A inativação enzimática dos AB é o mecanismo de resistência mais potente de todos. Centenas de enzimas capazes de inativar o agente antimicrobiano são produzidas dentro ou fora da célula, ou então no periplasma das bactérias resistentes44.
As β-lactamases são um exemplo deste tipo de enzimas, e são capazes de quebrar o anel β- lactâmico de alguns AB. A estirpe de S. aureus resistente à penicilina foi a primeira em que identificaram a presença de uma β-lactamase, neste caso designada de penicilase49.
Os aminoglicosídeos também podem ser inativados através de enzimas modificadoras, capazes de acetilar, adenilar ou fosforilar os grupos hidroxilo ou amina das suas moléculas, e são clinicamente significativas na transmissão de resistência à eritromicina (esterases e fosfotransferases) e ao cloranfenicol (acetiltransferases)44.
2.6. M
EDIDAS DE PREVENÇÃOA resistência antimicrobiana é um processo natural de evolução das bactérias que pode ser retardado, mas não cessado. Portanto, será sempre necessário a pesquisa de novos AB, bem como a elaboração de novos testes de diagnóstico para acompanhar o desenvolvimento da resistência39.
Por outro lado, evitando as infeções, reduz-se a quantidade de AB a utilizar e, também a probabilidade de desenvolver resistência durante a terapia. Além disso, a prevenção de infeções, também evita a propagação de bactérias resistentes. Isto pode ser obtido através da imunização, preparação de alimentos seguros, lavagem das mãos e uso de antibióticos somente quando necessário39.
Um grande auxílio é a pesquisa de dados sobre as infeções resistentes aos antibióticos, causas e possíveis fatores de risco. Com essa informação, os especialistas podem desenvolver estratégias específicas para prevenir doenças, assim como, impedir a disseminação das bactérias resistentes39.
Por fim, e talvez a ação mais importante será mudar a forma de utilização destes fármacos, pois cerca de metade do seu uso em humanos e muito do uso em animais é desnecessário e inadequado. Logo, o seu uso deve ser restrito ao tratamento de doenças e a escolha e administração deve ser adequada à infeção em questão. É também necessário obedecer a uma dosagem e duração do tratamento adequado, selecionar o AM de acordo com a suscetibilidade do agente patogénico,
utilizar um AM de estreito espetro e combinações antimicrobianas para evitar o aparecimento de espécies mutantes. Por outro lado, a profilaxia deverá apenas ser realizada em situações em que o seu uso se torne vantajoso e durante o menor tempo possível, e o isolamento de doentes infetados com organismos resistentes poderá ser necessário, assim como a proteção daqueles que são altamente suscetíveis44.
2.7. C
ONCLUSÃOAs espécies bacterianas irão, inevitavelmente, encontrar formas de resistir aos AB desenvolvidos, razão pela qual é necessário tomar medidas agressivas para impedir o desenvolvimento futuro de resistências e evitar que a resistência já existente se dissemine.
Com isto, torna-se cada vez mais importante incitar ao uso correto dos AB nas farmácias portuguesas pois, geralmente, é o primeiro local a quem os utentes recorrem quando têm sintomas de alguma infeção.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após os 4 meses do meu estágio percebo o quão importante foi esta etapa no meu percurso académico. Foi este o primeiro contacto com a realidade do farmacêutico comunitário, a qual me permitiu compreender algo que em 5 anos de aprendizagem é transmitido teoricamente.
Compreendo agora que trabalho em farmácia comunitária é destinado ao bem-estar e à saúde do utente, sendo responsabilidade do farmacêutico a ligação entre os pacientes e o medicamento, garantindo sempre o seu uso racional.
O farmacêutico é o profissional de saúde mais próximo do utente, pelo que deve ser estabelecida desde cedo uma relação de confiança com o mesmo, sendo apenas obtido através da aprendizagem ao longo destes 5 anos, como a procura de conhecimento e a capacidade de espírito crítico.
Concluo esta fase consciente que, no futuro, irei ser o reflexo dos ensinamentos dos vários profissionais com quem me cruzei neste curso. E, acima de tudo, procurarei todos os dias ser uma melhor farmacêutica a cada dia.
