Manchini, Pedrotti e Krug (2018) alertam sobre a necessidade de fomento não apenas de disciplinas e extensão na formação discente, mas apontam também a pesquisa como ferramenta formativa a ser utilizada durante a graduação. Pensamento semelhante é seguido pelos docentes que admitem a pesquisa como via de formação e abordagem dos conteúdos da SC dentro dos cursos de EF. Nesta linha de atuação, é reforçada a necessidade de se trabalhar em conjunto, fomentando espaços de diálogo entre docentes e discentes nesta movimentação científica.
A nossa pesquisa ela é muito forte também, a área da... O nosso núcleo de pesquisa. Então os professores junto com os alunos, junto com os alunos, o que é importante (Entrevista 14).
Os mesmos autores apontam ainda vantagens de estimular a pesquisa durante a formação inicial, cujas vantagens, entre outras, seriam: acréscimo do conhecimento científico, aprendizado e preparo para a formação continuada, melhora na atuação profissional, melhora do currículo, facilitação para ingresso em programas de pós-graduação e/ou na universidade como docente, facilitação da identificação e definição da área de atuação etc.. (MANCHINI; PEDROTTI; KRUG, 2018).
Segundo Almeida et al. (2017), a pesquisa científica vem ganhando seu espaço no ambiente universitário, possibilitando a aquisição de conhecimentos teóricos e práticos, baseado na ideia de que a graduação deve produzir ciência e derivar dela, tendo a pesquisa científica como critério de qualidade curricular e acadêmica.
Cotejando a interlocução entre EF e SC, as pesquisas em atividade física e saúde vêm crescendo no Brasil desde os anos 90, quando a AF passa a ser definida como uma das prioridades da pesquisa em saúde pública. Desde o ano 2000, essa área de estudo vem apresentando maiores níveis de produção e galgando relevância na produção científica mundial, principalmente quando falamos de países de baixa e média renda (NAHAS; GARCIA, 2010; SILVA et al., 2014).
Contudo, ainda existe muita discrepância na distribuição territorial da produção destes conhecimentos no âmbito nacional, sendo prementes: um maior investimento em realização de congressos da área em regiões menos tradicionais na produção científica; o fomento a encontros regionais; a criação de centros de pesquisa e de projetos; e o incentivo de pesquisadores que trabalhem esta temática nas mais variadas localidades do país (SILVA et al., 2014).
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A justificativa para a realização de pesquisas sobre EF e Saúde fundamenta-se na concepção de que, para uma atuação efetiva e resolutiva em saúde deste profissional, os conhecimentos inerentes à área devem ser fomentados e divulgados. Cabe aos pesquisadores tornarem os resultados de seus estudos acessíveis aos profissionais da saúde e ao público em geral, de modo tal que estes contribuam para a elaboração de orientações, recomendações e políticas públicas na área de atividade física e saúde baseadas em evidências (NAHAS; GARCIA, 2010).
Se não, vejamos com Nahas e Garcia (2010, p. 136):
[...] a pesquisa em Educação Física (e na área de atividade física e saúde): a) justifica-se pela necessidade de contribuir com o desenvolvimento humano pleno; b) deve subsidiar o trabalho do profissional em Educação Física; c) auxilia na definição da identidade própria da área; e d) possibilita a interação com outras disciplinas. Admitindo isso como princípio, reforça-se a ampliação das pesquisas realizadas pela EF acerca da área da SC, investigando, dentre outras coisas, as bases de atuação deste profissional com o objeto da saúde nos seus cenários de prática (NEVES; ASSUMPÇÃO, 2017). Este adendo se dá pelo fato de que, pelo P/PEF ainda ter um engajamento incipiente nas intervenções em saúde quando comparado às outras áreas de atuação, isso pode acabar por refletir numa produção insuficiente desta temática (COSTA et al., 2012; SILVA et al., 2014), gerando desconhecimento desta realidade por parte dos demais profissionais.
Isto dito, os docentes apontam a existência de grupos de estudos que possuem linhas de pesquisa na temática saúde, contribuindo assim para uma formação em saúde mais completa.
[...] eu sei que por estar tá aqui dentro, que muitos conceitos poderiam ser passados para os alunos, e isso eu tento fazer com meu grupo de estudo. Então eu tenho um grupo de estudo, com um eixo da promoção da saúde para crianças e adolescentes. Aí sim os alunos além de se aproximar dos conceitos, como te falei antes, da epidemiologia, da área da saúde, da promoção da saúde, uma formação multidisciplinar, [...] (Entrevista 8).
Contudo, reforça-se a ampliação de tais grupos, de forma a contemplar outros aspectos da saúde e da SC e até mesmo da atuação em saúde do P/PEF. Uma problemática levantada pelos respondentes é a ausência de docentes pesquisadores que trabalhem especificamente esse assunto nos cursos de graduação em EF, o que torna tal articulação fragilizada e as pesquisas insuficientemente aprofundadas como se prevê para uma formação de nível superior.
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Só que aí a pesquisa ela é muito relacionada ao campo de formação do Professor de Educação Física. A gente aqui tem gente formada em fisiologia, em educação, em nutrição, então são professores que tem intervenção em diversas áreas (Entrevista 4). Pasquim (2010) destaca que a presença de núcleos/grupos de pesquisa nas universidades tem a capacidade de desenvolver um ensino livre, porém, a não obrigatoriedade de inserção neste tipo de atividade curricular evita grandes engajamentos, o que não gera mudanças na formação.
O ato de pesquisa deve ser desenvolvido, assim, nas universidades de modo tal que o discente obtenha maior domínio do campo específico em que pretende atuar. Entretanto, muitos discentes ainda encontram dificuldades em realizarem atividades de pesquisa por não terem tido um contato anterior com a atividade e por desconhecerem as vantagens de se realizar tais intervenções durante a graduação (AMARAL, 2010).
Isso fundamenta, nos respondentes, a necessidade de haver um maior incentivo por parte do próprio núcleo docente para trazer este aluno para os campos de pesquisa em saúde.
Então o professor que faz pesquisa nessa área, que é profissional de Educação Física, ele deveria sim tentar levar o aluno da Educação Física para esse campo de intervenção (Entrevista 4).
Vista a importância da pesquisa na formação profissional, cabe então à universidade e aos seus professores fomentarem melhores oportunidades de engajamento dos discentes em tais atividades e o esclarecimento das vantagens formativas associadas a esta prática (MANCHINI; PEDROTTI; KRUG, 2018).