Dentro das várias formas de inquirir, para o presente estudo de caso, optou-se pelo inquérito por questionário, caracterizado pela formulação e ordenação rígida de perguntas e respostas, de conteúdo relativamente limitado e da pouca liberdade dos intervenientes (Hill e Hill, 2005). São várias as vantagens associadas a esta técnica de recolha de informação, nomeadamente o facto do inquérito por questionário ser relativamente rápido de preencher visto que o inquirido escolhe a opção que mais se adequa à sua opinião, atitudes e comportamentos, entre uma lista tipificada de respostas.
Ao longo do questionário foram introduzidas perguntas fechadas dicotómicas em que o inquirido pode optar entre um ‘sim’ ou um ‘não’, dependendo da sua realidade, do seu comportamento ou opinião. Tendo em conta o que se pretende estudar, optou-se por inserir questões de filtragem, em que só são apresentadas ao inquirido questões adequadas ao seu caso. Adicionalmente, foram utilizadas escalas de atitudes e opiniões, nomeadamente Escalas de Lickert, consideradas instrumentos de ordenação ou de medida da intensidade das atitudes e opiniões (Hill e Hill, 2005). Foram igualmente introduzidas algumas questões abertas com o objectivo de estudar mais profundamente (e de forma livre) algumas opiniões, bem como questões semi-abertas, dando a possibilidade ao inquirido de responder para além da lista tipificada apresentada, na categoria ‘outro’.
Foram várias as fases adoptadas para a realização e preparação do inquérito por questionário (Silva e Pinto, 2003). O primeiro momento consistiu no planeamento do inquérito, através da delimitação dos objectivos específicos a estudar e a formulação de hipóteses, definição de variáveis e identificação de possíveis correlações entre elas. Definiu-se posteriormente a população do estudo e a amostra (ver no subcapítulo 4.4 a descrição do processo de amostragem adoptado). Num segundo momento, preparou-se o questionário, tendo sido cuidadosamente escolhidos o formato e a ordem das perguntas. O questionário foi sujeito, posteriormente, a um pré-teste. Efectivamente, para que o inquérito por questionário seja um instrumento de recolha de dados eficaz é sempre aconselhável a realização de um pré-teste, com a finalidade de avaliar a necessidade de se reestruturar o inquérito e de reduzir qualquer tipo de enviesamento.
A aplicação do pré-teste (ver anexo 2), decorreu entre os dias 4 e 6 de Maio a quinze pessoas, donos de cães, que se encontravam a passear junto à praia da Foz no Porto. O pré- teste permitiu verificar que havia questões pouco claras e, como tal, introduziram-se algumas mudanças. Para além disso, optou-se por incluir novas variáveis que poderiam ser interessantes para estudar melhor os potenciais motivos que podem fazer com que os donos não viajem com o seu cão durante as férias e, ainda, mais três questões para compreender melhor o comportamento de viagem dos pet travellers (questões 19, 20, 21 do questionário final).
No que refere aos dados de caracterização sócio-demográfica, optou-se por colocá-los na última página do questionário, visto que algumas pessoas poderiam ficar logo à partida retraídas em responder ao questionário, porque lhes era perguntado qual o rendimento mensal do agregado familiar. Ainda relativamente aos dados sócio-demográficos, em vez de se colocar uma questão fechada relativamente ao número de pessoas do agregado familiar, optou-se por colocar uma questão aberta, com o objectivo de saber concretamente
53 quantas pessoas compõe o agregado familiar do inquirido. Optou-se ainda por incluir uma nova categoria na questão relativa às habilitações literárias – ‘não concluiu a instrução primária’ e, ainda, por alterar o nome da categoria ‘Médio/Superior – Universitário/Bacharelato’ por ‘Bacharelato ou Licenciatura’. Quanto à questão relativa ao rendimento mensal do agregado familiar, optou-se por perguntar aos inquiridos o rendimento mensal líquido do agregado familiar, e nesta questão, foi ainda incluída uma nova categoria ‘mais de 2501€’.
No que respeita à questão 1, relativamente ao número de cães que o dono tem, optou-se por incluir no novo questionário uma questão aberta, em vez de uma questão fechada, para saber exactamente o número de cães que a pessoa tem. Na questão 4, optou-se por incluir novas categorias que pudessem avaliar de forma mais clara, a opinião dos donos relativamente a motivos que podem fazer com que não viajem com o seu cão durante as férias. Optou-se por excluir a questão 8 do pré-teste porque aquando da administração do pré-teste, a maioria das pessoas considerou a pergunta bastante confusa. Quanto à questão 8 do pré-teste (questão 9 do questionário final) optou-se por excluir as categorias 7 e 8, porque não diziam respeito a potencias motivos para os donos viajarem com o seu cão de férias. Na questão 10 do pré-teste (questão 9 do questionário final) optou-se por alterar os intervalos relativos ao peso do cão, incluindo intervalos mais pequenos, uma vez que na maioria das unidades de alojamento e das companhias aéreas (na cabine do avião junto ao dono) apenas são admitidos animais com menos de 6/10 kg. Quanto à questão 11 do pré- teste (questão 10 do questionário final) visto que os inquiridos ficavam confusos porque não compreendiam se os euros extra que estariam dispostos a pagar, por noite, em alojamento, para levar o cão de férias consigo, era por cão ou por todos os cães que têm, optou-se por incluir nesta questão a frase: ‘nota: preço por noite por 1 cão’. Na questão 15 do pré-teste (questão 14 do questionário final), optou-se igualmente por introduzir intervalos mais pequenos relativamente ao número de quilómetros percorridos na viagem mais longínqua realizada com o cão.
Tal como já referido, considerou-se interessante incluir mais três novas questões para estudar melhor o comportamento de viagem dos pet travellers: uma pergunta sobre qual o principal motivo para viajar na maioria das viagens realizadas com o cão (questão 19 do questionário final), qual a duração média das viagens acompanhadas pelo cão (questão 20 do questionário final) e, ainda, uma pergunta sobre qual a composição do grupo nas viagens com o cão, nomeadamente com quantas pessoas e quantos cães viajam em média (questão 21 do questionário final).
Durante a fase do pré-teste, optou-se pela administração indirecta, onde o inquiridor coloca as questões e anota as respostas dos inquiridos, resultando assim, num maior controlo e análise relativamente à sequência e clareza das perguntas, às questões filtro, bem como ao tempo de preenchimento do questionário. Após a fase de aplicação do pré-teste, redigiu-se o inquérito final (ver anexo 3) e procedeu-se ao lançamento do inquérito por questionário definitivo.
54