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ANEXOS
A
NEXO1|C
ARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO EXTERIOR DA FARMÁCIAA
NEXO2|C
ARATERIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO INTERIOR DA FARMÁCIAZONA DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO
ZONA DE DETERMINAÇÃO DA PA E VALORES BIOQUÍMICOS
ZONA DE EXCEDENTE DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS DA FARMÁCIA
GABINETE DE ATENDIMENTO PERSONALIZADO
A
NEXO3|F
OLHETO INFORMATIVO SOBRE A RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOSANEXO
4|T
RABALHOS DE IMAGEM PARA A PÁGINA SOCIAL DA FARMÁCIAPAINEL INFORMATIVO DA MEDIÇÃO DA PA
Centro Hospitalar São João, E.P.E
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto
Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Relatório de Estágio Profissionalizante
Centro Hospitalar São João, E.P.E.
Março de 2015 a Abril de 2015
Ana Catarina Faria da Silva
Isa Cristina Barrocas de Barros
Joana Filipa Mendes Coelho
Nuno Miguel Diogo Cardoso Silva
Sofia Andrade de Oliveira
Orientador : Dra. Ana Luísa Pereira
____________________________
Declaração de Integridade
Eu, Joana Filipa Mendes Coelho, abaixo assinado, nº 201000070, aluno do Mestrado
Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto,
declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido,
confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão,
assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que
todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram
referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte
bibliográfica.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de _________________ de ______
AGRADECIMENTOS
Várias foram as pessoas que me acompanharam ao longo desta jornada e às quais estou bastante grata. Assim, gostaria de fazer um agradecimento ao Dr. Paulo Carinha por ter possibilitado a realização do estágio no Centro Hospitalar de São João, EPE.
Gostaria de agradecer à minha orientadora do estágio hospitalar, a Dra. Ana Luísa Pereira, que sempre se mostrou disponível para enriquecer o meu conhecimento ao nível hospitalar. Assim com todos os outros farmacêuticos e técnicos de farmácia que se mostraram prestáveis e mostraram as tarefas que realizavam na sua profissão.
Agradeço também à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto por estes 5 maravilhosos anos que me proporcionou, ajudando não só no percurso académico, como também no meu crescimento enquanto pessoa.
Por fim, agradeço à minha família e amigos, principalmente aqueles com que vivenciei estes dois meses de estágio em farmácia hospitalar.
RESUMO
O relatório de estágio tem como objetivo a descrição de todas as atividades desenvolvidas entre 2 de Março e 30 de Abril, num total de cerca de 315 horas, nos Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), sob a orientação da Dra. Ana Luísa Dinis Pereira.
Este estágio insere-se no Plano Curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (MICF) regulamentado pela Diretiva 2005/36/CE. Sendo parte integrante da formação necessária para admissão à profissão farmacêutica, este possibilita aos finalistas do MICF experimentar a realidade profissional e aplicar os conceitos teóricos na prática da profissão1.
Um futuro farmacêutico, pelo seu nível de conhecimento técnico e científico, deve demonstrar ser capaz de se integrar em equipas multidisciplinares, com as quais interage, visando o bem-estar do utente.
Neste âmbito, e segundo o Dr. António Melo Gouveia, farmacêutico hospitalar,
“Na equipa multidisciplinar do hospital, são os farmacêuticos hospitalares, que contribuem para uma aquisição racional e uma boa gestão, que preparam com rigor e segurança, que distribuem os medicamentos de forma eficaz e que geram a informação de que o sistema carece2.”
Assim sendo, o estágio em Farmácia Hospitalar tem como objetivo a obtenção de competências que vão de encontro ao conteúdo funcional referido, ou seja, seleção de medicamentos, aquisições e armazenamento, distribuição de medicamentos, produção (estéreis, não estéreis, citotóxicos) e controlo, validação de prescrições médicas (PM) e em ensaios clínicos. Para além disso, o estágio permite desenvolver competências para aplicar os princípios éticos e deontológicos subjacentes à profissão e competências de comunicação permitindo estabelecer relações com outros profissionais, adequadas a uma boa prestação de Cuidados de Saúde.
