CHAPITRE V TETS DE PERFORMANCE ET DISCUSSION DE RESULTATS
5.2 Discussion et perspectives
Nas 200 crianças examinadas foram diagnosticadas 46 dermatoses, que estão listadas no Anexo 7 e por ordem de freqüência na tabela 5.
Na ocasião do exame, 25 crianças não apresentaram doença cutânea (eudermia).
Tabela 5 – Distribuição das crianças por diagnóstico na rede pública e particular DIAGNÓSTICOS POR
FREQÜÊNCIA TOTAL N % N PARTICULAR PARTICULAR % N PÚBLICA PÚBLICA %
Nevos melânicos 71 35,5% 49 24,5% 22 11,0% Acne 44 22,0% 28 14,0% 16 8,0% Pitiríase alba 37 18,5% 8 4,0% 29 14,5% Onicofagia 33 16,5% 18 9,0% 15 7,5% Eudermia 25 12,5% 18 9,0% 7 3,5% Livedo Reticular 23 13% 6 6% 17 17% Pediculose (couro cabeludo) 17 8,5% 0 0,0% 17 8,5% Dermatite seborreica 17 8,5% 6 3,0% 11 5,5% Asteatose 13 6,5% 0 0,0% 13 6,5% Dermatite friccional (membros inferiores) 8 4,0% 0 0,0% 8 4,0% Efélides (face) 7 3,5% 2 1,0% 5 2,5% Estrias 7 3,5% 5 2,5% 2 1,0% Eczemátide 7 3,5% 1 0,5% 6 3,0% Ceratose pilar 6 3,0% 4 2,0% 2 1,0% Dermatite atópica 5 2,5% 2 1,0% 3 1,5% Nevos celulares 4 2,0% 4 2,0% 0 0,0% Neurodermite (membros inferiores) 3 1,5% 0 0,0% 3 1,5%
Onicomicose (pododáctilos) 3 1,5% 2 1,0% 1 0,5% Pseudoacantose nigricans (axilas) 3 1,5% 2 1,0% 1 0,5% Dermatite de contato 3 1,5% 1 0,5% 2 1,0% Hemangioma 3 1,5% 1 0,5% 2 1,0% Queilite actínica 2 1,0% 0 0,0% 2 1,0% Queilite angular
(comissura labial direita) 2 1,0% 0 0,0% 2 1,0%
Tinha dos pés
(pododáctilos) 2 1,0% 1 0,5% 1 0,5%
Verruga filiforme (face) 2 1,0% 1 0,5% 1 0,5%
Cicatriz 2 1,0% 1 0,5% 1 0,5% Ictiose 2 1,0% 0 0,0% 2 1,0% Nevos hipocrômicos 2 1,0% 0 0,0% 2 1,0% Paroníquia 2 1,0% 2 1,0% 0 0,0% Pitiríase versicolor 2 1,0% 1 0,5% 1 0,5% Pitting ungueal 2 1,0% 2 1,0% 0 0,0% Enantema 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0% Escabiose (tronco) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5% Estrófulo (membros inferiores) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5% Grânulos de Fordyce (lábios) 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0% Hiperceratose plantar (pé direito) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5%
Hiperplasia das papilas
linguais 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0%
Língua plicata 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5%
Líquen estriado (região
cervical lateral esquerda) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5% Máculas hipocrômicas cicatriciais (tronco) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5% Molusco contagioso (tronco) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5%
Nevos Rubi (tronco) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5%
Nevos sebáceo de
Jadassohn (face) 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0%
Nódulos subcutâneos por aplicação de insulina
(membros inferiores) 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0%
Onicodistrofia traumática
(haluxes) 1 0,5% 0 0,0% 1 0,5%
Retração (quirodáctilos) 1 0,5% 1 0,5% 0 0,0%
Das 200 crianças avaliadas, 175 (87,5%) apresentaram dermatoses, sendo 82% dessas crianças das escolas particulares e 93% das escolas públicas. A comparação entre os resultados encontrados nas escolas públicas e particulares foi estatisticamente significante, indicando que a prevalência de dermatose foi maior na escola pública (p=0,030) (tabela 6, figura 9).
