6. Digital SignWriting
6.2 A Digital Editor for SignWriting: SWift
O termo Facilitador é mais adequado que o de Professor ou Coordenador, por evidenciar com mais clareza a função de tornar o processo de aprendizagem, neste caso, de dançar a vida, mais simples e mais fácil. O facilitador conduz processos, fluxos de energia biopsíquicas, e não conteúdos; maneja movimentos; facilita situações e expressões.
O facilitador não é um catalizador, visto que também ele passa por mudanças no processo de facilitação. Sua função é a de entrar no fluxo do grupo e facilitá-lo evolutivamente, estimulando e apoiando os participantes a dançar a vida, à expressão e ao encontro entre eles.
Com uma postura de orientação e receptividade, sensível ao processo grupal, o facilitador ajuda o grupo, valendo-se da teoria, dos exercícios e de sua condição pessoal, a caminhar progressivamente no rumo de suas
necessidades profundas de expressão de suas
potencialidades evolutivas.
O facilitador de Biodança não necessita ser um profissional de Psicologia ou Psiquiatria, mas isso não significa que sua formação seja superficial, irresponsável ou desorganizada. Sua formação é bem estruturada e responsável ao longo de 3 ou 4 anos de estudos, de vivências e de acompanhamento pessoal.
Em Biodança se trabalha com pessoas as mais diversas, de diferentes crenças, costumes, valores, conhecimentos, ideologias, culturas, assim como com
pessoas com limitações mentais ou motoras, ou também que apresentam quadros de doenças físicas, doenças psicossomáticas e transtornos psíquicos em geral.
Portanto é necessário que o facilitador tenha um bom conhecimento geral, esteja informado e tenha além de uma compreensão profunda de seu tempo, que também seja contemporâneo.
Algumas características são necessárias a um facilitador de Biodança, tais como: inserção no mundo, coerência existencial, potência pessoal, conhecimento da teoria da Biodança, manejo democrático do grupo, capacidade de apoiar e dar limites, fluidez verbal e didática.
a. Inserção no Mundo
O facilitador necessita ser uma presença viva e ativa em sua coletividade, estar com os demais e desfrutar disso; precisa se sentir construindo uma nova realidade humana e social para si e para os demais.
Ele é um agente de mudança social, não a partir de uma ideologia, e sim a partir de um sentimento profundo de cidadania e amor à vida. É simplesmente um jardineiro – um educador em busca de liberdade.
b. Coerência Existencial
É a integração entre sentir, pensar e atuar, entre interioridade e exterioridade.
O facilitador necessita, continuamente, aprofundar a integração consigo mesmo, com o outro, com a humanidade e com a natureza.
A coerência existencial é nossa espontaneidade e inocência, nossa verdade natural.
c. Potência Pessoal
É a capacidade de exercermos nossa presença no mundo com a qualidade do humano (autenticidade,
aceitação e empatia – Rogers, 1977), de ser visível e
amoroso para com os demais. Leva-nos a influir com sensibilidade e profundidade no lugar onde vivemos, bem como na construção de relações humanas e sociais mais saudáveis e evolutivas. Diz respeito ao valor pessoal e ao poder pessoal (Góis, 1984).
d. Conhecimento da Teoria de Biodança
O processo de facilitação em Biodança requer um bom domínio da teoria e de sua técnica de aplicação, além de outros conhecimentos das Ciências Humanas e Biológicas, assim como de Filosofia, de Arte e de Ética. Não é algo que possa ser realizado de qualquer maneira, com informações superficiais ou somente por intuição. Requer um bom preparo teórico, técnico e vivencial.
e. Manejo Democrático do grupo
O processo grupal em sua indeterminação apresenta também uma certa regularidade submetida a um conjunto de condutas, normas e valores da vida em grupo. O facilitador precisa respeitar isso para que, progressivamente, possa facilitar um processo de mudança no grupo e em cada participante. O importante é não romper o momento do grupo, sim transformá-lo em algo mais profundo e evolutivo para os participantes.
Para isso é importante criar um clima de crescimento e apoio que requer do facilitador um manejo sincero e democrático do grupo, facilitando assim cada pessoa a expressar-se a seu tempo e à sua maneira por meio da fala e dos exercícios propostos ao grupo pelo facilitador.
f. Capacidade de Apoiar e dar Limites
O grupo, assim como os seus participantes, contém processos peculiares decorrentes de um conjunto de fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais. Esses processos tanto podem seguir um rumo de crescimento pessoal, como um rumo de dissociação ou de desorganização da pessoa e/ou do grupo.
Na sessão podem surgir relações nutritivas ou manipuladoras entre participantes, entre estes e o facilitador, como entre o facilitador e um ou mais participantes do grupo. Se essas relações são nutritivas, têm que ser apoiadas por todo o grupo; sendo tóxicas, com jogos de manipulação, têm que receber limites. Assim, o tecido nutritivo do grupo se mantém favorecendo o crescimento do próprio grupo, dos
participantes e do próprio facilitador.
O facilitador é essencial nesse processo de apoiar e dar limites, procurando com sentido crítico, respeito, firmeza e ternura, atuar prontamente.
g. Fluidez Verbal
A fala do facilitador necessita ser fluída e
sintonizada com os participantes, permitindo a
informação seguir em um fluxo espontâneo e claro. A mensagem, chegando com claridade e coerência, facilita a comunicação e o entendimento; assim transmite profundidade, serenidade e segurança, elementos necessários a uma maior compreensão do processo de si e do grupo pelos participantes.
h. Didática
Capacidade do facilitador de utilizar os recursos disponíveis para criar um contexto de aprendizagem que responda às necessidades e limitações do grupo, seja na exposição teórica, na reflexão, na explicação dos exercícios ou em qualquer outro tipo de comunicação verbal com um ou mais participantes, ou com todo o grupo.
IX. CONCLUSAO
Ao chegar aqui (1995), sinto um vazio fértil, a presença de sementes de vida originadas nos sentimentos e idéias que me levaram a escrever este livro. Longe de ser uma partitura acabada, é simplesmente um momento de reflexão sobre o Humano e a Biodança, uma parcela menor, tratando de coisas infinitas como o Universo e o Ser.
A obra que termino é o começo de um renascer que ainda se encontra em germinação, mas sinto uma transformação produzindo-se em meu ser.
É um pequeno livro, breve, que resume um estudo, uma experiência e muitas vivências pelos caminhos de facilitação de grupos de Biodança. Estou certo de que muito viverei por esses caminhos que continuo a construir nesta dança da vida de todos nós - a Biodança.
Termino com a certeza de haver construído pelos caminhos de Biodança e ter realizado uma pequena contribuição a temas tão complexos como o da Identidade e da Vivência. Sinto-me contribuindo para o estudo do ser humano e para o seu desenvolvimento em um mundo que urge por humanidade e vida.
Que este livro possa contribuir com a Biodança e com a formação de facilitadores, dentro de um espírito amoroso, crítico e libertador, que anseia por diversidade e integração – a teia da vida.
Que sirva a reflexões e debates em favor de uma Cultura Biocêntrica, de um Movimento de Vida que clama em nossa sociedade por cidadania e amor.
O POETA NASCE TIMIDAMENTE EM VÔO RASO VIVENCIANDO A INOCÊNCIA ADORMECIDA DE DANÇAR COM AS PALAVRAS
(Cezar Wagner, Quixaba, 10.09.92 )
X.