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Discussions sur les parasites internes recensés sur les micromammifères à Ain

Dans le document Projet de fin d’études (Page 47-62)

No português brasileiro atual, com a expansão de “você” e “a gente” como pronomes pessoais e com a redução do uso do “tu” e do “vós”, a 3ª pessoa verbal se generaliza176. Quanto mais reduzida é a flexão verbal, mais necessário se faz o uso do sujeito pronominal. Conseqüentemente, o português do Brasil, especialmente o falado, mostra uma tendência marcada à expressão do sujeito pronominal e se aproxima às línguas non-pro-drop, que não permitem o sujeito nulo177.

O espanhol, pelo contrário, permite o parâmetro do sujeito nulo e pode ser considerado uma língua pro-drop178. De acordo com LUJÁN (2000, p. 1277-1283), nessas línguas, são as próprias desinências verbais, uma diferente para cada pessoa gramatical, as que desempenham o papel dos pronomes sujeito nas línguas non-pro-drop, como o inglês ou o francês. A expressão (frente à omissão habitual) do pronome em espanhol não é pleonástica ou opcional; está condicionada por regras semântico-pragmáticas e pode ter diferentes valores: mudança de sujeito (referência disjuntiva/contrastiva), marca de ênfase, estratégia de desambiguação (disambiguation), ou pronome relativo179.

Conseqüentemente, em contato com o português, o espanhol dos imigrantes começa a perder essas restrições semântico-pragmáticas e observa-se no corpus uma maior ocorrência de pronomes sujeito explícitos180, como ocorre no português.

como objeto indireto. Já em espanhol essa frase seria: ¿Dónde está el libro de Luis? –Ya se lo he devuelto, com dois pronomes clíticos, se como objeto indireto (o “para ele” do português) e lo como objeto direto, ausente este em português.

176 Sobre os pronomes em português ver MATTOS E SILVA (2004); PERINI (2002).

177 O português Europeu conserva o parâmetro do sujeito nulo, já que nele não ocorrem essas reduções pronominais.

178 Sobre os pronomes em espanhol ver FERNÁNDEZ FUERTES (2001); LUJÁN (2000).

179 Segundo LUJÁN (2000, p. 1281): “... en las posiciones em que el pronombre tónico parece redundante, en realidad, no lo es. En lo que concierne a su interpretación semântica, este pronombre es equivalente a uma variable ligada por um operador, y se identifica por su significado con un pronombre de relativo. (...) a. Él trabaja demasiado. (...) Él es el que trabaja demasiado”.

180 Existem várias pesquisas que analisam esse mesmo fenômeno no espanhol em contato com o inglês. Assim, o excelente estudo de SILVA-CORVALÁN (1994, cap. 5) e também LAPIDUS; OTHEGUY (2005) e LIPSKI (1996). Por outro lado, ELIZAINCÍN (1995) analisa o uso dos pronomes com entidades inanimadas no espanhol Uruguaio em contato com o português.

Foi realizada uma análise quantitativa preliminar dos pronomes sujeito expressados em extratos de 1000 palavras das entrevistas do corpus. Para estabelecer uma comparação com falantes espanhóis em situação monolíngüe, foi contabilizado o número de pronomes sujeito usados em dois extratos, também de 1000 palavras, do corpus oral COREC181. Os resultados estão recolhidos na tabela 11.

TABELA 11 – NÚMERO DE PRONOMES SUJEITO USADOS POR 1000 PALAVRAS

ENTREVISTAS CORPUS MONOLÍNGÜE

PRONOMES I II III IV V VII VIII X COREC entrevista COREC conversação YO 25 20 22 27 24 19 16 13 3 9 TU 1 4 5 7 2 1 2 2 4 ÉL 1 1 2 4 ELLA 5 5 1 USTED 6 4 1 4 NOSOTROS 2 3 1 1 VOSOTROS ELLOS 1 2 ELLAS 1

FONTE: A autora - Pesquisa de campo

A tabela mostra nas entrevistas um número de pronomes sujeito de primeira pessoa, yo “eu”, que, se comparado com os corpora monolíngües, é consideravelmente elevado. A média de pronomes yo usados nas entrevistas é de 20, frente a 6 nas amostras do COREC. Também se observa um aumento do uso dos pronomes de terceira pessoa, especialmente do singular, él “ele” e ella “ela”; nos extratos das entrevistas aparecem estes 19 vezes, mas nenhuma no COREC.

