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Dimensionnement et choix des éléments du poste

Depois de toda uma história de luta e de abandono, o camponês agora tem uma brecha para discutirem e pensarem um novo modelo de educação, e que esse possa levar em conta a verdadeira especificidade de cada povo. Porém, seria necessário desenvolver mecanismos que garantisse realmente a oportunidade de dar um verdadeiro sentido à Educação do/no campo.

Diante disso, começaram a surgir e a se fortalecer vários movimentos em todo o país, entre eles a articulação nacional por uma educação do campo, que reunia várias entidades nacionais e internacionais e que passa a lutar com todas as forças pela construção de uma verdadeira educação do campo.

E foi diante de toda essa organização e luta que em 1998, consolidou-se a “Articulação Nacional por uma educação do campo”, entidade supra- organizacional que passou a promover e gerir as ações conjuntas pela escolarização dos povos do campo em nível nacional.

Dentre as conquistas alcançadas por esta articulação está a realização de duas conferências nacionais por uma educação do campo em 1998 e 2004; a instituição pelo Conselho Nacional de educação (CNE) das Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo em 2002; e a instituição do grupo permanente de trabalho de educação do campo (GPT), EM 2003.

Na primeira Conferência Nacional por uma Educação do Campo (CNEC), ocorrida de 27 a 31 de julho de 1998, os 794 participantes debateram vários temas diversificados em relação ao desenvolvimento do campo e da educação do Brasil.

Nas discussões de preparação do documento base da primeira conferência, concluído em maio de 1998 e debatido nos encontros estaduais que antecederam o evento nacional, estão os argumentos do batismo do que representariam um contraponto de forma e conteúdo ao que no Brasil se denomina Educação Rural.

Assim, a partir desse primeiro momento o que antes era educação rural, passa a ser educação básica do campo, uma vez que essa passa a englobar as diversas especificidades dos vários territórios e povos camponeses.

A Educação do campo nomeia um fenômeno da realidade brasileira atual, protagonizado pelos trabalhadores do campo e suas organizações, que visa incidir sobre a política de educação desde os interesses sociais das comunidades camponesas. Objetivos e sujeitos a remetem às questões do trabalho, da cultura, do conhecimento e das lutas sociais dos camponeses e ao embate (de classes) entre projetos de campo e entre lógicas de agricultura que tem implicações no projeto de pais e de sociedade e nas concepções de política pública, de educação e de forma humana.

Porém isso ainda não era o bastante.

O argumento para mudar o termo Educação Básica do Campo para Educação do Campo aparece nos debates de 2002 realizados no contexto da aprovação do parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) Nº 36/2001, relativo às Diretrizes Operacionais, para a Educação Básica nas escolas do campo (BRASIL,2001) e com a marca de ampliação dos movimentos camponeses e sindicais nessa luta, pois a ideia geral era não contemplara apenas a educação básica, mas sim todos os níveis de educação, da básica à superior. Assim a educação passou a contemplar as especificidades das populações do campo.

Com a conquista das diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo e como em construção, a educação do campo, sem se deslocar do movimento específico da realidade que a produziu, já pode configurar-se como uma categoria de análise da situação ou de práticas de política de educação dos trabalhadores do campo, mesmo as que se desenvolve em outros lugares e com outras denominações.

Assim, o surgimento da expressão “Educação do Campo” pode ser datado: nasceu primeiro como Educação Básica do campo no contexto de preparação da primeira Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo, realizada em Luziânia, Goiás, de 27 a 30 de julho de 1998. Passou a ser chamada Educação do Campo a partir das discussões do Seminário Nacional realizado em Brasília de 26 a 29 de novembro de 2002, decisão posteriormente reafirmada nos debates da segunda conferência Nacional, realizada em julho de 2004.

A criação, em 2004, no âmbito do Ministério da Educação, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, à qual está vinculada a coordenação geral de Educação do Campo significa a inclusão na estrutura estatal federal de uma instância responsável, especificamente pelo atendimento dessa

demanda a partir do reconhecimento de suas necessidades e singularidades. (Cadernos SECAD, 2007. P.12).

A partir do momento, quando foi criada a articulação nacional, na batalha por essa educação do campo, passou a garantir e criar tais ações agrupadas levando essa escolarização ao povo do campo em prol de todos que assim lutaram para que tal processo dessa educação se tornasse direto a toda população camponesa.

Outro ganho importante foi a criação em 2010 do Fórum Nacional de Educação do Campo (FORNEC), no espaço de retomar a atuação articulada de diferentes movimentos sociais, organizações sindicais e outras instituições, com destaque agora para uma participação mais ampliada de universidades e institutos federais de educação. Em seu documento de criação o FONEC toma posição contra o fechamento e pela construção de novas escolas do campo, assumindo o compromisso coletivo de contraponto ao agronegócio e de combate à criminalização dos movimentos sociais (Fórum Nacional de Educação do Campo, 2010, p.3).

Assim, o paradigma da Educação do Campo visa compreender a relação campo/cidade como “complementaridade. Cidade não vive sem o campo e que não se vive sem a cidade” (MOLINA e FERNANDES, 2004, P. 68). Nesse sentido, a educação rural liga–se ao campo do agronegócio, expropriando o trabalho rural de seus direitos expulsando-o da terra para a marginalização. Em contraposição a essa lógica perversa a educação do campo só tem sentido e significado porque está vinculado ao campo da agricultura camponesa.

De acordo com Molina e Fernandes (2004, p.73)

A educação do campo não existe sem agricultura camponesa porque foi criada pelos sujeitos que a executam, nesse sentido, a concepção de campo e educação deve contemplar o desenvolvimento territorial das famílias que trabalham e vivem na terra. A agricultura camponesa vive em confronto permanente com a agricultura capitalista. E se o agronegócio avança, também avançam os movimentos camponeses na construção de territórios. Destarte, é nas “velhas” lutas políticas e no acirramento das contradições que vão se abrindo espaços para novos conceitos, dentre estes destacam-se o que professores e lideranças do PRONERA entendem por educação do campo, conforme ficou evidente a pesquisa do campo.

Então, notamos que no surgimento dessa instituição e termo, foi um momento marcante para a educação brasileira, adquirindo total segurança e assim garantindo em tese todos os direitos e acessibilidade a essa educação como um elemento básico e democrático. A partir daí a educação escolar dos camponeses passou a ser organizada como ponto de sequência, especificando todo o espaço das sugestões sociais dos cidadãos envolvidos.

Assim, o que vimos nesse tópico é que desde as discussões que marcaram a realização da 1º conferência nacional por uma educação do campo, até os dias atuais os avanços nesse cenário educativo foram indubitavelmente importantes, porém´, ainda existe muito o que melhorar, e isso é o que veremos a partir de agora.

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