• Aucun résultat trouvé

Discussion des processus de transferts de fluides ` a proxi- proxi-mit´ e des fracturesproxi-mit´e des fractures

A adolescência se configura como uma fase do desenvolvimento humano, caracterizada pela passagem da infância à vida adulta (juventude). Nessa fase o sujeito busca independência, por vezes de forma agressiva e com personalidade forte em seus conceitos. Observa-se, também, uma crescente consciência e conhecimento do “eu”, o que gera uma adaptação progressiva com o núcleo social da família, da escola e da comunidade em geral. Diante da complexidade do desenvolvimento humano, nessa fase os adolescentes processam mudanças biológicas, físicas e psicológicas que, na maioria das vezes, não são respeitadas pelo adulto que, de forma cultural, sociológica e histórica mantém a tradição de educar.

Neste sentido, percebe-se que a fase da adolescência precisa ser estudada e analisada em suas especificidades, uma vez que se trata de um conceito novo em relação à história civilizatória. Deve, portanto, ser uma condição singular a partir das características que formam o adolescente, sendo que cada caso possui suas especificidades, como se pode observar a seguir:

É embrionária a inserção histórica e social do termo “adolescente” na sociedade, pois somente no século XX começou a ser usado a fim de conceituar um período do desenvolvimento humano entre infância e idade adulta, que engloba desde a puberdade ao completo desenvolvimento do organismo. Trata-se de uma fase de alterações físicas e mentais que não ocorrem apenas no próprio adolescente, mas também relativamente ao seu entorno. (MAAS, 2015, pp. 70-71).

O processo civilizatório global, porém, deu pouca atenção à adolescência, pois historicamente o conceito é bastante recente. Assim, tem-se um Estado idealizado e efetivado a partir das concepções adultas, enquanto esse grupo passa a participar da sociedade de forma ativa na política, na economia e, recentemente, também no social. No caso específico do Brasil, a sociedade não percebe os adolescentes com “bons olhos”, e acaba naturalizando estigmas, criando, assim, um determinismo cultural, um discurso psicologizado que, por sua vez, naturaliza as condições dos adolescentes.

Diante desses aspectos, a fase da adolescência se encontra vitimizada pela sociedade, devido, principalmente, às suas tempestividades emocionais, psicológicas e intelectuais, além de tensões e conflitos que, às vezes, são apresentadas nos meios sociais como uma forma de pedido de socorro, de romper uma ordem institucionalizada que culturalmente se encontra estática. Romper com este modelo paradigmático, contudo, é necessário para a harmonia

social, mas grande parte da sociedade está insensível aos apelos de um segmento populacional bem significativo. Neste sentido, Deborah Fernandes Carvalho (2012, p. 48) observa que:

Essa tendência justifica, ainda, a presença e a expressividade da criança e dos adolescentes na esfera midiática. Nas últimas décadas, pode-se notar um aumento nas ofertas de comunicação dirigidas a esse público, incluindo muitos programas e filmes infantis. Além disso, tanto a programação dirigida ao público adulto ganha elementos que atraem esse segmento, quanto as propagandas dirigidas à criança e aos adolescentes proliferam na mídia. A publicidade reconhece a criança na sua condição de consumidor atual, com poder de decisão sobre a compra de artigos infantis, de consumidor do futuro, sendo atraído hoje em um processo de fidelização e seu poder de influência sobre itens de consumo de toda a família. Já o adolescente é visto, além dos atributos citados às crianças, pelo seu valor aspiracional, tanto dos mais novos, que querem imitar os um pouco mais velhos, quanto dos adultos, na busca de parecerem mais jovens, ​cools​ e “antenados”, exige a atual sociedade. Diante desse paradigma, a sociedade brasileira paga um preço alto pela forma de tratar, governar, olhar, refletir, jurisdicionar e tomar medidas eficazes pelos adolescentes. A sociedade Ocidental moderna e capitalista vive em função das necessidades geradas pela cadeia de produção e consumo. Os adolescentes, consequentemente, constituem um quarto dessa sociedade, e se tornam integrantes dessa cadeia.

A atual sociedade tem o consumo como valor mais característico e supremo para uma vida feliz, e considera os adolescentes como potenciais consumidores. Cada dia que se passa, porém, fica mais evidente que consumir não traz felicidade (BAUMAN, 2008).

Nesse contexto, o mercado oferece produtos que atentam adolescentes e jovens a adotarem padrões de consumo cada vez mais normatizados, os quais se renovam a uma velocidade extrema. Isso levou ao desenvolvimento de uma estratégia de ​marketing extremamente agressiva que procura impor tal padrão de consumo. Vive-se, dessa forma, em uma sociedade utópica onde o consumismo se tornou sinônimo de felicidade. O processo de exclusão do mercado institucionaliza a violência do “ter”, fazendo com que os adolescentes, muitas vezes, atuem de forma ilícita, praticando o roubo, furto, tráfico de drogas, latrocínios, etc.

