Chapitre II : Etat de l’art : L'apprentissage chez les agents
II.6. Discussion
PRADO.407F 408
b) A ESTRADA REAL DA BAHIA: VILA DO RIO DE CONTAS À
JACOBINA
A mineração no rio das Contas interligou o lugar às minas de Jacobina. O caminho seguia a rota aberta por Pedro Barbosa Leal, responsável pela edificação da
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145 Vila de Rio de Contas, em 1724, e, antes disso, da vila de Jacobina, em 1720.408F
409 Em 1698, Leal realizou a abertura do caminho entre elas o que garantiria a arrecadação dos quintos reais: “quando fui de Jacobina para o rio das contas mandei abrir a estrada por onde passei a aquelas Minas”.409F
410 A rota foi concluída em 1725 e foi considerada a primeira via de acesso para exploração do ouro da Bahia, por isso, recebeu o nome de
estrada real. Leal orientou-se pelo roteiro das supostas minas de prata existentes em
Jacobina e descritas por Moribeca. Borges de Barros assim descreveu o caminho que pode ser visualizado no Mapa III.
O caminho partia de Jacobina, atravessando o rio Jacuípe e passava a leste do Morro do Chapéu, daí vinha até Campestre, atravessava o riacho Cocho e chegava ao Arraial de Bom Jesus da Lapa. Daí costeando a Serra da Tromba, ia ao rio Água suja, atravessava o rio das Contas e chegava ao Arraial de Mato Grosso. Daí a estrada chegava à Vila do rio de Contas, cunhando com ela a estrada que vai para a Bahia a Minas Gerais.410F
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O percurso da estrada real descrito por Leal informa que o caminho foi iniciado no século XVI por Gabriel Soares de Sousa que, assim como seus predecessores, seguiu a lenda das minas de prata do Moribeca, conforme atestado, em relato de 1725, ao esclarecer que, nos primeiros anos da povoação da Bahia, em viagem, Gabriel Soares de Sousa e seu irmão, após terem recebido uma pedra cravada em ouro, montou diligência em direção ao sertão seguindo o curso do rio Paramirim, considerado “tronco e cabeça do rio das Contas”. Gabriel Soares Sousa fizera o caminho atravessando as matas de Jaguaripe e Guiquirissá (Jequiriçá) até chegar à ponta da serra de Gayricu (Garirú, Quarerú) onde ergueu residência. Esta descrição de Leal coincide com o desenho cartográfico dos caminhos da Bahia onde se discrimina os percursos que davam acesso aos caminhos da Bahia, no alto do lado direito do que chamamos Mapa II. Pedro Leal detalhou o roteiro seguido com os seguintes detalhes:
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A Vila do Rio de Contas, neste momento, corresponde hoje à Cidade de Livramento do Brumado ou Livramento de Nossa Senhora, localizada a nove quilômetros do município de Rio de Contas. A sede municipal, em 1745, transferiu-se para o Arraial dos Crioulos, atual município de Rio de Contas.
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DOCUMENTOS INTERESSANTES, volume XLVII. 1929. Carta do coronel Pedro Barbosa Leal ao conde de Sabugosa, vice-rei do estado do Brasil, sobre as várias incursões realizadas no sertão da Bahia em busca de minas metálicas, desde o pretenso descobrimento das de prata por Belchior Dias Moreya. 22.11.1725. p. 93.
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Anais do arquivo público e do Museu do estado da Bahia. Ano II, Volume III. Bahia: Imprensa oficial do estado, 1918. Redação de Francisco Borges de Barros. p. 207.
146 continuou o seu caminho atravessando a estrada por onde se continua as minas do rio das Contas e atravessando o rio do Paraguaçu da outra parte dele fez outra casa forte que ainda se conserva com a defronte da Vila de João Amaro [...] desta casa forte continuou Gabriel Soares a sua marcha para a Serra do Orobó na qual fabricou outra casa forte a qual foi vista e reconhecida [...] seguiu este a sua derrota a buscar as serras de Jacobina aonde examinou e descobriu o que acusa o roteiro de Belchior Dias Moreya ao pé desta Serra de Jacobina furada atravessou a Serra de Jacobina para a parte de dentro e se encaminhou para a parte do Morro do Chapéu.411F
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Tem-se o registro deste caminho como rota do ouro baiano, em 1652, quando João Calhena, seus irmãos, o capitão Lourenço de Matos e Manoel Calhena descobriram o ouro de Jacobina, tornando-se os primeiros moradores do lugar. Os Calhenas relataram ao Padre Antônio Ferreira (Casa da Torre de Gárcia de Avilla) que acharam o ouro em função de serem orientados pela lenda das minas de prata do Moribeca. Leal prosseguiu a descrição dos caminhos indicando quais continham ouro, esmeraldas, contas e “pedra de marquezita”, indício forte da existência de prata, segundo ele.412F
413 Afirmou ainda que a distância entre as minas de Jacobina e a do rio das Contas, “por linha reta é de 30 léguas e, por linha tortuosa, são 60 léguas”.413F
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Em 1731, Quaresma Delgado percorreu o caminho e, por ser uma viagem oficial de reconhecimento, descreveu a geografia e os povos que habitavam as margens do caminho, destacando as condições de pouso, e a existência de água e de pasto para os futuros viajantes.
