CHAPITRE PREMIER : Contexte historique et répertoire
2.3. Dimensions et formes musicales
Como vimos no capítulo anterior, os facilitadores são fatores que promovem a formação das preferências pela atividade do lazer e encorajam a participação (Raymore 2002), constituindo uma abordagem complementar ao conceito de inibidor, de grande utilidade para compreender o envolvimento das pessoas neste tipo de atividade. A relevância das várias dimensões de facilitadores e de inibidores é muito variável de indivíduo para indivíduo, na medida em que se estabelecem diferentes inter-relações, determinando a decisão, ou não, de viajar.
Nos estudos sobre os fatores que influenciam a decisão de viajar, tem prevalecido o paradigma dos fatores que a limitam ou restringem (usando ou não explicitamente a abordagem dos inibidores), sendo os fatores facilitadores relativamente menos utilizados na investigação em torno desta temática. Mesmo quando é utilizada esta abordagem, tal decorre numa lógica integrada e holística, sem a preocupação de introduzir elementos de diferenciação desses fatores, como é o caso da investigação de Silva (2007). Outros estudos integram o conceito de facilitador na motivação para viajar, muito mais abrangente e central na investigação do comportamento do consumidor. Contudo, como
Capítulo 4:Modelo conceptual e a operacionalização de constructos
109 sublinha Raymore (2002), o facilitador não é sinónimo de motivação, é sim uma condição que existe, tanto interna ao indivíduo, como em relação a outro indivíduo, ou a uma estrutura social, que encoraja a participação. Dito de outra forma, o conceito de facilitador materializa-se na condição em si mesma, não no processo através do qual essa condição motiva um comportamento facilitador ou limitador da participação.
A utilização conjunta da abordagem dos facilitadores e dos inibidores pode constituir-se como um contributo muito pertinente, tendo em vista uma melhor compreensão do fenómeno de participação no lazer e no turismo; permite perceber, em última instância, como é que os fatores interagem e se articulam para originar a participação ou a não participação (Raymore, 2002).
Concretamente, no que se refere aos fatores que influenciam a decisão de viajar das pessoas com incapacidade, a investigação tem-se focado, sobretudo, nos fatores restritivos, como vimos anteriormente. Não obstante, é possível, ainda assim, destacar um conjunto de fatores que podem ser catalogados como facilitadores, sem, contudo, terem sido objetivamente estudados à luz desse paradigma.
4.3.1. Facilitadores interpessoais
No domínio dos facilitadores interpessoais, ou seja, os que estão relacionados com os indivíduos, ou grupos de indivíduos, que encorajam a participação, foi possível identificar os seguintes fatores: estímulo e apoio da rede social dos indivíduos, interação com os profissionais do setor do turismo, disponibilidade de companhia e atitudes positivas de terceiros.
O contexto familiar influencia, em grande medida, a forma como o indivíduo com incapacidade se aceita e se integra na sociedade, nela permanece ativo e desenvolve os seus papéis sociais. No caso do turismo, o estímulo e apoio da família, e de outras pessoas da sua rede social, assumem, aqui, um papel determinante, apoiando o processo de tomada de decisão e ajudando a pesar as alternativas que contribuem para diminuir a sensação de risco percebido (Parker et al., 2007, Devile et al., 2012).
A disponibilidade de funcionários bem formados, atentos e prestáveis pode constituir um fator facilitador na experiência turística das pessoas com incapacidades, em oposição às atitudes negativas, que, como vimos, constituem um fator inibidor, evidenciado, com alguma frequência, nos estudos em torno desta temática. A este respeito, Packer et al. (2007) salientam a atitude positiva e atenta de profissionais como um facilitador determinante. Tal pode permitir, em grande medida, ultrapassar algumas das barreiras estruturais que afetam a participação em atividades turísticas deste grupo de pessoas.
No que se refere à disponibilidade de companhia, esta exerce uma influência determinante na motivação para viajar de todas as pessoas, sendo dos facilitadores mais enfatizados na literatura no campo, como é o caso de vários estudos realizados em diferentes contextos (ex: Blazey, 1987, 1992; Fleischer & Pizam, 2002; Gilbert & Hudson, 2000; Nyaupane et al., 2004; Pennington-Gray & Kerstetter, 2002; Raymore, 2002;
Woodside et al., 2005; Silva, 2007). No caso das pessoas com incapacidade, a disponibilidade para acompanhamento de pessoas inseridas na rede social do indivíduo também é suscetível de ser considerada como um facilitador crucial no processo de decisão da viagem (Yau et al., 2004; Packer et al., 2007, Devile et al., 2012).
