O presente trabalho está organizado em seis capítulos devotados ao problema da prospecção e pesquisa de água subterrânea, águas minerais e recursos geotérmicos de baixa entalpia, com ênfase para os terrenos da Zona Centro- Ibérica. Os trabalhos científicos anteriormente publicados pelo autor, sozinho ou em colaboração, são incorporados no texto e impressos em papel reciclado, bem como devidamente assinalados pela sigla [nº artigo]. A numeração das páginas é sequencial, sem adicionar as páginas respeitantes a cada artigo incluso.
O presente capítulo I (Introdução geral) constitui uma memória de enquadramento e justificativa da dissertação e pretende enquadrá-la no âmbito da Hidrogeologia contemporânea ao serviço do Homem.
O capítulo II (Prospecção e pesquisa de águas subterrâneas em rochas
cristalinas), pretende constituir uma síntese das características hidrogeológicas
que condicionam a prospecção e a pesquisa e das técnicas que foram usadas. Alguns conceitos são ilustrados com exemplos concretos da Zona Centro-Ibérica. Neste capítulo são incorporados alguns artigos em que o objectivo básico foi a detecção de estruturas hidrogeológicas produtivas mas em que se evidencia a preocupação em incluir, para suporte da robustez das técnicas de prospecção utilizadas tendo em vista futuras operações, a informação hidrodinâmica ⎯ e menos vezes hidroquímica ⎯ resultante dos furos de pesquisa posteriormente realizados. Procura mostrar-se que as investigações hidrogeológicas são integradas numa lógica económica apoiada por uma conceptualização correcta de modelos supostos que suportem a circulação da água subterrânea.
O capítulo III (Cartografia hidrogeológica do Maciço Antigo Português:
uma proposta) corresponde a uma tentativa de sistematização à escala regional
de muita da informação hidrogeológica agora trabalhada.
São abordados temas como a avaliação da recarga, recursos e produtividades dos aquíferos e das captações, caracterização hidrodinâmica e três ensaios de cartografia hidrogeológica temática baseados nas unidades litológicas e no Índice Metros Caudal [IMC] (Carvalho 1993, Carvalho et al. 2003, 2004). Neste capítulo são, também, apresentadas formulações experimentais determinadas na Zona
Centro-Ibérica para: (i) a transmissividade em função do caudal específico de furos de pesquisa e eventual captação para vários tempos de bombagem, (ii) a transmissividade mediana local em função do Índice Metros Caudal (IMC), e, (iii) o Coeficiente de Redução de Caudal (CRC), factor que relaciona o caudal de exploração sustentável com o caudal instantâneo obtido durante a perfuração em furos de pesquisa e eventual captação. Duas das cartas temáticas relacionam-se com o custo da água na Zona Centro-Ibérica e na Zona Galiza-Trás-os-Montes, designadamente: (i) da água para abastecimento público na zona Centro-Ibérica, e, (ii) da água para agricultura em Trás-os-Montes. Na elaboração destas cartas foi tido em conta o risco geológico associado à prospecção, a partir do IMC. Uma Carta de Desenvolvimento de Recursos Hídricos Subterrâneos em Trás-os- Montes, concebida para servir de base à localização de futuras pesquisas de água naquela região (Hidroprojecto, ACavaco & Tahal 1987, 1989) só agora é tornada pública.
O capítulo IV (Águas minerais e de nascente e recursos geotérmicos) discute o problema da prospecção e pesquisa de águas minerais e de nascente e de recursos geotérmicos de baixa entalpia à luz do enquadramento institucional em Portugal e na União Europeia e dos condicionalismos técnico-económicos e sociais da envolvente. O peso económico destes recursos geológicos é posto em evidência o que justifica a maior grandeza dos investimentos técnico-financeiros amiúde disponibilizados ao respectivo desenvolvimento. São também apresentados exemplos típicos da prospecção e pesquisa desses recursos e sintetizados os conhecimentos existentes sobre a respectiva caracterização hidrodinâmica. No final é feita uma avaliação do potencial dos recursos geotérmicos da Zona Centro-Ibérica para usos directos e do estado actual do seu aproveitamento.
No capítulo V (Conclusões e recomendações) são resumidos os resultados principais das investigações realizadas e sugeridas propostas de intervenção e de investigação para o futuro.