c) O CAMINHO DA VILA DE RIO DE CONTAS À MURITIBA
A Vila de Rio de Contas também foi conectada à localidade de Muritiba. Em sentido inverso, este caminho foi registrado também por Joaquim Quaresma Delgado, em 1734.414F
415 Delgado saiu da povoação dos Crioulos, no alto da serra das Almas,
margeando o rio das Contas em direção ao Arraial de José Ribeiro Marinho, na 412 Ibid. p. 60-62. 413 Ibid. p. 70-76. 414
DOCUMENTOS INTERESSANTES, volume XLVII, 1929. Carta do coronel Pedro Barbosa Leal ao conde de Sabugosa, dando-lhe informações sobre as distâncias entre as minas do interior e a Cidade da Bahia, 20.12.1727. p. 106.
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DOCUMENTOS INTERESSANTES, volume XLVII, 1929. Derrota da Vila do rio das Contas entrando nos Crioulos, que é aonde principia a estrada para a Bahia até o porto de São Pedro de Muritiba no rio da Cachoeira. 1734. p.123-127.
147 Chapada. Daí seguiu para o Morro do Chapéu e ribeirão da Jiboia, e deste para o rio Una, onde visitou as fazendas da Capivara e de Palma, áreas de criação de gado e de propriedade de Manuel Nunes Vianna, líder emboaba. Após dois dias e meio de viagem chegou à Vila de João Amaro e daí às fazendas Boqueirão e Mangabeida, propriedades do capitão-mor da Conquista, de onde partiu para Muritiba, passando pelas fazendas — Curralinho e Genipapo — de propriedade de Sebastião Barbosa.
Delgado, ao passar por territórios que neste momento pertenciam à comarca do Serro do Frio,415F
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descreveu as fazendas de gado existentes e identificou seus proprietários, destacando os pioneiros na ocupação dos vales do rio Jequitinhonha, Pardo e Verde Grande: Mathias Cardoso, Januário Cardoso e Antônio Gonçalves Figueira. Estes, após os confrontos contra os índios, em fins do século XVII, contribuíram para a fundação do Arraial de Mathias Cardoso, importante local de passagem para aqueles que circulavam nos caminhos que movimentavam o comércio entre Bahia e Minas Gerais durante o século XVIII.
Outros caminhos menores, mas também importantes, ligavam a Vila de Rio de Contas ao Arraial de Minas Novas, na comarca do Serro do Frio. Várias artérias davam às terras diamantíferas àqueles que vinham da Bahia. Assim como os sertões da Bahia, o norte de Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XVIII, já estava completamente entrecortado por picadas, caminhos e atalhos que se ligavam aos rios menores e que faziam, também, ligações com aqueles que protagonizaram a grande circulação de pessoas e produtos entre as duas capitanias. Os caminhos da Bahia alimentavam não apenas o sertão, mas também o recôncavo e as cidades portuárias, como Cachoeira e Camamú. De todas estas vias, as que mais nos interessam são as que foram abertas, continuadas ou até mesmo utilizadas pelos agentes integralizadores do intercâmbio estabelecido entre a Bahia e Minas Gerais, jamais restrito à dimensão comercial. O caminho do salitre e o caminho de Itacambira eram próximos às redes fluviais e serão objetos de analise dos trânsitos e conexões entre os sertões.
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DOCUMENTOS INTERESSANTES, volume XLVII, 1929. Derrota das cabeceiras do rio verde até a sua barra, e daí ao arraial dos Morrinhos, e dele correndo o rio de S. Francisco até a barra do rio Paramirim acima até a fazenda do Riacho de Santa Apolônia, e da fazenda correndo a parte direita a oeste a buscar a serra, e por ela acima até o brejo das carnaúbas, e deste a sair na estrada da Bahia, na fazenda Barrocas. 1734. p.129-143.
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d) OS CAMINHOS DE “JOÃO GONÇALVES DA COSTA”
Desde o século XVI, a abertura do caminho da Bahia ou Currais do Sertão fomentou as explorações pelos rios Jequitinhonha, Pardo, das Contas e São Francisco, e a criação de gado por baianos às margens destes rios. O comércio de víveres entre essa região e a Bahia foi intensificado a partir do século XVIII. A rota conhecida como Caminho de João Gonçalves do Prado seguia do rio das Velhas em direção aos rios Jequitaí, Verde Grande e das Contas até chegar à região de Cachoeira, no recôncavo, pela margem direita do rio Paraguaçu. Antonil descreveu este caminho que tem sido intensamente registrado pela historiografia como um dos mais movimentados entre as Minas e a capital da colônia:416F
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partindo da Cidade da Bahia, a primeira pousada é na Cachoeira: da Cachoeira vão à aldeia de Santo Antônio de João Amaro; e daí à Tranqueira. Aqui divide-se o caminho: e, tomando-o à mão direita, vão aos currais do Filgueira logo à nascença do Rio das Rãs. Daí passam ao curral do Coronel Antonio Vieira Lima, e deste curral vão ao arraial de Mathiaz Cardozo.
