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Partie II : Evaluation comparée de différents couples d’amorce pour la détection de

4. Discussion

O conceito de Tema Ideacional vinculado ao “assunto” da oração nem sempre ocorre, como pôde ser verificado nos exemplos (a) e (b) da seção anterior, visto que, em ambos, não há correlação entre Tema e Sujeito psicológico. Tal reflexão, extremamente relevante para se caracterizar o Tema nesta pesquisa, encontra respaldo na discussão fomentada por Fries (1995:14) e transcrita aqui. O autor menciona a linha seguida por alguns sistemicistas, segundo a qual seria incluído como Tema tudo aquilo que precede o verbo da oração.

However, some Systemicists (e.g. Berry, 1989, 1992a, 1992b) feel that the Subject of the clause has a special status and have chosen to include as Theme everything that precedes the verb of the clause. In such an analysis, any Subject which precedes its verb is automatically a part of the Theme of the clause. The disagreement revolves largely around how to analyze clauses which contain ‘marked Themes’ such as example (2).

2. Yesterday, John left before lunch.

All Systemicists agree that yesterday is a marked Theme in this example. Berry and others who take her approach, however, would include John as Theme in addition to yesterday. Such an analysis, of course, finesses the issue of exactly how Theme and Subject interact. This interaction is particularly difficult to separate out since the great majority of Themes are conflated with Subject. Regardless of which approach to the delimitation of Theme is taken. Systemicists still need to discuss the special uses of Themes which are (only) Subjects and those Themes which contain material which is not Subject. (…)24

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Uma possível tradução do excerto é a que segue: “Contudo, alguns sistemicistas (exemplo: Berry 1989, 1992a, 1992b) sentem que o Sujeito da oração tem um status especial; assim, eles têm escolhido incluir como Tema tudo o que antecede o verbo da oração. Nesta análise, qualquer Sujeito que anteceda o verbo é automaticamente uma parte do Tema da oração. A discussão gira em torno de como analisar orações que contenham “Temas marcados” tal como o exemplo (2) Ontem, João saiu antes do almoço. Todos os

sistemicistas concordam que “ontem” é um Tema marcado neste exemplo. Berry e outros que adotam sua abordagem, contudo, incluiriam “João” como Tema em acréscimo a “ontem”. A interação entre Tema e Sujeito é particularmente difícil de separar, visto que a grande maioria dos Temas se coadunam com o Sujeito.

No caso de se adotar tal concepção de Tema Ideacional partilhada por alguns sistemicistas, haveria sempre a confluência deste com a função interpessoal de Sujeito (gramatical), levando-se em consideração que ambas também coincidiram com a idéia de assunto da oração e, por conseguinte, do texto. Neste caso, algumas considerações devem ser feitas:

(a) por que, então, adotar dois nomes aparentemente distintos para designar a mesma função – Tema e Sujeito?

(b) como caracterizaríamos elementos ideacionais que antecedessem o Tema, ou seja, qual a função atribuída a Complementos e Circunstâncias que precedessem o Sujeito nas orações, quando pensados em termos de organização textual?

(c) como identificar o Tema em orações cujo Sujeito estivesse posposto ao verbo? (d) a distinção temática entre ordem canônica e ordem marcada desapareceria, visto que, em ambas as situações, o Sujeito seria sempre prioritário, não importando se colocado pelo produtor textual no início, meio ou final da oração? Assim, diferenças temáticas não implicariam diferentes intenções comunicativas?

A partir das considerações realizadas, adota-se, nesta pesquisa, uma acepção de Tema que está relacionada não só com as concepções de Halliday, mas também com as ideias de Fries. Halliday (2004: 65), sobre Tema, afirma o seguinte:

The Theme is the element which serves as the point of departure of the message; it is that which locates and orients the clause within its context. The remainder of the message, the part in which the Theme is

Os sistemicistas precisarão discutir os usos especiais dos Temas que são (apenas) Sujeitos e aqueles que contêm material que não é Sujeito.

developed, is called in Prague school terminology the Rheme. As a message structure, therefore, a clause consists of a Theme accompanied by a Rheme; and the structure is expressed by the order – whatever is chosen as Theme is put first.25

O conceito de Tema Ideacional utilizado pelo pesquisador está associado diretamente com a posição inicial da oração em inglês (e, por associação, em português), sendo considerado o ‘ponto de partida’ da oração como mensagem e funcionando como orientador para a informação que está por vir, o que é considerado por Fries (1995:318) ao afirmar que o “Theme is not topic (or given or even necessarily nominal). Rather, Theme functions as an orienter to the message. It orients the listener/reader to the message that is about to be perceived and provides a framework for the interpretation of that message26”.