Por fim, embora não seja muito salientado na literatura, a atitude prestável e disponível de outras pessoas, externas ao ambiente do indivíduo, constitui, eventualmente, um outro importante fator facilitador, como sublinhado por Daniels et al. (2005), permitindo que as pessoas se sintam bem-vindas e à-vontade para pedirem ajuda, se dela precisarem.
4.3.2. Facilitadores intrapessoais
No que se refere aos facilitadores intrapessoais, ou seja, aqueles que dizem respeito às características, qualidades e crenças individuais que promovem a formação de preferências de lazer e encorajam a participação, a revisão bibliográfica no campo do turismo acessível permitiu destacar a aceitação da deficiência, vida ativa e as experiências turísticas anteriores como fatores facilitadores.
Vários estudos sublinham a influência das características pessoais na forma como são ultrapassadas as adversidades associadas à condição de deficiência. A aceitação da deficiência e a força interior dos indivíduos emergem, assim, como fatores facilitadores que lhes permitem lidar com os obstáculos, quer no seu dia-a-dia, quer quando pretendem viajar (Daniels et al., 2005; Packer et al. al, 2007; Devile et al., 2012). Por outro lado, o estudo de Blichfeldt & Nicolaisen (2011) sugere que existe uma forte interdependência entre a participação ativa na sociedade e a participação do indivíduo com incapacidade em atividades turísticas.
Como sublinhámos antes, o indivíduo que viaja com regularidade vai acumulando, gradualmente, competências turísticas resultantes da experiência adquirida, e tende, por isso, a tornar-se mais confiante nas suas decisões de consumo turístico (Yau et al., 2004; Blichfeldt & Nicolaisen, 2011). Daí que as experiências turísticas anteriores e o conhecimento acumulado sobre a atividade turística, que delas resultam, permitem ao indivíduo lidar com as barreiras de forma mais positiva e conhecedora, o que aumenta os seus sentimentos de segurança e lhe estimula as motivações e o desejo de viajar.
4.3.3. Facilitadores estruturais
Os facilitadores estruturais englobam as instituições sociais ou físicas, organizações e o sistema de crenças disseminado na sociedade, que operam a um nível externo ao indivíduo, sendo estruturantes para a formação das suas preferências e encorajamento à participação.
Agrupámos, neste grupo, o conjunto de fatores relativos à disponibilidade de serviços turísticos acessíveis, que podem facilitar e encorajar a participação nas atividades
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111 turísticas das pessoas com incapacidade. Com base na revisão da literatura, pudemos constatar, no entanto, que a investigação neste âmbito foca-se, sobretudo, nos aspetos associados ao alojamento. Mesmo assim, foi possível deduzir por inferência, a partir dos fatores inibidores identificados, que estes não se limitam apenas ao alojamento, mas, globalmente, à acessibilidade dos serviços turísticos - atrações, transportes e locais de restauração, entre outros.
Concretamente, a existência de meios de alojamento, com condições de acessibilidade, emerge como fator crítico no processo de decisão de compra em turismo das pessoas com incapacidade (Daniels et al. 2005), sendo determinante para assegurar o seu conforto durante a estadia e, também, a sua independência em relação a outras pessoas. Na opinião de Blichfeldt & Nicolaisen (2011), a importância atribuída ao alojamento explica que, para este grupo de consumidores, a seleção do alojamento preceda, em muitos casos, a seleção do destino propriamente dito.
No que diz respeito à disponibilidade de informação rigorosa, pertinente e atual, dirigida aos requisitos diferenciais dos consumidores de produtos turísticos, esta permite que as pessoas façam as suas escolhas e se preparem atempadamente, evitando, assim, surpresas negativas e riscos desnecessários. Por isso, a existência de informação adequada constitui um elemento facilitador das viagens turísticas, como é sublinhado em vários estudos (Packer et al., 2007; Daniels et al., 2005; Cavinato & Cuckovich, 1992; Darcy, 1998; Bieger & Laesser 2001; Eichhorn et al., 2008).