 6 0,6 0,0 – 1,6 27,25 Gengivite Adultos 35 0,2 0,0 – 0,8 23,03 0,978 Idosos 10 0,3 0,0 – 0,6 22,90 Periodontite Adultos 42 0,0 0,0 – 0,4 26,55 0,065 Idosos 11 0,2 0,0 – 1,5 28,73
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Legendas: CD83ep, média do CD83 no tecido epitelial; CD83conj, média do CD83 no tecido conjuntivo; n, número de casos avaliados; p, Teste estatístico de Mann-Whitney; Saudável*, gengiva clinicamente saudável.
A tabela 4 mostra a relação entre os imunomarcadores e o diagnóstico clínico dentro de cada grupo etário, não havendo diferença na imunomarcação das células dendríticas, dos
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mastócitos e na quantidade de vasos sanguíneos nos tecidos gengivais, entre os casos de gengiva clinicamente saudável, gengivite induzida por biofilme e periodontite estágio II, III e IV, avaliando isoladamente os grupos etários adulto e idoso.
A correlação entre a quantidade de células CD83 positivas no epitélio e conjuntivo é fraca, porém positiva, demonstrando que quando há um aumento das células dendríticas maduras no epitélio, aumenta o número destas células no conjuntivo (r=0,207, p 0,013).
Ao comparar a positividade do CD1a e o CD83 no epitélio, foi observado que há correlação positiva, porém, também fraca, demonstrando que quando há um aumento das células dendríticas imaturas, aumenta as células dendríticas maduras (r=0,254, p=0,002). Tabela 4: Relação da média da quantidade de células dendríticas imaturas (CD1a) e maduras (CD83), mastócitos (Triptase) e presença de vasos sanguíneos (CD34) com o diagnóstico clínico do tecido periodontal, dentro de cada grupo etário.
Grupo Diagnóstico Clínico n Mediana Q25-Q75 Rank p
CD1a Adulto Saudável* 42 3,6 1,9 – 5,0 66,26 0,887 Gengivite 36 3,5 2,4 – 4,5 63,13 Periodontite 49 3,4 2,1 – 4,6 62,70 Idoso Saudável* 6 5,8 2,0 – 7,0 11,42 0,554 Gengivite 10 6,4 3,5 – 10,4 15,45 Periodontite 10 5,2 3,3 – 8,8 12,80 CD83ep Adulto Saudável* 38 0,0 0,0 – 0,8 58,41 0,288 Gengivite 35 0,2 0,0 – 0,6 63,83 Periodontite 42 0,0 0,0 – 0,4 52,77 Idoso Saudável* 6 0,6 0,3 – 1,0 18,25 0,316 Gengivite 10 0,2 0,0 – 0,6 12,55 Periodontite 11 0,2 0,0 – 0,6 13,00 CD83conj Adulto Saudável* 38 0,2 0,0 – 0,8 58,46 0,325 Gengivite 35 0,2 0,0 – 0,8 63,69 Periodontite 42 0,0 0,0 – 0,4 52,85 Idoso Saudável* 6 0,6 0,0 – 1,6 16,08 0,729 Gengivite 10 0,3 0,0 – 0,6 13,85 Periodontite 11 0,2 0,0 – 1,4 13,00
39 Triptase Adulto Saudável* 41 5,0 4,2 – 7,6 60,39 0,183 Gengivite 36 6,2 5,0 – 7,9 72,28 Periodontite 48 5,0 4,0 – 7,3 58,27 Idoso Saudável* 6 4,1 2,6 – 10,9 12,58 0,783 Gengivite 10 6,4 3,9 – 9,2 15,30 Periodontite 11 5,4 3,5 – 8,4 13,59 CD34 Adulto Saudável* 42 7,0 5,4 – 8,0 64,49 0,195 Gengivite 36 7,5 5,8 – 8,6 72,15 Periodontite 49 6,2 5,4 – 7,3 57,59 Idoso Saudável* 6 5,5 4,4 – 7,3 11,67 0,421 Gengivite 10 5,9 5,1 – 6,6 12,80 Periodontite 11 6,6 5,6 – 7,0 16,36 Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Legendas: CD83ep, média do CD83 no tecido epitelial; CD83conj, média do CD83 no tecido conjuntivo; n, número de casos avaliados; p, Teste estatístico de Kruskal-Wallis; Saudável*, gengiva clinicamente saudável.
O CD34 foi positivo para células endoteliais em 100% dos casos, apresentando ainda marcação do endotélio vascular alto em 101 casos (65,6%) (Figura 5 E e F). Os valores da contagem microvascular (CMV) nos vasos sanguíneos foram relacionados com o diagnóstico clínico da doença periodontal dentro de cada grupo etário, sendo maior nos adultos com gengivite induzida por biofilme (p=0,040) (Tabela 5). A AMV e PMV dos vasos sanguíneos com o endotélio vascular alto apresentaram-se maiores em idosos na gengivite (AMV p=0,028; PMV p=0,043).