Tabela 6 – Distribuição das crianças nas escolas públicas e particulares quanto à presença de dermatoses
dermatose Escola particular N (%) escola pública N (%) Total N (%) Sim 82 (82%) 93 (93%) 175 (87,5%) Não 17 (17%) 7 (7%) 25 (12,5%) Total 100 (100%) 100 (100%) 200 (100%) Teste de qui-quadrado: p=0,030 $(% # " - ,
Figura 9 – Representação gráfica da distribuição das crianças nas escolas públicas e particulares quanto à presença de dermatoses
A tabela 7 mostra todos os diagnósticos de dermatose observados, totalizando 354 achados, sendo 152 em crianças da escola particular e 196 em crianças da escola pública.
O teste de Fisher indica que houve diferença estatística significante nos seguintes casos:
− nevos melânicos (p<0,001) (escola particular=24,5% - escola pública=11%) − acne grau II (p=0,004) (escola particular=14% - escola pública=8%)
− pitiríase alba (p<0,001) (escola particular=4% - escola pública=14,5%) − livedo reticular (p=0,025) (escola particular=6% - escola pública=18%) − pediculose (p<0,001) (escola particular=0% - escola pública=8,5%) − asteatose (p<0,001) (escola particular=0% - escola pública=6,5%)
− dermatite friccional (p=0,007) (escola particular=0% - escola pública=4%) Nos casos de nevos melânicos e acne grau II, a proporção de crianças com esses diagnósticos foi maior na escola particular. Nos demais casos (pitiríase alba, livedo reticular, pediculose, asteatose e dermatite friccional), a proporção de crianças com esses diagnósticos foi mais elevada na escola pública.
Os casos de distrofia ungueal por onicofagia, acne grau I, dermatite seborreica, efélides, estrias, ceratose pilar e eczemátide não mostraram diferença significante entre as escolas.
Todas os demais diagnósticos listados na tabela, foram observados numa frequência muito pequena e, portanto, a comparação estatística entre as escolas não foi realizada, sendo apresentadas somente as freqüências em cada caso.
Tabela 7 – Distribuição das crianças nas escolas públicas e particulares com relação às dermatoses encontradas
Escola particular escola pública Dermatoses N % N % p* nevos melânicos 47 47,0 21 21,0 <0,001 pitiríase alba 8 8,0 29 29,0 <0,001
distrofia ungueal (onicofagia) 18 18,0 15 15,0 0,703
Acne grau II 19 19,0 5 5,0 0,004 livedo reticular 6 6,0 17 17,0 0,025 Acne grau I 9 9,0 11 11,0 0,814 dermatite seborreica 6 6,0 11 11,0 0,310 Pediculose 0 0,0 17 17,0 <0,001 Asteatose 0 0,0 13 13,0 <0,001 dermatite friccional 0 0,0 8 8,0 0,007 Efélides 2 2,0 5 5,0 0,445 Estrias 5 5,0 2 2,0 0,445 ceratose pilar 4 4,0 2 2,0 0,683 Eczemátide 1 1,0 5 5,0 0,211 dermatite atópica 2 2,0 3 3,0 - nevos celulares 4 4,0 0 0,0 - dermatite de contato 1 1,0 2 2,0 - Neurodermite 0 0,0 3 3,0 - Onicomicose 2 2,0 1 1,0 - Pseudoacantose nigricans 2 2,0 1 1,0 - hemangioma plano 1 1,0 1 1,0 - ictiose vulgar 0 0,0 2 2,0 - nevos hipocrômico 0 0,0 2 2,0 - Paroníquia 2 2,0 0 0,0 - pitiríase versicolor 1 1,0 1 1,0 - pitting ungueal 2 2,0 0 0,0 - queilite actínica 0 0,0 2 2,0 - queilite angular 0 0,0 2 2,0 - Tinea pedis 1 1,0 1 1,0 - verruga filiforme 1 1,0 1 1,0 -
cicatriz queloideana 1 1,0 0 0,0 - cicatrizes de estrófulo 0 0,0 1 1,0 - eczema numular 0 0,0 1 1,0 - Enantema 1 1,0 0 0,0 - Escabiose 0 0,0 1 1,0 - Estrófulo 0 0,0 1 1,0 - grânulos de Fordyce 1 1,0 0 0,0 - hemangioma tuberoso 0 0,0 1 1,0 - hiperceratose plantar 0 0,0 1 1,0 - ictiose lamelar 0 0,0 1 1,0 -
