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Discussion

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3.5 Conclusion

3.5.2 Discussion

COUTO, citado por MERINO ( 1996 ) afirma que de acordo com a Biomecânica, não existem limites para o ser humano com relação ao transporte e movimentação de materiais, desde que utilizados os equipamentos, ferramentas e postura adequados ao trabalho a ser executado.

A questão levantada pelo autor não é um questionamento com relação a atividade de manuseio e movimentação de materiais, mas sim, como este trabalho tem sido executado, se está dentro dos limites normais de tolerância, ou se está sobrecarregando uma parte do corpo, podendo provocar lesões e outras formas de desconforto.

No Brasil, de acordo com MERINO ( 1996 ), a legislação não é específica, estipulando em 60 ( Kg) o peso máximo que um trabalhador deve manusear em uma atividade laboral, porém não esclarecendo em que condições e com

que freqüência isto pode ocorrer em uma jornada diária. Ocorrem casos em que o trabalhador manuseia uma carga de 10 a 15 Kg e mesmo assim, tem apresentado problemas de lesões, hérnia de disco e outros relacionados à movimentação de cargas.

MERINO ( 1996 ) apresenta como uma metodologia de avaliação simples e eficaz para determinar a carga limite a ser manuseada e movimentada por um trabalhador, o método NIOSH. O autor relata históricamente que o método foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1980 pelo National Institute for Ocupational Safety and Health – NIOSH, através da reunião de um grupo de pesquisadores.

Segundo o autor, o método NIOSH, leva em consideração quatro aspectos básicos:

?? epidemiológico: que é o estudo das doenças, sua incidência e prevalência, efeitos e os meios para sua prevenção ou tratamento;

?? psicológico: que considera o comportamento humano numa determinada situação.

?? biomecânico: que estuda as estruturas e funções dos sistemas biológicos, usando conceitos, métodos e as leis da mecânica.

?? fisiológico: que estuda as funções do organismo vivo.

Ainda segundo MERINO ( 1996 ) o método NIOSH, foi revisto em 1992 e estabelecido do Limite de Peso Recomendado ( L.P.R ) em 23 Kg e o Índice de Levantamento ( I.L ) como sendo 1.0 ( situação segura ), 1.0 a 2.0 ( situação de risco ) e maior que 2.0 ( situação indesejável ).

MERINO ( 1996 ) destaca que o estabelecimento do peso de 23 Kg como Limite de Peso Recomendado, levou em consideração que este é o peso que mais de 90% dos homens e mais de 75% das mulheres podem levantar sem nenhum problema.

Na atividade de levantamento e transporte de materiais com peso acima de 23 kg, DUL e WEERDMEESTER (1995) destacam que o ritmo do trabalho seja determinado pelo próprio trabalhador e recomenda que o operador procure: manter a carga próxima ao corpo, não deixar a carga no solo, preferencialmente que ela esteja a uma altura mínima de 75 cm do solo, o

deslocamento vertical de peso não deve exceder 25 cm, o peso deve ser segurado com as duas mãos.

MERINO ( 1996, p.146 ) conclui em seu trabalho que “a organização do trabalho é um ponto importante que não deve ser negligenciado em qualquer avaliação de uma atividade de trabalho. Ela contém pontos relevantes, e sua má aplicação repercute de forma direta nos trabalhadores e na própria produção”.

Em IIDA (1990), THURMAN et al (1992), MERINO (1996) e GRANDJEAN (1998), podem ser encontradas outras recomendações que complementam as informações de DUL e WEERDMEESTER (1995) para o transporte e movimentação de pesos acima de 23 Kg. São idéias práticas e de fácil aplicação para as pequenas empresas industriais:

?? Manter a coluna reta e usar a musculatura das pernas; ?? Deixar a carga o mais próximo do corpo;

?? Procurar deixar as cargas simétricas;

?? Manter a carga acima do solo, entre 40 a 75 cm, caso esteja abaixo dessa altura, procurar levantá-la em duas etapas utilizando uma plataforma ou guincho. Quando o levantamento da carga começa na altura do joelho isto facilita a tarefa e diminui o esforço físico;

?? Evitar a torção do tronco durante o levantamento;

?? Utilizar meios auxiliares, como luvas, ganchos, cordas, correias, guinchos, alças, furos de encaixe, macacos, rampas e outros dispositivos, conforme exemplos apresentados nas Figuras 20 e 21; ?? Evitar segurar o peso apenas com uma das mãos;

?? deslocamento máximo na vertical deve ser de 25 cm; ?? Procurar trabalhar em equipe;

?? Preparar técnicamente os supervisores e encarregados para orientar os trabalhadores com relação as tarefas de manuseio e movimentação de materiais;

?? Avaliação das condições do local: antes de movimentar uma carga deve-se observar o caminho a ser percorrido, com a finalidade de evitar tropeções e escorregões quando se transporta a carga.

Figura 20 - Use canga para carregar pesos

Fonte: THURMAN, J.E.; et al. 1992, p. 23.

“Outra maneira bastante prática de minimizar o esforço no levantamento e transporte de cargas são dispositivos de movimentação, como carrinhos, guinchos, guindastes, talhas, paus de carga e outros, procurando, no transporte manual de cargas, utilizar métodos que aliviem o esforço humano” (DUL e WEERDMEESTER, 1995, p.45), conforme apresentado na Figura 21.

Figura 21 - Tipos mais comuns de carrinhos para movimentação de

materiais

Para DUL e WEERDMEESTER (1995), é importante planejar um posto de trabalho destinado ao trabalho pesado, sendo que, as bancadas, prateleiras e máquinas devem seguir todas as recomendações anteriores, além de possibilitar um espaço adequado para os pés e pernas que permitam uma postura estável e firme.

IIDA (1990) também recomenda o cuidado com o dimensionamento do posto de trabalho, lembrando que tanto no alcance horizontal, como no alcance vertical os braços têm pouca resistência para manter cargas estáticas, sendo recomendável um tempo de trabalho entre 1 e 2 minutos. Também ressalta que no planejamento dos postos de trabalho devem ser evitadas situações em que um dos braços fica segurando a peça para a outra executar a operação requerida (observável em abatedouros de aves).

Para cargas manuseadas no posto de trabalho, THURMAN et al (1992) coloca a necessidade de que os materiais a serem utilizados no processo produtivo fiquem na altura do plano de trabalho, o que pode ser conseguido através de um sistema de esteira onde as peças são movidas por gravidade ou manualmente ou ainda bancadas móveis, suportes para montagem de peças, motores ou outros que exijam uma pré-montagem.

Complementando as recomendações acima, DUL e WEERDMEESTER (1995) salientam a importância de que o piso utilizado deve seja duro, sem depressões ou desníveis, facilitando a movimentação de carrinhos, suportes móveis, para amenizar o esforço humano.

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