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A entrevista semiestruturada, também foi uma das técnicas que utilizamos como forma de encontrar significados, por ser uma técnica aberta e flexível. Tivemos a oportunidade de analisar as várias linguagens advindas desse recurso, as quais buscaram definir os significados no momento da realização da pesquisa no ato comunicativo. Conforme Lapassade a entrevista “... é um dispositivo no interior do qual há uma troca que não é, como na conversação denominada de campo, espontânea e ditada pelas circunstâncias.” (2005, p. 79).

Corroborando com Lapassade, Macedo afirma que a “entrevista” é um encontro entre seres humanos e como tal não pode faltar nas pesquisas qualitativas. O mesmo acrescenta:

(…) a entrevista é um rico e pertinente recurso metodológico para a apreensão de sentidos e significados e para a compreensão das realidades humanas, na medida em que toma como premissa irremediável que o real é sempre resultante de uma conceituação (…). (2006, p. 104).

Devemos compreender que, apesar dessa técnica ser flexível, é preciso que haja por parte do pesquisador um controle do roteiro a ser elaborado, portanto, este deverá ter em mente os objetivos pré-definidos e projetados, tendo clareza de que o imprevisto e o inusitado também serão valorizados durante o percurso.

Com esse instrumento de pesquisa, o interesse se volta para a “compreensão do humano como portador de uma cultura, coloca a possibilidade de empreender exercícios de descentramento, buscando, com sua investigação, outras percepções.” (BERNARDES, 2009, p. 66).

Primeiramente, ressaltamos que estivemos durante quatro (4) dias observando a prática dos formadores dos professores, no decorrer da realização dos encontros de formação; e, três (3) semanas de observação das professoras, em suas salas de aula. Nesse período, foram realizadas também as entrevistas e a aplicação dos roteiros, em momentos alternados.

Na entrevista com os professores, tivemos dificuldades, pois não havia substitutos para ficar com os alunos. Assim, contamos com a colaboração dos gestores da escola, pois disponibilizaram uma pessoa da própria escola para ficar com os alunos. Dessa forma, pudemos nos dedicar com tranquilidade a esse momento de entrevista.

As entrevistas semiestruturadas foram utilizadas por ocasionar um momento de diálogo livre e flexível e por serem “um rico e pertinente recurso metodológico para a apreensão de sentidos e significados e para a compreensão das realidades humanas (...)” (MACEDO, 2006, p. 104), e, como tal, buscam respostas na realidade dos atores e do pesquisador através de suas experiências de vida pessoal e profissional.

Para Bogdan e Biklen (1994) esse tipo de entrevista mantém fidelidade à tradição qualitativa, pois procura “captar o discurso próprio do sujeito” (p. 108), possibilitando ao pesquisador a anotação e o recolhimento de dados captados inesperadamente no campo e na análise desses dados.

Devemos lembrar ainda que durante a entrevista a linguagem verbal e a não-verbal (os gestos e as expressões) são “importantes para a compreensão das práticas cotidianas”. (MACEDO, 2006, p. 103).

de outras, dependendo das respostas das professoras. As questões foram organizadas mediante objetivos previamente estabelecidos.

Essa primeira entrevista ocorreu nos dias 27 e 29 de abril de 2011, sendo realizada com as cinco professoras, cada uma por vez, nas respectivas escolas em que lecionavam, em horários diferentes, algumas no próprio expediente de aula e/ou em momentos de intervalos dentro da própria instituição. O objetivo principal da entrevista era conhecer as professoras e quais conhecimentos estas tinham sobre alfabetização e letramento, tão necessários ao professor alfabetizador. Buscamos ainda conhecer um pouco mais sobre a formação inicial das mesmas e a ligação desta formação com a prática desenvolvida na sala de aula. Essa primeira entrevista nos ajudou a conhecer os professores que iriamos utilizar como fonte de pesquisa e objeto de estudo. Nesse momento entrevistamos as cinco professoras onde buscamos aprofundar e responder as nossas indagações.

Algumas temáticas serviram para nortear a entrevista, como por exemplo, o significado de alfabetização e letramento e a relação entre esses processos, além da sua contribuição para o trabalho em sala, a vida acadêmica e pessoal desses profissionais. Antes de iniciarmos a entrevista buscamos manter um diálogo sobre assuntos cotidianos para que o sujeito pesquisado sentisse segurança e confiança.

Vale ressaltar que, nas entrevistas buscamos informações de dados pessoais dos pesquisados, formação, tempo de atuação no magistério e tempo de trabalho de todos os envolvidos na pesquisa. Seguidamente utilizamos as perguntas: 1. O conteúdo trabalhado na formação ajudou-o(a) na sua prática em sala de aula? Exemplique. ; 2. Você acha que as práticas trabalhadas na formação contribuíram para que você se tornasse uma professora alfabetizadora mais competente/melhor capacitada para esta ação?; 3. O que mudou em sua prática de alfabetização que você pode atribuiu a formação recebida pelo programa em questão – Formação do 1º ano- Eixo Alfabetização?; 4. Quais os aspectos pedagógicos que você gostaria que tivesse sido conteúdo das formações e não foram contemplados?; 5. Que elementos, conteúdos e/ou atividades o programa ofereceu e você se apropriou e transpôs para a sua prática?; 6. Em que aspecto a formação do PAIC ajudou você na sua prática diária de sala e no processo de alfabetização?; 7. Você percebeu alguma repercussão na aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos? Se sim, a que você atribui essa melhoria? Se não, porque você acha que não ocorreu?; 8. Você incorporou os aspectos metodológicos do Programa como: rotina, tempos didáticos, trabalho com gênero textuais e perspectiva de letrar os

você atribui a facilidade e a dificuldade?; 9. Você acredita que essa formação pode se considerar e ser intitulada como inovadora? Por quê?

A segunda entrevista foi realizada após a formação, e teve como foco saber o que as professoras aprenderam ao entrar em contato com as práticas pedagógicas estudadas nos encontros de formação. Essa segunda entrevista aconteceu no dia 06 de maio de 2011 e tinha como objetivo saber que conhecimentos as três professoras tinham aprendido e se as práticas da formação puderam contribuir para modificar a sua prática em sala de aula. Perguntamos sobre o que elas consideravam inovador nas práticas pedagógicas trabalhadas nas aulas do curso.

Vale ressaltar que todas as entrevistas ocorreram dentro da escola, algumas vezes na sala da coordenação outras em uma sala destinada aos professores da escola.

Os aspectos coletados nessas entrevistas serviram de base para categorização e análise dos dados.

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