hipertrofia das papilas linguais 1 1,0 0 0,0 -
língua plicata 0 0,0 1 1,0 - líquen estriado 0 0,0 1 1,0 - máculas hipocrômicas cicatriciais 0 0,0 1 1,0 - molusco contagioso 0 0,0 1 1,0 - nevos rubi 0 0,0 1 1,0 -
nevos sebáceo de Jadassohn 1 1,0 0 0,0 -
nódulos subcutâneos por
aplicação insulina 1 1,0 0 0,0 - onicodistrofia traumática 0 0,0 1 1,0 - Retração 1 1,0 0 0,0 - Telangiectasias 1 1,0 0 0,0 - Total 100 100 100 100 * Teste de Fisher
A figura 10 mostra apenas as dermatoses com diferença estatística significante entre os dois tipos de instituição.
Figura 10 – Representação gráfica da distribuição das crianças quanto às dermatoses que apresentaram diferença estatística significante entre escola pública e particular
Todos os diagnósticos feitos nas crianças examinadas foram agrupados em 4 grupos: dermatoses infecciosas, dermatoses inflamatórias, dermatoses neoplásicas benignas e grupo de mais de uma dermatose. A tabela 8 e a figura 11 consideram somente as 175 crianças (82 da escola particular e 93 da escola pública) que apresentaram dermatoses.
Tabela 8 – Distribuição das crianças nas escolas públicas e particulares quanto ao tipo de dermatose
Teste de qui-quadrado: p=0,021
N= Porcentagem da prevalência de cada grupo de dermatose tipo de dermatose escola particular N (%) escola pública N (%) total N (%) Inflamatória 61 (52,6%) 83 (63,8%) 144 (82,3%) Neoplasias benignas 50 (43,1%) 24 (18,5%) 74 (42,3%) Infecciosa 5 (4,3%) 23 (17,7%) 28 (16,0%) Mais de uma dermatose (misto) 36 (43,4%) 35 (37,6%) 71 (40,3%) Total 116 (100%) 130 (100%) 175 (100%)
Figura 11 – Representação gráfica da distribuição das crianças nas escolas públicas e particulares quanto ao tipo de dermatose
O teste de qui-quadrado indica que houve diferença significante entre as escolas quanto ao tipo de dermatoses encontradas (p=0,021), sendo que as maiores diferenças referem-se aos casos de dermatose inflamatória (mais frequente nas crianças da escola pública) e de dermatose tumoral (mais frequente nas crianças de escola particular).
5 DISCUSSÃO
Houve um intervalo grande de tempo entre a aprovação do Comitê de Ética e o início da realização da pesquisa (oito meses letivos), pois tanto as diretorias das escolas (em igual proporção entre as particulares e as públicas) como os pais das crianças apresentaram grande resistência, mesmo sendo esclarecido exaustivamente o motivo e os detalhes envolvidos na pesquisa.
Entre as razões alegadas para a recusa da autorização do exame dermatológico das crianças, estava, por parte das diretorias das escolas, a justificativa de considerarem a pesquisa “não relevante”, bem como julgarem a logística “extremamente laboriosa” para ser realizada; Em relação aos pais, os mesmos se recusaram a dar continuidade a tratamentos caso seus filhos assim o necessitassem, mesmo sendo-lhes explicada a possibilidade de realização do tratamento de forma gratuita através do Ambulatório de Dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
Após várias tentativas, foram obtidas as autorizações e permissões das escolas citadas em casuística e métodos, dando-se início assim à pesquisa e coleta dos dados nas escolas públicas e particulares, nos meses de agosto a novembro.