A organização deste relatório segue as normas instituídas pelo CHSJ, de forma a tornar-se um documento imprescindível de revisão e avaliação das atividades realizadas ao longo desta experiência académico-profissional.
LISTA DE ABREVIATURAS
AO - Assistentes OperacionaisASHP - American Society of Health-System Pharmacists BPC - Boas Práticas Clínicas
BPF - Boas Práticas de Fabrico CA - Conselho de Administração
CAPS - Catálogo de Aprovisionamento Público de Saúde CAT - Centro de Atendimento a Toxicodependentes CAUL - Certificado de Autorização de Utilização do Lote CCI - Comissão de Controlo de Infeção
CES - Comissão de Ética para a Saúde
CFLH - Câmara de Fluxo Laminar Horizontal CFLV - Câmara de Fluxo Laminar Vertical CFT - Comissão de Farmácia e Terapêutica CHSJ - Centro Hospitalar de São João, EPE DC - Direção Clínica
DCI - Denominação Comum Internacional
DIDDU - Distribuição Individual Diária em Dose Unitária DT - Distribuição Clássica ou Tradicional
DU - Dose unitária
EMA - European Medicines Agency FDA - Food and Drug Administration FDS - Fast Dispensing System
FEFO - First Expired - First Out
FHNM - Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos FTP - Ficha Técnica de Preparação
HD - Hospital de Dia
INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde ISOPP - International Society of Oncology Pharmacy Practitioners MICF - Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
MM - Medicamentos Manipulados
NIOSH - National Institute for Occupational Safety and Health NP - Nutrição Parentérica
PM - Prescrições médicas
SA - Serviço de aprovisionamento SC - Serviço Clínico
SF - Serviços Farmacêuticos
SGIM - Sistema de Gestão Integrado do Circuito do Medicamento SMS - Serviços Partilhados Ministério da Saúde
TDT - Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica UAG - Unidades Autónomas de Gestão UCI - Unidades de Cuidados Intensivos
UCPC - Unidade Centralizada de Preparação de Citotóxicos UEC - Unidade de Ensaios Clínico
UFA - Unidade Farmácia de Ambulatório
UMC - Unidade de Manipulação Clínica de Medicamentos Estéreis e não Estéreis UMME - Unidade de Manipulação de Medicamentos Estéreis
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1- FLUXOGRAMA DE EXEMPLO DO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE DOSE UNITÁRIA 12 ... 10
LISTA DE ANEXOS
ANEXO 1|ORGANOGRAMA HOSPITAL DO SÃO JOÃO
ANEXO 2|SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO E DISPENSA UTILIZADO NO HSJ
ANEXO 3|PEDIDO DE REQUISIÇÃO DE ESTUPEFACIENTES, POR SERVIÇO, À FARMÁCIA ANEXO 4|FOLHA DE REGISTO DE SAÍDAS DIÁRIAS DE ESTUPEFACIENTES E PSICOTRÓPICOS ANEXO 5|REGISTO DE CONSUMOS POR DOENTE
ANEXO 6|REQUISIÇÃO DE HEMODERIVADOS (MODELO N.º 1804)
ANEXO 7|CERTIFICADO DE AUTORIZAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE LOTE (CAUL), PARA MEDICAMENTOS DERIVADOS DO SANGUE OU PLASMA HUMANO
ANEXO 8| JUSTIFICAÇÃO CLÍNICA PARA A PRESCRIÇÃO DE IMUNOGLOBULINA POLIVALENTE INTRAVENOSA (IGGIV)
ANEXO 9|INDICAÇÕES PARA O TRATAMENTO COM IMUNOGLOBULINA POLIVALENTE INTRAVENOSA (IGGIV)
