IV. DISCUSSION
IV.1. Discussion sur le matériel et les méthodes
Os processos de logística inversa têm trazido consideráveis retornos às empresas. O reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens sob a forma de subprodutos (casco), têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas e esforços no desenvolvimento e melhoria nos processos de logística inversa, transformando materiais
(inutilizados à partida, mas de impacto ambiental significativo) em matéria-prima, reduzindo assim, os custos para a empresa, para o ambiente e para a sociedade.
O contrário também pode acontecer. Isto é, materiais que voltam aos seus centros produtivos devido às falhas na produção, pedidos satisfeitos em desacordo com aquilo que o cliente queria (qualidade/quantidade), troca de embalagens (erro no destinatário, enganos documentais), etc.. Este tipo de processo inverso na logística acarreta custos adicionais, muitas vezes incomportáveis para as empresas, uma vez que processos como armazenagem, separação, distribuição, são realizados de forma duplicada e, assim como os processos, os custos também resultam duplicados.
A logística inversa, tratando dos aspetos de retorno de produtos, embalagens ou materiais a um centro produtivo, revela-se tema extremamente atual, ainda que esse processo já fosse observável há alguns anos nas indústrias de bebidas, com a reutilização de vasilhame pelo consumidor atá ao fim do seu ciclo de vida. Esse processo era contínuo e praticamente acabou a partir do momento em que as embalagens passaram a “não reutilizáveis”. Contudo, as empresas, incentivadas por requisitos ligados à gestão ambiental (ISO 14000), começaram a reciclar materiais e embalagens rejeitáveis, como latas de alumínio, garrafas plásticas e caixas de papelão, entre outras, que passaram a ser consideradas matéria-prima e não lixo. Assim, pode ver-se a logística inversa no processo de reciclagem, uma vez que esses materiais voltam a diferentes centros produtivos sob a forma (valorativa) de matéria- prima.
O fim do estatuto de resíduo, aplicado ao casco tratado, veio «alterar» o conceito de reciclagem, a qual deixa de ser a operação de entrada do casco tratado no forno de vidro e passa a ser a própria operação de limpeza do vidro. Ou seja: só existe reciclagem se houver limpeza do casco de vidro quando tal casco se destina a entrar num forno de fusão8. Poder- se-á concluir, por mera exclusão, que todos os outros cascos são considerados subprodutos. A logística inversa pode ser dividida em duas áreas genéricas, dependendo se o fluxo inverso compreende principalmente o produto ou a embalagem. O produto pode estar na abrangência do fluxo inverso por diferentes razões, tal como a remanufactura ou recondicionamento incide sobre uma devolução do cliente. Já os fluxos de embalagens incidem sobre retornáveis (ex.: paletes ou caixas de plástico) porque são reutilizáveis ou porque a legislação é restritiva e a sua eliminação está limitada/proibida. Ambos (produto e embalagem) podem ser reciclados ou depositados em aterro, mas podem também ser reutilizados (Rogers et al., 2001).
8 European Council
A tabela seguinte considera as atividades fulcrais na gestão da logística inversa pelo lado do produto e da embalagem.
Tabela 2.5: Atividades comuns da logística inversa, adaptado (Rogers & Tibben-Lembke, 2001) LOGÍSTICA INVERSA Materiais Atividades Produto Devolução ao fornecedor Revenda
Venda (regime outlet) Venda (salvados) Recondicionamento Remodelação Refabricação
Recuperação (por reclamação) Reciclagem
Doação
Deposição (em aterro)
Embalagem
Reutilização Remodelação
Recuperação (por reclamação) Reciclagem
Venda (salvados) Deposição (em aterro)
Tem-se que os processos de logística inversa devem ser focalizados em cinco objetivos principais:
1. Contratos de compra
Implica a seleção, validação e avaliação de fornecedores e compras de matérias- primas, componentes, materiais de embalagem, acondicionamento, embalagem e serviços que correspondam a pré-requisitos de sustentabilidade.
2. Redução
Implica a redução de matérias de 1ª. geração, podendo ser conseguido através de: i. atividades de engenharia de produto
ii. incremento das competências dos recursos humanos na avaliação das atividades de reutilização de materiais excedentes, de materiais reciclados, gestão da preferência da origem, escolha de contentores, processos de acondicionamento e embalagem, recurso a embalagens de tara perdida e recicláveis, para além de promover a consciencialização e cultura do "retorno".
3. Reciclagem Implica:
i. desenvolver políticas de reciclagem, respeitando normas de desempenho e dos produtos
ii. usar materiais reciclados de origem e recicláveis
iii. explorar as inovações tecnológicas que permitam o uso de materiais reciclados
iv. desenvolver estudos aprofundados para reduzir a incorporação de matérias- primas “virgens”.
4. Substituição de materiais
Consiste no incremento inovador sobre os processos de reciclagem em ordem à promoção da substituição de materiais, nomeadamente do mais pesado por mais leve, com desempenho igual ou superior (ex.: substituição do metal pelo plástico na indústria automóvel).
5. Gestão de resíduos
A avaliação da taxa de desperdício na utilização dos materiais deve fazer parte da política de aprovisionamento. A gestão de resíduos é tida como de custo considerável. A política de aceitação de amostras deve ser igualmente considerada, se as exigências de gestão dos seus resíduos, ou a sua simples rejeição, forem dispendiosas.
Endogeneizados esses objetivos no processo da logística inversa, deverá ser visto por toda e qualquer empresa como filosofia de gestão que congregue ao seu redor (face aos fatores referidos e à realidade da globalização), a necessidade e importância de implementar estrategicamente sistemas de logística inversa. A sustentação de um modelo de negócio num ambiente cada vez mais global, não passa – em regra – pelo aumento do preço do produto, mas quase sempre pela redução de custos. A implementação de sistemas, como ferramentas de gestão nas empresas, visa a consecução de uma filosofia do “mais e melhor. A gestão da qualidade, por exemplo, há muito que se fixou num standard para a gestão de custos (IPQ, 1994), aplicável a um outro qualquer sistema.
Tabela 2.6: Exemplo de custos na logística inversa, adaptado (Bernon & Cullen, 2007; Cullen et al., 2010)
Tipo de custos Abrangência na LI
Custos de prevenção Formação e treino do pessoal na redução de devoluções do cliente Custos de avaliação Controlo minimizando devoluções das checklists dos processos, Custos de falhas internas Espaço de armazém alocado para retornos de lojas, cujo produto nunca chegou ao cliente. Custos de falhas externas Espaço de armazém alocado às devoluções do cliente
A tabela retro, (Cullen et al., 2010) é tida como simples exemplo de custos na área da logística inversa e funciona como que um tableau de bord da gestão de custos, revelando que os autores bem deveriam conhecer, senão a NP, pelo menos a sua correspondente francesa já bem mais antiga [NF X 50 126 (1986), harmonizada].
Referem os autores que os custos de falhas identificados são particularmente importantes pelo lado do “custo da oportunidade” (os espaços devem estar sempre disponíveis para o “bom stock”).
Segundo a norma acima identificada, muitos outros custos são passíveis de serem relacionados com a gestão da logística inversa, de que se ressalta o que referencial normativo indica para o caso das falhas externas: custos resultantes da incapacidade de um produto ou serviço em satisfazer as exigências da qualidade após o seu fornecimento, por exemplo: serviços ligados aos produtos, garantias, devoluções, custos diretos e indeminizações, substituições, responsabilidades.