Houve a necessidade de escolha de duas escolas públicas, uma abrangendo a faixa etária de sete a dez anos e outra abrangendo a faixa etária de 11 a 14 anos, segundo a Resolução da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, (SE) de no. 15, em 13 de fevereiro de 1996 (Anexo 4), em função da necessidade de se separar alunos mais velhos dos mais jovens, em decorrência da maior propensão de violência e uso de entorpecentes nos colégios onde não havia tal separação.
Embora nos colégios particulares não vigore a resolução citada acima, houve a necessidade de utilização de duas escolas particulares porque não foi possível obter o número necessário de autorizações dos pais das crianças num único colégio.
A amostra foi segmentada em duas camadas sociais: as crianças que frequentavam as escolas particulares incluídas na pesquisa pertenciam às classes média e média alta, e as crianças que frequentavam as escolas públicas incluídas na pesquisa, pertenciam às classes média baixa e baixa.
Não foi realizada a documentação fotográfica das lesões dermatológicas por oposição praticamente unânime dos pais dos colégios particulares e públicos.
Este estudo de 200 crianças entre sete e 14 anos foi dividido igualmente entre os dois tipos de instituição, para uma avaliação proporcional dentro das variáveis cabíveis estudadas. Bechelli et al.(3) realizaram um estudo onde as escolas foram
subdivididas em três grupos sociais (A: predomínio de condição social mais elevada; B: situação intermediária; C: predomínio de estudantes mais pobres ou muito pobres) mas foram escolhidas por sorteio e Romiti et al.(1) realizaram um levantamento de
dermatoses apenas nas escolas municipais da cidade de Santos, Estado de São Paulo. No trabalho de Perrer et al.(5), os autores incluíram na sua pesquisa também as escolas
particulares e utilizaram o método de sorteio para escolha das escolas onde a pesquisa foi realizada, enquanto que o foco da pesquisa do estudo de Souza et al.(15) foi somente uma escola da rede pública.
Quanto ao nível escolar, a amostra de alunos foi subdividida em oito grupos, correspondente a cada uma das séries escolares da primeira à oitava, por ocasião da pesquisa. Observou-se uma predominância não planejada do número de escolares pertencentes às segunda e quinta séries (17%), seguido de escolares pertencentes à terceira série (16%).
De forma geral, houve predomínio do gênero feminino (53%) em relação aos alunos do gênero masculino (47%), com pequeno predomínio de meninas sendo avaliadas na escola particular e pequeno predomínio de meninos na escola pública. Dentro desta faixa etária analisada, Bechelli et al.(3) também encontraram um predomínio maior do gênero feminino, assim como Souza et al.(15). Romiti et al.(1) não
citam a diferenciação de sua amostra por gênero.
Nas duas instituições, de uma forma geral, houve predomínio da raça branca (86,5%) em relação às demais raças: parda (6,5%), negra (3,5%) e amarela (3,5%), semelhantemente ao observado por Romiti et al.(1) No trabalho de Perrer et al.,(5) assim
como em Souza et al.,(15) este item não foi citado.
Houve em todas as escolas um predomínio do fototipo II (85%) em relação aos demais fototipos: fototipo III (9%), fototipo V (4%) e fototipos I e IV (1%), mostrando haver predomínio dos fototipos II e III, semelhante ao achado no estudo de Santos et al., (12) onde a análise foi feita em estudantes num ambiente hospitalar e não escolar.
Neste trabalho, as 200 crianças examinadas, foram classificadas em cinco grupos, de acordo com as alterações dermatológicas encontradas: eudermia (sem alterações dermatológicas), inflamatórias, infecciosas, neoplasias benignas e grupo denominado de mais de uma dermatose, quando havia presença de mais de uma
dermatose pertencente a grupos diferentes. Esta classificação não foi observada nos trabalhos pesquisados. Em 175 crianças foram diagnosticadas 46 dermatoses e o grupo eudermia, composto por 25 crianças. Romiti et al.(1) citam o número de crianças
“sadias” (63%), que corresponderia ao grupo classificado como eudermia, assim como Perrer et al.(5) citam indiretamente um número correspondente a 29% da amostra de
“alunos sem dermatoses”. O valor de 63% no trabalho de Romiti et al.(1) foi bastante
contrastante em relação aos nossos achados (12,5%) e os de Perrer et al.(5) (29%) que
apresentam valores mais próximos. Esta pesquisa também se mostra diferente pelo fato de comparar a porcentagem entre crianças eudérmicas nas escolas públicas (3,5%) e nas escolas particulares (9%).
