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Discrimination des signaux de bruit des signaux de DP par classification non superviséenon supervisée

5 Discrimination des signaux parasites des signaux de décharges partielles

5.3 Reconnaissance des signaux dans chaque environnement

5.3.2 Discrimination des signaux de bruit des signaux de DP par classification non superviséenon supervisée

A investigação sobre a iniciação à leitura considera que a escrita utiliza um código complexo e, portanto, conseguir ler exige aprender a decifrá -lo. Quando a aprendizagem se inicia, a criança dispõe de um domínio oral da língua e de estruturas cognitivas que só serão ativadas se houver contactos com materiais escritos. Mas para uma criança as palavras escritas são formas desconhecidas. Para serem decifradas exigem o domínio do código da escrita.

Na fase inicial da aprendizagem as crianças precisam de reconhecer que a lingua- gem escrita traduz parcialmente a linguagem oral que utilizam, tornando-se importante que desenvolvam atitudes positivas em relação à leitura e ganhem confiança na sua capa- cidade de aprender a ler. A base deste conhecimento é aquilo a que se chama consciência fonémica, ou seja, que as palavras faladas são compostas por sons. Além destes conhe- cimentos e atitudes, as crianças necessitam de compreender o princípio alfabético, ou seja, que as unidades fonológicas, ou seja, os fonemas, são representadas por unidades gráficas, os grafemas, representados por uma ou mais letras do alfabeto. Para descobrir e representar mentalmente a correspondência entre fonemas e grafemas, a criança tem que reconhecer as diferentes combinações possíveis entre as letras – consoantes e vogais – que formam os grafemas (Morais, 1997, 2012). E para o conseguir tem que ser ajudada com exercícios que lhe permitam, através da prática, reconhecer facilmente essas combi- nações, guardá -las na memória e usá -las para ler as sílabas e as palavras.

O sucesso na aprendizagem da leitura exige portanto uma multiplicação de encon- tros com palavras e textos para a criança conseguir fixar os padrões que correspondem às estruturas linguísticas de fonema, grafema, sílaba e palavra, todas elas requeridas

para conseguirem atingir velocidades de leitura que suportem uma compreensão pró- xima da que é atingida quando se ouve falar. É esta exposição substancial que estimula a formação gradual de estruturas cognitivas e de um léxico mental de palavras escri- tas, indispensável ao reconhecimento automático de palavras (Carver, 1997; Ehri, 2002).

O reconhecimento de palavras escritas é a base em que assenta a aprendizagem da lei- tura, que com a experiência se torna automática e permite a aquisição e diversificação do vocabulário.

Brian Byrn propõe um esquema de análise das diferentes teorias sobre a apren- dizagem da leitura, sugerindo, como ponto de partida, a identificação dos diferentes componentes da leitura, para se poder verificar quais os que dependem do contributo do aluno e quais os que dependem do ambiente, ou seja, do apoio prestado pelo ensino (Byrn, 2013:107). A título de exemplo, analisa a aquisição da consciência fonológica, ele- mento central do processo de aprendizagem, pois constitui um passo indispensável na descodificação da escrita. Tratando -se de uma habilidade que não é inata, torna -se indis- pensável assegurar condições para que todos os alunos a venham a adquirir. No entanto, alerta para o facto de não ser evidente quais as condições requeridas para cada um dos alunos, sobretudo porque a forma como os alunos atuam na aprendizagem decorre de traços individuais. Se é certo que algumas crianças demostram bastante independência, realizando facilmente inferências cognitivas a partir dos elementos fornecidos pelo pro- fessor, outras terão necessidade de maior informação, de maior apoio e de treino muito orientado.

Um segundo exemplo é o reconhecimento de palavras, definido como a identi- ficação do objeto lexical correspondente à palavra escrita. A leitura competente exige a identificação lexical de milhares de palavras, que as crianças vão realizando de dife- rentes formas, devendo ser apoiadas em função das necessidades de cada uma. Um terceiro elemento, igualmente central na aprendizagem, diz respeito às hipóteses colo- cadas pelas crianças sobre a natureza da escrita. No caso de se centrarem na semântica, podem tornar -se obstáculos à aquisição da consciência fonológica e consequentemente dificultar a leitura.

As conclusões de Byrn têm implicações na educação, pois fornecem aos docentes pistas bastante úteis para analisarem a aprendizagem dos seus alunos e para encontrarem

formas de ensino que correspondam às suas efetivas necessidades. Este autor afirma que, se o ensino for realizado da forma que indica, ou seja, prestando muita atenção às diferenças individuais, o único risco é proporcionar mais e nunca menos apoio do que a criança precisa, com a vantagem de ninguém ser posto de parte (Byrn, 2013:117).