Adolescentes ricos e pobres apresentam diferenças substanciais entre si, especialmente quanto à vivência. Nas camadas pobres, os adolescentes são agredidos pela estrutura econômica, vivenciando formas muito diferentes daquelas apregoadas culturalmente como

ideais e desejadas. Convivem, assim, com o trabalho precoce, a pobreza, a violência, o despreparo familiar e social, além de tantos outros problemas, submetendo-se a formas cruéis de perda da infância e da adolescência, bem como a entrada prematura na vida adulta. Já em grupos privilegiados, a adolescência se prolonga por mais tempo, permitindo uma formação educacional e aspirações de uma carreira profissional.

Também se observa a influência da violência urbana que promove restrições, ou seja, um “engaiolamento espacial” dos adolescentes, principalmente de grupos privilegiados que restringem o direito de ir e vir, permanecendo ilhados nas escolas e nos ambientes familiares, incidindo nos limites de liberdade e promovendo uma fragilidade psíquica. Como consequência, surgem adultos fragilizados, sem muita determinação e com falta de convivência com os diferentes grupos, distanciados de uma realidade social. Esta é, muitas vezes, a realidade brasileira, de onde surgem os mandatários e administradores do Estado nos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e de grandes corporações.

Os adolescentes não se conectam apenas a um momento particular do estado de desenvolvimento de um corpo, mas mantêm conexões profundas com certas formas de sociabilidade, de organização social, de vinculações afetivas, com espacialização da cidade, com a vida urbana, com produções culturais, propaganda, presença da meios de comunicações sociais e jogos eletrônicos, com instituições sociais e tantos outros órgãos vinculados à sociedade. Assim, os adolescentes, como agentes transformadores, por meio da transgressão e não aceitação de um mundo pré-estabelecido, conflitam contra determinados valores, estigmas, preconceitos e tradições que lhes são impostos. Isso, porém, não significa, necessariamente, que este adolescente está doente ou que está atravessando uma crise psicológica. Trata-se de fenômenos naturais, passagem de atitudes de simples expectador para uma posição ativa, questionadora, e que vai gerar revisão, autocrítica e transformação, sendo fundamental para a formação de sua própria personalidade.

Leila Maria Ferreira Salles (2005, p. 35) afirma nesse sentido que:

A identidade da criança e do adolescente é construída hoje numa cultura caracterizada pela existência de uma indústria da informação, de bens culturais, de lazer e de consumo onde a ênfase está no presente, na velocidade, no cotidiano, no

aqui e no agora, e na busca do prazer imediato. A subjetividade é, então, construída no comigo mesmo, na relação com o outro e num tempo e num espaço social específicos.

Neste sentido, a história de vida dos adolescentes, embora seja simples, não é um processo independente da sociedade em geral, pois o social constitui o subjetivo. Os adultos exigem e se fundamentam na concepção de que os adolescentes devem ser disciplinados e responsáveis. Este é, portanto, um período de experimentação de valores, de papéis sociais e de identidade, ou seja, uma fase em que ocorre uma ambiguidade entre ser criança e ser adulto. Assim, a fase da adolescência é tida como conflituosa e de variação de humor, com oscilações de ideias e de planos, período de instabilidade emocional e psicológica não entendida pela sociedade adultizada.

Na complexa sociedade pós-moderna, repleta de contrastes sociais, econômicos, políticos e históricos nunca vistos até então, os sujeitos são influenciados pela ação midiática, pela disponibilidade do conhecimento, pelas redes de fake News, consumo e consumismo desenfreado, em que tudo é descartável, inclusive as relações sociais. Tudo está pronto, acabado, e não exige do sujeito nenhuma criatividade, o “ter” prevalece acima do “ser”, e tudo passa a ser descartável – famílias, pessoas, instituições, valores, princípios... Diante desse contexto, os sujeitos buscam uma identidade de criança, adolescente, jovens, adultos e velhos, cada um com uma história própria que atende a uma subjetividade social. É uma utopia imaginar um novo paradigma social diferente do que os poderes constituídos impõem ao indivíduo e esperar que o mesmo faça diferente do que está sendo feito (MAAS, 2015).

É preciso repensar o modelo de sociedade em que os adolescentes estão inseridos: o que se espera deles? O que se pode oferecer a eles como alternativas às que são postas até então? Como esperar que pratiquem ações de justiça, de igualdade, de dignidade, de paz, de solidariedade, que se faça uma corrente do bem que invada o dia a dia de todos sem nenhuma ou tímidas atitudes da sociedade adulta empoderadas?