Tabela 5 – Relação da quantificação dos vasos sanguíneos totais e vasos sanguíneos com endotélio vascular alto com o diagnóstico clínico do tecido gengival e grupo etário.
Diagnóstico Clínico
Grupo
Etário n Mediana Q25-Q75 Ranks P
CMV Saudável* Adultos 42 7,0 5,4 – 8,0 25,60 0,151 Idosos 6 5,5 4,4 – 7,3 16,83 Gengivite Adultos 36 7,5 5,8 – 8,6 25,64 0,040 Idosos 10 5,9 5,1 – 6,6 15,80 Periodontite Adultos 49 6,2 5,5 – 7,0 30,24 0,811 Idosos 11 6,6 5,4 – 6,9 31,64
40 CMV HEV Saudável* Adultos 27 0,4 0,4 – 1,0 16,89 0,143 Idosos 4 0,3 0,2 – 0,5 10,00 Gengivite Adultos 25 0,6 0,4 – 1,0 15,74 0,741 Idosos 6 0,6 0,5 – 1,1 17,08 Periodontite Adultos 32 0,4 0,4 – 0,8 18,16 0,076 Idosos 6 0,8 0,5 – 1,0 26,67
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Legendas: CMV, contagem microvascular de vasos sanguíneos; CMV HEV, contagem microvascular de vasos sanguíneos com endotélio vascular alto; n, número de casos avaliados; p, teste estatístico de Mann-Whitney, Saudável*, gengiva clinicamente saudável.
Relacionando o CD 34 com outros marcadores, houve correlação positiva fraca com a triptase, demonstrando que há relação entre aumento dos mastócitos e o número de vasos sanguíneos presentes na região (r=0,185, p=0,023).
Figura 5 - Imunopositividade para os marcadores Triptase, CD1a, CD83 e CD34. A – Fotomicrografia evidenciando a positividade da triptase para mastócitos (HIDEF, 1000x). B – Fotomicrografia evidenciando a positividade do CD1a para células dendríticas imaturas (ENVISION, 1000x). C – Fotomicrografia evidenciando a positividade do CD83, no tecido epitelial, para células dendríticas maduras (ENVISION, 1000x) e D – Fotomicrografia evidenciando a positividade do CD83, no tecido conjuntivo, para células dendríticas maduras (ENVISION, 1000x). E e F – Fotomicrografias evidenciando a positividade do CD34 em células endoteliais sanguíneas (HIDEF, 1000x).
41
6 DISCUSSÃO
A estimativa de aumento de 16% na expectativa de vida da população idosa mundial até 2050 instiga estudiosos a compreender o processo saúde-doença neste grupo de indivíduos, principalmente em relação às doenças inflamatórias e infecciosas, como a doença periodontal, visando correlacionar com hábitos de higiene, comorbidades e doenças crônicas comuns bem como com o objetivo de diminuir a mortalidade (CHUNG et al., 2011; SHET et al., 2015; MARJANOVIC et al., 2016; WU et al., 2016; UNITED NATION, 2019).
A doença periodontal é uma doença multifatorial, relacionada ao acúmulo de biofilme, levando a destruição dos tecidos de proteção e suporte dentário (HUANG; GIBSON, 2014; HOLZHAUSEN et al., 2011). A microbiota associada à doença periodontal encontra-se modificada nos idosos, com o aumento da quantidade de espécies vinculadas à destruição tecidual, como Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Porphyromonas gingivalis,
Treponema denticola e Tannerella forsythia (LIRA-JUNIOR et al., 2018).
A amostra deste estudo foi diagnosticada de acordo com a classificação de Caton et al., 2018. Para comparação com outros estudos, a gengivite induzida por biofilme foi associada à gengivite e a periodontite estágios II, III e IV comparadas à periodontite crônica e agressiva (Armintage, 1999).
A doença periodontal apresenta um epitélio que sofre alterações (degeneração hidrópica, acantose, espongiose, hiperplasia e exocitose), principalmente, pela presença de um infiltrado inflamatório constante, em sua maioria com células linfocitárias, sendo intenso nos casos de gengivite e periodontite.
Parte das células do sistema imune inato, os mastócitos possuem uma função importante, participando do início da resposta inflamatória, na fase aguda do processo inflamatório advindo do aumento do número de microrganismos presentes no biofilme. Circulantes ou presentes de forma residual nos tecidos, liberam o conteúdo de seus grânulos, atuando ativamente em células e vasos sanguíneos locais (LAGDIVE et al.; 2013; HUANG et
al., 2014). Neste estudo foi observada uma correlação positiva e moderada, mostrando que os
mastócitos aumentam em número no local da injúria e liberam os grânulos no local do estímulo microbiano.