Mas se quiserem seguir o caminho à mão esquerda, chegando à Tranqueira, metem-se logo o caminho novo e mais breve que fez
João Gonçalves do Prado,417F
418 e vão adiante até à nascença do Rio
Verde. Da dita nascença vão ao Campo da Garça: e daí subindo pelo rio acima vão ao arraial do Borba, donde brevemente chegam às Minas Gerais do Rio das Velhas.
Os que seguiram o caminho da Tranqueira, à mão direita, chegando ao arraial de Mathiaz Cardozo, vão longo do Rio de S. Francisco acima, até darem na barra do Rio das Velhas: e daí como está dito, logo chegam às minas do mesmo rio.418F
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Para Viana,419F
420 o caminho registrado e reproduzido pela historiografia como sido aberto por João Gonçalves do Prado fora, na verdade, obra de João Gonçalves da Costa.
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LIMA JÚNIOR, Augusto de. Op. cit. 1978. p. 136. ANTONIL [João Antônio Andreoni]. Op. cit. 1963. p. 85.
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Grifo nosso.
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ANTONIL [João Antônio Andreoni]. Op. cit. 1963. p. 84-85.
420
VIANA, Urbino. Bandeiras e sertanistas baianos. São Paulo: Companhia Editora Nacional/Biblioteca Pedagógica Brasileira, 1935. v. XLVIII. 207 p. (Coleção Brasiliana, Série V).
149 Antonil escreveu sua obra em 1711 e é quase certo que João Gonçalves da Costa420F
421 nasceu, possivelmente, na década de 20 do século XVIII, conforme demonstrado no primeiro capítulo. Instigante é o fato do outro personagem – João Gonçalves do Prado – não continuar aparecendo na documentação do século XVIII. Nossa pesquisa não encontrou seu nome nos anais da administração colonial, nem em qualquer registro fiscal ou eclesiástico consultado. Situação contrária é a do capitão-mor da Conquista, que tem seu nome constantemente registrado em documentos fiscais e na correspondência entre as autoridades coloniais do século XVIII e XIX.
Conforme se percebe no mapa III, o caminho apontado como aberto por João Gonçalves do Prado encontra-se, no lado direito, os rios Gavião, das Contas, Pardo, Jequitinhonha e o caminho de Itacambira. Na margem esquerda do trajeto, os lugarejos da Vila do Rio de Contas e de Montes Altos; também os rios Verde Pequeno, Verde Grande, Gorutuba e o São Francisco. Estas localidades foram registradas pelas conquistas do capitão-mor João Gonçalves da Costa próximas à Vila de Camamu, importante entreposto comercial dos séculos XVIII e XIX que abrigava o principal ponto de ligação com o Atlântico no sul da Bahia. Escrita em 1802 pelo ouvidor da comarca de Ilhéus, Balthasar da Silva Lisboa, a Memória sobre a comarca dos Ilhéus descreveu esta parte do caminho como sendo obra de João Gonçalves da Costa:
Era muito acertado erigir a Aldeã nos Funis do Rio de Contas, donde vem a estrada para a Vila de Camamu, tanto por ficar mais perto dos certoes da ressaca como porque servia de registro aos viandantes das minas; então aquelas estradas freqüentadas e com suficientes pastos podiam prestar uma grande atividade ao comércio interior, descendo por elas assim o gado, a vaqueta, ou couros, e outros efeitos do sertão principalmente por estar já naquele tempo aberta pelo capitão mor João Gonçalves à sua custa a estrada daqueles ricos sertões pelas margens do Rio de Contas.421F
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Por volta de 1880, Balthazar da Silva Lisboa abriu um novo caminho que unia a estrada do litoral de Valença, até o rio Doce com a costa sul da Bahia, estrada que se
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O viajante austríaco afirmou que João Gonçalves da Costa “é europeu e tem 86 anos” e que “na idade de dezesseis anos, seguia a sua vocação, que era a de conhecer terras distantes”. WIED-NEUWIED, Maximiliano. Op. cit. 1989. p. 447-448.
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ANAIS BN. Volume 37. Memória sobre a comarca dos Ilhéos, por Balthasar da Silva Lisboa. (1802). p. 1-22. p. 14.
150 conectava a uma abertura, iniciada em 1802, que ligava Belmonte, localidade do sul da Bahia, a Minas Gerais. Também no início do século XIX foi concluído o caminho que ligava a Cidade de Ilhéus às minas de salitre da Serra de Montes Altos.422F
423 O rio Doce, palco das entradas de João da Silva Guimarães também alimentava diversas artérias que incrementavam o trânsito entras as Capitanias de Minas Gerais e da Bahia.
MAPAVI
CARTA GEOGRÁFICA DO RIO DOCE423F