Das 175 crianças com dermatoses, houve uma maior prevalência nas escolas públicas (93%) em comparação com as escolas particulares (82%). Houve presença maior de dermatoses nas escolas públicas como também ocorreu em Perrer et al.(5)
Quanto ao tipo de dermatose, ocorreu uma predominância do grupo das dermatoses inflamatórias nas crianças examinadas nas escolas públicas (63,8%), seguida pelo grupo de mais de uma dermatose (37,6%) e neoplasias benignas (18,5%), enquanto que, nas escolas particulares, a predominância foi também das dermatoses inflamatórias (52,6%) seguida pelo grupo de mais de uma dermatose (43,4%) e pelo grupo neoplasias benignas (43,1%). Diferentemente do observado em Perrer et al.,(5) onde houve uma predominância das dermatoses infecciosas tanto nas escolas públicas quanto nas particulares. Bechelli et al.(3) não fazem esta análise e sim analisam cada
doença separadamente. Outros trabalhos que analisam dermatoses de um modo geral, mas não em ambientes escolares, indicam um predomínio de dermatoses infecciosas, como em Pizzol(2) e Gül et al.(21) No estudo de Santos et al.(12) houve um predomínio de
dermatoses do grupo inflamatórias (dermatoses alérgicas), o mesmo sendo observado em Oliveira Filho et al.,(7) que encontraram um maior número de doenças
caracterizadas como erupções eczematosas, que também são englobadas no grupo inflamatórias.
As alterações dermatológicas mais frequentemente encontradas foram nevos melânicos (35,5%), acne (22%) pitiríase alba (18,5%), distrofia por onicofagia (16,5%), dermatite seborreica (8,5%) e asteatose (6,5%). Destas dermatoses, apenas pitiríase alba, nevos melânicos, acne e asteatose apresentaram diferença estatísticamente significante. Outras dermatoses que apresentaram significância estatística foram: livedo reticular (23%), pediculose (8,5%) e dermatite friccional (4%). Bechelli et al.(3) também
demonstraram ser o nevo pigmentado a dermatose mais comum, sendo que a acne foi a sétima doença mais prevalente. No trabalho de Romiti et al.(1) predominaram as doenças do grupo infecciosas: zoonoses seguidas das micoses superficiais. Em Perrer et al.,(5) a pediculose foi a doença predominante, igualmente observada em Souza et
al.,(15) sendo a pediculose e a escabiose as mais prevalentes. Magnabosco e Prado,(8)
em trabalho realizado na periferia de Porto Alegre, constataram uma incidência de escabiose de 11,07%. Em outro estudo feito na Polônia, por Lonc e Okulewicz,(9) houve
maior associação entre a infestação por escabiose e uma condição sócio-econômica mais baixa, o que não foi visto nesta pesquisa nas escolas públicas.
Analisando-se as doenças separadamente em cada tipo de instituição, a proporção de crianças com nevos melânicos (35,5%) e acne (22%) foi maior na escola particular, enquanto que dermatoses como pitiríase alba (14,5%), livedo reticular (17%), pediculose (17%), asteatose (6,5%) e dermatite friccional (4%) tiveram uma proporção maior entre os escolares pertencentes às escolas públicas. Perrer et al.,(5) em seu trabalho, não avaliaram a incidência de nevos e de livedo reticular e, contrariamente, apresentaram um maior número de crianças com acne nas escolas públicas do que nas particulares; neste mesmo estudo, houve grande número de crianças com pitiríase versicolor, contrastando com o resultado do trabalho em questão, onde se observaram apenas dois casos. Em relação à pitiríase versicolor, o mesmo contraste se observa num estudo feito por Nascimento e Bastos(13) em uma escola pública, onde se observou grande número de crianças com pitiríase versicolor.
