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Os factores de riscos extrínsecos são responsáveis por uma percentagem importante de lesões dos futebolistas e, assim sendo, devem ser do conhecimento de jogadores e treinadores. A carga de treino e o modo como é ministrada é um factor importante que poderá incrementar ou reduzir o risco de lesão.

Nível de Competição: Actualmente é consensual que o risco de lesão

aumenta com o nível competitivo (Ekstrand, 2004; Soares, 2007). Parece que os jogadores de topo, que passam mais tempo a treinar e a jogar do que os

jogadores das outras divisões, possuem um risco maior de se lesionarem (Larson et al., 1996). Enquanto que o número de lesões em treino é semelhante (independente do nível competitivo), o risco de um atleta se lesionar em jogo aumenta de uma forma significativa com o nível competitivo (Ekstrand, et al., 2003; cit. Soares, 2007; Ekstrand, 2004).

De acordo com Ekstrand (2004), que o risco de lesão durante os jogos é de 10-15 lesões/1000horas nos amadores, 20 lesões/1000horas nos profissionais e 25-35 lesões/1000horas de jogo nos jogadores profissionais de elite.

Equipas com um nível de treino inferior, de acordo com Ekstrand e Gillquist (1983; cit. Gonçalves 2000), apresentavam um aumento do número de lesões com o aumento do volume e intensidade de treino, contrariamente as equipas de nível de treino superior. Este facto é explicado por Massada (1989), ao afirmar que a deficiente condição física de um jogador predispõe-no a patologias do foro cardiovascular e a lesões do sistema esquelético. Para além disso, Reilly e colaboradores (2003), consideram que os incrementos súbitos na duração e intensidade de treino, sessões excessivas de treino ou aquecimento muscular inadequado, constituem erros de treino que podem incrementar o aparecimento de lesões no futebolista.

Numero de jogos: Outros estudos revelaram que jogadores que

pertencem a equipas com uma elevada relação jogo/treino estão mais susceptíveis a contrair lesões (Ekstrand e Gillquist, 1983; cit. Gonçalves 2000). De acordo com Soares (2007), no futebol actual assiste-se a um fenómeno designado habitualmente por “sobretreino”, fenómeno este que se caracteriza por um número excessivo de jogos com tempos de recuperações inadequadas. A conjugação de algumas alterações emocionais (dificuldades de concentração, decréscimo de motivação, alterações de comportamento, etc.) e físicas (alterações na força muscular e na potência mecânica, alteração na coordenação neuromuscular) exponencia o risco de lesão (Soares, 2007). Esta elevada relação pode resultar de uma elevada sobrecarga de jogos ou, pelo défice de preparação (Gonçalves, 2000).

Quando um jogador é exposto a um treino intenso ou jogo, o seu aparelho locomotor é submetido ao stress mecânico e metabólico (Soares, 2007). O mesmo autor afirma que estas agressões que ocorrem durante o jogo altera a funcionalidade muscular que, para além de alterar a biomecânica dos gestos e alterar a coordenação neuromuscular, precisa de um a três dias para recuperar a normalidade funcional (Soares, 2007). Desta forma, a quantidade e qualidade de treino parecem ser importantes, não só para o sucesso da equipa de futebol, mas também, para a prevenção de lesões (Gonçalves, 2000). O papel da recuperação assume aqui uma importância decisiva (Soares, 2007).

Estágios: Os estágios da pré-época estão associados a um incremento

do risco de lesão entre duas a três vezes (Soares, 2007). Isto deve-se ao facto de por um lado, os atletas serem submetidos a um alteração brusca da carga e, por outro, o volume total de treino ser bastante mais elevado nesta fase de preparação (Soares, 2007). Estes dois factores contribuem para o aumento das lesões de overuse neste período (Soares, 2007). Esta opinião vai de acordo ao estudo realizado por Ekstrand e colaboradores (2004, cit. Soares, 2007), que também verificaram que o número de lesões por 1000h/treino em estagio era 2,5 superior ao registado nos treinos regulares. As lesões dos músculos isquiotibiais, lesões tipicamente de overuse, são mais frequente nos meses da pré-época (Soares, 2007).