Em estudos prévios, os mastócitos foram detectados em maior número em casos de periodontite em comparação aos tecidos saudáveis, possuindo intensa degranulação, segundo LAGDIVE et al. (2013); HUANG et al. (2014) e POPOVICI et al. (2014). Já no presente estudo, os mastócitos foram encontrados no tecido conjuntivo subjacente ao epitélio e dispersos
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na lâmina própria, não havendo diferença significativa no número de mastócitos, entre os grupos de gengiva clinicamente saudável, gengivite e periodontite, dentro de cada grupo etário. Porém, nos casos de gengivite em idosos, observou-se um maior número de células degranuladas que nos espécimes do grupo dos adultos, o que pode estar relacionado com maior liberação de substâncias bioativas, tendo maior ação nos tecidos gengivais, podendo estar relacionado à destruição local, como afirma Lagdive et al. (2013).
A substâncias vasoativas oriundas dos mastócitos, como a triptase e histamina, atuam sobre as células endoteliais, podendo agir na alteração do calibre vascular ou estimular a angiogênese (ZHOU; AMAR, 2007; HOLZHAUSEN et al., 2011). Neste estudo, foi observado que, quando há um aumento do número de mastócitos, há um aumento na quantidade de vasos sanguíneos, confirmando a conhecida relação entre os mastócitos e as alterações vasculares na doença periodontal.
A angiogênese é estimulada principalmente por citocinas e fatores de crescimento que são liberados nos locais da inflamação, tendo como principais estimuladores o TNF-α, VEGF (A, B, C e D), FGF-2, ANG 1 e PDGFB (KASPRZAK et al., 2012, KASPRZAK et al., 2013, SMITH et al., 2015). Na periodontite crônica e agressiva, há uma maior marcação de vasos sanguíneos imunomarcados pelo VEGF ao comparar com o tecido saudável segundo Artese et
al. (2010).
Corroborando com o estudo anterior, Vladau et al. (2016) estudaram a presença de angiogênese na doença periodontal através da imunomarcação de CD34, Ki-67, VEGF e VEGFR2 em tecido gengival humano. Como resultado, observaram um aumento do número de células imunomarcadas pelas proteínas, evidenciando um aumento do número de vasos sanguíneos no local, e sugerindo a angiogênese ao longo do agravamento da doença periodontal.
Já em Gonçalves, Lourenço e Gurgel (2019), usando o marcador CD34 para vasos sanguíneos na doença periodontal, foi verificada uma diminuição dos vasos sanguíneos nos casos de periodontite em relação à gengivite, supondo que no processo inicial há maior liberação de fatores angiogênicos. No presente estudo, foi observado que, nos adultos, há uma maior quantificação de vasos sanguíneos em comparação com os idosos nos casos de gengivite, o que poderia favorecer a chegada de células inflamatórias atraídas por fatores quimiotáticos liberados por células inflamatórias locais e células do endotélio vascular, auxiliando na resposta.
Além da morfologia habitual dos vasos capilares, com células achatadas, em um endotélio simples, foi observada a presença de vasos com células arredondadas, imunomarcadas
43
com o CD34, sendo identificado como o endotélio vascular alto (HEV). Este possui relação com a migração de células inflamatórias circulantes, sendo identificada com tecido gengival com doença periodontal (KASPRZAK et al., 2013). Em ambos os grupos etários houve a identificação do HEV, mas nos espécimes dos idosos obteve-se uma maior área e perímetro microvascular dos vasos sanguíneos com HEV, não havendo estudos prévios que auxiliem a comparação, podendo ser fonte de estudo para trabalhos futuros.
Elo com o sistema imune adaptativo, as células dendríticas passam por um processo de maturação ao entrar em contato com antígenos, mudando a sua função de célula fagocitária no estado imaturo, para uma apresentadora de antígenos no estado maduro. (HUANG et al., 2011). As células dendríticas imaturas, neste estudo, foram encontradas na lâmina basal e camada granulosa do epitélio, em concordância com Cury et al. (2008). Já em Cury et al. (2013), que avaliaram a presença de DCs imunopositivas para CD1a em tecidos gengivais com diagnóstico de gengivite e periodontite, foi observado que as células CD1a positivas eram localizadas no epitélio oral e na lâmina própria.
Neste estudo, as células dendríticas maduras foram encontradas no tecido epitelial, nas camadas basal e granulosa, bem como no tecido conjuntivo, dispersas pela lâmina própria e subepitelial nos diferentes diagnósticos, comprovando sua presença no tecido gengival. Ainda observou-se um aumento das células imaturas e maduras, de forma concomitante, podendo relacionar ao intenso contato com patógenos e o processo de maturação das células dendríticas imaturas.
Motta et al. (2016) também estudaram a presença das células dendríticas imaturas (CD1a e CD207) e maduras (CD208), em tecidos gengivais com o diagnóstico clínico de periodontite agressiva, periodontite crônica e gengiva saudável. Eles concluíram que as células