B 2. L’INTERPRETATION DES RESULTATS
C. DISCUSSION DES RESULTATS
1-Auxiliadora Coelho: Eu escolhi aqui o bicho papão. Eu acho que o nosso aluno quando ele vem pra EJA, ele tanto vem com medo, como ele vem com medo de nós educadores, porque ele pensa também que não é capaz, ele tem medo de recomeçar sua vida, de dar uma nova ressignificação ao que ele quer. E assim pra ele é muito difícil. Então eu escolhi o bicho papão pelo medo que ele sente.
2-Auxiliadora Morena- Eu escolhi o quebra-cabeça, porque eu acredito que ele, o aluno quando vem ao CEJA é porque falta essa peça na vida dele, então ele vai tentar montar com a nossa ajuda, pra exatamente sair e tentar viver, em termos, assim é um desafio constante todo dia, e a gente vai montando o nosso quebra cabeça. Então ele vem aqui buscar isso, buscar essa peça que falta pra montar o quebra-cabeça da sua vida. [...] E eu vejo o meu aluno aqui. Eu acho engraçado que vem buscar a peça, a pedra que falta, ele está voando lá fora, aí vem aqui na nossa terra exatamente pra se encontrar mais
3-Beth- Eu escolhi aqui um dominó. (risos). O dominó é um jogo que tem uma disputa, tem uma luta, que você vai travar pra vencer, vencer não, nessa parte de vencer o outro, assim noutro sentido, mas vencer conseguir seus objetivos. Quais são os objetivos dos nossos alunos que vem? Conseguir recuperar [...] o tempo que ele perdeu, o saber que é importante. Então quando ele ganha o jogo, ele ganhou experiência, ganhou vida nova,
4-Carmem- Porque o segredo que o aluno vem buscar aqui o segredo do conhecimento, ele vem abrir portas do conhecimento (alguém fala algo e todos sorriem).
5-Karmem- Eu escolhi a mandala, assim, eu adoro a mandala, só nesse instante que vocês falavam, eu conseguir fazer infinitas coisas com a mandala, e eu assim, eu num quero discordar de ninguém, lógico, mas eu num vejo o meu aluno vindo aqui, só esse aluno tão necessitado assim não, sabe? É muitos alunos que a gente tem aqui, eles vêm, porque o mercado de trabalho exige que ele venha, sabe! É uma necessidade que ele tem, se ele quiser ganhar um pouquinho melhor, sabe! É o patrão que está falando pra ele que ele precisa voltar, porque o que ele tem já não é mais suficiente. É outra visão de EJA. Isso aqui é como se fosse assim: ‘Ah, eu tenho que dar um passo a frente, então eu vou, claro.’ E eu vou, mas aquele pessoal lá, acha que eu não sei de nada, eu sei de tudo. Eu vou, porque o cara tava pedindo que eu tenha um papel falando que eu tenho que ter o ensino médio, mas o conhecimento que eu tenho aqui no meu trabalho, ta superior. Ele volta, porque ele quer dar um passo maior do que ele já deu. Não porque, ele esteja zerado de conhecimento, mas porque ele está sendo obrigado, impulsionado por esse trabalho, pela necessidade do capital. Eu vejo o aluno do CEJA também esse aluno. Não só esse necessitadozinho que num sabe de nada, que ta começando lá embaixo, não. Olha, nós já pegamos aluno aqui, até com nível superior. Ele vem aqui, porque ele precisa aprender um pouquinho da cultura do nordeste. E ele vai encontrar na gente assim, essa abertura pela conversa, sabe! Ele sim está atrás do papel, do canudo, muitas vezes, está atrás de uma troca de experiências, sabe! E muitas vezes você encontra pessoas que tem um direcionamento de um ramo de atividade e de experiência de vida muito superior ao seu, muito melhor dos professores que estão aqui, porque a gente tem esse conhecimento e tudo, mas a gente também encontra pessoas que nos dão verdadeiras lições de vida aqui, em vários sentidos [barulho de porta abrindo]. [...].É incrível o que você quiser montar com ela. Ela aqui travou uma hora que num dava mais pra eu fazer nada. Aí eu disse: ‘você [...] num pode mais que eu’. Então eu acho que o aluno faz isso, sabe! E aí eu dei um jeitinho aqui, e ela voltou a funcionar legal. Então, o nosso aluno também é assim, ele supera essas dificuldades. Esse negócio de aluno que vem só morto de cansado num sei o quê. Tem gente que não é só isso não, tem gente aqui que faz da gente objeto, sabe! Tem uns que acha nós somos mais (...), como diz o meu marido: ‘Karmem, eu não sei como tu num cansa de ser escada, todo mundo sobe e tu fica lá embaixo’....
6- Júnior- Ah, eu escolhi, eu achei as primeiras fotos que eu vi ali, foram as tuas fotos. [...] Aqui. Aí eu olhei disse assim, quer dizer, essa pessoa que veio até aqui, se propôs a fazer uma pesquisa num determinado dia, põe as fotos, as suas fotos, quer dizer, em cima da mesa pras pessoas olharem, quer dizer, foto não tem nada a ver com.... num escolheram essa aí é porque eu não tinha visto, que não tem nada a ver com a educação, são as fotos pessoais dela, ela passeando na Redonda, passeando com os amigo dela, que dizer, então, eu olhei assim, eu digo, é desse jeito mesmo, quando a gente se encontra com as pessoas, a gente se encontra desse jeito mesmo. Essas pessoas que estão todos os dias com a gente, quer dizer, que a gente já teve até um caso semelhante que foi de uma mesma figura do menino lá, que é filho do Jacaré, falando dos jangadeiros que na década de 40 fez uma viagem daqui pro Rio de Janeiro. [...] Era o Mauri. Ele foi aluno nosso, por causa da burrice nossa, que dizer, de não manter essa relação com todo mundo, mas ele fazia isso, ele era o antropólogo da gente, quer dizer, ele chegava e dizia, e começava a falar, e falava das memórias, das coisas dele.