A primeira posição na oração, porém, não é o que define o Tema, mas o meio pelo qual a função de Tema é realizada na gramática de algumas línguas. Halliday (1985:39) atesta isso ao afirmar que “as a general guide, the Theme can be identified as that element which comes in first position in the clause. We have already indicated that this is not how the category of Theme is defined27”.

A noção de ‘ponto de partida’ como recurso textual vai além da idéia de o Tema ser gramaticalizado em primeira posição na oração. Tal assertiva encontra respaldo em Fries

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A passagem pode ser traduzida livremente da seguinte forma: “O Tema é o elemento que serve como o ponto de partida da mensagem; ele é aquele que localiza e orienta a oração dentro do seu contexto. O resto da mensagem, a parte na qual o Tema é desenvolvido, é chamada, segundo a terminologia da escola de Praga, de Rema. Como uma estrutura de mensagem, portanto, uma oração consiste de um Tema acompanhado por um Rema; e a estrutura é expressa de modo que o Tema necessariamente é colocado primeiro”.

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O excerto pode ser traduzido assim: “Tema não é tópico (ou Informação Dada ou necessariamente grupo nominal). O Tema funciona como um orientador para a mensagem. Ele orienta o ouvinte/leitor para a mensagem que está por vir e fornece um framework para a interpretação dessa mensagem”.

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O excerto pode ter a seguinte tradução livre: “como um guia geral, o Tema pode ser identificado como o elemento que vem em primeira posição na oração. Nós já indicamos que isso não é como a categoria de Tema é definida”.

(1983), para evidenciar a relevância do Tema hallidayano motivado discursivamente. Segundo o autor, o conjunto de Temas das orações num parágrafo é responsável pelo ‘método de desenvolvimento do texto’, o que tem a ver com o conteúdo lexical dos constituintes em posição temática, fator que expressa um ângulo particular de visão sobre o assunto abordado no texto. Dessa forma, reitera-se que a escolha do Tema Ideacional tem motivação funcional em primeiro plano, sendo realizada lingüisticamente ou não por um constituinte no nível léxico-gramatical.

O material lexical em posição inicial de cada oração indica o ponto de partida da mensagem expressa por aquela oração. Representado pelo primeiro constituinte oracional que tem função no sistema de transitividade, o Tema Ideacional de cada oração, segundo Fries, fornece um framework para o restante da oração – o Rema –, ao estabelecer um contexto no qual a oração é interpretada. Martin (154)embasa tal afirmação no excerto que segue:

(...) coming first in fact constructs a particular angle of interpretation on the topic of each text which resonates with other aspects of discouse organization. Frie’s point, following Halliday, is that first position in the English clause is not arbitrary, but rather a textual resource which is systematically exploited to effect patterns which constitute a text’s method of development. In this position, functioning as a textual resource of precisely this kind, that Halliday (1985) names Theme and defines as the point of departure for the clause as message.28

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Uma tradução livre da passagem segue: “vir primeiro [em primeira posição] de fato constrói um ângulo particular de interpretação sobre o tópico de cada texto que se alia com outros aspectos da organização do discurso. O ponto de Fries, seguindo Halliday, é que a primeira posição na oração em inglês não é arbitrária, mas um recurso textual que é sistematicamente explorado para produzir modelos que constituem um método de desenvolvimento. Nesta posição, funcionando como um recurso textual precisamente deste tipo, é que Halliday (1985) nomeia Tema e define-o como ponto de partida para a oração como mensagem”.

Dois quadros mencionando os pontos principais que identificam o conceito de Tema levantados neste trabalho, bem como os de Rema, são expressos a seguir:

Tema Ideacional

é o ponto de partida da mensagem expressa pela oração; localiza e orienta a oração dentro de seu contexto;

funciona como orientador para a informação que está por vir; fornece um framework para o restante da oração;

estabelece um contexto (local) no qual a oração é interpretada; tem motivação discursiva;

não é necessariamente tópico ou assunto da oração, exceto nas situações em que conflui com a função de Sujeito na estrutura de modo (a grande maioria das situações);

é representado pelo primeiro elemento ideacional na oração, ou seja, pelo constituinte oracional com função no sistema de transitividade;

quando expresso lingüisticamente, é identificado por um grupo nominal, um grupo verbal, um grupo preposicional ou um grupo adverbial.

Rema

tudo o que vem na oração depois do Tema – o restante da oração; para onde a oração se movimenta depois do ponto de partida; parte na qual o Tema é desenvolvido.