Vários investigadores têm procurado sistematizar as conclusões dos estudos sobre a iniciação à leitura para as apresentarem aos docentes, de forma a que possam fundamentar as suas opções pedagógicas (Dehaene, 2011; Morais, 2012; Viana (2002); Ribeiro &Viana, 2010; Sim -Sim, 2007). Quanto às metodologias de ensino, as mais con- sentâneas com os resultados da investigação, torna -se claro que o ponto de partida deve ser um ensino sistemático que induza a consciência fonémica e permita a descodificação das palavras, o que é confirmado pelo contributo dos estudos sobre a atividade cerebral durante a iniciação e ao longo do processo de aprendizagem da leitura.

Em 1985 a psicóloga Uta Frith concebeu um modelo para explicar a iniciação à aprendizagem da leitura em três estádios – logográfico ou pictorial, fonológico e orto- gráfico – (Frith, 1985), que foi adotado por alguns neurocientistas na análise da atividade cerebral das crianças quando se iniciam na leitura. No primeiro estádio, antes da apren- dizagem formal, a criança reconhece as palavras a partir da forma, da cor, da orientação das letras, etc., como se fossem objetos ou caras. Geralmente reconhece o seu próprio nome e cerca de uma dúzia de palavras. Do ponto de vista neurológico, este estádio indica que o cérebro da criança está a tentar reconhecer as palavras, mas sem dar aten- ção às letras nem à pronúncia. Para passar ao segundo estádio, a criança tem que apren- der a descodificar as palavras e deixar de tentar lê -las de forma global. Nesta fase, a leitura consiste numa descodificação lenta das palavras letra a letra, o que implica uma autêntica revolução mental, pois a criança tem que adquirir consciência fonémica, ou seja, compreender que as letras se ligam aos sons da linguagem. A investigação demons- trou que a descoberta dos fonemas não é automática, requer ensino explícito do código alfabético (Morais, Cary, Alegria & Bertelson, 1979). E tem ainda que desenvolver três tipos de capacidades de descodificação: a fonológica, a ortográfica e a semântica (Wolf, 2008). Nesta fase a criança usa um maior número de zonas do cérebro do que o adulto, o que implica maior esforço cognitivo. Quando a criança atinge um certo nível de com- petência, passa ao terceiro estádio, o estádio ortográfico, em que, graças às experiências de leitura, vai obtendo progressivamente um vasto léxico mental.

À nascença o cérebro não vem preparado para a leitura, mas com a aprendiza- gem e com o exercício produz -se uma espécie de reconversão neuronal, ou seja, uma parte dos neurónios visuais reciclam -se para permitir o reconhecimento das palavras.

Ainda não foi possível realizar estudos que captem diretamente o que acontece ao cérebro durante as primeiras fases da aprendizagem da leitura. No entanto, através da utilização de FMRI, verificou -se que, geralmente a partir dos 7 anos, a área VWFA se torna visível e, à medida que a leitura evolui, a ativação dessa área aumenta. Por volta dos 8 anos, a ativação no hemisfério esquerdo torna -se predominante, mas a especiali- zação só atinge a maturidade no início da adolescência e no caso de a criança ler regu- larmente. Um estudo, realizado por Castro Caldas em 1998, demonstrou que a aprendi- zagem da leitura altera as capacidades do cérebro e que existem diferenças significativas na memória visual dos adultos que atingiram o pleno domínio da leitura e os que não a atingiram (Castro Caldas, 2013).

A neurociência cognitiva tem, portanto, permitido obter algum conhecimento sobre a reconversão neuronal do cérebro, decorrente da aprendizagem da leitura rea- lizada com base em textos impressos. No entanto, não existem ainda evidências sobre a formação de circuitos neuronais no cérebro das crianças quando leem textos digitais.

Wolf & Barzillai (2009) afirmam que os recursos digitais oferecem potencialida- des para estimular a criatividade e a descoberta, mas simultaneamente oferecem múl- tiplas fontes de distração que podem prejudicar o desenvolvimento lento e construtivo da leitura. Consideram ainda que o acesso rápido a grande quantidade de informação tende a iludir os jovens leitores, levando -os a pensar que obtiveram tudo o que precisa- vam de saber. Propõem um ensino explícito de processos de pesquisa online que prepare os alunos para analisarem a pertinência e qualidade da informação, bem como a credi- bilidade das fontes. Afirmam ainda que nada substitui o contributo do texto impresso na construção dos processos cognitivos que permitem às crianças aceder à leitura em profundidade.

Os resultados das diferentes linhas de investigação sobre o cérebro e a leitura têm naturalmente implicações nas metodologias de ensino. O conhecimento da ativi- dade cerebral, relacionada com o processo de aprendizagem da leitura, torna evidente a

vantagem de uma iniciação que estimule a consciência fonémica e de um ensino orien- tado através do método fónico, bem como de uma multiplicação de experiências de leitura na escola e em tempo livre, para que ler se converta numa operação automática e inconsciente (Dehaene, 2009).