ANEXO 10|FOLHA DE REQUISIÇÃO DE ANTIMICROBIANOS (MODELO N.º 271 DO CHSJ). ANEXO 11|PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS À DIREÇÃO CLÍNICA
ANEXO 12|FORMULÁRIO DE AUTORIZAÇÃO DE PRESCRIÇÃO TALIDOMIDA ANEXO 13|MEDICAMENTOS EXTRA-FORMULÁRIO
ANEXO 14|GUIA DE TRANSPORTE:FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS AOS DOENTES EM AMBULATÓRIO
ANEXO 15|TÉCNICA DE PREPARAÇÃO PARA UMA BOLSA DE NUTRIÇÃO PARENTÉRICA ANEXO 16|RÓTULO DE UMA BOLSA NUTRITIVA EM VIGOR NA UMC DO CHSJ ANEXO 17|RÓTULO EM VIGOR NA UCPC DO CHSJ
ANEXO 18|PROTOCOLO DE UM CICLO DE QUIMIOTERAPIA
ANEXO 19|IMAGENS RELATIVAS AO CENTRO DE VALIDAÇÃO FARMACÊUTICO ANEXO 20|CRIAÇÃO DE UMA FOLHA DE EXCEL PARA REGISTO DE TAREFAS DIÁRIAS ANEXO 21|GUIA DE VALIDAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS
ANEXO 22|DOENÇA DE HUNTER
ANEXO 23|QUILOTÓRAX
ANEXO 24|TRATAMENTO COM ANTIBIÓTICOS EM CASA:BOMBAS PERFUSORAS ANEXO 25|VITAMINA B12
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ...ii RESUMO ... iii LISTA DE ABREVIATURAS ... iv ÍNDICE DE FIGURAS... vi LISTA DE ANEXOS ... vii
1. CENTRO HOSPITALAR SÃO JOÃO ... 1
2. GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS ... 1
2.1. Recursos Humanos e Horário de Funcionamento ... 2 2.2. Sistema Informático ... 3
3. GESTÃO E ARMAZENAMENTO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS ... 4
4. VALIDAÇÃO DE PRESCRIÇÃO E DE PEDIDOS... 6
5. DISTRIBUIÇÃO E DISPENSA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS ... 7
5.1. Reposição de Stocks por Níveis ... 7
5.1.1. PYXIS® ... 8
5.2. Distribuição Individual Diária Dose Unitária ... 10 5.2.1. SISTEMAS AUTOMATIZADOS DE APOIO À DISTRIBUIÇÃO INDIVIDUAL DIÁRIA
DOSE UNITÁRIA:KARDEX® E FAST DISPENSING SYSTEM ...11
5.3. Distribuição Clássica ou Tradicional ... 12 5.4. Requisição individualizada ... 12 5.5. Circuitos Especiais ... 13 5.5.1. ESTUPEFACIENTES E PSICOTRÓPICOS...13 5.5.2. HEMODERIVADOS ...13 5.6. Unidade de Farmácia de Ambulatório ... 14
6. PRODUÇÃO E CONTROLO DE MEDICAMENTOS ... 17
6.1. Unidade de Manipulação Clínica ... 17 6.1.1. UNIDADE DE MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS ESTÉREIS ...17 6.1.1.1. NUTRIÇÃO PARENTÉRICA ... 18 6.1.1.2. MEDICAMENTOS ESTÉREIS ... 19 6.1.1.3. GARANTIA/CONTROLO DA QUALIDADE ... 19 6.1.2. UNIDADE DE MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS NÃO ESTÉREIS...20 6.1.2.1. RECEÇÃO E ARMAZENAMENTO DE MATÉRIAS-PRIMAS ... 20 6.1.2.2. MEDICAMENTOS MANIPULADOS ... 21
6.1.2.3. UNIDADE CENTRALIZADA DE PREPARAÇÃO DE CITOTÓXICOS ... 21 6.2. Unidade de Reembalagem ... 23
7. ENSAIOS CLÍNICOS ... 24
8. CASOS CLÍNICOS ... 26
9. OUTRAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS AO LONGO DO ESTÁGIO ... 27
BIBLIOGRAFIA ... 28 ANEXOS ... I
1. C
ENTRO HOSPITALARS
ÃOJ
OÃOO Hospital de São João foi inaugurado a 24 de Julho de 1959 e é considerado o maior centro hospitalar da região Norte, sendo o segundo maior do país.
Em Abril de 2011, o HSJ fundiu-se com o Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo, tornando-se no Centro Hospitalar de São João, Entidade Pública Empresarial.
No que diz respeito à sua organização física, o hospital encontra-se ligado à Faculdade de