Quanto às dermatofitoses, neste estudo foram encontrados apenas dois casos, sendo um pertencente à instituição particular e o outro à pública. Num estudo feito em uma creche, Pizzol(2) encontrou apenas três casos de dermatofiose. Já Souza et al.(15)
não encontraram crianças que apresentassem dermatofitose no estudo feito em escola pública na cidade de Fortaleza.
Um achado interessante nesta pesquisa foi o grande número de crianças que apresentavam distrofia ungueal por onicofagia, sendo 18% nas escolas particulares e 15% nas públicas. Este dado também não foi encontrado na pesquisa de literatura realizada.
Quanto ao livedo reticular, que predominou nas escolas públicas com 17%, faz- se uma ressalva em relação à bibliografia, pois este estudo foi realizado durante os meses mais frios do ano, o que seria um fator de maior achado nas crianças durante o
exame. Vale ressaltar também a baixa ocorrência de dermatoses infecciosas, o que não se observa em geral na literatura pesquisada.
Esta pesquisa mostra também um diferencial por apresentar uma classificação ao grupo das crianças que apresentaram ao exame dermatológico mais de uma dermatose.
Ao pesquisar artigos pertinentes ao tema deste trabalho, encontramos apenas uma publicação onde ocorreu a pesquisa de doenças de uma forma geral dentro de um ambiente escolar, semelhante à realizada neste trabalho.
Tentando conferir uma certa “classificação” ou “sistematização” às publicações consideradas mais pertinentes ao tema, pode-se dividi-las em dois grupos:
a) um primeiro grupo onde ocorreram pesquisas de dermatoses em geral, mas apenas em ambientes hospitalares ou ambulatoriais dentro de uma universidade escola;
b) um segundo grupo onde as pesquisas foram feitas focando apenas determinadas dermatoses e em determinados grupos de faixas etárias classificados como “escolares”.
Em relação ao primeiro grupo, ainda encontramos mais algumas diferenças, como se observa no trabalho de Bechelli et al.(3) Neste trabalho observa-se a exclusão das crianças que apresentavam cicatrizes e lesões traumáticas, e também não ocorreu uma classificação em grupos, como foi feita nesta pesquisa. Os autores citam apenas que “muitos doentes apresentaram dois ou mais tipos de lesões ou afecções cutâneas”. Na publicação de Romiti et al.,(1) a pesquisa não se restringiu a uma determinada faixa etária e foi realizada em escolares pertencentes apenas à rede pública de ensino. As dermatoses foram agrupadas em uma classificação já existente (como discromias, doenças do colágeno, etc) e não em grandes grupos de dermatoses como foi realizado neste trabalho (inflamatórias, infecciosas, neoplasias benignas e mais de uma dermatose).
Já no trabalho de Perrer et al.,(5) escolas particulares e públicas foram
pesquisadas, mas a faixa etária foi maior (até os 18 anos), e também não foram computadas certas dermatoses como nevos celulares, hipo e hipercromias residuais e livedo reticular, como foi feito nesta pesquisa.
Em Souza et al.,(15) além da pesquisa ter sido feita apenas em uma escola pública de Fortaleza, foi feito um levantamento de fichas de acompanhamento destes escolares, apenas até a quarta série, enquanto que nesta pesquisa houve a
comparação entre dois tipos diferentes de instituição (escolas particulares e públicas) e realizou-se um exame dermatológico completo, e não uma avaliação de prontuários.
Num estudo feito na Turquia, Gül et al.,(21) a pesquisa de ocorrência de
dermatoses foi realizada em uma clínica ambulatorial e numa faixa etária de até dezesseis anos.
Pizzol(2) fez seu trabalho pesquisando dermatoses em geral, mas numa
população de crianças em creches municipais, numa faixa etária de até seis anos de idade. O autor comparou as dermatoses encontradas durante as consultas pediátricas e não dirigiu sua pesquisa diretamente à procura de dermatoses na população examinada nas creches municipais.
