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Discussion : évolution des techniques et des méthodes d’interprétation, limites de la méthode d’interprétation, limites de la méthode

STRATIGRAPHIE DE LA PREMIERE SEQUENCE DE DEPOT DE LA FORMATION NATIH :

PREMIERE SEQUENCE

1.3. Stratigraphie sismique

1.3.2. Discussion : évolution des techniques et des méthodes d’interprétation, limites de la méthode d’interprétation, limites de la méthode

Os Quartos Norte foram os primeiros a ser descritos e os primeiros a demonstrar nitidamente a presença de um único grupo. Todos os objectos contabilizados são egípcios e claramente referentes à simbologia do lótus, podendo representar uma elite que por ali permaneceu o tempo suficiente para que os seus objectos se depositassem.

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O Edifício 1240 por outro lado parece ter sido uma habitação indígena, também de uma elite, uma vez que a residência tem inclusive um sistema de recolha e aquecimento de águas, mas ter servido também para acolher outros grupos, importantes o suficiente para ali se terem demorado.

O facto de terem aparecido objectos mitânicos e egípcios em quartos diferentes aponta também para esta realidade, em que uma habitação, tipo palácio servia como habitação semi-permanente ou permanente de um oficial local e como espaço para acolher as elites estrangeiras que por algum motivo ali chegavam.

Tentar compreender que tipo de actividades puderam ter levado grupos egípcios e mitânicos a ocuparem o mesmo espaço, num período em que andavam em guerra aberta foi um dos objectivos desta tese e no fim, depois de aplicar a metodologia descrita, pensamos poder apontar uma possibilidade, que embora precária e ainda sem mais provas conclusivas se ajusta a toda a dinâmica social identificada até ao momento para as restantes zonas do nível IX.

Atentando nos materiais do Quarteirão Nordeste e nos outros exemplos do exterior do templo, propôs-se já a possibilidade de grupos egípcios, formados por um exército não muito numeroso e por altos oficiais, talvez comandantes ou representantes de Tutmés III na Ásia Menor e de grupos mitânicos, constituídos por classes semelhantes de homens, se ter encontrado em Bet-Chan.

Como factores a favor desta moção, temos a localização do sítio, na estrada de Hórus e a meio caminho entre os dois territórios inimigos, as cartas de Amarna que apresentam propostas de alianças entre ambos e o casamento entre o filho e neto de Tutmés III com princesas mitânicas, quando por fim o tratado de paz foi assinado. Em termos arqueológicos, o Quarteirão em vista, tem objectos utilizados pelo exército egípcio, que, por controlar a cidade, seria hierarquicamente superior ao Mitani, que aparece caracterizado pelos cilindros-selo, usados como amuletos.

No único espaço da cidade em que claramente se identificam oficiais egípcios (com a presença da trombeta e da estátua), é inequívoca a presença de militares durante o século XV a.C. em Bet-Chan, embora a sua permanência possa não ter sido constante. Sabe-se que colectavam impostos e combatiam os inimigos que queriam açambarcar território e pôr em perigo o próprio Egipto, pelo que não parece estranho considerar a sua presença em Bet-Chan com o intuito de reunir tropas,

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descansar e reorganizar estratégias, às quais se podiam juntar a realização de reuniões políticas, como aquela que levou à criação de alianças e tratados.

Embora seja impossível à data comprovar esta possibilidade, ela não parece, à luz dos factos conhecidos e das conclusões que se retiraram nos capítulos anteriores descabida, até porque a frequência dos materiais mitânicos é sempre perseguida pela dos materiais egípcios, nunca os primeiros tendo sido encontrados isolados destes, embora os segundos o façam.

O outro espaço onde se encontraram cilindros-selo foi no designado Complexo Sul, descrito como um edifício para actividades de comensalidade e de onde veio o bétilo e uma figurinha feminina e um grande conjunto de cinzas animais. Pode crer-se na relação deste complexo às actividades do templo, uma vez que também aqui a utilização de animais cremados e ingeridos é digna de nota. Assim, insere-se uma vez mais na categoria de prática religiosa, unindo diversos grupos que partilhariam crenças semelhantes.

Torna-se clara a componente indígena do sítio, com as suas grandes áreas a delimitarem esta importância enquanto centro religioso e produtor, uma vez que relacionado com o templo se encontraram bastantes indícios de fabrico de cerâmicas e objectos de ourivesaria. Já antes se expôs a importância da industria de faiança de Bet-Chan e é interessante notar que esta se encontra arrolada ao templo, enquanto centro produtor e distribuidor, talvez orientado pela classe dirigente do mesmo e que poderia habitar numa das áreas envolventes.

Sendo um sítio tão nitidamente religioso não é estranho pensar que a classe nobre, de elite, fosse sacerdotal ou outra a ela ligada, exercendo as funções de chefe religioso e político, como tantas vezes se confirmou para o mundo levantino, do qual Bet-Chan faz invariavelmente parte. Também assim se pode aceitar a presença dos objectos do Quarteirão Ocidental, do qual fazem parte a espada Khepesh e a figurinha com o lótus genital e uma criança ao colo.

Oferendas feitas ao chefe de estado, corresponderiam a oferendas que soubesse apreciar, como aquelas que têm que ver com as suas principais funções. Deste modo, a entrada de um exército acompanhado por oficiais formados pela administração e com intuitos políticos não entraria em conflito com um chefe religioso que mantém o seu estatuto, enquanto mestre de cerimónias e figura pública indiscutível, sendo o mundo sagrado e profano uma e a mesma coisa.

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É mais uma vez impossível confirmar estas possibilidades, contudo, com uma metodologia como esta, que prima sobretudo, o tratamento dos contextos de interacção, aprimorando o método, poderá ser um dia exequível entender grupos humanos, mesmo que obsoletos, através das ciências humanas.

Várias outras cidades foram ocupadas pelo Egipto durante os séculos seguintes, muitas das quais apresentando modelos materiais semelhantes aos estudados, contudo, perceber de que modo em cada contexto ou ambiente se processaram as relações entre grupos é considerar que em cada sítio a ocupação foi única, mesmo que semelhante.

Em Bet-Chan, por ser um centro religioso já antigo, com longa tradição desde o Bronze Médio as práticas públicas foram sempre aceites pelos grupos exógenos que no fundo se aproveitaram da localização privilegiada da cidade para as suas campanhas políticas e só posteriormente a ocuparam definitivamente e a tornaram totalmente egípcia.

Foi como se disse nas introduções, uma escolha de momento e o delinear de estratégias foi-se processando consoante as necessidades externas, ligadas ao invasor mitânico e não propriamente cananaico.

Do método e da análise retiraram-se inúmeras hipóteses, que mais desenvolvidas poderão eventualmente criar um quadro de certezas e incertezas mais concretas que aquelas que aqui se puderam estabelecer. É como se clarificou inicialmente, um ensaio metodológico e um tratamento material praticável, mas não completo, do nível IX de Bet-Chan.

Abriram-se possibilidades que de outro modo não teriam bases sociais em que se apoiar e que agora, estão mais perto de poderem ser confirmadas ou descartadas. Não é a conclusão perfeita, com um relato histórico fechado e cheio de certezas, é por outro lado um planalto de caminhos abertos à espera de serem explorados.

E se não for da experimentação e do erro, de que outro modo poderão os homens estudar outros homens e estabilizar as variáveis que fazem dele um ser de realidades e não de verdades universais?

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