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Discussion

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Segundo Gil (2010), a pesquisa é o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa se desenvolve com a utilização de planejamento, métodos, técnicas e outros procedimentos científicos ao longo de um processo que envolveu inúmeras fases até a apresentação dos resultados finais de acordo com os objetivos traçados (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Considerando os objetivos da tese, o método de pesquisa utilizado para desenvolver o modelo proposto foi a Pesquisa-ação. A Pesquisa- ação é uma metodologia de base empírica, aplicada para conduzir intervenção, desenvolvimento e mudança no âmbito de grupos, organizações e comunidades de pratica (GIL, 2010). Ela utiliza técnicas de pesquisa consolidadas para desenvolver ações para melhorar práticas de certos grupos (TRIPP, 2005); no caso do presente trabalho, as práticas dos provedores de serviços de software.

A Pesquisa-ação tem características situacionais, pois procura identificar problemas específicos em situações específicas com a finalidade de atingir um resultado prático (GIL, 2010). Segundo Tripp (2005), as técnicas utilizadas na Pesquisa-ação variam de acordo com o problema e o cenário que se quer atender. Nesse sentido, é necessário que as técnicas de pesquisa atendam a critérios comuns a outros tipos de pesquisa acadêmica, como fazer uma revisão pelos pares quanto a procedimentos, relevância, originalidade, etc.

A Pesquisa-ação utiliza um conjunto de etapas bem definidas, ilustradas na Figura 2. A denominação das etapas do ciclo de atividades da Pesquisa-ação pode apresentar variações de autor para autor (TRIPP, 2005). A pesquisa passa pela identificação do problema, o planejamento de uma solução, sua implementação, e a avaliação de solução proposta. A fase de planejamento e pesquisa inicia por uma exploração do tema-objeto da pesquisa. Esta atividade consiste de uma imersão na literatura sobre o tema, bem como contatos e/ou observações do grupo para o qual se pretende implementar melhorias de práticas (GIL, 2010). A partir dessa

etapa, e uma vez identificado o problema de pesquisa, se procede à etapa de implementação de modificações. Nessa etapa se propõe melhorias em práticas que possam sanar ou melhorar as dificuldades encontradas pelo grupo estudado (TRIPP, 2005). As mudanças são descritas e posteriormente avaliadas pelo grupo ligado ao objeto da pesquisa (por meio de entrevistas, seminários, questionários, etc). Tomando como base as respostas da avaliação feita pelo grupo, se inicia outros ciclos de Pesquisa-ação, planejando-se novas etapas da pesquisa para identificar e corrigir problemas que persistirem.

Figura 2 –Quatro fases básicas do ciclo da Pesquisa-ação.

Fonte: Tripp (2005).

Importante ressaltar que na Pesquisa-ação ocorre um constante avanço e retrocesso nas fases, podendo o processo ocorrer em ciclos, dependendo da dinâmica determinada dos pesquisadores e a situação pesquisada (GIL, 2010 ). Assim, não é obrigatório seguir a ordem dessas etapas, mostrada na figura 2. Por isso, o que é possível apresentar alguns conjuntos de ações que, embora não totalmente ordenados no tempo, podem ser considerados etapas da Pesquisa-ação (GIL, 2010 ).

O presente trabalho se enquadra como Pesquisa-ação, propondo um modelo para resolver um problema específico com base em conhecimentos já existentes e práticas das empresas em que se pretende aplicar o modelo.

Uma amostra desse grupo de empresas participou em determinados momentos de avaliações do trabalho desenvolvido. Seguindo a metodologia da Pesquisa-ação, durante os processos de avaliação do

trabalho o feedback desse grupo foi analisado, originando melhorias introduzidas no modelo a partir de novas rodadas de pesquisa sistemática. Nesta linha, o modelo foi construído desde o início de forma iterativa com a colaboração de empresas do setor que o modelo procura atender. O planejamento da pesquisa foi guiado para a descoberta, análise e composição dos artefatos conceituais necessários tendo em vista o seu objetivo, que foi o da concepção (e posterior avaliação) do modelo de inovação colaborativa.

Importante ainda ressaltar que em relação a abordagem do problema, uma pesquisa pode ser enquadrada como qualitativa ou quantitativa (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Este trabalho de tese enquadra-se como sendo qualitativo, através de um modelo constituído por artefatos conceituais, não baseado em modelos matemáticos, embora indicadores quantitativos possam ser aplicados na aferição das consequências da aplicação do modelo de inovação colaborativa proposto.

2.2 PROCEDIMENTOS PARA ELABORAÇÃO DO MODELO

Dado o enquadramento metodológico da pesquisa, uma variação de procedimentos de pesquisa foi aplicada, combinando, em diferentes etapas do projeto, a pesquisa bibliográfica, a experimentação do modelo com base em alguns casos, e participante quando do envolvimento de empresas-usuárias em algumas das etapas da pesquisa.

Seguindo o ciclo de Pesquisa-ação, foram planejadas revisões sistemáticas de literatura visando atender ao problema de pesquisa e o cenário em que o modelo deveria atuar. Após compilado os resultados das revisões, se efetuava mudanças e adequações ao modelo proposto. Cenários hipotéticos de funcionamento do modelo foram montados para fins de verificação. O resultado era apresentado ao grupo de empresas (com especialistas na área e usuários finais do modelo) que avaliavam o modelo. Com base na resposta do grupo, novos ciclos de melhoria eram planejados.

O trabalho foi apoiado fundamentalmente por uma revisão sistemática da literatura (SLR) (KITCHENHAM et al., 2009) em repositórios reconhecidos de artigos científicos. A procura de artigos focou nos temas de software, SOA, inovação, Redes Colaborativas de Organizações e MPMEs. Complementarmente, alguns artigos recomendados por especialistas e via pesquisas mais focadas ad-hoc (em sites como Google Scholar, por exemplo) foram utilizados. Considerando-se que há muitos projetos de pesquisa que têm pesquisado

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