Num estudo realizado em Pernambuco, por Santos et al.,(12) as dermatoses foram pesquisadas dentro de um hospital universitário e na faixa etária de até doze anos. Neste trabalho também é citada a porcentagem de crianças com “exame dermatológico normal”, (1,30%), em contraste a este trabalho (que foi denominado de grupo eudermia), onde encontramos uma porcentagem muito maior (12,5%).
Também Oliveira Filho e cols (7) realizaram a pesquisa de dermatoses no Ambulatório da Faculdade de Medicina de Santo Amaro, mas só se atendo à uma população de baixa renda, sem rede de saneamento básico, numa faixa etária de zero a catorze anos, não se restringindo à faixa etária que se denomina “escolares”.
Santos Júnior et al.,(20) num trabalho realizado em Campinas, cidade do interior de São Paulo, estudou a prevalência das dermatoses em geral, mas numa rede básica de saúde, num período de vinte dias, durante o atendimento geral dos pacientes.
No segundo grupo, onde foram pesquisadas apenas determinadas dermatoses, encontramos, na publicação de Magnabosco e Prado(8) uma pesquisa de escabiose
realizada somente na periferia da cidade de Porto Alegre, sem comparação com uma população considerada de um maior poder aquisitivo. Ainda em relação à escabiose, na Polônia, Lonc e Okulewicz(9) fizeram a pesquisa comparando populações de
diferentes níveis econômicos, com maior incidência da dermatose nas populações de baixa renda, o que não se observou nesta pesquisa.
Em relação à dermatite atópica, Camelo-Nunes et al.(10) pesquisaram a dermatose numa determinada região da cidade de São Paulo, entre escolas públicas e particulares de uma forma equitativa entre ambas, com um achado maior da referida dermatose nos adolescentes. Em um trabalho feito em Porto Rico, por Maymi et al,(19) a pesquisa foi feita apenas em alunos do segundo grau, apesar de ter sido realizada em
escolas particulares e públicas. Yang et al.,(17) em Taiwan, pesquisaram, além da
dermatite atópica, algumas outras dermatoses, como acne, efélides, verrugas, psoríase, alopécia areata e quelóides, mas numa faixa etária compreendida entre seis e 11 anos, constatando ser a prevalência de acne semelhante à encontrada em países ocidentais.
Um estudo feito na Arábia Saudita, por Al-Saeed et al.(18) pesquisou as
dermatoses apenas em escolares do gênero feminino, por motivos religiosos, e o exame dermatológico se restringiu às áreas expostas, pelo mesmo motivo.
Nascimento e Bastos(13) pesquisaram a incidência de pitiríase versicolor no município de Bragança no Estado do Pará, numa faixa etária entre cinco e 14 anos, numa população de 100 alunos, onde 38 (57,6%) apresentaram a dermatose, seguidos de 47% de alunos apresentando tinha do corpo. Ainda sobre dermatofitoses em geral, Popoola Et al.(16) pesquisaram na Nigéria a ocorrência de dermatofitoses numa faixa etária entre oito e 14 anos, mas a comparação foi feita em relação às áreas urbana e rural, com um pico maior de incidência aos 11 anos, e maior frequência nas regiões de cabeça e pescoço.
Assim, esta pesquisa sobre a prevalência das dermatoses em escolares se desenvolveu de maneira bastante diversa das dos artigos encontrados na literatura, mostrando-se relevante, por ter sido pesquisada numa região onde este assunto ainda não tinha sido pesquisado, assim como demonstrou aspectos interessantes e procedentes como a desinformação da população em dois ambientes diversos (escolas particulares e públicas) frente à necessidade de exames dermatológicos periódicos. Outro aspecto interessante foi a observação de que a grande maioria dos pais ou responsáveis dos escolares examinados, nos dois tipos de instituição, não creditaram importância ou necessidade à pesquisa realizada. Este dado baseia-se no fato de que nenhuma das crianças portadoras de dermatoses que foram aconselhadas a procurar o dermatologista para acompanhamento após o primeiro exame compareceu. A pesquisa corroborou a importância da realização de exames periódicos nas escolas bem como campanhas educativas de forma metódica e com maior frequência, aproximando mais essas crianças da valorização da saúde cutânea e da prevenção de dermatoses.