Segundo SILVA-CORVALÁN (1994, p.163), a maior porcentagem de expressão do pronome yo é comum em outras variedades de espanhol sem contato ou monolíngües. Na sua opinião, poderia ser explicado como “conseqüência da natureza egocêntrica da comunicação verbal”182.

Embora esta análise não seja exaustiva, a maior freqüência dos pronomes é um indício de mudança nos padrões de uso destes, que implica uma certa convergência na direção dos padrões do português brasileiro. Essa modificação, como as observadas por SILVA- CORVALÁN (1995, p.10), não produz estruturas agramaticais. Trata-se, portanto, de interferências relativamente diferentes das observadas no nível léxico, no qual se produzia a

181 Tanto na entrevista do COREC, como na conversação, intervêm dois falantes. 182 “... a consequence of the egocentric nature of verbal communication ”.

incorporação de elementos ou traços da L2. Neste caso, são transferências indiretas que envolvem “diferentes distribuições de freqüência” (ibid. p. 7).

De acordo com SELIGER (1989, p. 173), o fenômeno que nos ocupa poderia ser interpretado como uma manifestação do Princípio de Redução da Redundância (ing.

redundancy reduction): a regra que determina a expressão/omissão do pronome sujeito no

espanhol é relativamente complexa; conseqüentemente, é substituída pela regra do português (que tende a não permitir o sujeito nulo), formalmente menos complexa e com uma distribuição maior (cf. seção 2.3.1). A seguir, alguns exemplos de sujeitos pronominais das entrevistas183:

(66)-(I-30-2) a lo mejor el programa que tú has firmado es otro programa .. yo exigí que XXX

yo lo máximo que tuviera en español (risos) porque es la forma que yo tengo de . de ... vamos a ver yo sólo tengo contacto…(= talvez o programa que você assinou seja um outro programa

.. eu exigi que XXX eu o máximo que tivesse em espanhol . porque é a forma que eu tenho de . de ... vamos ver eu só tenho contato...).

O uso dos dois primeiros pronomes, tú e yo, está justificado porque indica uma mudança de sujeito. Os outros três pronomes yo são correferentes (coreferencial) ao sujeito das frases precedentes e, muito provavelmente, não teriam sido expressados por um falante monolingüe (igual em c).

(67)-(I-172) él trajo libros y entonces él me ponía: clases…(= ele trouxe livros e então ele me passava aulas...).

O primeiro él poderia ser explicado como marca de ênfase, mas o segundo é correferente ao sujeito precedente e, portanto, claramente omitível.

(68)-(IV-141) ellas quieren que yo lea . que yo escriba . que yo tenga mi actividad mental…(= elas querem que eu leia . que eu escreva . que eu tenha a minha atividade mental...).

(69)-(VII-141-2) él no tenía hijos . él era español . aquel aquel señor era español . él

comenzó la vida descargando sacos…(= ele não tinha filhos . ele era espanhol . aquele aquele

senhor era espanhol . ele começou a vida descarregando sacos...).

183 Nos exemplos aparecem sublinhados os pronomes que são considerados omitíveis.

(70)-(X-291) cuando yo llegué aquí yo empezaba a …(= quando eu cheguei aqui eu começava...).

De novo nos exemplos (69) e (70), trata-se de casos de correferencialidade que não demandam em espanhol a expressão do sujeito pronominal ou completo.

(71)-(VIII-255-6) porque él se mueve . él camina . él camina (= porque ele mexe, se desloca . ele caminha . ele caminha).

(72)-(III-67) a ver si yo tengo una foto … (= deixa ver se eu tenho uma foto...).

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