Por fim, o capítulo VI (Referências) é constituído pelas referências bibliográficas de todos os trabalhos citados na dissertação.
O quadro I-1 sintetiza a tipologia e distribuição dos artigos, os temas abordados e os resultados reportados no final de cada um.
Este trabalho, não sendo uma obra de hidrogeologia regional clássica, ambiciona: (i) constituir um contributo para a metodologia de prospecção e pesquisa hidrogeológica em rochas cristalinas portuguesas; (ii) estabelecer pontes com a hidrogeologia regional, a engenharia dos recursos hídricos e a hidroeconomia, chamando a atenção para a necessidade de produção de cartas temáticas viradas para o utilizador; e, (iii) constituir um ponto de partida e de reflexão para jovens investigadores em hidrogeologia.
O cidadão informado e os técnicos de espectro diverso, potenciais utilizadores de informação sobre águas subterrâneas, geralmente não entendem as cartas hidrogeológicas clássicas. O técnico “profano”, não-iniciado, necessita de conhecer, sempre que possível em estreita colaboração com especialistas credenciados em desenvolvimento de recursos hídricos subterrâneos, a previsão sobre: (i) a profundidade das obras de pesquisa e captação; (ii) o risco geológico associado à prospecção e pesquisa; (iii) a produtividade dos aquíferos; (iv) os caudais de exploração sustentáveis das obras de captação (long term-well
capacity da literatura anglo-saxónica); (v) o custo da água; e, (vi) as suas
características de defesa contra a contaminação. Este último aspecto está liminarmente fora dos limites definidos para este trabalho.
Seria reconfortante para o autor que a leitura deste escrito pudesse ser útil aos jovens investigadores e técnicos que se interessam pelos problemas de prospecção e pesquisa de águas subterrâneas e pelo papel das mesmas no Ordenamento do Território. Enfim, porventura a mensagem principal, seria a de que a prospecção e a pesquisa de água subterrânea continuam sendo tarefas fundamentais da técnica e da ciência ao serviço do Homem e da Sociedade.
Quadro I-1: Localização, domínios, litologias, técnicas usadas e resultados apresentados nesta dissertação: uma visão integradora.
Artigos Localização
Domínio
geoestrutural Litologias Técnicas usadas Resultados Finais Capítulo II - Prospecção e Pesquisa de Águas Subterrâneas em Rochas Cristalinas
Artigo 1 Arraiolos ZOM M/G PG/IH/GR/FP/EC/PHA MP/MCA
Artigo 2 Arraiolos/Trofa/Olveira de Azemeis ZOM/ZCI M/G PG/GR/FP/EC/PH MP/MCA
Artigo 3 Porto ZCI M/G PG/IH/GR/FP/EC/PHA MP/MCA
Artigo 4 Oliveira Azeméis ZOM/ZCI M/G PG/IH/GR/FP/EC/PHA MP/MCA Artigo 5 Oliveira de Azeméis e Fafe ZOM/ZCI M/G PG/IH/GR/FP/EC/PHA MP/RD/MCA Artigo 6 Aguiar da Beira ( Cavaca) ZCI G PG/IH/GR/PH MP/MT/MCA Capitulo III - Cartografia Hidrogeológica do Maciço Antigo Português: uma Proposta
Artigo 7 Maciço Antigo ZCI/ZGTOM/ZOM M/G IH/FP/EC/PHA RD/ IMC/CRC/MCA
Artigo 8 Trás-os-Montes ZCI/ZGTOM M/G FP/EC RD/MT/CA/IMC/MCA
Artigo 9 Minho, Trás-os-Montes e Beiras ZCI/ZGTOM M/G IH/AR RD
Artigo 10 Minho, Trás-os-Montes e Beiras ZCI/ZGTOM M/G IH/FP/EC/PHA MT/RD/MT/CA/IMC/MCA Artigo 11 Minho, Trás-os-Montes e Beiras ZCI/ZGTOM M/G IH/FP/EC/PHA MT/RD/MT/CA/IMC/MCA
Artigo 12 Grande Porto ZCI G PG/IH MCA
Artigo 13 Porto e Serra da Estrela ZCI M/G PG/IH/PHA MCA