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Discussion sur le centre de cisaillement et le centre de torsion

CHAPITRE 6 : DISCUSSIONS ET CONSIDÉRATIONS COMPLÉMENTAIRES

6.5 Discussion sur le centre de cisaillement et le centre de torsion

Importante esclarecer o conceito de redes sociais que perpassa as estratégias da Associação Grãos de Luz e Griô e do Projeto Nacional. De acordo com Ilse Scherer-Warren,20 as redes seriam formadas pelo associativismo localizado (ONGs comunitárias e associações locais), associativismo setorizado (ONGs feministas, ecologistas, étnicas, e outras) e pelos movimentos sociais de base locais (de moradores, sem-teto, sem-terra, etc.), configurando-se a partir da identificação de sujeitos coletivos em torno de valores, objetivos ou projetos em comum. De acordo com a autora, esses grupos percebem cada vez mais a necessidade de se articularem com outros grupos que tenham a mesma identidade social e política, a fim de ganharem visibilidade, produzir impacto na esfera pública e obter conquistas para a cidadania.

No Brasil, a Associação Grãos de Luz e Griô participa ativamente de duas redes sociais. A primeira é a rede da Ação Griô Nacional,21 criada e coordenada pela própria associação em parceria com o Ministério da Cultura Uma segunda rede, que se configura como um importante espaço político de atuação da associação, é o Brasil Memória em Rede (BMR), uma rede de organizações e pessoas que acreditam na memória como uma ferramenta de desenvolvimento social e cultural do país.

O Brasil Memória em Rede é articulado pelo Museu da Pessoa em parceria com o SESC SP, UNESCO, Ministério da Cultura e Petrobras e teria surgido no I Fórum Cultural Mundial realizado em São Paulo em junho de 2004. Em 2006, foi realizado o 1º Fórum do Brasil Memória em Rede na cidade de São Paulo, que teve como objetivo construir as ações e estratégias para a estruturação da rede. Do encontro resultou a pactuação de ações estratégicas

20SCHERER-WARREN, Ilse. Das mobilizações às redes de movimentos sociais. Soc. estado., Brasília, v.21, n.1, Abr. 2006.Disponível:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 69922006000100007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 02 de Maio de 2009. doi: 10.1590/S0102- 69922006000100007.

a serem desenvolvidas em três ações principais: Expedição do Redescobrimento, o Mapeamento Nacional de Iniciativas de Memória Institucional e os Grupos Territoriais de Memória e Educação.

Em 2007, a rede foi selecionada por meio de um edital público do Ministério da Cultura como um Pontão de Cultura. 22 O projeto previa a criação de novos núcleos regionais pelo país e a realização do II Fórum Brasil Memória em Rede, que ocorreu em agosto de 2008. Dentre os principais objetivos da rede estão: inserir a memória de maneira direta e transversal na agenda

e no cotidiano de instituições e da sociedade, potencializar a memória como fator de inclusão e transformação social, sobretudo por seu uso educativo, fomentar o fortalecimento das múltiplas identidades culturais do país, diversificar as vozes na construção da narrativa histórica brasileira, articular e potencializar acervos dispersos no país e colaborar com a elaboração de políticas públicas e privadas referentes ao patrimônio imaterial.23

A Associação Grãos de Luz e Griô atua como articuladora do polo nordeste24 e participou da “Expedição do Redescobrimento”, ação desenvolvida pelos integrantes da rede no período de agosto de 2007 e maio de 2008, que visava à troca de experiências entre entidades da rede por meio de seus polos regionais sudeste, nordeste, centro-oeste, sul e norte. O intercâmbio resultou na exposição itinerante “Expedição do Redescobrimento: Um novo jeito de olhar o Brasil”, em cartaz em Lençóis no período de 17 a 31 de outubro de 2008.

22 Os pontões de cultura são instrumentos de promoção do intercâmbio e difusão da cultura brasileira em suas mais diversas linguagens e formas, no âmbito regional ou nacional, geridos por ente público ou privado sem fins lucrativos, com o objetivo de desenvolver ações de capacitação e formação de agentes culturais vinculados aos Pontos de Cultura; criação e apresentação de obras artísticas realizadas em conjunto por mais de um Ponto de Cultura; realizar a distribuição, comercialização e difusão dos produtos culturais produzidos pelos pontos de cultura; e organizar atividades que promovam a troca de experiências e a articulação entre os pontos de cultura. Fonte: www.cultura.gov.br.

23 www.brasilmemoriaemrede.org.br

24 O polo nordeste é composto pelas instituições: Grãos de Luz e Griô / Lençóis – BA; Pierre Verger / Salvador – BA; Terra Mirim / Simões Filho – BA; Projeto Lampião / Cascavel – CE; Fundação Casa Grande / Nova Olinda – CE; Projeto Escola de Artes / Fortaleza – CE; Cultura ao Alcance de Todos / Floriano – PI; C.A.I.S do Parto: Centro de Atividade de Integração do Ser / Olinda – PE; Memória e Produção de Cultura Popular Coco de Umbigada / Olinda – PE; Sociedade Religiosa Africana Nação Xambá / Olinda – PE; Rede de Mulheres Rurais da América

Além da atuação mais ativa nas redes mencionadas acima, a associação mantém comunicação com o Fórum das Culturas Populares, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Rede das parteiras tradicionais, a Rede das Mulheres da Terra e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

Na relação com a África, no período de dezembro de 2006 a fevereiro de 2007, Márcio Caíres viajou para a cidade de Bamako, no Mali, com o objetivo de vivenciar o modo de vida dos griôs da região. Márcio ressalta que precisava viver a tradição griô e não mais ouvir falar da tradição. Ao longo de dois meses de intercâmbio, viveu em uma aldeia da zona rural do Mali, encaminhado por um senhor de 80 anos, de uma família tradicional griô.

Durante o intercâmbio, Márcio estabeleceu contato com a Associação de Comunicadores Tradicionais, associação que congrega os griôs e outros comunicadores na cidade de Bamako. A organização emitiu uma carta formal de reconhecimento do projeto desenvolvido no Brasil e da utilização do nome griô. Ressalta que outra forma de reconhecimento do trabalho desenvolvido em Lençóis foi uma carta da família com a qual conviveu o reconhecendo como um griô, além do compromisso com o estudo da Cora, instrumento ao qual foi presenteado como forma de iniciação na tradição musical.

Neste primeiro capítulo procurei traçar um panorama da trajetória da Associação Grãos de Luz e Griô, assim como suas principais estratégias e práticas com crianças e jovens da cidade de Lençóis e seu processo de mobilização e articulação comunitária. Considerando o processo de invenção da Pedagogia Griô a segunda parte do trabalho enfatizará a análise das principais referências teóricas e categorias/conceitos utilizada pela Pedagogia Griô.