Protecções e calçado: As caneleiras são o exemplo clássico de

protecção que pode evitar ou diminuir até cerca de cinco vezes o número de lesões nos membros inferiores (Soares, 2007). O calçado desportivo é normalmente referido como factor de risco extrínseco de grande importância (Larson et al., 1996; Massada, 1989; Reilly et al., 2003). Apesar de à primeira vista poder parecer um factor secundário, o material utilizado pelo desportista bem como o local onde se desenrola a competição são potenciais fontes de lesões traumáticas no desporto (Massada, 1989). Ao contrário de modalidades como o andebol ou basquetebol, o calçado do jogador de futebol é pensado em termos de rendimento, de performance, sendo assim cada vez mais leve e

aderente, negligenciando desta forma os aspectos relativos à segurança (Soares, 2007). Do calçado desportivo espera-se que, para além do conforto, comodidade e performance, possua excelentes qualidades para absorção de choques no contacto com o solo (Larson et al., 1996; Massada, 1989; Reilly et

al., 2003).

As frequentes alterações do tipo de piso (Relva natural, artificial, terra batida), sem a devida compensação na absorção de choques são um factor de risco de lesão (Soares, 2007).

No que se refere às protecções fixas do tornozelo, estas diminuem o risco de recidiva, mas no entanto, não garantem a protecção aos jogadores sem história prévia de lesão anterior (Soares, 2007).

Tipo de piso: O terreno de jogo é normalmente referido como factores

de risco extrínseco de grande importância (Larson et al., 1996; Massada, 1989; Reilly et al., 2003). O terreno de jogo quando se encontra duro e irregular, para além de limitar a performance dos jogadores, pode igualmente contribuir para uma maior incidência de lesões (Inklaar, 1994; Larson et al., 1996; Reilly et al., 2003). Está calculado que entre 20 a 25% das lesões no futebol são da responsabilidade das condições do piso (Soares, 2007). Segundo Soares (2007), de entre os aspectos que podem estar relacionados com a influência do solo na maior ou menor incidência de lesão afiguram-se a dureza e a aderência. Massada (1989) afirma que o piso sintético por ter uma menor capacidade de absorção de energia desencadeada durante o ataque do pé ao solo, funciona como um factor facilitador de patologias ligadas a sobrecarga funcional. Esta afirmação é corroborada por Larson e colaboradores (1996). Da mesma forma, os países com climas mais chuvosos (Dinamarca, Inglaterra e Holanda) apresentam uma incidência de lesões superior aos países com menos chuva (França, Espanha e Itália), do sul da Europa (Soares, 2007).

Concepção táctica: Apesar de ser relativamente óbvio que uma equipa

que tenha um estilo de jogo mais agressivo, exercendo a pressão em todo o campo, possa ter uma maior probabilidade de lesões, este aspecto ainda

carece de uma demonstração científica (Soares, 2007). Tendo em conta que a maior parte das lesões ocorre quando um jogador tem a posse de bola, as equipas que privilegiem o passe em detrimento da condução de bola os seus jogadores terão menores probabilidade de se lesionarem (Soares, 2007). Sabe- se que cerca de 50% das lesões ocorrem em disputas de bola com adversários. Isto porque por um lado um jogador em posse de bola é um alvo para os adversários e, por outro lado, nestes momentos os atletas tem de acelerar, rematar, mudar de direcção, estando todas estas acções ligadas a elevado risco de lesão (Soares, 2007).

Por outras palavras, a concepção táctica é vista como sendo um factor associado ao aparecimento de lesões porque, quando um jogador se encontra em posse de bola está sujeito a tentativa de conquista da mesma pelos jogadores adversários e consequentemente sujeito a lesionar.

Arbitragem: As regras do jogo são apontadas como factor de risco

extrínseco, pois estas condicionam os comportamentos dos jogadores (Weaver

et al., 1996). Assim sendo, os árbitros devem zelar pelo cumprimento das

mesmas, desmotivando o jogo violento e punindo com severidade as acções que possam provocar lesões por contacto (Soares, 2007). As alterações regulamentares procuram ter em consideração a integridade física dos praticantes (Gonçalves, 2000). Paralelamente a isto, os jogadores devem ter em consciência que o futebol é uma actividade de risco, devendo actuar desta forma ética e desportivamente adequada (Soares, 2007).

Condições Atmosféricas: Alguns autores apontam as condições

atmosféricas (frio e a humidade) como factores facilitadores do aparecimento de lesões (Massada, 1989; Silva e Costa, 1965). De acordo com Massada (1989) o frio poderá influenciar a função dos músculos de uma forma negativa desencadeando espasmos capilares, alterações da sua elasticidade e velocidade de contracção.

Em suma, o conhecimento por parte dos treinadores e jogadores de um conjunto de factores que possam pôr em causa a integridade física dos jogadores, afigura-se como sendo fundamental na adopção de algumas medidas preventivas capazes de reduzir a incidência e gravidade de lesões no futebol. Assim, a prevenção das mesmas passa, para além do conhecimento minucioso dos factores de riscos, pelo estabelecimento e adopção de algumas medidas preventivas.

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