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Dimensionality reduction using eigen-decompositions

3.7 Comparison with other sparse kernel techniques

3.7.1 Dimensionality reduction using eigen-decompositions

O Curso de Teologia constituía o mais elevado escalão da preparação alcançada nos colégios da Companhia de Jesus. Nele se estudavam Teologia Escolástica, a Sagrada Escritura, o Hebreu e a Casuística. A Casuística, também chamada de Casos de Consciência ou simplesmente Casos, era a disciplina sutil, onde se discutiam as soluções mais convenientes para situações dilemáticas. A Ratio Studiorum refere os Casos de Consciência como o um gênero de assunto que cabe aos professores com alguns princípios gerais de Moral discutirem, sendo estes aconselhados a se absterem das explicações mais sutis e

230

Cf. MOTA, Bernardo Machado. O Estatuto da Matemática em Portugal nos séculos XVI e

XVII. Tese de doutoramento. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,

minuciosas dos casos. Na discussões contra os hereges, quando necessário abordá-las, cada tese deve ser defendida com dois ou três argumentos firmes, por forma a desmontar “as principais calúnias dos hereges.”231

O curso completo de Teologia correspondia a quatro anos e o seu programa assentava na estrutura da Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, repartida exatamente em quatro partes (na verdade, três partes, a segunda parte encontrava-se dividida em duas secções). Para a Teologia Moral havia um professor e um programa próprio232.

Qualquer que fosse o curso a seguir, o programa de estudos da

Ratio combinava os estudos das Humanidades com os estudos

científicos. O objetivo era formar homens que soubessem pensar e escrever, numa aprendizagem que perpassasse a Literatura, a História, a Geografia e as Artes, mas também com um profundo conhecimento de Matemática, Astronomia, Geografia e as restantes Ciências Naturais. Valorizava-se o sentido crítico, apurado pela Retórica e pela Filosofia233. Note-se o que se coloca na Ratio:

Uma vez que as artes liberais, tal como as ciências naturais, predispõe o intelecto para a teologia, estão ao serviço do seu perfeito conhecimento e da sua aplicação prática e contribuem por si só para esse fim, o professor de filosofia deverá tratá-las com toda a diligência, procurando em tudo sinceramente a honra e a glória de Deus, de modo a preparar os seus alunos (especialmente os Jesuítas) para a teologia e, acima de tudo, a despertar neles o desejo de conhecerem o seu Criador.234

A Ratio Studiorum regulamentou a ocupação do espaço e do tempo: a separação por secções, os frequentes exercícios escritos, os distintos níveis de conteúdo, os prémios, as recompensas. O objetivo era o aluno manter-se ocupado e ativo. A aprendizagem tomou a forma de um contínuo, dividindo os alunos de cada classe em campos opostos,

231 CARVALHO, Rómulo de. Op. Cit., 1986, p. 352-353; CÓDIGO PEDAGÓGICO DOS

JESUÍTAS. Op. Cit., p. 124.

232

MIRANDA, Margarida. Op. Cit., 2009, p. 33.

233 Ibidem, p. 27.

num sistema de competição. Todo este processo competitivo e de emulação foi reforçado com debates e exames públicos, aos quais assistiam as autoridades locais e as famílias dos colegiais. Compreende- se facilmente que o mérito individual e o êxito escolar encontravam aqui terreno fértil, ao contrário do ensino praticado nas universidades medievais, onde o esforço individual não obtinha recompensas imediatas e os escassos exames eram tão só uma formalidade para os que assistiam aos cursos235. As aulas ocupavam seis dias por semana, a

Ratio previa horários para as lições de cada classe, para cada disciplina,

para cada exercício e também para o estudo pessoal, deixando em aberto a adequação aos costumes locais. Recomendava-se um dia de pausa semanal, em que não houvesse aulas, à excepção das classes de Retórica, Humanidades e Gramática, que tinham aulas só da parte da manhã. Sábados, Domingos e dias festivos não significavam, necessariamente, uma paragem nas aulas, pois esses dias tinham um horário próprio, preenchido por disputas ou por repetições, discursos, declamações de poesias e até mesmo preleções, subordinadas a temas mais do agrado dos discípulos236.

Assinale-se também que o modelo educativo preconizado pelos colégios jesuítas implicava um novo estatuto do professor, indicando-o como alguém que detivesse não só autoridade moral, mas também uma posse de conhecimentos que pressupunha as chaves de uma correta interpretação da infância, assim como do programa que os colegiais têm de seguir para adquirir os comportamentos e os princípios que correspondessem à sua condição e idade. As ordens religiosas dedicadas à instrução da juventude preocuparam-se, desde muito cedo, em proporcionar aos religiosos que se ocuparam de tal função educativa uma formação especial. No caso concreto dos Jesuítas, a obra de Jouvency, De Ratione Discendi et Docendi237 informou qual deveria ser a imagem do professor e do discípulo. O papel exemplar e interventivo do professor foi assunto sobre o qual o autor insistiu, no século XVII, mostrando que este não só seria modelo de conduta moral e religiosa, para o aluno, mas de igual modo deveria burilar os autores estudados

235 VARELA, Julia. Modos de Educacion en la España de la Contrarreforma. Madrid: Las

Ediciones de La Piqueta, 1983, p. 134.

236

MIRANDA, Margarida. Op. Cit., 2009, p. 33-34.

237 JOUVENCY, J. De la Maniere d’Apprendre et d’Enseigner (De Ratione Discendi et

nas aulas, incluindo os pagãos e os profanos, de modo a que estes fossem panegíricos de Cristo. É preciso assinalar que a constituição da infância e a formação de profissionais dedicados à sua instrução foram duas faces de uma mesma moeda. Os colégios foram os lugares escolhidos para se ensinar formas concretas de transmissão de conhecimentos e de moldagem de comportamentos que, mediante ajustes, transformações e modificações ao longo de pelo menos dois séculos, permitiram a aquisição de todo um acúmulo de saberes codificados acerca de como pode ser mais eficaz a ação educativa238.