Para o desenvolvimento de um processo de estágio, onde o indivíduo não é um elemento isolado que depende de si só, mas um elemento integrado num grupo que o levará a experimentar as teorias e a crescer no meio profissional onde pretende dar um contributo positivo com o seu trabalho, são necessárias várias pessoas e diferentes instituições. A relação próxima das entidades que intervêm no processo é de extrema importância para um estágio que se entenda como bem-sucedido.
2.2.1 Instituição de Ensino Cooperante
O Agrupamento de Escolas onde realizamos a Prática de Ensino Supervisionada, enquanto instituição de acolhimento do estágio, desempenha um papel de extrema importância em todo este processo, ao oferecer aos professores estagiários infraestruturas, orientação pedagógica e a possibilidade de um contacto empírico com as teorias de ensino/aprendizagem abordadas ao longo do primeiro ano de mestrado. Graças à
25 cooperação desta escola foi possível o contacto direto com alunos e a gestão de uma disciplina sob o supervisionamento de um professor orientador, bem como confrontar uma experiência como docentes antes do mestrado e o desempenho das mesmas funções após as aprendizagens feitas ao longo de um ano de mestrado.
A escola cooperante é a sede de um agrupamento de escolas de uma zona periférica da cidade de Braga. O agrupamento em causa forma-se por quatro escolas básicas com primeiro ciclo e por uma escola básica com segundo e terceiro ciclos.
De acordo com os dados do relatório de Avaliação Externa do Agrupamento onde realizamos a PES, elaborado pela Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) em 2012, todos os estabelecimentos de ensino que integram o agrupamento oferecem, em geral, boas condições de conforto, segurança e habitabilidade. Mais se refere no mesmo documento que o agrupamento dispõe de duas unidades de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência, uma das quais a funcionar na escola-sede.
Segundo dados recolhidos na sede do agrupamento a população escolar no presente ano letivo (2012/2013) é composta por 1139 alunos. Para além das 31 turmas de primeiro ciclo, 16 de segundo ciclo e 23 de terceiro ciclo, o agrupamento comtempla ainda uma turma de um Curso de Educação e Formação na área de Serviço de Mesa e uma turma de Ensino e Formação de Adultos.
Merece destaque a multiculturalidade do agrupamento que integra alunos de outras nacionalidades.
Dois dados, retirados do relatório da IGEC, devem ser realçados para que melhor se compreenda a realidade socioeconómica do agrupamento: i) 42% dos alunos beneficiam de auxílio económico; ii) 37% possuem computador e Internet em casa.
No que concerne à formação e situação profissional dos pais dos alunos, o relatório da IGEC (2012) apresenta-nos os seguintes dados: “9% têm uma formação superior e 24% secundária ou superior. Quanto à ocupação profissional 16% dos pais exercem atividades profissionais de nível superior e intermédio” (2012: 2).
Se dissociarmos a escola cooperante do agrupamento que representa e na qual realizamos o processo de estágio pedagógico, podemos extrair a sua identidade e denominação própria, tratando-se de uma escola do segundo e terceiro ciclos do ensino básico, a qual, por si só, integra atualmente trinta e nove turmas destes graus de ensino e uma quadragésima turma de um curso de educação e formação (CEF).
26 Passar por uma escola com estas dimensões dá-nos de imediato a perceção da necessidade de um conjunto de profissionais de diversas áreas, que não só as que dizem respeito à educação, para fazer esta máquina funcionar. Arends (1995), afirma que as escolas são sistemas sociais que requerem que os seus membros desempenhem funções de um modo interdependente. Neste sentido, será importante conhecer, ainda que sumariamente o organigrama da escola, o qual se apresenta a seguir (v. figura 1), pois é conveniente aos professores perceberem como é que se estrutura a hierarquia da escola onde trabalham.
Figura 1 - Organigrama do Agrupamento de Escolas onde se realizou a PES Fonte: Projeto Educativo da Escola Cooperante
A mais de uma centena de professores, cuja experiência profissional é significativa, uma vez que cento e trinta e cinco lecionam há dez ou mais anos, tem a missão de educar e ensinar neste agrupamento.
Não constam no organigrama os profissionais que todos os dias colaboram com os professores para que a escola cumpra a sua missão: funcionários administrativos, auxiliares de educação, psicólogos, funcionários do refeitório e bar, entre outros que
27 funcionam como que uma fonte de energia nesta “máquina”. Todos contribuem para a ordem natural da escola, um contributo vital para um ambiente que se deseja salutar e para o qual todos intervêm de uma ou outra forma.
De facto a escola é um “formigueiro” de pessoas, onde todas trabalham em conjunto no sentido da escola cumprir a sua missão. Estas pessoas constituem o lado humano que envolveu a prática de ensino supervisionada, mas há toda uma estrutura física e logística que influencia este processo e da qual consideramos fazer legítimos destaques.
2.2.1.1 Espaços Físicos da Escola
Entre os espaços físicos da escola que interferiram diretamente com a prática letiva supervisionada há que destacar a sala de professores, a biblioteca e a sala de aula onde decorreram as atividades letivas por serem os espaços que foram significativos na nossa construção de profissionalidade docente.
A ampla sala de professores foi o espaço privilegiado para o convívio com o pessoal docente e o ponto de encontro entre estagiários e professora orientadora cooperante. Nesta sala delinearam-se atividades, discutiram-se os mais variados assuntos e fizeram-se as reuniões semanais com a professora orientadora cooperante. Este foi também um espaço de trabalho e preparação conjunto de materiais de apoio pedagógico. Além disso, foi o espaço onde convivemos com outros docentes, com os quais partilhamos as nossas angústias e vitórias neste processo de crescimento profissional.
A biblioteca da escola é um espaço implicado nas atividades propostas no plano de estágio, como tal é uma das estruturas da escola que merece destaque em qualquer apresentação que se faça de todo este processo. Foi necessário conhecer este espaço para que melhor se organizasse a atividade de dinamização de diversas atividades como apoio à navegação segura na Internet para turmas do segundo ciclo, criação da página Web da própria Biblioteca, onde se inclui uma descrição do seu espaço, entre outras.
A sala de aula foi o espaço mais importante no contexto das atividades letivas, pois foi na sala de aula que a maior parte dessas atividades se desenvolvem e onde os professores estagiários interagem diretamente com os alunos. A sala de aula é o epicentro de cada plano de aula rigorosamente elaborado, o local de trabalho com os alunos que deverá ser percebido, quer pelo professor, quer pelos alunos como um ambiente de aprendizagem cómodo e motivador. A sala CRM (Centro de Recursos Multimédia) onde decorreram as aulas ministradas no âmbito da prática letiva supervisionada caracteriza-se
28 pela sua pequena dimensão, a disposição das mesas com computadores em “U” voltadas para a parede, um conjunto de mesas juntas (espécie de ilha) ao centro da sala e uma secretária para o professor com um pequeno quadro branco atrás, além do projetor multimédia.
Não obstante o bom rácio computador/aluno, a sala carece de um quadro interativo, o qual teria sido útil para a lecionação de determinados conteúdos, dadas as suas inúmeras possibilidades de projeção multimédia interativa.
A figura que se segue permite uma visualização do espaço e da disposição do mobiliário da sala de aula CRM.
Figura 2 - Planta da sala de aula CRM